Talvez seja melhor começar pelo significado.
A palavra "Doula" vem do grego "mulher que serve". Nos dias de hoje, aplica-se às mulheres que dão suporte físico e emocional a outras mulheres antes, durante e após o parto.
Antigamente a parturiente era acompanhada durante todo o parto por mulheres mais experientes, a sua mães, as irmãs mais velhas, vizinhas, geralmente mulheres que já tinham filhos . Depois do parto, durante as primeiras semanas de vida do bebé, estavam sempre na casa da recém mãe, cuidando dos afazeres domésticos, cozinhando, ajudando a cuidar das outras crianças.
As nossas famílias ficaram cada vez menores, fomos perdendo o contacto com as mulheres mais experientes, começamos a parir nos hospitais, a assistência passou para as mãos de uma equipe especializada: o médico obstetra, a enfermeira obstétra, a auxiliar de enfermagem, o pediatra, mas ficou uma lacuna: quem cuida especificamente do bem-estar físico e emocional daquela mãe que está prestes a ter um filho? Essa lacuna pode e deve ser preenchida pela Doula.
O ambiente impessoal dos hospitais, a presença de grande número de pessoas desconhecidas num momento tão íntimo da mulher, tende a fazer aumentar o medo, a dor e a ansiedade. Essas horas são de imensa importância emocional e afectiva, e a Doula encarregara-se de suprimir esta lacuna.
O que faz uma Doula?
Antes do parto orienta o casal sobre o que esperar do parto e pós-parto. Explica os procedimentos comuns e ajuda a mulher a preparar-se, física e emocionalmente para o parto, das mais variadas formas.
Geralmente, a Doula conhece a futura mãe durante a gravidez, estabelecendo-se entre elas uma relação de empatia e confiança, importante para o acompanhamento do parto que acontecerá mais tarde. Ao longo da gravidez, a Doula ouve os pais acerca dos seus anseios, expectativas e desejos relativamente ao parto, ajuda a esclarecer dúvidas, orienta na busca de informação de qualidade baseada em estudos científicos e, sobretudo, transmite confiança e tranquilidade no processo do parto à mulher e ao seu companheiro
Durante o parto a Doula está com a mãe, mantendo uma presença discreta, tranquilizadora e criando uma esfera de protecção à sua volta, assegurando a satisfação das suas necessidades básicas, privacidade, segurança, luz atenuada, redução do uso de linguagem e conforto térmico, favorecendo assim o bom desenrolar do trabalho de parto.
Funciona também como uma ponte entre a equipa hospitalar e o casal. Explica os complicados termos médicos e os procedimentos hospitalares e atenua a eventual frieza da equipe de atendimento num dos momentos mais vulneráveis da vida de uma mãe. Ajuda a parturiente a encontrar posições mais confortáveis para estar durante o trabalho de parto e parto e propõe medidas naturais que podem aliviar as dores, como banhos, massagens, relaxamento, etc.
Após o parto faz visitas à nova família, oferecendo apoio para o período de pós-parto, especialmente em relação à amamentação e cuidados com o bebé.
A Doula e o pai ou acompanhante
A Doula não substitui o pai (ou o acompanhante escolhido pela mulher) durante o trabalho de parto, muito pelo contrário. O pai muitas vezes não sabe bem como comportar-se naquele momento, não sabe exactamente o que está a acontecer, preocupa-se com a mulher mas não sabe necessariamente que tipo de carinho ou massagem a mulher está a precisar nessa ou naquela fase do trabalho de parto.
Eventualmente o pai sente-se embaraçado ao demonstrar suas emoções, com medo que isso atrapalhe sua companheira.
A Doula vai ajudá-lo a confortar a mulher, vai mostrar os melhores pontos de massagem, vai sugerir formas de prestar apoio à mulher na hora da expulsão, já que muitas posições ficam mais confortáveis se houver um suporte físico.
É importante esclarecer que a Doula não pretende ser uma substituta do pai. Cada um tem o seu papel
A Doula constitui um apoio não só à mãe como ao casal, sendo que o seu objectivo é sempre criar um ambiente harmonioso à volta da mãe, e reduzir a sua ansiedade, pois é isso que facilitará o trabalho de parto
O que a Doula não faz?
A Doula não executa qualquer procedimento médico, não faz exames, não cuida da saúde do recém-nascido, não substitui qualquer dos profissionais tradicionalmente envolvidos na assistência ao parto. Também não é sua função discutir procedimentos com a equipe ou questionar decisões.
Vantagens
As pesquisas têm mostrado que a actuação da Doula no parto pode:
Diminuir em 50% as taxas de cesariana
diminuir em 20% a duração do trabalho de parto
diminuir em 60% os pedidos de anestesia
diminuir em 40% o uso da oxitocina
diminuir em 40% o uso de fórceps.
A Doula é nos dias de hoje uma profissional da humanização do parto, compreende o parto como um processo fisiológico, que não pode ser desligado das dimensões física, psicológica, sexual, afectiva e espiritual do ser feminino.
”Doulas são amortecedores afectivos. Funcionam para proteger as pacientes das inúmeras provas, dúvidas, angústias, às quais ela é submetida durante o nascimento de uma criança. (…) O nascimento humano provoca uma gama de sentimentos que normalmente não experimentamos no nosso dia-a-dia. É um momento muito mágico e muito poderoso. Por isso, as pessoas que estão presentes neste momento, são imanadas de uma energia muito especial, que impregna seus corpos e almas com uma luminosidade lilás e brilhante. As Doulas, mulheres como as parturientes, são abençoadas com a dádiva da cumplicidade, e recebem como prémio a gratidão eterna.”
Dr. Ricardo Herbert Jones,
obstetra brasileiro e coordenador da Rede para a Humanização do Nascimento (ReHuNa) no Brasil.
Mas isto é tudo a teoria, na pratica para mim ser Doula é muito mais que isto, é um modo de estar na vida, é ver e viver a vida com outros olhos,
Citando a Doula Luísa Condeço :)
“Ser Doula é estar disponível SE precisarem de nós. Não só as grávidas, mas todas as outras mulheres.”
E finalizando com Maximiliam :))
"O trabalho das Doulas nada mais é do que a fraternidade instrumentalizada"
Eu sou então um instrumentos da fraternidade!
Catarina Pardal
sexta-feira, 30 de novembro de 2007
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
A pequena M.
Na passada 6a feira tive o prazer de dar mais uma aula de massagem.
Adorei rever a linda M. está tão crescida!!! é tão simpatica! Que bebé feliz!
Parabéns P. tens uma filha LINDA!
e obrigado pelos presentes :)
Adorei rever a linda M. está tão crescida!!! é tão simpatica! Que bebé feliz!
Parabéns P. tens uma filha LINDA!
e obrigado pelos presentes :)
curso de massagem para bebés para pais

O curso é composto por 4 encontros, habitualmente semanais, em horário pré acordado, pratica-se a massagem, debate-se a sua importância, quais os benefícios que daí advém para os pais e para o bebé, debatem-se vários temas relacionados com o desenvolvimento da criança, o sono, o choro, etc.
É um momento em que se esclarecem dúvidas no sentido de facilitar o vínculo entre ambos e se ensina a técnica da massagem ao longo de todo o corpo do bebé. Tudo isto no sentido de potenciar de uma forma saudável através do toque a relação pais – bebé.
Pode se feito em sua casa ou na quinta Palominas em Sintra
Contacte-me para mais informações!
919267844
catarinapardal@sapo.pt
Formação
Como ser instrutor de massagem para bebés?
APMI - http://www.apmi.org.pt/´
CEFAD - www.cefad.pt
E aguardem, pelo cuso de shantala do GAMA
http://www.maternidadeativa.com.br/
APMI - http://www.apmi.org.pt/´
CEFAD - www.cefad.pt
E aguardem, pelo cuso de shantala do GAMA
http://www.maternidadeativa.com.br/
Investigações / Estudos

São várias as investigações médicas que comprovam que crianças privadas do toque podem desencadear carência afectiva, tornando-se adultos insatisfeitos, inseguros ou ansiosos e com pouca auto-estima. Por outro lado, as crianças que foram massajadas, tocadas e acarinhadas tendem, quando adultos, a manter relações saudáveis pois entregam-se com mais facilidade, são mais abertos, simpáticos e confiantes.
