Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones
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quinta-feira, 12 de junho de 2014

O Projecto Parir Em Paz apoia a Enfermeira Obstetra Ana Ramos


O movimento pela humanização do parto em Portugal está de luto!
O projecto Parir em Paz manifesta a sua indignação pela decisão que a Ordem dos Enfermeiros tomou em suspender por 2 anos a Enfermeira Obstetra Ana Ramos.

Enquanto doula, activista pela humanização do parto em Portugal, mãe e mulher não poderia estar mais apreensiva com a repercussão que uma decisão como esta terá nos contornos do movimento de humanização do parto! Demos um gigante passo para trás.... Como Doula acompanhei mais de 30 partos com a Enfermeira Obstetra Ana Ramos. Assisti ao seu profissionalismo e dedicação, não tendo absolutamente NADA a apontar a nível profissional à referida Enfermeira,  que é muito competente e na qual mantenho PLENA confiança! 

Que esta decisão sirva para promover e contribuir para um debate público e construtivo acerca do parto em Portugal. Não podemos ignorar o número crescente de casais que opta por parir em casa.
Se quiserem manifestar a vossa indignação enviem um e-mail para a Ordem dos Enfermeiros à Consideração do Exmº Sr.º Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, o e-mail é 
srsul@ordemenfermeiros.pt

Eu não vou ficar de braços cruzados, não só pela Ana Ramos, mas principalmente pelos casais que nestes dois anos vão ficar sem poder recorrer ao excelente trabalho da referida enfermeira.


sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

O Parto em casa e a sua segurança

Porque é que o parto em casa é 1000 vezes mais seguro do que o parto no hospital para mulheres de baixo risco?

Why home birth is 1000 times safer than hospital birth for low risk women

INTENDED FOR MEDICAL PRACTITIONERS: 20% of low risk planned Hospital birth in the USA ends up with the woman or baby or both having an avoidable life threate...

youtube.com

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Sobre a segurança do parto em casa

"Essas mulheres, empoderadas e confiantes, não apenas no Brasil, mas também nos Estados Unidos e outros países em que ainda predomina o modelo tecnocrático de assistência ao parto, começaram a buscar profissionais, médicos, enfermeiras-obstetras ou parteiras, que se dispusessem a auxiliá-las nesta jornada rumo a um parto respeitoso, humanizado e seguro. Essas mulheres se deram conta de que parir ...em suas residências era uma alternativa possível e não apenas luxo, modismo ou excentricidade de famosas. Essas mulheres pesquisaram, leram e estudaram as evidências, e conseguiram encontrar como parceiros os profissionais que também vinham trilhando sua própria jornada transformadora, profissionais que se respaldavam no novo e desafiante paradigma da Saúde Baseada em Evidências e buscavam, portanto, modelos de assistência ao parto que funcionassem sob esta perspectiva ecológica e sustentável "

Para continuar a ler AQUI

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Planned Home vs Hospital Birth

Há tempos falou-se de um estudo que dizia que o parto em casa triplicava o risco de morte materno-infantil... saiu agora algo que o contradiz. Deixo-vos o mail do Ric ( Dr Ricardo Jones )

Queridos amigos:

No ano passado o mundo da humanizaçãpo do nascimento foi sacudido
por uma metanálise realizada por um ionvestigador de nome Wax. Nesta
estudo se afirmava, entre outras coisas, que os partos domiciliares tr
iplicavam o risco de mortalidade perinatal. Tal idéia contradizia toda
s as outras investigações realizadas anteriormente, em que a aten
ção em domicílio, quando planejada, produzia resultados igua
is ou melhores do que os atendimentos hospitalares de mesmo risco.

Vozes provenientes do mundo da humanização se levantaram para cri
ticar a metodologia aplicada e os resultados inferidos. Infelizmente, a ACO
G (Federação dos obstetras americanos) usa ainda este estudo como
principal diretriz para desaconselhar os partos domiciliares atendidos por
parteiras.

Mas o tempo é o senhor da verdade, como bem falava minha mãe...

Nos últimos dias foi publicado no Medscape uma revisão críti
ca deste trabalho, que não deixa dúvidas sobre a má qualidad
e da análise realizada. Como se percebeu desde o início, ele tinh
a falhas intoleráveis. Resta saber se um trabvalho tão mal feito
não tinha interesses obscuros a lhe patrocinar (a exemplo do trabalho
famoso de Pang sobre os nacimentos "fora do hospital" realizado nos anos 90
, que misturava abortos e partos prematuros acidentais com partos planejado
s no domicílio, apenas para denegrir a imagem do parto em casa)



A respeito da metanálise de Wax, a conclusão é bem clara:



"... it's incomprehensible that medical society opinion can be formulated o
n research that does not hold to the most basic standards of me­thodol
ogical rigor



Beijos

Ric



Se quiserem ver o estudo envio-vos por mail, contactem-me pelo euquero@parirempaz.com

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Ainda sobre Agnes - Parteira presa por ter acompanhado um parto em casa

AQUI podem emcontrar mais info sobre a campanha para libertar a parteira Agnes, presa por ter acompanhado um parto em casa na Hungria.

 Foto de fora da prisão

Foi criada uma petição para a libertação Agnes
Por favor, assine!

Já saiu o resultado do Tribunal dos Direitos Humanos da UE, ilibando a família desta decisão e multando o governo da Hungria por violação do direito fundamental à escolha! Mas ainda não acabou,  foi uma decisão tomada fora da Hungria...

sábado, 15 de janeiro de 2011

Entrevista com Mary Zwart, feita pela antropóloga e doula Júlia Morim

"Mulheres que se sentem cuidadas e se sentem como mulheres, em vez de pacientes submetidas a procedimentos médicos, proverão e darão melhor apoio às suas famílias da mesma maneira que assim o farão os companheiros que são escutados e cuidados" Mary Zwart
Mary Zwart é uma parteira holandesa independente, graduada na Escola de Parteiras de Amsterdã em 1969. Recebeu o treinamento em enfermagem no Hospital Acadêmico de Leiden. Após viagens, realizou atendimentos particulares de 1973 a 1996 na Holanda. Então, se envolveu em mudanças na Europa Oriental e na Rússia. Desde 2000, participa do Movimento de Humanização do Parto no Brasil. É fundadora da Escola Perinatal Européia, bem como membro do Fórum Europeu de Cuidados Primários, representante internacional da Iniciatiava Amiga da Mãe e do Bebê (MotherBabyFriendly Care Iniciative). Desde 2006, está envolvida em mudanças nos cuidados perinatais em Portugal. Mary adora ensinar parturição internacionalmente e recentemente voltou a atuar. Ela é casada, mãe de 5 filhos e avó de 5 netos.

Conheci Mary Zwart, no Recife, em fevereiro de 2007. Ela apresentava em uma palestra o modelo holandês de atenção ao parto. Este modelo serve como base para uma reflexão sobre nós: como percebemos, lidamos e vivemos a gestação e o parto em nossa sociedade, bem como sobre a forma da organização do nosso sistema de saúde. Valorizamos a instituição médica e seguimos protocolos desatualizados no que diz respeito às evidências científicas. Devido a importância dessas informações, para que nós, mulheres, comecemos a refletir, questionar e mudar a situação atual, solicitei uma entrevista com ela. Como estávamos no período carnavalesco, terminamos por nos desencontrar. Mas, após desencontros, conseguimos conversar por email durante os meses de março e abril de 2007.

Abaixo, um pouco sobre ela, seus conceitos e seu trabalho.

PP - Por que você escolheu ser parteira?

Mary Zwart - Quando acabei o colegial, eu queria ter uma profissão médica que me fizesse independente e empreendedora. Eu disse a meus pais que queria me tornar uma parteira, mas, mesmo na Holanda, naquela época, esta era uma profissão que estava se extinguindo. Então, eles me aconselharam a me tornar uma fisioterapeuta: ter meu próprio negócio, trabalhar das 9 às 17 e ter uma boa renda. Eu os escutei, mas depois de um ano eu pedi a eles: "por favor, deixem-me ser uma parteira!".

Eu comecei a freqüentar a escola, o que foi pior do que um semi-internato naquela época, e me tornei parteira três anos depois. E como aquilo me fez me sentir bem!

Mas olhando ao meu redor e vendo que internacionalmente se começava a educar enfermeiras-parteiras, eu fiz o curso de enfermeira e tive o "desconto" de um ano. E então eu fiquei com duas profissões.

Eu treinei como parteira substituta durante os estudos de enfermagem e comecei a viajar para ver o mundo e verificar como o trabalho de parteira acontecia no Oriente Médio e nos Estado Unidos.

Então eu comecei minha própria "prática"1, o que é um procedimento normal na Holanda. Eu fiz um empréstimo no banco e comprei a prática em 1973 por 40.000 florins, o que era o equivalente ao rendimento de um ano.

Por ser uma profissão liberal, é possível comprar seu negócio e pegar um empréstimo no banco para fazer isso. No caso da parteira, você compra o nome (reputação) de uma parteira que pára de trabalhar e espera que as grávidas procurem você. Você também pode simplesmente começar avisando que está disponível como parteira, mas leva uns dois anos até você construir "sua clientela" e isto também custa muito.

