Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones
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domingo, 11 de novembro de 2007

Náuseas e vómitos

As náuseas e vómitos estão entre os sintomas mais frequentes,
os mais característicos e talvez os mais incómodos do início
da gravidez. Quase 75% das gravidas apresentam
náuseas, e uma em cada 10 apresenta persistência do distúrbio
depois do primeiro trimestre. Apesar do nome popular “enjoo
matinal”, muitas mulheres têm o sintoma durante todo o
dia. Frequentemente é mais intenso e mais duradouro nas
mulheres com gravidez múltipla.
Felizmente, a forma mais grave de náusea e vómito
(hiperêmese gravídica), com desidratação e distúrbio
eletrolítico, é rara.

As causas de náuseas na gravidez ainda são desconhecidas,
e a variedade de tratamentos recomendados reflecte as muitas
teorias sobre as causas. Como poderia ser esperado de uma
condição auto limitada, estudos não-controlados desses “tratamentos”
mostraram resultados sensacionais, mas falsos. Em
contraste, os resultados dos estudos controlados foram menos
impressionantes.

Recentemente, o uso de antieméticos diminuiu devido a
temores possivelmente justificados dos efeitos da medicação
sobre o feto. Frequentemente são preferidas condutas não farmacêuticas
para aliviar náuseas e vómitos, particularmente
durante as primeiras semanas, quando o feto em desenvolvimento
é mais vulnerável. Sugestões comuns sobre repouso
e dieta para mulheres com náuseas ou vómitos durante a
gravidez não foram avaliadas em estudos randomizados, mas
tendem a ser inofensivas, e podem ser úteis. Pequenas quantidades
de carboidratos, como biscoitos ou bananas, podem
aliviar algumas mulheres, e se forem retidas proporcionarão
a nutrição necessária. O repouso pode ser impossível quando
as mulheres têm outras responsabilidades, como um
emprego ou filhos pequenos, mas pode ser útil quando possível.

Uma conduta não-convencional, que utiliza acupressão no
ponto Neiguan (P6) no punho, foi avaliada em vários estudos
randomizados controlados por placebo. Os estudos foram pequenos,
mas sugerem que a acupressão pode reduzir a frequência
de náusea persistente. As pulseiras antienjôo comuns usadas
para enjôos em viagens podem ajudar algumas mulheres,
e não tendem a causar danos. O papel da acupressão merece
avaliação adicional.

A vitamina B6 (piridoxina) foi testada em dois estudos. Seus
resultados sugerem que a vitamina B6 pode ser efectiva na redução
da intensidade da náusea, mas não está claro em que
grau. As indicações de qualquer efeito sobre o vómito são
inconclusivas. No caso de hiperêmese, o gengibre em pó e o
ACTH foram comparados com placebo, mas esses estudos
foram pequenos demais para permitir quaisquer conclusões
fidedignas.

Vários estudos, realizados principalmente nas décadas de
1950 e 1960, demonstraram que diversos anti-histamínicos
são melhores que os placebos. Um estudo da dramamina
mostrou que ela é menos efectiva isoladamente do que quando
associada à benzilamina. Os anti-histamínicos simples geralmente
são considerados seguros durante a gravidez, embora
algumas vezes causem efeitos colaterais perturbadores. Não foram realizados grandes
estudos epidemiológicos para pesquisar possíveis efeitos adversos
sobre o feto.

Antigamente, a droga mais usada no tratamento de náuseas
e vómitos da gravidez era uma substância contendo o antihistamínico
succinato de doxilamina e piridoxina (comercializada
como Debendox no Reino Unido, como Bendectin nos
Estados Unidos e no Canadá e como Lenotan em alguns outros
países). Os três pequenos estudos controlados com placebo
publicados fornecem indicações razoáveis de que o Debendox
aliviava as náuseas durante a gravidez. Foi retirado do mercado
em 1983 em consequência de processos judiciais contra os
fabricantes. Houve alegações de que a droga causara malformações
congénitas quando usada na gravidez. Na época de seu
recall, o Debendox havia sido usado por mais de 30 milhões
de mulheres em todo o mundo. Em muitos países, um quarto
a um terço de todas as gestantes usaram Debendox. Se as
malformações congénitas ocorrem em 3,5% dos bebés, apenas
acidentalmente o Debendox teria sido usado pelas mães
de mais de um milhão de bebés nascidos com malformação
congénita. Na inevitável busca do que pode ter causado as
malformações nas crianças, não causa surpresa que muitas mães
tenham apontado o Debendox.
O processo ocorreu apesar de muitas evidências contra o fato
de o Debendox ser teratogênico. Nos 19 estudos epidemiológicos
sobre o Debendox, há um amplo consenso de que a droga
não está associada a aumento do risco de malformações congénitas.
Apesar da súbita retirada do Debendox do mercado, não
houve redução correlacionada na incidência descrita de qualquer
grupo de malformações. A remoção do Debendox provavelmente
levou a aumento do uso de outros medicamentos para tratamento
das náuseas e vómitos cujo uso, isoladamente, foi submetido
a muito menos estudos em seres humanos.
Se for usado um antiemético durante a gravidez, a opção
actual frequentemente é um anti-histamínico. Essas substâncias
parecem ser eficazes, conforme demonstrado pelos estudos
iniciais, mas sua segurança não foi tão bem estudada.

adaptado do "Guia para atenção efetiva na gravidez e no parto"