Feboer, Pediatrics, 2004 – “O simples contacto pele com pele entre a mãe e o bebé durante 15 a 20 minutos após o parto, origina que logo após 4h de vida, o bebé fosse capaz de dormir mais (melhor organização dos estádios) e tivesse mais posturas em flexão (melhor modulação do sistema motor).
Numerosos estudos permitiram demonstrar que a estimulação táctil é muito importante para promover o crescimento físico, bem como a adaptação saudável das emoções e do comportamento, em animais de laboratório (Hammet 1992, Montagu 1986, Harlow 1958). Investigações recentemente conduzidas na universidade de Duke possibilitaram a identificação da existência de um “gene de crescimento” específico, segregado em resposta à estimulação táctil nos ratos.
A estimulação táctil (toque nutritivo) é uma das maneiras encontradas pelos pais para facilitar a “transição do útero para o mundo” que o seu bebé enfrenta (Montagu, 1986). A massagem pode ser um maravilhoso prolongamento do impulso natural que leva os pais a transmitirem amor e dedicação.
Está comprovado que a privação do toque conduz: a um aumento das hormonas do stress, a um aumento da secreção de corticosteroides; a uma diminuição do índice do crescimento, da diferenciação de células, da libertação de hormonas de crescimento, diminuição da produção de anticorpos, diminuição da produção linfocitária, e a alterações comportamentais (reacções depressivas), podendo em casos extremos conduzir mesmo à morte.
Nós necessitamos de uma segunda pele quando nascemos, de ter uma contenção, limites e fronteiras!!!
A relação Pais - bebés numa situação de massagem favorece a libertação de ocitocina. Vários são os estudos que confirmam que o nível de ocitocina aumenta como resultado ao toque, à pressão ligeira e à temperatura do corpo. A libertação de ocitocina para além de favorecer a vinculação e o reconhecimento, criando comportamentos de protecção parental, pode também ser responsável por um efeito anti-stress, abaixamento ou estabilização da pressão arterial, ganho de peso (activa a secreção de enzimas e ácidos digestivos), um aumento da circulação sanguínea em certas partes do corpo e uma diminuição do tónus muscular. Isto leva à conclusão que a massagem e a dinâmica de grupo que nela ocorre funcionam como um efeito positivo no bem estar tanto dos adultos como das crianças.
A massagem infantil melhora a relação pai (progenitor masculino)/bebé – os bebés estabelecem mais contacto ocular com os seus pais, sorrisos, respostas orientadas e menos comportamentos de evitamento. Os pais também demonstram um maior envolvimento com os seus bebés. O psicólogo e instrutor de massagem infantil, Tom Daly, comenta: “ No processo de aplicação da massagem, os pais ficam a conhecer os seus filhos de uma forma extraordinária; eles ligam-se a uma parte profunda da criança, e a uma parte profunda deles mesmos – o lado maternal”. Eles descobrem que são “excelentes mães”, e isto acontece numa relação segura onde a sua masculinidade não se sente comprometida. O mesmo autor refere também que as crianças têm uma maior auto-confiança e exibem maior criatividade quando os seus pais lhe dão atenção extra.
A massagem Infantil já provou ser também um método eficaz e seguro que permite uma melhoria considerável na interacção mãe-bebé no caso de mães deprimidas (Field, 1996).
Um estudo verificou que em crianças com idade pré-escolar o seu ritmo de vígilia-sono melhorou após uso da massagem infantil (T. Field, T Kilmer & I. Burman: Early Child Development and Care, in press)
Bavolek (1993) afirma que “ensinar a massagem infantil como parte de um programa global de educação parental poderá ajudar a quebrar o ciclo de abuso existente em muitas famílias”, uma vez que o método de massagem infantil da IAIM têm como principio o pedido de permissão que permite ás crianças desde cedo perceberem que elas são donas do seu próprio corpo e tem o controle de tudo o que se passa com ele.
Tiffany Field verificou num estudo um desenvolvimento neuropsicológico, ganho de peso e desenvolvimento mental em bebés prematuros posteriormente à estimulação. Os dados indicam que a estimulação precoce e sistemática dada pelas mães pode potenciar o desenvolvimento de crianças prematuras. Neste estudo o grupo de bebés prematuros sujeitos à massagem aumentaram em média mais 47% de peso, revelaram uma maior responsividade social e tiveram alta 6 dias mais cedo do hospital. O mecanismo biológico subjacente que explica o aumento de peso entre os recém nascidos prematuros alvo de massagem reside possivelmente no aumento do tónus vagal que, por sua vez, desencadeia um aumento de insulina (a hormona responsável pela absorção dos alimentos).
Estudos realizados pela mesma autora em 1996, permitiram comprovar que a massagem para além de permitir o crescimento de bebés prematuros, permite também o crescimento de bebés expostos a cocaína durante a fase pré-natal.
Para além dos benefícios anteriormente referidos a massagem é também uma mais valia no caso crianças com necessidades especiais: ajuda a relaxar os músculos hipertónicos, ajuda a estimular os músculos dos bebés que têm baixo tónus (ex. Sindrome de Down), ajuda a manter os níveis de oxigénio estáveis quando sujeitos a stress, ajuda os bebés a tolerarem o toque positivo (especialmente os que tiveram numa UCI), ajuda o bebé a libertar a tensão, favorece o aumento de peso e a saida mais cedo do hospital, ajuda a diminuir o gás intestinal e ajuda à digestão (ex. bebés com alteração do sistema digestivo) e ajuda a regular a hiper/hipo sensibilidade táctil.
Em casos de crianças com dermatite atópica verificou-se uma melhoria considerável dos sintomas depois de um curto período de uso da massagem infantil (Schachner L., field T., Hernandez-Reif M., Duarte A., and Krasnegor J., Pediatric Dermatology , 1998).
Saul Schanberg, investigador e pediatra, refere que as massagens reduzem a ansiedade nos doentes psiquiátricos infantis e adolescentes. Após 5 dias de massagens de 30 minutos nas costas, doentes infantis e adolescentes hospitalizados com depressão e perturbações da adaptação, mostraram-se menos deprimidos, menos ansiosos, apresentando níveis mais baixos de cortisol na saliva após a massagem; mais colaborativos, tendo o sono nocturno aumentado durante o período do teste. Nos doentes com depressão, os níveis de cortisol e neoepinefrina na urina também baixaram.
Para os bebés hospitalizados cuja exposição precoce ao toque ficou associada à dor e ao desconforto devido a procedimentos médicos, a massagem é uma maneira positiva de voltar a experimentar o toque como um encontro positivo e afectuoso.
Os Pais separados dos seus bebés pouco tempo depois do parto devido a doença , cesariana ou outras complicações afirmam que a massagem é um meio especialmente benéfico para ajudá-los a ganharem familiaridade com o seu bebé.
A massagem infantil permite que os pais estimulem o seu bebé e o descontraiam, numa interacção reciprocamente agradável (Leboyer, 1985).
Por último, a massagem infantil integra vários elementos da criação de laços afectivos (contacto visual directo, toque, odor, comunicação verbal e biorritmicidade) num programa estruturado de interacção entre pais e filho (Evans, 1990).
O programa da Massagem Infantil destina-se a todos os bebés ( inclusive os bebés prematuros e os com necessidades especiais) e a todas as famílias/ Pais.
Aqui promove-se o TOQUE NUTRITIVO!!! Ou seja, é um processo de Vinculação, onde o toque é a ponte de comunicação e de desenvolvimento entre o bebé e o seu elo afectivo. É um toque integrado num processo relacional, criando tempo de qualidade
http://www.massageminfantil.no.comunidades.net/
QUE ÓLEO DEVO USAR?
A IAIM recomenda o uso de óleos vegetais:
- Óleo de amêndoas doces
- Óleo de sésamo
- Óleo de gérmen de trigo
- Óleo de girassol
- Óleo de coco, etc.
Ao longo da massagem a pele do bebé respira, hidrata-se e alimenta-se de óleos vegetais
- Óleo de amêndoas doces
- Óleo de sésamo
- Óleo de gérmen de trigo
- Óleo de girassol
- Óleo de coco, etc.
Ao longo da massagem a pele do bebé respira, hidrata-se e alimenta-se de óleos vegetais
Perguntas frequentes
A partir de quando pode o bebé começar a ser massajado?