Para se formar você precisa de seu diploma e para se qualificar você precisa de uma quantidade de trabalho anual e manter uma educação continuada através de cursos de pós-graduação.

Comecei em meados de junho e tive meu primeiro dia no final de agosto: sem problema. Eu curti todos os dias.

Existem diferentes parteiras: as que atendem os bebês e as que atendem as mães. Eu sou do último tipo: adoro dar suporte para o rito de passagem da mulher e para mim bebês são bebês.

1 No original "practice", que seria uma espécie de consultório, que você pode comprar o "renome"/clientela de outra parteira. Como não há tradução para este termo, colocamos "prática".

PP - Há quanto tempo você é parteira?

Mary Zwart - Sou parteira desde o dia em que eu comecei os cuidados como parteira e espero continuar sendo até o dia em que eu morrer.

Eu comecei como parteira em 1969 e meu último parto foi em março de 2006. Atualmente existe uma mulher que me quer como parteira e sua data provável de parto é no final de junho. Então, são uns 38 anos como parteira.

Eu vendi minha prática (consultório/renome) para minha sucessora, passei a substituir uma parteira que queria sair de férias e ultimamente tenho trabalhado para diminuir a carga de trabalho de três colegas. Então, quando elas querem uma folga, eu trabalho para elas.

PP - O que você sente quando está atendendo um parto?

Mary Zwart - Eu adoro ver a mudança da mulher para mãe. Mesmo com bebês natimortos. Mesmo quando os bebês nascem mortos as mulheres se tornam mães. Eu tive a honra de ver essa mudança acontecendo muitas vezes e ajudei em torno de 4.000 bebês a vir ao mundo. Eu sempre me senti grata por ter sido convidada para este milagre diário.

PP - Em relação ao atendimento na gravidez, parto e pós-parto na Holanda, quando a mulher descobre que está grávida, que procedimentos ela toma?

Mary Zwart - As mulheres começam o pré-natal quando entram em contato com a parteira por volta das 8 semanas de gravidez. Na maioria das vezes, elas mesmas fazem o teste de gravidez. As consultas começam às vezes antes da concepção, mas quando não há nenhuma razão médica, elas são atendidas regularmente da 10ª até a 42ª semana.

PP- Como funciona o atendimento à gestante na Holanda? Como é o acompanhamento pré-natal? E após o parto?

Mary Zwart - O padrão de atendimento na Holanda é o parto domiciliar com parteira para todas as grávidas. Não existe essa coisa de público e privado. Todos têm seguro e quando não têm, porque são imigrantes ilegais, por exemplo, os custos da parteira e do obstetra, quando necessário no caso de complicações, são cobertos pelo Ministério da Saúde. A mulher pode ir ao hospital com a sua própria parteira, porque ela quer ir, mas nesse caso ela terá que pagar uns 300,00 Euros pelos serviços hospitalares.

No caso de razões médicas, não há custos hospitalares. Pode ser um problema em seu histórico, como hemorragia pós-parto. Neste caso, ela tem a assistência de sua parteira, mas conta com o hospital como suporte. Em outros casos, ela será transferida para o obstetra, que ficará responsável.

No pós-parto, ela receberá a visita da parteira durante o período de repouso umas 4 ou 5 vezes durante a primeira semana para ver se a mãe e o bebê estão bem e para ajudar no aleitamento materno. Uma enfermeira dá apoio à mãe e à família durante uma semana por pelo menos 3 horas por dia.

O check-up final, 6 semanas após o parto, é realizado para ver se a mãe e o bebê estão indo bem e também se existem sinais de depressão pós-parto ou problemas médicos ou físicos. Na maioria das vezes também conversamos sobre planejamento familiar e sobre a vida sexual da mulher.

PP - No caso da escolha pelo parto domiciliar, o que é necessário para sua realização?

Mary Zwart - Para ter um parto domiciliar as mulheres gostam de preparar um ninho agradável. Geralmente durante a gravidez o quarto é reformado e o quarto do bebê preparado. Para o parto, elas obtêm de seu seguro materiais descartáveis e outras coisas necessárias ou compram na farmácia.

PP - Os custos do atendimento à gestante é coberto pelo governo? Há planos de saúde particulares? A parteira e o parto em domicílio são cobertos pelo governo?

Mary Zwart - Na Holanda, a parteira é uma profissional independente que fornece cuidados médicos e que faz um contrato com a mulher que ela atende. Se você não é querida pelas mulheres você logo sai do negócio e fica sem renda alguma. A mulher é reembolsada pelo seu seguro.

PP - Pelo que venho lendo, há um baixo índice de intervenções nos partos realizados na Holanda, incluindo a episiotomia e a anestesia. Como as mulheres holandesas lidam com a dor? Que técnicas vocês usam?

Mary Zwart - Para partos de baixo risco, tricotomia e enemas não são mais usados. Existe uma crescente demanda para o alívio da dor, contudo os anestesistas não conseguem atender a essa demanda. Então, as parteiras normalmente convencem as mulheres a não utilizar anestesia.

Durante o trabalho de parto elas andam, comem o que querem, tomam banho de chuveiro ou de banheira e administram a dor do trabalho de parto se movimentando, geralmente com o suporte do seu companheiro.

Em relação aos recém-nascidos, a Vitamina K é dada oralmente e apenas em casos de partos artificiais é dada por meio de injeção. Nos olhos não são pingadas gotas, nem de antibióticos nem de nitrato de prata.

PP - O que você acha do uso rotineiro de episiotomia? O que sua experiência diz em relação a essa intervenção?

Mary Zwart - Eu acho que a taxa de episiotomia na Holanda é muito alta: em torno de 20%. Porque a única razão para cortar é a asfixia do bebê. Mas algumas vezes é muito difícil ter a paciência de não fazer nada.

PP - Com que conceito de corpo e saúde vocês, parteiras holandesas, trabalham? Como é visto o processo de gravidez e parto?

Mary Zwart - Gravidez e parto são parte da vida e não um procedimento médico, tal como ir ao dentista e ter o dente arrancado. É parte de se tornar uma mulher adulta e assumir a responsabilidade pela criança. Esta importante mudança torna a mulher um membro amadurecido da sociedade. Se essa mudança acontece de uma maneira boa, de um jeito que ela goste, ela aceita essa tarefa com alegria e a família se beneficia com isso.

Nos dias de hoje, na Europa, uma em cada três mulheres sofre de depressão pós-parto. Imagine o que isso acarreta para as crianças e para as relações sociais.

Toda a gravidez é sinal de saúde da mulher. Quando a gravidez se desenvolve, a parteira verifica se a mulher e seu corpo podem lidar com a gravidez. Disfunções, tais como pressão alta, incompetência da placenta, gêmeos, são consideradas de médio ou alto risco e o papel da parteira é fazer uma triagem: você é de baixo risco ou você precisa ir ao hospital ou a um obstetra.

A escolha deveria ser pelo parto normal porque é assim que a vida é. Os melhores resultados são por parto vaginal. Cesárea planejada oferece maior risco para a saúde da mãe e do bebê numa gravidez de baixo risco.

Seu direito é ter neste período o suporte de profissionais preparados mais para um apoio social que médico. Por isso a parteira tem que ter um treinamento profissional para que ela possa estabelecer o diagnóstico de gravidez de risco, sabendo que 80% de todas as gravidezes e partos são um evento social e não um procedimento médico.

PP - Fale um pouco mais da realidade holandesa.

Mary Zwart - Mulheres ficam grávidas e são feitas para dar à luz a bebês. O que eu disse foi dar à luz e não "entregar bebês". Aqui está uma diferença significativa.

Na Holanda uma em cada três mulheres dá à luz em casa com a sua própria energia e apoiada pelo parceiro, parteira e enfermeira. Apenas 30% das mulheres são assistidas por um obstetra e uma enfermeira no hospital. A taxa nacional de cesáreas é 14%. Os outros 30% das mulheres dão à luz no hospital por escolha e são acompanhadas pela parteira e por uma enfermeira do hospital.

As mulheres que deixam o hospital recebem em casa o suporte de uma enfermeira por no mínimo 48 horas em 8 dias e visitas de sua parteira. A taxa de mortalidade perinatal é 7/1000. O dinheiro gasto é aproximadamente um décimo do que é gasto nos Estados Unidos.

PP - Como explicar essa diferença de atitude?

Mary Zwart - A educação sexual começa cedo na Holanda e pelo menos 30% dos adolescentes são sexualmente ativos na época do ensino médio. As mais altas taxas de contraceptivos orais são usados na Holanda e a porcentagem de mães adolescentes e a taxa de abortos é uma das mais baixas do mundo. Orientações sobre doenças sexualmente transmissíveis são disponibilizadas gratuitamente e programas sobre procriação são oferecidos nas escolas desde o jardim de infância.

