Sobre o blog:
“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones
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quinta-feira, 7 de março de 2013
Porque o dia Internacional da Mulher está à chegar...
A saúde das mulheres é a terra em que cresce toda a humanidade.
Melhorar a saúde de uma mulher fertiliza e aprovisiona o terreno para todos, homens, mulheres, crianças, animais, plantas e o próprio planeta.
O vínculo mãe-filha, em toda a sua beleza, dor e complexidade, constitui o próprio fundamento do estado de saúde de uma mulher. Esta relação primária deixa a sua marca em cada uma das nossas células para toda a vida
Todas as mulheres, assim como os homens, crescemos no ventre (útero) da nossa mãe. Bebemos as suas emoções, sentimos tudo o que acontece no seu corpo, mente e espírito. É o nosso universo durante nove meses (luas) e é a nossa referência essencial da vida humana. No caso das mulheres, os nossos úteros são criados no útero da nossa mãe e nele se irão imprimir as emoções básicas sobre a feminilidade. Assim, no teu útero, se albergam também as memórias da tua avó, e se seguirmos esta espiral, vamos cair no Ventre (útero) da criação e recriação, o nosso Templo Sagrado (útero), é construído sobre os pilares de todas as mulheres a nossa linhagem matrilinear. O legado dessas mulheres para nós (ou para as nossas filhas) é impresso no corpo, particularmente nos nossos órgãos genitais, nossos órgãos sexuais, nossos seios e nosso abdômen. Estar ciente disto ajuda-nos a entender o porquê de tantas dores e sofrimento "inexplicável", de tanta raiva contida e de tantas lágrimas surdas presas na nossa garganta.
Erika Irusta Rodríguez
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013
O Ventre por Irene Gaeta Arcuri
Hara - o centro. Os yogues costumam chamar esta região de plexo, que significa centro das emoções. Também para as tribos africanas o centro das emoções se localiza na barriga (veja o que você sente quando leva um susto!).
Leloup considera o ventre importante, pois nele encontramos algumas dificuldades sentidas no relacionamento entre pai e mãe. É como se a nossa digestão se reportasse a essa relação. É um local de grandes transformações, o local da digestão! Local da gestação, portanto, local da vida! O desejo de viver pode ser também expresso na digestão, ou seja, a ingestão do alimento, a assimilação dos materiais benéficos contidos na alimentação bem como a expulsão dos materiais indigeríveis. Em contrapartida, nos casos depressivos, na anorexia existe uma negação à vida e, portanto, uma recusa à alimentação e à transformação que ela proporciona.
Existem várias formas de fome, por exemplo, a "fome de amor" que, às vezes pode ser traduzida por uma necessidade de doces. Quem nunca ouviu a comparação que se faz entre "amor e doçura". Claro, há uma explicação biológica, porque a glicose, além de ser combustível para os neurónios, estimula a produção de serotonina e endorfina, neurotransmissores que regulam as sensações de bem-estar e prazer. Então dá para entender por que durante as crises depressivas na TPM (tensão pré-menstrual) as mulheres têm uma grande vontade de comer doces.
Nos diabéticos há um amargor pela vida. Pensando um pouco no simbolismo do alimento: se açúcar é amor, diríamos que o diabético sofre de "diarreia de açúcar", pois ao mesmo tempo em que há necessidade de açúcar, também há uma incapacidade (falta de insulina) de assimilar o açúcar contido nos alimentos.
Dethlefsen e Dalke delinearam o problema dos diabéticos: por trás da incapacidade de assimilar açúcar, introduzindo-o nas próprias células, está o inconfesso desejo de realização amorosa, ao lado da incapacidade tanto de aceitar o amor como de entregar-se a ele. Os sentimentos também podem manifestar-se no intestino delgado, por exemplo, nas questões relacionadas aos medos. Como o medo pode estar relacionado à limitação e ao apego, a diarreia aparece justamente para deixar ir ou para ensinar o desapego.
No intestino grosso, onde a digestão se encerra, o distúrbio mais comum é a prisão de ventre. A psicanálise interpreta a defecação como o ato de doação e de generosidade. No caso da prisão de ventre podemos estar a falar de avareza, da dificuldade de desapegar-se de coisas materiais ou de conteúdos do inconsciente, é como se quiséssemos esconder tudo!
Para descobrir a vida secreta do ventre devemos perguntar-nos: temos alguém no estômago? O que não digerimos? O que não aceitamos? O que não conseguimos perdoar? Quando estamos nervosos (por ter de fazer um exame, por exemplo), quando perdemos alguém que amamos (morte) não conseguimos perdoar! O perdão liberta não a quem nos fez mal de alguma forma, mas liberta a nós mesmos da prisão em que nos fechamos a odiar alguém!
(in Arteterapia e o Corpo Secreto: Técnicas Expressivas Coligadas ao Trabalho Corporal)
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