O bebé pode e deve começar a ser massajado logo após o seu nascimento. A idade limite do bebé para este curso é 1 ano.
Quantas sessões tem o curso?
Em grupo, o curso é composto por 5 sessões, com uma duração média de cada sessão entre os 60 e os 90 minutos, pois seguimos o ritmo dos nossos bebés…
Quantos bebés/pais podem participar em cada curso?
Os nossos cursos têm um limite máximo de 5 bebés e 2 acompanhantes por bebé.
O que é preciso levar para as aulas?
Os pais devem de vir com roupa confortável, de forma a poderem sentar-se no chão. Eventualmente uma muda de roupa a mais para os bebés, caso eles nos queiram presentear com alguma “surpresa” e uma toalha para o enrolar.
O bebé pode e deve começar a ser massajado logo após o seu nascimento. A idade limite do bebé para este curso é 1 ano.
Quantas sessões tem o curso?
Em grupo, o curso é composto por 5 sessões, com uma duração média de cada sessão entre os 60 e os 90 minutos, pois seguimos o ritmo dos nossos bebés…
Quantos bebés/pais podem participar em cada curso?
Os nossos cursos têm um limite máximo de 5 bebés e 2 acompanhantes por bebé.
O que é preciso levar para as aulas?
Os pais devem de vir com roupa confortável, de forma a poderem sentar-se no chão. Eventualmente uma muda de roupa a mais para os bebés, caso eles nos queiram presentear com alguma “surpresa” e uma toalha para o enrolar.
Benefícios da Massagem do Bebé:
- Aumenta a oxigenação dos tecidos e estimula o fluxo de energia pelo organismo
- Favorece a respiração, ajudando o organismo a expelir toxinas e revitalizando o corpo.
- A massagem também previne cólicas, prisão de ventre e insónia.
- Tem uma acção relaxante e melhora o estado geral do bebé.
- Actua directamente sobre o desenvolvimento psicomotor.
- Contribui para o contacto afectivo e promove a harmonia do bebé com o mundo exterior.
- Equilibra o sistema imunitário.
- Favorece a libertação da hormona do crescimento.
- Promove a segurança parental.
A massagem é um momento único de partilha, (é uma dádiva especial) que promove o conhecimento de pais e filhos e gera momentos de felicidade/bem-estar no seu crescimento e desenvolvimento.
- Favorece a respiração, ajudando o organismo a expelir toxinas e revitalizando o corpo.
- A massagem também previne cólicas, prisão de ventre e insónia.
- Tem uma acção relaxante e melhora o estado geral do bebé.
- Actua directamente sobre o desenvolvimento psicomotor.
- Contribui para o contacto afectivo e promove a harmonia do bebé com o mundo exterior.
- Equilibra o sistema imunitário.
- Favorece a libertação da hormona do crescimento.
- Promove a segurança parental.
A massagem é um momento único de partilha, (é uma dádiva especial) que promove o conhecimento de pais e filhos e gera momentos de felicidade/bem-estar no seu crescimento e desenvolvimento.
slings mamã eu kero

Sling – um sling é a versão cosmopolita das kangas africanas, dos xailes, lenços e capolanas que as mulheres de culturas indígenas utilizam há séculos para trazer os seus bebés junto a si desde que nascem. Esta versão moderna e adaptada usa-se a tiracolo e tem um desenho especifico que permite que o bebé se aninhe confortável e seguro junto do corpo da mãe. Além das vantagens que tem para o bebé e para a mãe o Sling é de utilização muito simples e fácil de transportar ...
http://www.mamaeukero.blogspot.com/
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
Estou muito feliz
workshop-clube do pano

24 de Novembro de 2007
pelas 14h30min
Público-alvo:
Todos os pais, educadores de infância e curioso que estejam interessados em conhecer as diversas vantagens que esta técnica de transporte de bebés poderá trazer.
Conteúdos Programáticos:
Explicação sobre o pano – texturas e cores;
O surgimento do pano;
O pano como útero de transição;
Os benefícios do uso do pano;
A importância do toque entre pais e filhos;
Apresentação de vários nós para utilização do Pano.
Duração Total do Curso:
3 horas
Preços:
Um pai 15€
Casal 20€
Inscrições:
Presencialmente no Centro Immensus Saberes ou por telefone até ao dia 22 de Novembro de 2007.
Contactos:
Morada: Praceta António Gedeão 10B Vale Mourão, 2635-002 Rio-de-Mouro
tlf: 219174529
tlm:969371927
mailto:info@immensus-saberes.pt
http://clubedopano.blogspot.com/
sessões de aconselhamento
com Sandra Pinheiro
Sessões de aconselhamento de utilização do pano porta-bebé para uma boa postura e bem estar de quem transporta e do bebé:
-LISBOA
DATA: Primeira quinta-feira de cada mês ( 06.12.07; ….), às 15:30h,
LOCAL: Consultório Rafael (Av. de Roma nº51; 5ºDto, 1700 Lisboa.
mailto:consultorio.rafael@sapo.pt/)
-DATA: Terceira terça-feira de cada mês ( 16.10.07; 20.11.07; 18.12.07;....), às 15:00h,
LOCAL: H2OTerapia ( http://www.h2oterapia.com/).
-BRAGA:
DATA: 24 de Novembro de 07
LOCAL: Nossas Mãos - espaço para a saúde natural de adultos e crianças
(Praça Conde Agrolongo, n.36 1ºDto; Braga,
Tlm: 966 895 851 e 965 477 360)
A sessão incluí:
- O pano porta-bebé no Mundo e na história;
- As vantagens para quem transporta (mãe) e para o bebé, principalmente na sua adaptação após nascimento;
- Os aspectos a ter em conta na selecção do tecido para os panos porta-bebé;
- Os vários métodos de colocação do pano, tendo em conta aspectos fisiológicos do bebé e de quem transporta;
CUSTO: 15,00€/pais
Terei todo o gosto em partilhar convosco!
Inscrevam-se
aqui
http://panoportabebe.blogspot.com/
Sessões de aconselhamento de utilização do pano porta-bebé para uma boa postura e bem estar de quem transporta e do bebé:
-LISBOA
DATA: Primeira quinta-feira de cada mês ( 06.12.07; ….), às 15:30h,
LOCAL: Consultório Rafael (Av. de Roma nº51; 5ºDto, 1700 Lisboa.
mailto:consultorio.rafael@sapo.pt/)
-DATA: Terceira terça-feira de cada mês ( 16.10.07; 20.11.07; 18.12.07;....), às 15:00h,
LOCAL: H2OTerapia ( http://www.h2oterapia.com/).
-BRAGA:
DATA: 24 de Novembro de 07
LOCAL: Nossas Mãos - espaço para a saúde natural de adultos e crianças
(Praça Conde Agrolongo, n.36 1ºDto; Braga,
Tlm: 966 895 851 e 965 477 360)
A sessão incluí:
- O pano porta-bebé no Mundo e na história;
- As vantagens para quem transporta (mãe) e para o bebé, principalmente na sua adaptação após nascimento;
- Os aspectos a ter em conta na selecção do tecido para os panos porta-bebé;
- Os vários métodos de colocação do pano, tendo em conta aspectos fisiológicos do bebé e de quem transporta;
CUSTO: 15,00€/pais
Terei todo o gosto em partilhar convosco!
Inscrevam-se
aqui
http://panoportabebe.blogspot.com/
slings rosa pomar
terça-feira, 20 de novembro de 2007
Biodanza para mães e bebés
no pano porta-bebés
com Manuela Robert
Desenvolva uma ligação profunda com o seu bebé, oferecendo segurança, dando e recebendo amor!
Venha fazer uma actividade mantendo o seu bebé junto a si.
No pano porta-bebé há um maior contacto com a mãe fortalecendo os laços afectivos e aumentando a sintonia entre ambos.
Juntos farão exercícios que aumentarão o vínculo afectivo e darão ao bebé um prazer e uma tranquilidade imprescindíveis para o seu desenvolvimento emocional.
As vantagens da prática regular de Biodanza são
Para a Mãe:
v Mais resistência, mais energia vital para realizar as tarefas diárias.
v Elevação do ânimo (humor).
v O corpo retorna ao normal mais rapidamente.
v Efeito antidepressivo e ansiolítico.
v Dissolução de tensões motoras crónicas.
v Grande aumento da auto-estima e confiança.