As mulheres querem dar à luz como resultado de uma vida afetiva que começou em casa e elas querem fazer isso da maneira mais normal possível. Publicamente não há discussão sobre vaginas alargadas pelo parto. Quando você questiona esse aspecto, a maioria das mulheres diz que a vida sexual se tornou melhor após o parto.

PP - Como você começou a se envolver com o movimento de humanização do parto no Brasil?

Mary Zwart - Eu deixei minha "prática" em 1996 e comecei a ser uma parteira substituta novamente porque eu me envolvi com a causa da reintrodução do modelo de cuidados oferecidos pela parteira, iniciando as mudanças nos países da Europa, e desde 2000 na Rehuna.

PP - O que você acha da realidade brasileira, principalmente da rede privada, onde 80% dos nascimentos são por meio de cesarianas?

Mary Zwart - Para o Brasil é ruim que 80% dos bebês nascidos em hospitais privados sejam através da cesariana porque isso dá a impressão de que quando você é pobre você sofre com o parto e quando você tem dinheiro é mais fácil.

PP - O que o país perde com isso? Quanto economizaríamos se mudássemos essa realidade, se tivéssemos um atendimento à gestante mais humanizado e menos intervencionista?

Mary Zwart - O governo agora dá a toda mulher o direito de ter epidural. Pense em todo o dinheiro gasto com cortes (episiotomias) desnecessários, cuidados ineficazes e intervenção sobre intervenção. Na Argentina, realizaram uma pesquisa sobre a quantidade de dinheiro gasto com episiotomias desnecessárias . Trinta mil dólares num país onde hospitais públicos nem sempre têm comida para oferecer aos pacientes ou água quente nos chuveiros.

Teria sido melhor ter oficinas (workshops) para construir equipes com obstetras, parteiras e enfermeiras para o melhor atendimento e cuidados da mulher e se criar uma infra-estrutura na qual o parto na comunidade, num centro de parto (casa de parto) ou em casa, fosse normal, e que a mulher pensasse no parto como uma experiência enriquecedora em vez de uma experiência dolorosa e desagradável. O dinheiro pode ser gasto com moradia, água limpa e educação, o que irá empoderar as mulheres, e com elas as comunidades nas quais vivem.

PP - Na sua opinião, como as mulheres devem agir para mudar esse panorama?

Mary Zwart - Saber o que você quer. E como agora elas pedem por cesarianas, é necessário mostrar a elas seus riscos e exigir apoio do profissional para ter um parto normal. Solicitar que seu médico ou médica se guie por práticas baseadas em evidências. Ser politicamente ativa.

Júlia Morim

Mãe de Maria (nascida em casa), Antropóloga e Doula

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Mas afinal quem são as mulheres que escolhem parir em casa?

Sabias que Cindy Crawford, Demi Moore, Meryl Streep, Pamela Anderson, princesa Martha Luise de Noruega, Karolina Kurkova, Gisele Bündchen,Nellie Furtado, pariram em casa?

Encontra AQUI mais celebridades que pariram em casa!

Ficas também a saber que Oprah Winfrey, Elton John, Elvis Presley e Walt Disney nasceram em casa!

Muito interessante... afinal não foi só Jesus Cristo :)

terça-feira, 13 de julho de 2010

Estudo sobre o parto em casa

Fui alertada por varias pessoas ( a quem desde já agradeço ) para o facto, de ter saído no Correio da Manhã uma noticia sobre um estudo que concluia que o parto em casa estava associado a um risco de morte neonatal três vezes superior, em relação ao parto hospitalar. O estudo é ESTE.

É claro que a reação não se fez esperar e aqui está o artigo descredibilizado:


http://www.themidwifenextdoor.com/?p=930

http://www.nctpregnancyandbabycare.com/about-us/what-we-do/policy/choiceofplaceofbirth 
 
 
Tirem as vossas próprias conclusões....

Eu vou escrever para o Correio da Manhã, não posso deixar de o fazer....


terça-feira, 6 de julho de 2010

Morbi-mortalidade neonatal é maior nos partos em casa?

Lembram-se DESTE estudo que diz que "o risco de morte neonatal no parto em casa aumentou para o dobro em relação ao parto no hospital"

Recebi este mail do Drº Ricardo Jones e partilho com vocês:

"A respeito do trabalho publicado recentemente por médicos americanos, propondo nas conclusões que a morbi-mortalidade neonatal é maior nos partos em casa, eu falei a respeito desta questão com amigos ativistas dos Estados Unidos e Canadá. Entre eles recebi a comunicação do colega Michael Klein, que foi um dos responsáveis pelo recente estudo prospectivo envolvendo parteiras em hospital e domicilio e médicos no hospital na atenção de grávidas de baixo risco (ou risco usual). A carta abaixo foi aceita para publicação no referido jornal.

Esta é a resposta dele:

Klein, MD in Vancouver BC:

The offending article by Wax is already posted on our website. This study is so deeply flawed that it cannot be seen as anything other than politically motivated. Below find the letter that Patti Janssen and I sent to the Am J of Obs and Gyn and which has been accepted for publication.

Michael

American Journal of Obstetrics and Gynecology

Re: Wax J, Pinette M, Cartin A, Blackstone J. Maternal and newborn morbidity by birth facility among selected United States 2006 low-risk births. February 2010, Vol 202, Issue 2 152e1-152e5.

Standards for Validity in Home Birth Research

To the Editors:

The recent paper comparing maternal and newborn morbidity among births at home, hospital and in birth centers by Wax et al, reported that babies born at home more frequently experienced 5 minute Apgar scores below 7.1 The methodology employed brings into question the validity of this conclusion. This retrospective study utilized 2006 US Standard Certificates of Live Birth, used by 19 states in the US. To establish a low obstetrical risk population, multiple exclusions were applied to the data with the result that only 36.0% (745, 690/2,073,368) of women in participating states were included. Inclusion of only slightly more than one third of the potentially eligible population raises questions about the ability of birth certificates to identify women at low risk and consequently the generalizability of study findings.

Secondly, ascertainment of the type of birth attendant is missing for 4801 women or 0.6% of the sample. It is possible that at least some of these births were unattended. If this indeed the case, then these births, which would be expected to have high rates of suboptimal outcomes, might be over-represented in the home birth group, where the attendants are less likely to arrive on time for a precipitous birth. In addition, some women may have deliberately chosen to have an unattended birth and these would of course take place outside of a hospital or birth centre.

Since only 75% of the births studies were recorded as attended by a physician or midwife, fully one quarter may have been unplanned home births. Unplanned home births are well known to be at higher risk for adverse outcomes.

Lastly, the authors acknowledge that births for which complications necessitated transfer to hospital are attributed to hospital rather than to home or birth centre births. In contrast to the above biases, this bias would favor home births. They also acknowledge that perinatal mortality is not measured, which eliminates deaths occurring during labour. In view of these serious flaws, the statement that this study provides a "robust evaluation of maternal and newborn outcomes that is generalizable and reflects actual practice" cannot be supported. Without internal
validity, placed in question by missing data and the inability to attribute births to planned place of birth, the issue of external validity or generalizability is irrelevant.

Recent studies in Canada2,3 and the Netherlands4 have used population-based perinatal databases with mandated participation by midwives and documentation of intended place of birth and attendant, as well as relevant outcomes including intrapartum fetal death. American studies of place of birth must meet this standard in order to draw valid conclusions and allow international comparisons.

1. Wax J, Pinette M, Cartin A, Blackstone D. Maternal and newborn morbidity by birth facility among selected United States 2006 low-risk births. Am J Obstet Gynecol. 2009;202(2):152e151-e155.

2. Janssen P, Saxell L, Page L, Klein M, LIston R, Lee S. Outcomes of planned home birth with registered midwife versus planned hospital birth with midwife or physician. Can Med Assoc J. 2009;181:277-383.

3. Hutton K, Reitsma A, Kaufman K. Outcomes associated with planned home and planned hospital births in low-risk women attended by midwives in Ontario, Canada, 2003-2006: A retrospective cohort study. BIRTH. 2009;36(3):180-189.

4. de Jonge A, van der Goes B, Ravelli A, et al. Perinatal mortality and morbidity in a nationalwide cohort of 529, 688 low-risk planned home and hospital births. BJOG. 2009;116:1177-1184.

Planned Home Births Associated with Tripling of Neonatal Mortality Rate Compared to Planned Hospital Births*

According to New Study Published in the American Journal of Obstetrics & Gynecology

Philadelphia, PA, July 1, 2010 - About 1 in 200 women in the US delivers her baby at home, with approximately 75% of these low-risk, single-baby births planned in advance as home deliveries. In a study published online today by the American Journal of Obstetrics & Gynecology (AJOG), researchers from Maine Medical Center, Portland, Maine, analyzed the results of multiple studies from around the world. They report that less medical intervention, characteristic of planned home births, is associated with a tripling of the neonatal mortality rate compared to planned hospital deliveries. Planned home births were characterized by a greater proportion of deaths attributed to respiratory distress and failed resuscitation.