Para o bebé:
v Diminuição do choro e irritabilidade.
v Sonos mais tranquilos.
v Menos cólicas.
v Reforço do sistema imunitário.
v Ritmo respiratório e cardíaco mais certo.
v Estímulo do equilíbrio.
v Sentirá segurança, carinho e amor!
AULAS às 4ª feira das 15:00h às 16:30h
LOCAL: H2OTerapia ( http://www.h2oterapia.com/).
As inscrições estão abertas!
Faça uma sessão gratuita!
Para informações: Manuela Robert 964 064 020
com Manuela Robert
Desenvolva uma ligação profunda com o seu bebé, oferecendo segurança, dando e recebendo amor!
Venha fazer uma actividade mantendo o seu bebé junto a si.
No pano porta-bebé há um maior contacto com a mãe fortalecendo os laços afectivos e aumentando a sintonia entre ambos.
Juntos farão exercícios que aumentarão o vínculo afectivo e darão ao bebé um prazer e uma tranquilidade imprescindíveis para o seu desenvolvimento emocional.
As vantagens da prática regular de Biodanza são
Para a Mãe:
v Mais resistência, mais energia vital para realizar as tarefas diárias.
v Elevação do ânimo (humor).
v O corpo retorna ao normal mais rapidamente.
v Efeito antidepressivo e ansiolítico.
v Dissolução de tensões motoras crónicas.
v Grande aumento da auto-estima e confiança.
Para o bebé:
v Diminuição do choro e irritabilidade.
v Sonos mais tranquilos.
v Menos cólicas.
v Reforço do sistema imunitário.
v Ritmo respiratório e cardíaco mais certo.
v Estímulo do equilíbrio.
v Sentirá segurança, carinho e amor!
AULAS às 4ª feira das 15:00h às 16:30h
LOCAL: H2OTerapia ( http://www.h2oterapia.com/).
As inscrições estão abertas!
Faça uma sessão gratuita!
Para informações: Manuela Robert 964 064 020
segunda-feira, 19 de novembro de 2007
Porquê carregar o seu bebé num porta-bebés?

Porque é muito mais prático e simples de usar.
Porque fortalece os laços afectivos.
Não é preciso preocupar-se com obstáculos nos passeios ou passeios inexistentes.
Ajuda a aliviar as cólicas dos primeiros meses de vida.
Acalma os bebés
Permite uma maior liberdade de movimentos, podendo por ex. dar mais atenção aos filhos mais velhos.
O pano é o porta-bebés mais versátil, pode-se utilizar na parte da frente (não se deve carregar
os bebés virados com a cara para a frente), nas costas e na anca.
Óptimo para qualquer pessoa, desde que consiga pegar o bebé.
Óptima distribuição do peso.
Fica com as mãos livres.
O bebé normalmente gosta de estar perto da mãe/pai ou a da pessoa que está com ele.
Permite uma posição correcta para o desenvolvimento da bacia.
Adapta-se perfeitamente ao corpo do bebé.
http://www.naturkinda.com/carregar.html
panos na net
onde comprar um pano porta bebés?
canguro
http://canguru.home.sapo.pt
sandra
http://panoportabebe.blogspot.com
naturkinda
http://www.naturkinda.com
clube do pano
http://clubedopano.blogspot.com
clube do pano loja
http://www.clubedopano.org
a ervilha cor de rosa
http://www.aervilhacorderosa.com
ecobebes
http://www.ecobebes.com
canguro
http://canguru.home.sapo.pt
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naturkinda
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clube do pano
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clube do pano loja
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a ervilha cor de rosa
http://www.aervilhacorderosa.com
ecobebes
http://www.ecobebes.com
Haja feno...

No Curso de Medicina, o professor dirige-se ao aluno e pergunta:
Quantos rins nós temos?
Quatro! Responde o aluno.
Quatro? - Replica o professor, arrogante, daqueles que têm prazer em gozar sobre os erros dos alunos.
Traga um molho de feno, pois temos um asno na sala - ordena o professor ao seu auxiliar.
E para mim um cafezinho! - Replicou o aluno ao auxiliar do mestre.
O professor ficou irado e expulsou o aluno da sala. O aluno era, o humorista Aparício Torelly Aporelly (1895-1971), mais conhecido como o 'Barão de Itararé'.
Ao sair da sala, o aluno ainda teve a audácia de corrigir o furioso mestre:
O senhor perguntou-me quantos rins "nós temos".
"Nós " temos quatro: dois meus e dois seus. Tenha um bom apetite e delicie-se com o feno.
A vida exige muito mais compreensão do que conhecimento!
Ás vezes as pessoas, por terem mais um pouco de conhecimento ou acreditarem que o tem, acham-se no direito de subestimar os outros...
E haja feno!
segunda-feira, 12 de novembro de 2007
O porquê da dor
A gente pode dissecar a questão da dor (do parto) de infinitos modos, pois não se trata de uma grandeza absoluta, não mede xis unidades de qualquer coisa. Ela é relativa, e a múltiplos fatores combinados entre si, físicos e psíquicos, conscientes e inconscientes, e a combinação de todos eles produz a percepção psico-física dentro de limiares individuais.
Na nossa cultura, o parto é na grande maior parte das vezes vivenciado e relatado como um evento em que está presente uma dor que beira o insuportável. Será necessário que seja assim? Vejamos...
Primeiramente há o aspecto evolutivo. O parto humano é o que apresenta a relação céfalo- pélvica mais estreita da natureza. Um dia resolvemos descer das árvores e caminhar sobre duas pernas. Outro dia resolvemos engrossar nossa camada de neo-córtex cerebral: resultamos bípedes e cabeçudos, porque somos metidos a não ser bestas. E na hora de parir nossos filhotes, os processos musculares de contração das paredes e dilatação do colo uterino, mais os movimentos do bebê empurrando-se para fora ocorrem sem folga de espaço, e as sensações fortes* que esses processos produzem podem ser interpretados como “dor”, e potencializados em sensações ainda mais dolorosas se houver medo, insegurança, ou ação de hormônios artificiais como se costuma aplicar através de soro às mulheres em trabalho de parto com o objetivo de acelerar o processo, atingindo níveis de fato insuportáveis. Em "Correntes da Vida", o psicoterapeuta inglês David Boadella** descreve o comportamento uterino em trabalho de parto quando a mãe sente qualquer tipo de medo – consciente ou inconsciente:
“(...) o útero tenta fazer duas coisas antagônicas ao mesmo tempo: tenta abrir-se, sob a influência do relógio biológico que atua através do hormônio que prepara o caminho para o bebê nascer; e, simultaneamente, tenta manter-se fechado, sob a influência dos nervos simpáticos, trazidos à ação pelo medo. É como se alguém quisesse dobrar e esticar o braço ao mesmo tempo; o braço teria um espasmo, que causaria dor. isso é exatamente o que acontece com o útero de uma mãe que é incapaz de relaxar e que está condicionada a sentir dor.”
Mas por que a mulher está condicionada a sentir dor? Um dos motivos é o arquétipo do parto doloroso em conseqüência do pecado original, como reza nossa cultura judaico-cristã. Ao expulsar Adão e Eva do Paraíso por terem provado do fruto do Conhecimento, o Criador lhes diz: “Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos” (Gênesis 3:16). Ora, como não sentir dor se o próprio Deus a determina? O arquétipo do parto como sofrimento foi literalmente in-corporado baixo a quase 6.000 anos de crença.
Outro aspecto importante, é o caráter fisiológico do parto. Esta noção não faz parte do senso comum: de que o ato de parir (assim como gestar e amamentar) é tão fisiológico e saudável quanto respirar, digerir, filtrar o sangue, pensar, absorver nutrientes, excretar, chorar, ouvir, enxergar, fazer sexo, fazer amor. Mas na nossa cultura, uma mulher grávida é vista como alguém sob risco potencial e iminente, o parto é visto como um evento necessariamente hospitalar e na maioria das vezes, cirúrgico. Ao transformar um evento potencialmente saudável em necessariamente patológico, a dor encontra campo fértil para ser identificada como tal. Está aí um dos fatores que levam tantas mulheres a sentir pavor pelo parto normal.
A dor tida por alucinante pode ser percebida como lidável quando a mulher, em primeiro lugar subtrai-lhe a parcela da dor propriamente dita, advinda do medo e da insegurança; o restante das sensações, ela pode converter em sensações lidáveis ao aceitar a natureza do seu corpo, aceitar as sensações do trabalho de parto não como alguma coisa a vencer, contra as quais se deve lutar - porque elas não resultam de uma patologia, não sinalizam alguma coisa que está errada, como uma fratura ou queimadura, por exemplo. Não. Essa sensação é uma aliada que sinaliza o processo fisiológico do parto, levando a mulher a fazer força, ou a se contorcer, a gemer, a acocorar-se ou a procurar a banheira, e entre as contrações as sensações atenuam, como ondas***, e você pode relaxar. As sensações intensas levam ao transe, e esse transe tem que ser aproveitado, ele faz parte. Você não precisa de anestésicos, ordem pra fazer força, fórceps. Você precisa apenas de liberdade para vivenciar seu parto.
O parto é você, é o seu corpo em plena atividade, e você não deveria deixar esta parte de você ser subtraída por uma conveniência que vem de fora. Existem séculos de uma cultura desfeminilizante costurando essa rede em que se cai tão facilmente, como eu mesma caí nos meus partos. Não é a mulher que precisa da anestesia, são os outros que precisam do conforto de uma mulher parindo quietinha.
E há outro aspecto que eu acho muito interessante que é a coisa do ritual de passagem. Nós cultivamos algumas manifestações externas de rituais, como casamentos, batizados, bar-mitzvahs, aniversários, festas da primavera, e essas festas refletem a nossa necessidade humana de marcar as passagens das fases, de criança inimputável para o adulto responsável, da vida individual para a vida em família, de um período de dureza para outro de fartura, enfim, quando passamos de uma fase para outra sem essa marca fica faltando alguma coisa. Tive um tio que foi tratado com hormônios nos anos 40 para acelerar seu crescimento. Na verdade ele foi cobaia das primeiras experimentações com hormônios no Brasil. De um dia para o outro ganhou pelos pelo corpo, engrossou a voz, a adolescência que deveria prepará-lo vagarosamente para a idade adulta veio num turbilhão que ele não deu conta e ninguém à volta dele compreendeu. Ele enlouqueceu.
Assim é com o parto. Quando se tenta ao máximo passar por ele como se nada tivesse acontecido - e o ápice disso é a cesárea eletiva, está-se pulando um ritual fundamental para o início da maternidade. E o efeito cascata começa: dificuldade de estabelecer vínculo com o bebê, depressão pós-parto, "falta" de leite, intolerância ao comportamento do bebê. O parto normal cheio de intervenções, do qual se diz "ah, foi uma beleza, não senti na-da!!! fiquei ali, conversando, e em xis (poucas) horas o bebê nasceu!!" não é muito menos maquiagem da passagem. Sim, "de repente" o bebê estava ali. E ela não precisou fazer nada. Inicia-se a maternidade com a sensação de que "não é preciso fazer nada" para ser mãe. E começa a transferência de responsabilidade... impulsionada pela sensação inconsciente de que a maternidade moderna NÃO PODE ser trabalhosa. E esse caráter trabalhoso que a maternidade efetivamente tem, não é, como nossa sociedade acredita, um sofrimento, um castigo do qual devemos nos livrar. Ao contrário, ela contém o extremo prazer que sentem as pessoas que superam desafios, convivendo com as mudanças no corpo e na vida pelo prazer que isso traz, em oposição à compulsão de querer lutar contra as mudanças irreversíveis promovidas pela chegada dos filhos.
O processo do parto vem sendo aprimorado há milhões de anos (ou milhares, depende do critério), e a humanidade definitivamente não aperfeiçoou este processo agregando-lhe tecnologia, apenas o corrompeu. Anestesia, ocitocina na veia, posição horizontal, raspagens, submissão a alguém como dono do parto, kristeller, amniotomia, episiotomia, tudo isso num trabalho de parto que está transcorrendo sem intercorrências, não é evolução: é perversão. Das grossas. Você e seu bebê não precisam de mais nada além dos seus corpos com seus hormônios para permitir o nascimento.
Precisamos desconstruir o conceito de parto doloroso, e compreender e desejar e conquistar o parto prazeroso, não importa quão trabalhoso ele possa ser. Não se deixem levar pela inércia do sistema obstétrico vigente, que inadvertidamente vampiriza a força, a beleza e a vida que mãe e bebê protagonizam no ato de parir e nascer.
* definição da Éllade França
** contribuição da Anita Cione
*** definição de Michel Odent
Roselene Nogueira
Mãe de Heloisa, Beatriz e Isabela (3 partos normais hospitalares)
retirado www.partodoprincipio.com.br
Na nossa cultura, o parto é na grande maior parte das vezes vivenciado e relatado como um evento em que está presente uma dor que beira o insuportável. Será necessário que seja assim? Vejamos...
Primeiramente há o aspecto evolutivo. O parto humano é o que apresenta a relação céfalo- pélvica mais estreita da natureza. Um dia resolvemos descer das árvores e caminhar sobre duas pernas. Outro dia resolvemos engrossar nossa camada de neo-córtex cerebral: resultamos bípedes e cabeçudos, porque somos metidos a não ser bestas. E na hora de parir nossos filhotes, os processos musculares de contração das paredes e dilatação do colo uterino, mais os movimentos do bebê empurrando-se para fora ocorrem sem folga de espaço, e as sensações fortes* que esses processos produzem podem ser interpretados como “dor”, e potencializados em sensações ainda mais dolorosas se houver medo, insegurança, ou ação de hormônios artificiais como se costuma aplicar através de soro às mulheres em trabalho de parto com o objetivo de acelerar o processo, atingindo níveis de fato insuportáveis. Em "Correntes da Vida", o psicoterapeuta inglês David Boadella** descreve o comportamento uterino em trabalho de parto quando a mãe sente qualquer tipo de medo – consciente ou inconsciente:
“(...) o útero tenta fazer duas coisas antagônicas ao mesmo tempo: tenta abrir-se, sob a influência do relógio biológico que atua através do hormônio que prepara o caminho para o bebê nascer; e, simultaneamente, tenta manter-se fechado, sob a influência dos nervos simpáticos, trazidos à ação pelo medo. É como se alguém quisesse dobrar e esticar o braço ao mesmo tempo; o braço teria um espasmo, que causaria dor. isso é exatamente o que acontece com o útero de uma mãe que é incapaz de relaxar e que está condicionada a sentir dor.”
Mas por que a mulher está condicionada a sentir dor? Um dos motivos é o arquétipo do parto doloroso em conseqüência do pecado original, como reza nossa cultura judaico-cristã. Ao expulsar Adão e Eva do Paraíso por terem provado do fruto do Conhecimento, o Criador lhes diz: “Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos” (Gênesis 3:16). Ora, como não sentir dor se o próprio Deus a determina? O arquétipo do parto como sofrimento foi literalmente in-corporado baixo a quase 6.000 anos de crença.
Outro aspecto importante, é o caráter fisiológico do parto. Esta noção não faz parte do senso comum: de que o ato de parir (assim como gestar e amamentar) é tão fisiológico e saudável quanto respirar, digerir, filtrar o sangue, pensar, absorver nutrientes, excretar, chorar, ouvir, enxergar, fazer sexo, fazer amor. Mas na nossa cultura, uma mulher grávida é vista como alguém sob risco potencial e iminente, o parto é visto como um evento necessariamente hospitalar e na maioria das vezes, cirúrgico. Ao transformar um evento potencialmente saudável em necessariamente patológico, a dor encontra campo fértil para ser identificada como tal. Está aí um dos fatores que levam tantas mulheres a sentir pavor pelo parto normal.
A dor tida por alucinante pode ser percebida como lidável quando a mulher, em primeiro lugar subtrai-lhe a parcela da dor propriamente dita, advinda do medo e da insegurança; o restante das sensações, ela pode converter em sensações lidáveis ao aceitar a natureza do seu corpo, aceitar as sensações do trabalho de parto não como alguma coisa a vencer, contra as quais se deve lutar - porque elas não resultam de uma patologia, não sinalizam alguma coisa que está errada, como uma fratura ou queimadura, por exemplo. Não. Essa sensação é uma aliada que sinaliza o processo fisiológico do parto, levando a mulher a fazer força, ou a se contorcer, a gemer, a acocorar-se ou a procurar a banheira, e entre as contrações as sensações atenuam, como ondas***, e você pode relaxar. As sensações intensas levam ao transe, e esse transe tem que ser aproveitado, ele faz parte. Você não precisa de anestésicos, ordem pra fazer força, fórceps. Você precisa apenas de liberdade para vivenciar seu parto.