"Our findings raise the question of a link between the increased neonatal mortality among planned home births and the decreased obstetric intervention in this group," according to lead investigator Joseph R. Wax, MD, Division of Maternal-Fetal Medicine, Department of Obstetrics and Gynecology, Maine Medical Center. "Women choosing home birth, particularly low-risk individuals who had given birth previously, are in large part successful inachieving their goal of delivering with less morbidity and medical intervention than experienced during hospital-based childbirth. Of significant concern, these apparent benefits are associated with a doubling of the neonatal mortality rate overall and a near tripling among infants born without congenital defects (nonanomalous). .These findings echoconcerns raised in a recent large US cohort study in which home births experienced significantly more 5-minute Apgar scores <7 as compared to low-risk term hospital births, suggesting an increased need for resuscitation among home births.

Therefore, the personnel, training, and equipment available for neonatal resuscitation represent other possible contributors to the excessive neonatal mortality rate among planned home births."

Investigators conducted a rigorous metaanalysis through which the peer-reviewed medical literature was searched for studies that contained information about home and hospital deliveries, including morbidity and mortality data for both mother and child. They extracted data for a total of 342,056 planned home and 207,551 planned hospital deliveries. The results are striking as women planning home births were of similar and often lower obstetric risk than those planning hospital births.

In contrast to neonatal mortality rates, investigators observed that perinatal mortality rates for planned home and hospital births were similar overall, as well as just among nonanomalous offspring.

Mothers in planned home births experienced significantly fewer medical interventions including epidural analgesia, electronic fetal heart rate monitoring, episiotomy, and operative vaginal and cesarean deliveries. Likewise, women intending home deliveries had fewer infections, perineal and vaginal lacerations, hemorrhages, and retained placentas. Data also showed that planned home births are characterized by less frequent premature and low birthweight infants.

AJOG Editors-in- Chief Thomas J. Garite, MD, and Moon H. Kim, MD, commented that "The report by Wax et al supports the safety of planned home birth for the mother, but raises serious concerns about increased risks of home birth for the newborn infant. This topic deserves more attention from public health officials at state and national levels."

The article is "Maternal and newborn outcomes in planned home birth vs planned hospital births: a metaanalysis" by Joseph R. Wax, MD; F. Lee Lucas, PhD; Maryanne Lamont, MLS; Michael G. Pinette, MD; Angelina Cartin; and Jacquelyn Blackstone, DO. It will appear in the American Journal of Obstetrics & Gynecology, Volume 203, Issue 3 (September 2010) published by Elsevier. DOI: 10.1016/j.ajog.2010.05.028"


:)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Resposta doDr. Ricardo Jones a um jornal que publicou uma notícia contra partos domiciliares

Caríssimos:
O documento que critica a assistência ao parto em ambiente não-hospitalar
(Opinião: Parto em casa: retrocesso), escrito pela presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro e publicado em jornal de grande circulação no Rio de Janeiro, não poderia ser muito diferente do que se esperava, partindo da expoente local da
corporação que se beneficia diretamente com a medicalização do nascimento.
Infelizmente repetiu-se a catilinária que estamos acostumados a assistir quando o debate se acerca da assistência ao parto e a autonomia da mulher nas escolhas sobre profissionais e contextos em que ele vai ocorrer.

Na esperança de encontrar alguma novidade estimulante para o debate mais uma vez eu procurei meus óculos para tentar ler aquelas famosas "letrinhas miúdas" existentes no final de uma publicação qualquer que possua pretensão científica. Sem surpresa, no final do texto não havia nenhuma nota, nenhuma letrinha média, grande ou pequena; o texto da minha nobre colega não traz NENHUMA comprovação das afirmações que apresenta. Nada. Nenhuma informação é baseada nas evidências científicas atualizadas que brotam dos estudos de várias partes do planeta. Absolutamente NADA, como é rotina nas manifestações dos colegas que tratam de um mito profundamente temido por nós obstetras: o parto sem os aparatos mágicos que construíram a nossa profissão às expensas de uma compreensão defectiva da mulher. Nada do que a nobre doutora fala no seu texto pode ser considerado além de uma OPINIÃO pessoal, construída através de anos de profundo temor pelo evento do parto, num absoluto distanciamento do processo natural de trazer vida ao mundo. Nós obstetras somos criados e construídos para ter pavor do evento natural, e moldados para interferir nele mitologicamente através de nossas máquinas e instrumentos para, controlando-o, afastar o medo que dele temos. Todas as afirmações da doutora estão afastadas dos estudos que nos mostram a segurança do parto normal realizado em domicílio, inclusive negando exemplos positivos contundentes como os da Holanda, onde 33% das crianças chegam ao nosso convívio na intimidade dos seus lares (com um dos níveis de morbi-mortalidade materna e perinatal dos melhores do mundo), ou mesmo o trabalho de Johnson e Daviss de 2005 - publicado no British Medical Journal - acompanhando mais de 5000 mulheres que tiveram seus filhos em casa, com o auxílio de parteiras profissionais (CPMs), com resultados perinatais iguais ou superiores aos encontrados em hospitais. Além disso, o trabalho de Johnson & Daviss nos demonstra um custo muito menor, com maior satisfação materna, menor morbidade para as mães e recém nascidos, conseqüentemente apresentando taxas mais elevadas de amamentação. Ao mesmo tempo em que minha colega fecha os olhos para as vantagens do parto domiciliar em lugares como os países baixos, também se nega a avaliar a realidade americana de alto investimento em tecnologia - mas que ostenta o vergonhoso posto de 41º país em mortalidade materna - e não reconhece que o Brasil, ao imitar o modelo americano
iatrocêntrico (centrado no médico), etiocêntrico (centrado na doença) e hospitalocêntrico (centrado no hospital), só poderá amargar - na melhor das hipóteses - os mesmos resultados ruins que o paradigma americano produz para o nascimento humano.

Todos os exemplos e os estudos internacionais que falam a favor da melhor qualidade dos partos domiciliares são esquecidos, negados ou sonegados pela colega, que prefere investir na cultura do medo que nega as evidências e mantêm as mulheres amordaçadas e silentes, prisioneiras dos mitos "mutiladores" e "assassinos" relacionados com o parto em casa; nada mais
coerente para um paradigma que mantém as mulheres tuteladas e incapacitadas de gerar e parir com liberdade e autonomia. Felizmente, outros países menos condicionados às forças do mercado estão acordando para a importância de restituir o protagonismo à mulher, e tomando atitudes determinadas nesta direção. Com esta coragem de mudar e desafiar mitos calcificados pela falta de crítica, a Inglaterra, no ano de 2006, através da liderança de Patricia Hewitt - Ministra da Saúde - propôs uma mudança radical e estratégica na atenção às grávidas, incentivando os partos fora do ambiente hospitalar, exatamente por não haver nenhuma comprovação (em milhares de anos de história) de que os hospitais produzam melhoria nos resultados maternos e
perinatais em população de risco habitual. Ao lado disso TODAS as publicações abrangentes que avaliam os riscos da atenção extra-hospitalar ao nascimento com uma metodologia correta apontam na mesma direção: a comprovação de que os partos planejados no domicílio, quando comparados com os hospitalares, apresentam resultados iguais ou melhores na atenção às
pacientes pertencentes a este mesmo grupo populacional de risco habitual.

Restitua-se o parto às mulheres e elas continuarão a revolução libertária. Liberte a mulher e a sociedade inteira se modificará como conseqüência. Não é possível uma sociedade justa e digna quando somos recebidos neste mundo através do arbítrio de mulheres caladas e corpos invadidos. Confiscar das mulheres seus corpos e seus partos e mantê-las reféns de um modelo tecnocrático que NÃO comprova sua superioridade é uma das maneiras mais hábeis de manter cidadãs caladas e dóceis.

Entretanto, as palavras da doutora fazem eco em uma boa parte da população feminina, e basta conversar com 10 mulheres da classe média, embebidas num mundo de celulares milagrosos e celulites desastrosas, para nos darmos conta de que ELAS MESMAS organizam as palavras que a líder da corporação médica vai escrever. O discurso da medicina emana dos pacientes como vasos comunicantes, numa dialética silenciosa que perpassa pelos mitos e valores profundos que controlam inconscientemente nosso proceder. Prisioneiras de seus medos, as mulheres ainda se encontram atordoadas diante de sua própria participação no evento expropriativo de suas responsabilidades femininas. Somente a mudança desses valores é que poderá nos fazer mudar tais condutas, assim como a criação de uma nova divindade se segue à queda de um velho Totem. Felizmente, nosso otimismo nos obriga a enxergar que a mitologia depreciativa da mulher e do feminino não se manterá indefinidamente em um mundo de informação instantânea e com ampla oportunidade de contraditório.

Nesta trilha de libertação, as ferramentas mais poderosas são a informação e a ..... paciência.

Apenas através do fortalecimento destas duas asas poderemos alçar vôo e combater a mitologia contemporânea, que nos puxa para o passado, que nos faz imitar modelos americanos fracassados, que nos empurra para a crença da inferioridade biológica da mulher e que cria profissionais da saúde divorciados da realidade libertadora do nascimento.
Um abraço

Ricardo Jones, MD Obstetra - Homeopata
ReHuNa - Rede pela Humanização do Parto e Nascimento
HumPar - Rede pela Humanização do Parto - Portugal
IMBCO - International MotherBaby Childbirth Organization
Instituto Jean Bergés de Psicanálise e Medicina
1 - Marie Wolf and Sophie Goodchild, "Mummy State: Childbirth Revolution". Independent on Sunday (London), May 14, 2006
2 - Organização Mundial de Saúde. Assistência ao Parto Normal: Um guia Prático. Relatório de um Grupo Técnico. Genebra, 1996. 53p.
3 - Enkin M. & Cols, Guia para Atenção Efetiva na Gravidez e no Parto. 3a Edição - Guanabara Koogan 2000
4 - "Outcomes of planned home births with Certified Professional Midwives: a large prospective study in North America." Kenneth C. Johnson, senior epidemiologist, Betty Anne Daviss, project manager. BMJ 2005; 330:1416 (18 jun).
5 - T. A. Wiegers, J. van der Zee, and M. J. Keirse, "Maternity Care in the Netherlands: The changing Home Birth Rate", Birth 25, no 3(1998): 190-97
6 - Anderson, Rondi E., CNM, MS and Patricia Atkins Murphy, CNM. DRPH. 1995.
"Outcomes of 11,788 Planned Home Births attended by Certified Nurse Midwives: A retrospective descriptive Study". Journal of Nurse Midwifery 40:483-492.
7 - Rooks, JP, ML Westherby, EKM Ernst, S Stapleton, D Rosen, and A Rosenfield. 1989 "Outcomes of Care in Birth Centers: The National Birth Center Study". New England Journal of Medicine. 1804-1811.
8 - Schienzka, Peter F. 1999. "Safety of Alternative Approach to Childbirth". Department of Sociology, Stanford University, Palo Alto, CA
9 - Challenges in measuring maternal mortality. The Lancet, Volume 370, Issue 9595, Pages 1291-1292 A. Yazbeck

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Você na TV

Parabéns Doula Ana que esteve MUITO BEM, ao Enfermeiro António por tudo o que disse, pela sua postura e por dar a cara, á Joana e á sua linda Catarina e á outra mãe que não conheço.
Algumas considerações sobre o que foi dito:
Aqui http://www.scienceandsensibility.org/ podem ler mais informação sobre o grande estudo que comprova que o parto em casa é tão seguro como o hospital

Ruptura da bolsa antes do início do trabalho de parto

Informação que pode ajudar as grávidas a tomar uma decisão relativamente ao tempo de espera quando há ruptura da bolsa antes do início do trabalho de parto.

http://www.radmid.demon.co.uk/prom.htm


http://www.gentlebirth.org/archives/prom.html

Bolsa rota, quanto tempo esperar?

Segundo a OMS pode-se esperar 48 horas antes do inicio do Trabalho de Parto.

http://www.who.int/reproductive-health/publications/MSM_96_24/MSM_96_24_Chapter3.en.html

“A conservative approach, which is supported by the existing evidence, would indicate a policy which requires observation without vaginal examination and without antibiotics, during the first 48 hours after PROM. If labour has not commenced spontaneously during that period (in about 20% of the women), consideration could be given to oxytocin induction.”

É de evitar os toques pois são uma fonte possível de infecção.

Sobre os perigos que falaram:
No caso de uma hemorragia pós-parto, as Parteiras levam para os partos domiciliares a mesma medicação que é usada nos hospitais. Se esses remédios não controlarem a hemorragia, a parteira chama uma ambulância e a mãe será transferida. Porem, é significantemente menos provável ter uma hemorragia pós-parto num parto domiciliar do que num parto hospitalar ( porque o risco de hemorragia pós-parto aumenta com intervenções como fórceps ou ventosa e indução de trabalho de parto, que são feitas no hospital ).

E se for preciso fazer uma "cesariana de emergência", onde o bebé deve nascer com urgência? Raramente ocorre em gestações de baixo risco que terminam em trabalho de parto fisiológico (espontaneo).

Mas, pode acontecer.
Os batimentos cardíacos do bebé podem indicar que o bebé não está bem.....
A mãe pode estar a sangrar por causa de um descolamento parcial da placenta ou de uma ruptura do útero.....
Em situações de emergência extrema como estas, a parteira chama uma ambulância imediatamente, e telefona para o hospital. A ambulância leva a mãe directamente para a sala de cirurgia. Durante a espera pela ambulância e transferência, a parteira pode coçocar o soro intravenoso ou deixar a entrada de uma veia canalizada para a colocação do soro assim que a ambulância chegar.

E dá tempo? Depende da distancia entre a casa e o hospital, mas mesmo se a mãe já estiver no hospital, a sala de cirurgia precisa de ser preparada e a equipa chamada. Existe uma tabela interessante num artigo (Tuffnell et al, 2001 BMJ 2001;322:1330-1333, 2 June, interval between decision and delivery by caesarean sectionare current standards achievable? Observational case series Derek J Tuffnell, consultant, Kath Wilkinson, clinical governance support
officer, Nicola Beresford, senior house officer.Maternity Unit, Bradford NHS Trust, Bradford BD9 6RJ ) que faz uma lista dos passos necessários entre a decisão pela cesariana e o nascimento do bebé.
Em Inglaterra a directriz para fazer ascer o bebé através de uma cesariana é 30 minutos entre decisão e nascimento, mas pesquisas sugerem que essa directriz nem sempre é possível de ser seguida. Por exemplo, MacKenzie e Cook (2001) viram que, em media, o tempo entre decisão e nascimento em cesarianas de emergência onde havia stress fetal foi 42.9 minutos no grande hospital escola em Oxford, Inglaterra, onde a pesquisa foi feita. Tuffnel et AL (2001) viram que:


"66.3% das mulheres tiveram o bebé em 30 minutos; 88.3% em ate 40 minutos e 29 (4%) ainda não haviam tido o bebé em 50 minutos. Se a mulher fosse levada para a sala de cirurgias em 10 minutos, 409 de um total de 500 (81.8%) tiveram os bebés em 30 minutos e 495 (97%) em 40 minutos." Parece inevitável que durante a transferência do domicilio para uma cesariana de urgência se perca algum tempo, comparado com um parto planejado no hospital, porem,a diferença é tão grande quanto se imagina.

Mas qual o real risco de necessitarem uma cesariana de urgência?. Se a mãe não está numa categoria de risco, e não teve intervenções durante o trabalho de parto que aumentem os riscos (por exemplo: indução, condução de trabalho de parto), as hipóteses são realmente muito pequenas.


Outra coisa que se falou, foi a questão do o cordão enrolado no pescoço? Em media 1 em cada 3 bebes nasce com o cordão enrolado no pescoço. Pode ser apenas uma volta, ou duas, ou três ou mais. Apesar de ser assustador quando ocorre, normalmente não é um problema; alguns bebés precisam de medidas de reanimação como massajar a pele, administrar ar ou oxigénio com balão ou mascara, mas a maioria fica bem sem nenhuma intervenção.

Se o cordão está muito apertado, a cabeça do bebe pode não descer e os batimentos cardíacos mostram padrões não tranquilizadores quando o cordão é comprimido durante as contracções, quando a cabeça é empurrada para baixo. Parteiras em casa controlam regularmente os batimentos do bebé, e se estes se mostrassem não tranquilizadores, a mãe é transferida para o hospital.

Porem, na maioria dos casos, o cordão está solto o suficiente para permitir o nascimento através do parto normal. Se o bebé não mostra sinais de stress no trabalho de parto e a sua cabeça desce no canal de parto, então a situação é independente do local do parto - não teria tempo para ser feita uma cesariana ( mesmo no hospital se o bebe apresentar batimentos não tranquilizadores nos últimos 10 minutos do trabalho de parto ). Quando a cabeça coroar, se o cordão está solto, a parteira passa-o por cima da cabeça do bebé ou faz outro tipo de intervenção. Se o cordão está muito apertado a parteira pode clampear e cortar o cordão assim que a cabeça coroar. Porem, muitas parteiras experientes sentem que quase nunca é necessário cortar o cordão, porque o útero contrai e a barriga do bebe desce, logo o cordão fica mais solto.

Outro assunto que se falou foi o prolapso de cordão Ocorre quando o cordão umbilical sai antes do bebé. Quando a cabeça desce, o cordão é comprimido e isso pode restringir o fluxo de oxigénio para o bebé. Prolapso de cordão é quando o cordão sai do útero antes do bebé, e pode ser sentido na vagina.
A parteira ou medico podem empurrar o cordão para cima, segurando a cabeça do bebé enquanto o fazem. Porém, muitas vezes uma cesariana de emergência é necessária. Se o prolapso de cordão ocorrer em casa, a parteira provavelmente ira pedir que a mãe fique de gatas, com a cabeça mais baixa que o corpo e o rabo levantado. Isso tira a pressão do colo de útero e do cordão também. não há como negar que esta é uma complicação onde qualquer perda de tempo pode ser fatal; não há duvidas que um hospital é o melhor lugar para um prolapso de cordão. A questão é, qual a possibilidade real de algo assim ocorrer?
Prolapso de cordão é uma complicação que pode ser falta em casa ou no hospital. Um estudo de partos domiciliares planeados do National Birthday Trust Fund da Inglaterra relatou a incidência de prolapso de cordão: Em grupos domiciliares e hospitalares totalizando 10.695 mulheres, apenas um prolapso de cordão ocorreu, no grupo domiciliar, mas não houve morte fetal relatada. Os autores apontam que prolapso de cordão ocorre em media uma vez a cada 900 partos (apresentação de cordão uma vez a cada 300), mas é muito mais comum em certas categorias de alto risco - logo o parto em casa esta fora de questão.