O parto é você, é o seu corpo em plena atividade, e você não deveria deixar esta parte de você ser subtraída por uma conveniência que vem de fora. Existem séculos de uma cultura desfeminilizante costurando essa rede em que se cai tão facilmente, como eu mesma caí nos meus partos. Não é a mulher que precisa da anestesia, são os outros que precisam do conforto de uma mulher parindo quietinha.
E há outro aspecto que eu acho muito interessante que é a coisa do ritual de passagem. Nós cultivamos algumas manifestações externas de rituais, como casamentos, batizados, bar-mitzvahs, aniversários, festas da primavera, e essas festas refletem a nossa necessidade humana de marcar as passagens das fases, de criança inimputável para o adulto responsável, da vida individual para a vida em família, de um período de dureza para outro de fartura, enfim, quando passamos de uma fase para outra sem essa marca fica faltando alguma coisa. Tive um tio que foi tratado com hormônios nos anos 40 para acelerar seu crescimento. Na verdade ele foi cobaia das primeiras experimentações com hormônios no Brasil. De um dia para o outro ganhou pelos pelo corpo, engrossou a voz, a adolescência que deveria prepará-lo vagarosamente para a idade adulta veio num turbilhão que ele não deu conta e ninguém à volta dele compreendeu. Ele enlouqueceu.
Assim é com o parto. Quando se tenta ao máximo passar por ele como se nada tivesse acontecido - e o ápice disso é a cesárea eletiva, está-se pulando um ritual fundamental para o início da maternidade. E o efeito cascata começa: dificuldade de estabelecer vínculo com o bebê, depressão pós-parto, "falta" de leite, intolerância ao comportamento do bebê. O parto normal cheio de intervenções, do qual se diz "ah, foi uma beleza, não senti na-da!!! fiquei ali, conversando, e em xis (poucas) horas o bebê nasceu!!" não é muito menos maquiagem da passagem. Sim, "de repente" o bebê estava ali. E ela não precisou fazer nada. Inicia-se a maternidade com a sensação de que "não é preciso fazer nada" para ser mãe. E começa a transferência de responsabilidade... impulsionada pela sensação inconsciente de que a maternidade moderna NÃO PODE ser trabalhosa. E esse caráter trabalhoso que a maternidade efetivamente tem, não é, como nossa sociedade acredita, um sofrimento, um castigo do qual devemos nos livrar. Ao contrário, ela contém o extremo prazer que sentem as pessoas que superam desafios, convivendo com as mudanças no corpo e na vida pelo prazer que isso traz, em oposição à compulsão de querer lutar contra as mudanças irreversíveis promovidas pela chegada dos filhos.
O processo do parto vem sendo aprimorado há milhões de anos (ou milhares, depende do critério), e a humanidade definitivamente não aperfeiçoou este processo agregando-lhe tecnologia, apenas o corrompeu. Anestesia, ocitocina na veia, posição horizontal, raspagens, submissão a alguém como dono do parto, kristeller, amniotomia, episiotomia, tudo isso num trabalho de parto que está transcorrendo sem intercorrências, não é evolução: é perversão. Das grossas. Você e seu bebê não precisam de mais nada além dos seus corpos com seus hormônios para permitir o nascimento.
Precisamos desconstruir o conceito de parto doloroso, e compreender e desejar e conquistar o parto prazeroso, não importa quão trabalhoso ele possa ser. Não se deixem levar pela inércia do sistema obstétrico vigente, que inadvertidamente vampiriza a força, a beleza e a vida que mãe e bebê protagonizam no ato de parir e nascer.
* definição da Éllade França
** contribuição da Anita Cione
*** definição de Michel Odent
Roselene Nogueira
Mãe de Heloisa, Beatriz e Isabela (3 partos normais hospitalares)
retirado www.partodoprincipio.com.br
domingo, 11 de novembro de 2007
Conforto no parto
Obstipação
A obstipação é um problema para muitas mulheres durante
a gravidez, particularmente no último trimestre.
Estudos de observação constataram que a modificação da
dieta, o consumo de líquidos e o exercício trazem alívio para
muitas mulheres. Mais recentemente, o interesse concentrou-se
no consumo suplementar moderado de fibras para reduzir
a obstipação. Um pequeno estudo randomizado comparando
duas formas de dieta com suplemento de farelo e sem
suplemento, as gravidas com obstipação que receberam
suplementação de fibras tiveram um número de movimentos
intestinais aumentado em comparação com as mulheres não tratadas.
Todavia, muitas mulheres com obstipação podem necessitar
de laxantes se as condutas fisiológicas não proporcionarem
alívio. Os laxantes geralmente são classificados pelo seu
mecanismo de ação. Os agentes formadores de volume (derivados
de polissacarídeos e/ou celulose) e os amolecedores das
fezes com detergentes (os dioctilsulfossucinatos) são seguros
durante a gravidez, porque são inertes e não absorvidos. Alguns
laxantes, como os difenilmetanos (por ex., bisacodil e
fenolftaleína), as antraquinonas (aloe, cáscara e sene) e o óleo
de rícino, exercem sua ação irritante sobre o intestino. Os efeitos
colaterais maternos mais comuns incluem cólica ou dor
súbita, aumento da secreção de muco e catarse excessiva com
conseqüente perda de líquido. O uso crônico de laxantes irritantes
pode resultar em perda da função intestinal normal e
dependência de laxantes. Esses laxantes irritantes são todos
absorvidos sistemicamente. A maioria deles
provavelmente atravessa a placenta, mas há poucas informações
sobre possíveis efeitos sobre o feto.
Os catárticos salinos (sais de magnésio, sódio e potássio) e
lubrificantes (como óleos minerais) não devem ser usados
durante a gravidez; os primeiros devido ao risco de induzir
distúrbios eletrolíticos e os outros porque interferem com a
absorção de vitaminas lipossolúveis.
O conselho inicial para mulheres com constipação deve ser
usar medidas fisiológicas e aumentar o consumo de fibras. Os
agentes formadores de volume e os amolecedores das fezes são
seguros para uso prolongado durante a gravidez e a lactação.
Se essas preparações não aliviarem os sintomas, deve-se usar
laxantes irritantes como o sene ou o bisacodil padronizados
por curto período. Não devem ser usados catárticos salinos e
óleos lubrificantes.
Adaptado do "Guia para atenção efetiva na gravidez e no parto"
a gravidez, particularmente no último trimestre.
Estudos de observação constataram que a modificação da
dieta, o consumo de líquidos e o exercício trazem alívio para
muitas mulheres. Mais recentemente, o interesse concentrou-se
no consumo suplementar moderado de fibras para reduzir
a obstipação. Um pequeno estudo randomizado comparando
duas formas de dieta com suplemento de farelo e sem
suplemento, as gravidas com obstipação que receberam
suplementação de fibras tiveram um número de movimentos
intestinais aumentado em comparação com as mulheres não tratadas.
Todavia, muitas mulheres com obstipação podem necessitar
de laxantes se as condutas fisiológicas não proporcionarem
alívio. Os laxantes geralmente são classificados pelo seu
mecanismo de ação. Os agentes formadores de volume (derivados
de polissacarídeos e/ou celulose) e os amolecedores das
fezes com detergentes (os dioctilsulfossucinatos) são seguros
durante a gravidez, porque são inertes e não absorvidos. Alguns
laxantes, como os difenilmetanos (por ex., bisacodil e
fenolftaleína), as antraquinonas (aloe, cáscara e sene) e o óleo
de rícino, exercem sua ação irritante sobre o intestino. Os efeitos
colaterais maternos mais comuns incluem cólica ou dor
súbita, aumento da secreção de muco e catarse excessiva com
conseqüente perda de líquido. O uso crônico de laxantes irritantes
pode resultar em perda da função intestinal normal e
dependência de laxantes. Esses laxantes irritantes são todos
absorvidos sistemicamente. A maioria deles
provavelmente atravessa a placenta, mas há poucas informações
sobre possíveis efeitos sobre o feto.