Outro assunto falado: distócia de ombro
"Distócia de ombro" significa que a cabeça do bebé saiu, mas os ombros ainda estão presos dentro da mãe e não nascem espontaneamente. Representa perigo de vida para o bebé já que ele não pode respirar até que o corpo saia - não há espaço para encher os pulmões - mas o cordão pode ser comprimido já que a cabeça já saiu.
As parteiras devem de ser treinadas para esta emergência, e as manobras para liberar o ombro preso podem ser feitas tanto em casa quanto no hospital, incluem mudar a mãe para uma posição onde deixe mais espaço para o bebé mover-se através da pelve, por exemplo, a manobra de McRoberts onde a mãe é colocada de costas e os seus joelhos são empurrados na direcção das axilas, e a parteira manualmente liberta o ombro do bebé.
Existe apenas uma manobra que só pode ser feita no hospital e não em casa, - a manobra de Zavanelli, onde a cabeça do bebé é empurrada para o corpo da mãe e aí é feita a cesariana. Por causa do tempo que levaria para a cesariana ser realizada, as circunstâncias onde esta manobra salvam a vida do bebé são extremamente raras.


E quando o bebé precisa de ser reanimado? normalmente as parteiras levam equipamento de reanimação para os partos domiciliares. A maioria dos métodos de reanimação usados os hospitais está disponível para partos domiciliares, especialmente os que são utilizados após um parto normal espontâneo. "Reanimação" é um termo que se usa para várias medidas diferentes para encorajar ou possibilitar um recém-nascido a respirar por si próprio. As formas mais comuns incluem:
· Estimular o bebé massajado vigorosamente a sua pele
· Aspirar a boca e o nariz com, por exemplo, uma seringa estilo pêra ou uma máquina de aspirar nariz, etc
· Ventilar o bebé - dando ar e oxigénio. Isso pode ser feito com um "ambu" ou "saco e mascara", que a parteira usa manualmente, ou por entubação, onde um tubo é colocado na traqueia e que pode ser ligado a um aparelho de ventilação

Aspiração, dar oxigénio e ventilar com saco e mascara podem ser feitos em casa. entubação também pode ser feita em casa desde que a parteira esteja treinada para isso, mas é um procedimento que por si só pode ser perigoso para o bebé e pode ocasionar ou piorar o stress respiratório, e normalmente só é feito no hospital, e mesmo lá, somente em situações de risco. Se a reanimação prolongada for necessária, as parteiras utilizam a ventilação com saco e mascara até que o bebé seja transferido para o hospital. As directrizes da Organização Mundial de Saúde para reanimação de recém-nascidos incluem informações sobre como ventilar um bebé usando saco e mascara. É a mesma recomendação para primeiros socorros não importa onde o bebé nasceu.

O estudo do National Birthday Trust Fund da Inglaterra sobre partos domiciliares mostrou que bebés planeados para nascer em casa têm menos hipóteses de precisar de qualquer forma de reanimação do que bebés planeados para nascer no hospital, mas os riscos foram similares. Bebés que nasceram no hospital após uma transferência de um parto planeado para ser domiciliar têm mais hipóteses de precisar de reanimação, porém muitos desses casos de transferência ocorrem por complicações que aconteceram durante o trabalho de parto. .



Faz falta um grade programa sobre o assusto... (como diz a APPM ) tipo "prós e contras". E para finalizar.....a responsável pelo bebe é a mãe ( e o pai) não é o hospital!!!! os bebés SÃO NOSSOS!!!!!!

terça-feira, 23 de junho de 2009

Parto Domiciliar - Perguntas e Respostas mais freqüentes para quem deseja fazer escolhas informadas

Recebi este mail do Dr. Ricardo Jones, Obstetra Brasileiro e tinha de partilhar...


1) E se você quiser tomar algo para a dor? Existem varias formas de alivio da dor que estão disponíveis num parto domiciliar. Varias técnicas de gerenciamento da dor que você mesma pode controlar ajudam muito, mas também existem medicações que podem ser usadas num parto em casa para ajudar a mãe a lidar com a dor. Na Inglaterra, parteiras normalmente levam o gás Entonox (Oxido Nitroso e Oxigênio, também chamado de "gás e ar") para o atendimento em domicilio, e opiáceos injetáveis como Pethidine podem ser usados se essa for a sua preferência.



2) Você não poderá tomar a anestesia peridural em casa - se você achar, durante o trabalho de parto, que você realmente quer a anestesia, a transferência para o hospital será feita para que isso seja possível. Você poderá achar a espera difícil, mas mantenha em mente que mesmo mulheres que tem um parto planejado no hospital muitas vezes também precisam esperar para receber a peridural. Anestesia peridural deve ser administrada por um anestesista e é difícil prever quando um deles estará disponível, já que anestesistas normalmente trabalham em diversas áreas do hospital e não apenas na área de maternidade. Eles podem ter sido chamados para aplicar anestesia de emergência em alguém que acabou de se acidentar, por exemplo. Sua parteira poderá ligar com antecedência assim que você decidir pela transferência, para tentar fazer com que você receba a anestesia assim que chegar ao hospital.



3) E se você tiver uma hemorragia pós-parto? Parteiras levam para partos domiciliares as mesmas medicações que são usadas para expelir a placenta e contrair o útero que se usam em hospitais. Incluindo ocitocina e ergometrina, muitas vezes administrados em combinação com o nome Syntometrine. Se esses remédios não controlarem a hemorragia, a parteira chamara uma ambulância e você será transferida, e administrara medidas de emergência no meio tempo, como dar fluidos intravenosos e manualmente comprimir o útero.



*Porem, é significantemente menos provável que você terá uma hemorragia pós-parto num parto domiciliar do que num parto hospitalar*, porque o risco de hemorragia pós-parto aumenta com intervenções como fórceps ou ventosa e indução de trabalho de parto, que são somente feitas no hospital.



4) E se você precisar de fórceps ou ventosa? No passado, médicos de família, às vezes, utilizavam fórceps em partos domiciliares. Porém, partos com fórceps aumentam os riscos para o bebe (por exemplo: contusão na cabeça, ou complicações como distócia de ombro) e para a mãe (laceração extensa e/ou sangramento). Por essas razões, partos com fórceps não são realizados em domicilio na Inglaterra hoje em dia. Se você precisar de fórceps, por exemplo, se o trabalho de parto não evoluir no segundo estagio, você será transferida para o hospital. Algumas mulheres nessa situação chegam ao hospital e dão a luz naturalmente, enquanto outras realmente precisam de fórceps. Normalmente não é uma situação emergencial, mas transferência por progressão demorada pode ser desconfortável e frustrante para a mãe.



5) E se você precisar de uma cesárea? Se você precisar de uma cesárea você será transferida para o hospital. A maioria das cesáreas não planejadas é realizada por progressão lenta do trabalho de parto, onde nem a mãe nem o bebe estão em perigo imediato. Uma cesárea assim pode ocorrer depois que a mãe for transferida para o hospital por progressão lenta, talvez tenha tomado a anestesia peridural para descansar um pouco, e um soro de ocitocina sintética para acelerar o trabalho de parto. Também pode ocorrer apos uma tentativa frustrada de trazer o bebe ao mundo com fórceps ou ventosa.



O termo "cesárea de emergência" pode ser confuso, porque uma cesárea de "emergência" significa de fato apenas que é uma cesárea que não foi planejada no inicio do trabalho de parto, não fazendo diferença se o bebê e a mãe estão em perigo imediato ou não. O que assusta a maioria das pessoas é uma "cesárea de emergência real", onde o bebe deve ser tirado do útero com urgência. Isto raramente ocorre em gestações de baixo risco que termina em trabalho de parto fisiológico (espontâneo). Porém, pode acontecer. Os batimentos cardíacos do bebe podem indicar para a parteira que o bebe esta em stress severo. Talvez o cordão esteja enrolado no pescoco - o que ocorre, em media, em um terço de todos os partos e normalmente não acarreta problemas - mas em alguns casos o bebê pode ter sua fonte de oxigênio comprometida. Talvez o cordão tenha ficado comprimido dentro do útero. A mãe pode estar sangrando por causa de um descolamento parcial da placenta ou, muito raramente, de uma ruptura do útero. Em uma situação de emergência extrema como essas, a parteira chamaria uma ambulância imediatamente, e iria telefonar para o hospital e pedir que seja preparada uma sala no centro cirúrgico e uma equipe chamada. A ambulância, então, levaria a mãe diretamente para o centro cirúrgico. Durante a espera pela ambulância e transferência, a parteira pode inserir o soro intravenoso ou deixar a entrada de uma veia preparada para a colocação do soro assim que a ambulância chegar ou já no hospital. No passado, equipes obstétricas eram levadas de helicóptero para emergências extremas em partos domiciliares. Porem, esse tipo de assistência foi sendo extinta na Inglaterra por se ver que, em geral, a assistência era menos segura e menos efetiva do que a transferência para o hospital.


Então quanto tempo você perderia ao ser transferida para o hospital? Obviamente depende da distancia entre a sua casa e o hospital, condições de transito, mas mesmo se você já estiver no hospital, a sala no centro cirúrgico precisara ser preparada e a equipe chamada. Existe uma tabela interessante num artigo por Tuffnell et al (veja as referencias abaixo) que lista os passos necessários entre a decisão pela cesárea e a retirada do bebe. Se você esta em trabalho de parto no hospital quando o seu bebe mostra sinais de stress, você ira se surpreender com o tempo que leva entre o medico indicar a cesárea e a cirurgia efetivamente começar.


Na Inglaterra a diretriz para retirada do bebe através de uma cesárea é 30 minutes entre decisão e nascimento, mas pesquisas sugerem que essa diretriz nem sempre é possível de ser seguida. Por exemplo, MacKenzie e Cook (2001) viram que, em media, o tempo entre decisão e nascimento em cesáreas de emergência onde havia stress fetal foi 42.9 minutos no grande hospital escola em Oxford, Inglaterra, onde a pesquisa foi feita. Tuffnel et AL (2001) viram que:


"66.3% das mulheres tiveram o bebe em 30 minutos; 88.3% em ate 40 minutos e 29 (4%) ainda não haviam tido o bebe em 50 minutos. Se a mulher fosse levada ao centro cirúrgico em 10 minutos, 409 de um total de 500 (81.8%) tiveram os bebes em 30 minutos e 495 (97%) em 40 minutos." Parece inevitável que durante a transferência do domicilio para uma cesárea de urgência se perca algum tempo, comparado com um parto planejado no hospital. Porem, dependendo de quanto tempo em media levara a sua transferência, a diferença não seja tão grande quanto se imagina. Se você puder chegar no centro cirúrgico em 20 minutos, por exemplo, a diferença será realmente muito pequena.


A questão para a maioria das mulheres é qual o real risco de necessitarem uma cesárea de urgência. Se você não esta numa categoria de risco, e você não teve intervenções durante o trabalho de parto que aumentem os riscos (por exemplo: indução, condução de trabalho de parto), as chances são realmente muito pequenas. Apenas você poderá decidir qual combinação de riscos é aceitável para a sua família.



6) E se o cordão estiver enrolado no pescoço? Em media 1 em cada 3 bebes nasce com o cordão enrolado no pescoco. Pode ser apenas uma volta, ou duas, ou três ou mais. Apesar de ser assustador quando ocorre, normalmente não é um problema; alguns bebës precisam de medidas de ressuscitação como massagear a pele, administrar ar ou oxigênio com balão ou mascara, mas a maioria fica bem sem nenhuma intervenção. Ocasionalmente pode ser mais serio, não importando onde o bebe nasce. E o problema seria tratado em casa da mesma maneira que seria tratado no hospital, em quase todos os casos.


Se o cordão está muito apertado, a cabeça do bebe pode não descer e os batimentos cardíacos iriam com quase toda a certeza mostrar padrões não tranqüilizadores quando o cordão fosse comprimido durante as contrações, quando a cabeça fosse empurrada para baixo. Parteiras atendendo em domicilio monitoram regularmente os batimentos do bebe, e se estes se mostrassem não tranqüilizadores, você então seria transferida para o hospital. Se os batimentos se mantivessem não tranqüilizadores você então terá uma cesárea.


Porem, na maioria dos casos, o cordão está solto o suficiente para permitir o nascimento através do parto normal. Se o bebe não mostra sinais de stress mais cedo no trabalho de parto e a sua cabeça desce no canal de parto, então a situação seria gerenciada da mesma maneira não importando onde você esta - afinal, não teria tempo de ser feita uma cesárea a tempo mesmo no hospital se o seu bebe apresentar batimentos não tranqüilizadores nos últimos 10 minutos do trabalho de parto. Quando a cabeça coroar, se o cordão está solto o bastante, a parteira ira passá-lo por cima da cabeça do bebe ou ira aparar a cabeça do bebe bem próximo ao seu períneo enquanto o corpo sai e dar uma "cambalhota" para que o bebê nasça através da circular do cordão. Se o cordão está muito apertado a parteira pode clampear e cortar o cordão assim que a cabeça coroar. Porem, muitas parteiras experientes sentem que é quase nunca necessário cortar o cordão em uma situação assim porque o útero contrai e a barriga do bebe desce, então o cordão ira ficar mais solto. Como uma parteira disse, o pior caso é quando o cordão rompe assim que nasce o bebe; e qual a diferença entre romper e cortar?


Cortar o cordão muito cedo é contra indicado por duas razões principais. Primeiro, se os ombros do bebe ficarem presos apos o cordão ser cortado não existira fluxo de oxigênio ate que ele nasça. Segundo, cortar o cordão prematuramente não permite que o bebe receba uma quantidade significativa de sangue que normalmente seria transferida da placenta e cordão nos primeiros minutos apos o nascimento, e hoje em dia existem inúmeras pesquisas que mostram que esse sangue diminui o risco de anemia na infância, entre outros problemas.


Se o bebe não esta em boas condições ao nascer então a parteira ira ressuscitá-lo, e os passos tomados em casa são, ao menos em primeira instância, os mesmos que se tomaria no hospital.



7) E se houver prolapso de cordão? Prolapso de cordão é uma dessas situações de emergência que dão pesadelos as parteiras. Apresentação de cordão ocorre quando o cordão umbilical sai antes do bebe. Quando a cabeça desce, o cordão é comprimido e isso pode restringir o fluxo de oxigênio para o bebe. Prolapso de cordão é o próximo estagio - quando o cordão sai do útero antes do bebe, e pode ser sentido na vagina.


Algumas vezes a parteira ou medico podem empurrar o cordão de volta para cima, segurando a cabeça do bebe enquanto o fazem. Porém, muitas vezes uma cesárea de emergência será necessária. Se o prolapso de cordão ocorrer em casa, a sua parteira provavelmente ira pedir que você fique de quatro, com a sua cabeça mais baixa que o corpo e o bumbum levantado. Isso tira a pressão do seu colo de útero e, se der certo, do cordão também. A parteira pode ficar com uma mãe dentro de você, segurando a cabeça do bebe para longe do cordão, enquanto espera a ambulância chegar. Ela poderá ficar nessa posição enquanto a ambulância leva você para o hospital. Uma imagem interessante para os seus vizinhos - mas potencialmente uma que salvara o seu bebe. Porem, não ha como negar que esta é uma complicação onde qualquer perda de tempo pode ser fatal; não ha duvidas que um hospital é o melhor lugar para um prolapso de cordão. A questão é qual a possibilidade real de algo assim ocorrer?


Prolapso de cordão é uma complicação que pode ser falta em casa ou no hospital. Um estudo de partos domiciliares planejados do National Birthday Trust Fund da Inglaterra relatou incidência de prolapso de cordão. Em grupos domiciliares e hospitalares totalizando 10.695 mulheres, apenas um prolapso de cordão ocorreu, no grupo domiciliar, mas não houve morte fetal relatada*. Os autores apontam que prolapso de cordão ocorre em media uma vez a cada 900 partos (apresentação de cordão uma vez a cada 300), mas é muito mais comum em certas categorias de alto risco: bebes pélvicos ou transversos, bebes pequenos, excesso de liquido amniótico.


Poucas mulheres que planejam um parto domiciliar estarão em alguma destas categorias acima listadas.


**Nota: fomos contatadas pela mãe que participou deste estudo. Ela estava planejando um parto domiciliar, mas decidiu no fim da gestação por ter um parto hospitalar. Ao chegar no hospital em trabalho de parto, foi visto que ela tinha um prolapso de cordão e o bebe morreu. Não está claro se este é o caso mencionado acima. Como ela estava originalmente planejando um parto domiciliar, a morte de seu bebe será contada como morte no grupo de parto domiciliar planejado. Note que ela não estava em casa e nem sendo transferida quando isso ocorreu, ela estava no hospital. Bebes algumas vezes morrem por conta desse problema, não importando onde a mãe estava - mas o problema é que se acontece quando ela estava em casa, alguém, em algum lugar, ira culpar o fato de que era um parto domiciliar. Se ela estava no hospital, será apenas "um desses casos tristes".*



8) E se houver distócia de ombro? "Distócia de ombro" significa que a cabeça do bebê saiu, mas os ombros ainda estão presos dentro da mãe e não nascem espontaneamente com a próxima contração. Representa perigo de vida para o bebê já que ele não pode respirar até que o corpo saia - não há espaço para inflar os pulmões - mas o cordão pode ser comprimido já que a cabeça já saiu. É uma situação que pode ser aterrorizante tanto para o profissional de saúde quanto para a mãe, não importa aonde ocorra.