Os catárticos salinos (sais de magnésio, sódio e potássio) e
lubrificantes (como óleos minerais) não devem ser usados
durante a gravidez; os primeiros devido ao risco de induzir
distúrbios eletrolíticos e os outros porque interferem com a
absorção de vitaminas lipossolúveis.
O conselho inicial para mulheres com constipação deve ser
usar medidas fisiológicas e aumentar o consumo de fibras. Os
agentes formadores de volume e os amolecedores das fezes são
seguros para uso prolongado durante a gravidez e a lactação.
Se essas preparações não aliviarem os sintomas, deve-se usar
laxantes irritantes como o sene ou o bisacodil padronizados
por curto período. Não devem ser usados catárticos salinos e
óleos lubrificantes.
Adaptado do "Guia para atenção efetiva na gravidez e no parto"
Náuseas e vómitos
As náuseas e vómitos estão entre os sintomas mais frequentes,
os mais característicos e talvez os mais incómodos do início
da gravidez. Quase 75% das gravidas apresentam
náuseas, e uma em cada 10 apresenta persistência do distúrbio
depois do primeiro trimestre. Apesar do nome popular “enjoo
matinal”, muitas mulheres têm o sintoma durante todo o
dia. Frequentemente é mais intenso e mais duradouro nas
mulheres com gravidez múltipla.
Felizmente, a forma mais grave de náusea e vómito
(hiperêmese gravídica), com desidratação e distúrbio
eletrolítico, é rara.
As causas de náuseas na gravidez ainda são desconhecidas,
e a variedade de tratamentos recomendados reflecte as muitas
teorias sobre as causas. Como poderia ser esperado de uma
condição auto limitada, estudos não-controlados desses “tratamentos”
mostraram resultados sensacionais, mas falsos. Em
contraste, os resultados dos estudos controlados foram menos
impressionantes.
Recentemente, o uso de antieméticos diminuiu devido a
temores possivelmente justificados dos efeitos da medicação
sobre o feto. Frequentemente são preferidas condutas não farmacêuticas
para aliviar náuseas e vómitos, particularmente
durante as primeiras semanas, quando o feto em desenvolvimento
é mais vulnerável. Sugestões comuns sobre repouso
e dieta para mulheres com náuseas ou vómitos durante a
gravidez não foram avaliadas em estudos randomizados, mas
tendem a ser inofensivas, e podem ser úteis. Pequenas quantidades
de carboidratos, como biscoitos ou bananas, podem
aliviar algumas mulheres, e se forem retidas proporcionarão
a nutrição necessária. O repouso pode ser impossível quando
as mulheres têm outras responsabilidades, como um
emprego ou filhos pequenos, mas pode ser útil quando possível.
Uma conduta não-convencional, que utiliza acupressão no
ponto Neiguan (P6) no punho, foi avaliada em vários estudos
randomizados controlados por placebo. Os estudos foram pequenos,
mas sugerem que a acupressão pode reduzir a frequência
de náusea persistente. As pulseiras antienjôo comuns usadas
para enjôos em viagens podem ajudar algumas mulheres,
e não tendem a causar danos. O papel da acupressão merece
avaliação adicional.
A vitamina B6 (piridoxina) foi testada em dois estudos. Seus
resultados sugerem que a vitamina B6 pode ser efectiva na redução
da intensidade da náusea, mas não está claro em que
grau. As indicações de qualquer efeito sobre o vómito são
inconclusivas. No caso de hiperêmese, o gengibre em pó e o
ACTH foram comparados com placebo, mas esses estudos
foram pequenos demais para permitir quaisquer conclusões
fidedignas.
Vários estudos, realizados principalmente nas décadas de
1950 e 1960, demonstraram que diversos anti-histamínicos
são melhores que os placebos. Um estudo da dramamina
mostrou que ela é menos efectiva isoladamente do que quando
associada à benzilamina. Os anti-histamínicos simples geralmente
são considerados seguros durante a gravidez, embora
algumas vezes causem efeitos colaterais perturbadores. Não foram realizados grandes
estudos epidemiológicos para pesquisar possíveis efeitos adversos
sobre o feto.
Antigamente, a droga mais usada no tratamento de náuseas
e vómitos da gravidez era uma substância contendo o antihistamínico
succinato de doxilamina e piridoxina (comercializada
como Debendox no Reino Unido, como Bendectin nos
Estados Unidos e no Canadá e como Lenotan em alguns outros
países). Os três pequenos estudos controlados com placebo
publicados fornecem indicações razoáveis de que o Debendox
aliviava as náuseas durante a gravidez. Foi retirado do mercado
em 1983 em consequência de processos judiciais contra os
fabricantes. Houve alegações de que a droga causara malformações
congénitas quando usada na gravidez. Na época de seu
recall, o Debendox havia sido usado por mais de 30 milhões
de mulheres em todo o mundo. Em muitos países, um quarto
a um terço de todas as gestantes usaram Debendox. Se as
malformações congénitas ocorrem em 3,5% dos bebés, apenas
acidentalmente o Debendox teria sido usado pelas mães
de mais de um milhão de bebés nascidos com malformação
congénita. Na inevitável busca do que pode ter causado as
malformações nas crianças, não causa surpresa que muitas mães
tenham apontado o Debendox.
O processo ocorreu apesar de muitas evidências contra o fato
de o Debendox ser teratogênico. Nos 19 estudos epidemiológicos
sobre o Debendox, há um amplo consenso de que a droga
não está associada a aumento do risco de malformações congénitas.
Apesar da súbita retirada do Debendox do mercado, não
houve redução correlacionada na incidência descrita de qualquer
grupo de malformações. A remoção do Debendox provavelmente
levou a aumento do uso de outros medicamentos para tratamento
das náuseas e vómitos cujo uso, isoladamente, foi submetido
a muito menos estudos em seres humanos.
Se for usado um antiemético durante a gravidez, a opção
actual frequentemente é um anti-histamínico. Essas substâncias
parecem ser eficazes, conforme demonstrado pelos estudos
iniciais, mas sua segurança não foi tão bem estudada.
adaptado do "Guia para atenção efetiva na gravidez e no parto"
os mais característicos e talvez os mais incómodos do início
da gravidez. Quase 75% das gravidas apresentam
náuseas, e uma em cada 10 apresenta persistência do distúrbio
depois do primeiro trimestre. Apesar do nome popular “enjoo
matinal”, muitas mulheres têm o sintoma durante todo o
dia. Frequentemente é mais intenso e mais duradouro nas
mulheres com gravidez múltipla.
Felizmente, a forma mais grave de náusea e vómito
(hiperêmese gravídica), com desidratação e distúrbio
eletrolítico, é rara.
As causas de náuseas na gravidez ainda são desconhecidas,
e a variedade de tratamentos recomendados reflecte as muitas
teorias sobre as causas. Como poderia ser esperado de uma
condição auto limitada, estudos não-controlados desses “tratamentos”
mostraram resultados sensacionais, mas falsos. Em
contraste, os resultados dos estudos controlados foram menos
impressionantes.
Recentemente, o uso de antieméticos diminuiu devido a
temores possivelmente justificados dos efeitos da medicação
sobre o feto. Frequentemente são preferidas condutas não farmacêuticas
para aliviar náuseas e vómitos, particularmente
durante as primeiras semanas, quando o feto em desenvolvimento
é mais vulnerável. Sugestões comuns sobre repouso
e dieta para mulheres com náuseas ou vómitos durante a
gravidez não foram avaliadas em estudos randomizados, mas
tendem a ser inofensivas, e podem ser úteis. Pequenas quantidades
de carboidratos, como biscoitos ou bananas, podem
aliviar algumas mulheres, e se forem retidas proporcionarão
a nutrição necessária. O repouso pode ser impossível quando
as mulheres têm outras responsabilidades, como um
emprego ou filhos pequenos, mas pode ser útil quando possível.
Uma conduta não-convencional, que utiliza acupressão no
ponto Neiguan (P6) no punho, foi avaliada em vários estudos
randomizados controlados por placebo. Os estudos foram pequenos,
mas sugerem que a acupressão pode reduzir a frequência
de náusea persistente. As pulseiras antienjôo comuns usadas
para enjôos em viagens podem ajudar algumas mulheres,
e não tendem a causar danos. O papel da acupressão merece
avaliação adicional.
A vitamina B6 (piridoxina) foi testada em dois estudos. Seus
resultados sugerem que a vitamina B6 pode ser efectiva na redução
da intensidade da náusea, mas não está claro em que
grau. As indicações de qualquer efeito sobre o vómito são
inconclusivas. No caso de hiperêmese, o gengibre em pó e o
ACTH foram comparados com placebo, mas esses estudos
foram pequenos demais para permitir quaisquer conclusões
fidedignas.
Vários estudos, realizados principalmente nas décadas de
1950 e 1960, demonstraram que diversos anti-histamínicos
são melhores que os placebos. Um estudo da dramamina
mostrou que ela é menos efectiva isoladamente do que quando
associada à benzilamina. Os anti-histamínicos simples geralmente
são considerados seguros durante a gravidez, embora
algumas vezes causem efeitos colaterais perturbadores. Não foram realizados grandes
estudos epidemiológicos para pesquisar possíveis efeitos adversos
sobre o feto.
Antigamente, a droga mais usada no tratamento de náuseas
e vómitos da gravidez era uma substância contendo o antihistamínico
succinato de doxilamina e piridoxina (comercializada
como Debendox no Reino Unido, como Bendectin nos
Estados Unidos e no Canadá e como Lenotan em alguns outros
países). Os três pequenos estudos controlados com placebo
publicados fornecem indicações razoáveis de que o Debendox
aliviava as náuseas durante a gravidez. Foi retirado do mercado
em 1983 em consequência de processos judiciais contra os
fabricantes. Houve alegações de que a droga causara malformações
congénitas quando usada na gravidez. Na época de seu
recall, o Debendox havia sido usado por mais de 30 milhões
de mulheres em todo o mundo. Em muitos países, um quarto
a um terço de todas as gestantes usaram Debendox. Se as
malformações congénitas ocorrem em 3,5% dos bebés, apenas
acidentalmente o Debendox teria sido usado pelas mães
de mais de um milhão de bebés nascidos com malformação
congénita. Na inevitável busca do que pode ter causado as
malformações nas crianças, não causa surpresa que muitas mães
tenham apontado o Debendox.
O processo ocorreu apesar de muitas evidências contra o fato
de o Debendox ser teratogênico. Nos 19 estudos epidemiológicos
sobre o Debendox, há um amplo consenso de que a droga
não está associada a aumento do risco de malformações congénitas.
Apesar da súbita retirada do Debendox do mercado, não
houve redução correlacionada na incidência descrita de qualquer
grupo de malformações. A remoção do Debendox provavelmente
levou a aumento do uso de outros medicamentos para tratamento
das náuseas e vómitos cujo uso, isoladamente, foi submetido
a muito menos estudos em seres humanos.
Se for usado um antiemético durante a gravidez, a opção
actual frequentemente é um anti-histamínico. Essas substâncias
parecem ser eficazes, conforme demonstrado pelos estudos
iniciais, mas sua segurança não foi tão bem estudada.
adaptado do "Guia para atenção efetiva na gravidez e no parto"
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
Entrevista com a parteira holandesa Mary Zwart (Folha Equilíbrio - 22/02/07)

CAMPANHA PELO PARTO NATURAL
A parteira holandesa Mary Zwart diz que o parto só deve ser feito por médicos em caso de gravidez de risco
[...]
"Os médicos são educados para curar, e nós, parteiras, para cuidar"
Com as maternidades cada vez mais equipadas e as tecnologias voltadas para o parto em constante modernização, ter um filho sem um médico por perto pode parecer um retrocesso. Não é o que pensa a maioria das gestantes holandesas. No país que tem um dos menores índices de mortalidade no parto do mundo, 85% das grávidas são acompanhadas por parteiras -que recebem uma formação de quatro anos voltada para o parto normal, método pelo qual nascem quase todos os bebês por lá.
Muitas delas escolhem ter seus filhos em casa.
Ícone da defesa da humanização dos nascimentos, a parteira holandesa Mary Zwart, já trouxe mais de 4.000 bebês ao mundo. Na atividade há 30 anos, ela participa, desde 2000, do movimento pró-parto humanizado no Brasil.
FOLHA - Medicamentar o parto é ruim para mulheres e bebês?
MARY ZWART - Acho que a intervenção médica só deve ocorrer quando for necessária. A gravidez e o parto são um sinal de saúde das mulheres. Não são procedimentos médicos, mas uma parte da vida. Não podemos transformar algo natural em um evento médico.
FOLHA - Ter um filho em casa deveria ser a primeira opção? É seguro?
ZWART - Para os mamíferos, o natural é permanecer no ninho durante o parto -e não sair dele. Mas o ninho deve ser seguro. É preciso ter uma infra-estrutura que torne isso possível: água totalmente limpa, comida adequada, o suporte de uma parteira, do médico de família ou de uma enfermeira com formação voltada para o parto. Se a mulher se sentir segura em casa, ela deve poder aproveitar essa oportunidade.
FOLHA - No Brasil, cesarianas são muito comuns. Esse método é pior do que o parto normal?
ZWART - As pesquisas dizem que as cesarianas não salvam mais as mulheres, elas as matam. Na Espanha, as mortes de mães acontecem em primeiro lugar por causa das cesarianas. Estudos da Organização Mundial da Saúde mostram que, com as cesarianas, sete vezes mais mulheres morrem do que com o parto normal. Os profissionais que lidam com os partos devem considerar que cortar mulheres desnecessariamente traz prejuízos econômicos para um país. Isso sem contar as mortes de mulheres.
FOLHA - A sra. participa do movimento de humanização do parto brasileiro desde 2000. Acha que tem conseguido bons resultados?
ZWART - Estou encantada com o que foi feito em sete anos. Médicos e parteiras estão envolvidos. Se compararmos com Portugal, por exemplo, o movimento brasileiro é muito mais antigo. Em Portugal, o movimento pelo parto humanizado começou no ano passado. No Brasil, existe desde 1985.
FOLHA - Como são feitos os partos na Holanda?
ZWART - Somos conhecidos por não gostarmos de gastar dinheiro com algo que é gratuito. Dar à luz em casa é o meio mais econômico de parto, e essa é nossa primeira escolha quando a mulher está bem. Na Holanda, 70% dos partos normais são assistidos exclusivamente por parteiras. No Brasil, onde ao menos 77% são acompanhados por médicos, o índice de mortalidade materna é dez vezes maior do que o nosso. A mortalidade de bebês é quase quatro vezes maior.
FOLHA - Quando a mãe tem alguma complicação no parto domiciliar, há tempo de ir ao hospital?
ZWART - Sempre. Mas é importante dizer que, primeiro, existe uma seleção de risco durante a gestação. Se a mulher tiver uma gravidez de risco, vai ter o filho no hospital.
FOLHA - O que uma parteira pode fazer por uma grávida?
ZWART - Na Holanda, a parteira tem uma formação de quatro anos só voltada para a gravidez e o parto. Os médicos não têm esse tempo de educação voltado só para a mãe. Eles são educados para curar, e nós, para cuidar. Um especialista em cura é a pessoa errada para acompanhar a mulher no parto, que precisa de cuidados -e, só algumas vezes, de cura.
FOLHA - A sra. já trouxe mais de 4.000 bebês ao mundo. Há alguma posição melhor para ter filhos?
ZWART - Isso depende da mulher. Se não houver contra-indicação médica, ela pode dar à luz como e onde se sentir melhor. Ela deve ter essa escolha.
FOLHA - No Brasil, as mulheres costumam ter deitadas, na cama.
ZWART - Essa é a pior posição que existe. Se o bebê for pesado, a mulher coloca o peso na aorta abdominal. Isso machuca muito a mãe.
FOLHA - Como a mulher deve se preparar para o parto?
ZWART - Mesmo quando ela engravida por escolha, há sempre medo. Um bebê compromete a vida para sempre. É normal ter medo, mas isso não deve ser pesado demais, pois, para o parto, é fatal. A gestante precisa pensar que é uma mulher madura, que pode dar à luz, que poderá fazer as coisas que gosta, mesmo com uma criança. Esse medo deve ser trabalhado durante a gravidez.
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