Todas as parteiras na Inglaterra devem ter sido treinadas em gerenciamento de emergência de distócia de ombros, e as manobras para liberar o ombro preso podem ser feitas tanto em casa quanto no hospital. Elas incluem mudar a mãe para uma posição onde deixe mais espaço para o bebê se mover através da pelve, a manobra de McRoberts onde a mãe é colocada de costas e os seus joelhos são empurrados na direção das axilas, e a parteira manualmente libera o ombro do bebê.


Existe apenas uma manobra que só pode ser feita no hospital e não em casa, mas esta é virtualmente não existente na Inglaterra - a manobra de Zavanelli, onde a cabeça do bebê é empurrada de volta para o corpo da mãe e aí é feita a cesárea. Por causa do tempo que levaria para a cesárea ser realizada, as circunstâncias onde esta manobra salvam a vida do bebê são extremamente raras.



9) E se o bebê precisar de ressuscitação? Parteiras na Inglaterra normalmente levam equipamento de ressuscitação para partos domiciliares, e todas tem treinamento em ressuscitação de recém-nascidos. A maioria dos métodos de ressuscitação usados em hospitais está disponível para partos domiciliares, especialmente os que são utilizados após um parto normal espontâneo.


"Ressuscitação" é um termo que se usa para várias medidas diferentes que objetivam encorajar ou possibilitar um recém-nascido a respirar por si próprio. As formas mais comuns incluem:



· Estimular o bebê massageando vigorosamente sua pele

· Aspirar a boca e o nariz com, por exemplo, uma seringa estilo pêra ou uma máquina de aspirar nariz para remover muco, etc, que podem estar obstruindo as vias aéreas

· Ventilar o bebê - dando ar e oxigênio pressurizado. Isso pode ser feito com um "ambu" ou "saco e mascara", que a parteira opera manualmente, ou por entubação, onde um tubo é colocado na traquéia e que pode ser ligado a um aparelho de ventilação

· Se a respiração do bebê está fraca porque a mãe recebeu Pethidine ou outros opiáceos durante o trabalho de parto, o antídoto Naloxone (Narcan) pode ser administrado

Aspiração, administrar Naloxone, dar oxigênio e ventilar com saco e mascara podem ser feitos em casa. Intubação também pode ser feita em casa desde que a parteira seja treinada para isso, mas é um procedimento que por sis ó pode ser perigoso para o bebê e pode ocasionar ou piorar o stress respiratório, e normalmente só é feito no hospital, e mesmo lá somente em situações com sério risco. Se ressuscitação prolongada for necessária, as parteiras utilizarão a ventilação com saco e mascara até que o bebê seja transferido para o hospital. As diretrizes da Organização Mundial de Saúde para ressuscitação de recém-nascidos incluem informações sobre como ventilar um bebê usando saco e mascara. Note-se que é a mesma recomendação para primeiros socorros não importando onde o bebê nasceu.


De uma maneira geral, partos domiciliares na Inglaterra são atendidos por duas parteiras, então se por ventura tanto a mãe quanto o bebê necessitarem de ajudam logo após o parto, uma profissional estará disponível para cada um.


Abaixo alguns comentários de uma parteira com experiência em partos domiciliares e hospitalares.

*A visão de uma parteira sobre ressuscitação em partos domiciliares*

O que eu tenho disponível para ressuscitação de recém-nascidos em casa é:

· Peço para a mãe e o pai terem várias toalhas disponíveis, e nós as aquecemos quando chega perto da hora do bebê nascer

· Uma superfície reta e firme para ressuscitação (uma bandeja grande é portátil, o chão funciona bem para uma emergência, o topo de uma cômoda ou um trocador é o ideal) num quarto quente e sem vento

· Um bom abajur para verificar a cor do bebê (não necessário se o bebê está chorando)

· Equipamento para aspiração manual em caso de mecônio ou outra obstrução das vias aéreas

· Oxigênio e um ambu, com vários tamanhos de mascaras diferentes para bebês de tamanhos diferentes, para inflar os pulmões

· "Gudel airways" - útil quando as narinas do bebê não funcionam, para que ele possa respirar pela boca até chegar ao hospital



O que eu não tenho disponível, e que existe no quarto no hospital:

Equipamento para aspiração mecânica

· Laringoscópio e tubo endotraqueal

· Medicação (apesar de que eu posso, teoricamente, levar Narcan caso a mulher decidir usar Pethidine, e eu posso levar quaisquer outros tipos de medicação comigo)

· Alguém para vir correndo assim que eu apertar o botão de emergência no quarto


Porém, se eu estivesse num o parto domiciliar onde o bebê não respire no primeiro minute, eu pediria que alguém chamasse os paramédicos, que trazem consigo o equipamento de aspiração mecânica, o laringoscópio e tubo endotraqueal, e provavelmente os remédios também. E eles sabem utilizá-los e estão bem treinados.

Escrito por *Viv*, parteira inglesa

O estudo do National Birthday Trust Fund da Inglaterra sobre partos domiciliares mostrou que bebês planejados para nascer em casa têm menos chances de precisar de qualquer forma de ressuscitação do que bebês planejados para nascer no hospital, mas os riscos foram similares. Bebês que nasceram no hospital após uma transferência de um parto planejado para ser domiciliar têm mais chances de precisar de ressuscitação, porém muitos desses casos de transferência ocorrem por complicações que aconteceram durante o trabalho de parto. E, claro, como esses bebês nasceram no hospital, o fato de suas mães terem originalmente planejado partos domiciliares não afetou a disponibilidade de atendimento de ressuscitação para os bebês.

Resultados do estudo:

Partos domiciliares planejados:
Partos hospitalares planejados:

Aspiração: 11.3%
Aspiração: 18%

Saco e máscara: 5.6%
Saco e máscara: 9.1%

Intubação: 0.6%
Intubação: 0.8%





9) E se o seu bebê morrer? Como você irá reagir? Alguns bebês morrem após ou durante um parto domiciliar. Alguns bebês morrem após ou durante um parto hospitalar. A morte pode ser causada por deformidade congênita, ou por problemas que aconteceriam não importando o local do nascimento. Muito raramente um bebê que morre após um parto domiciliar teria sobrevivido se o parto fosse realizado no hospital. Talvez uma cesárea de urgência é necessária, e a transferência para o hospital é demorada. E o outro lado também é verdadeiro - alguns bebês morrem após partos hospitalares e poderiam ter sobrevivido num parto domiciliar. Isso pode ocorrer por problemas respiratórios decorrentes de uma cesárea, infecção hospitalar, ferimentos após parto com fórceps, reações adversas a medicamentos dados à mãe durante o trabalho de parto, ou stress ou ferimento decorrente de indução ou condução do trabalho de parto.


Algumas vezes não é possível saber se o resultado final poderia ter sido diferente em outro local. As pessoas especulam, mas em casos individuais, é difícil saber. O que nós podemos fazer é ver os resultados de um grande número de partos domiciliares planejados e perguntar se é mais provável um bebê morrer - ou ser ferido - em casa ou no hospital. Muito do conteúdo deste site é dedicado à essa pergunta, e o consenso da imensa maioria dos especialistas é que bebês não correm maior risco de morrer, e mães e bebês correm menor risco de ferimentos quando se escolhe um parto domiciliar. Dê uma olhada nas páginas de pesquisa para sumários de todas as pesquisas recentes sobre parto domiciliar às quais eu tive acesso. Há dois relatos de parto neste site de famílias cujos bebês morreram após um parto domiciliar. Em ambos os casos o bebê não respirava sozinho, e apesar de ressuscitação imediata e transferência rápida para o hospital, ambos morreram. Nos dois casos, os pais tiveram seu próximo bebê em casa. Leiam os relatos de Nicky e Megan, em memória dos bebês que elas perderam, e em celebração dos bebês que vivem.


*Referências* *Mackenzie and Cooke, 2001:*
BMJ 2001;322:1334-1335 ( 2 June )
Prospective 12 month study of 30 minute decision to delivery intervals for
"emergency" caesarean section
I Z MacKenzie, clinical reader in obstetrics and gynaecology, Inez Cooke,
clinical lecturer in obstetrics and gynaecology.
Nuffield Department of Obstetrics and Gynaecology, University of Oxford,
John Radcliffe Hospital, Oxford OX3 9DU

*Tuffnell et al, 2001*
BMJ 2001;322:1330-1333 ( 2 June )
Interval between decision and delivery by caesarean sectionare current
standards achievable? Observational case series
Derek J Tuffnell, consultant, Kath Wilkinson, clinical governance support
officer, Nicola Beresford, senior house officer.
Maternity Unit, Bradford NHS Trust, Bradford BD9 6RJ

Você pode ler essas pesquisas na íntegra no site do British Medical Journal
(http://bmj.bmjjournals.com/ )