Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

domingo, 9 de setembro de 2012

A pílula - libertação ou escravidão feminina?

A pílula não é imprescindível, nem inofensiva!
A pílula entrou em Portugal como terapêutica em 1962 pelas mãos da farmacêutica Schering Lusitana (entretanto comprada pela Bayer) e só em 1974 foi aprovada pelo Infarmed como anticoncepcional. Hoje no mercado português há 53 contraceptivos orais, num consumo anual que ronda as oito milhões de embalagens, mas caiu 9,1% entre 2005 e 2009

Como actua a pílula?
"A maturação dos folículos necessita de hormonas da hipófise (glândula endócrina junto ao cérebro), a FSH (Folicle stimulating hormone ou hormona estimuladora do folículo) e também a LH. Normalmente surgem vários folículos ováricos (cada um com 1 ovócito) em crescimento que, ao aumentarem de tamanho, excretam estrogénios em cada vez maior quantidade que actuam por feedback negativo na hipófise, havendo redução progressiva da libertação de LH e FSH. Os vários folículos então competem por essas escassas hormonas, sendo que o maior folículo (que tem maior superfície e portanto mais receptores para elas) é activado suficientemente e os menores degeneram. Esse folículo maior então produz cada vez mais estrogénio, até que em altas concentrações ocorre conversão do feedback negativo em feedback positivo que leva à excreção em massa de LH e FSH que estimulam o rompimento do folículo e a ovulação.


A administração de doses baixas mas constantes de estrogénio e progesterona inibe a produção de FSH e LH na hipófise, por feedback negativo enquanto todos os folículos são ainda pequenos. A diminuição das concentrações de FSH e LH leva ao não desenvolvimento dos folículos que surgem, já que nenhum deles é suficientemente grande para ter receptores de FSH suficientes para não degenerar.


Ou seja, há como que uma simulação da produção de estrogénio por um folículo grande apesar de nenhum existir (porque o estrogénio vem do medicamento), e portanto todos os folículos degeneram de acordo com o mecanismo normal de "selecção natural" de apenas um deles, o maior, para ovular. Devido à pílula ele não existe, portanto não há ovulação de nenhum."


Wikipedia

Basicamente a pílula faz com que o nosso corpo acredite que estamos grávidas, alterando o nosso sistema endócrino, tendo numerosos efeitos secundários físicos que afectam o nosso organismo , alguns destes efeitos são graves:

  • Alterações do humor e comportamento ligeiras.
  • Subida da tensão arterial ligeira.
  • Aumento da hormona tiroxina da tiróide.
  • Aumentam o colesterol e os outros lípidios moderadamente.
  • Maior pigmentação cutânea (escurecimento da pele)
  • Aumento ligeiro da função cardíaca.
  • Por vezes  ligeiro efeito virilizante (devido à pequena actividade androgénica da progesterona), menos pronunciado nas pílulas de última geração.
  • Aumento de peso
  • Retenção de líquidos
  • Redução da libido
  • Depressão
  • Tromboses e embolia
  • Enfarte do miocárdio
  • AVC
  • Cancro do colo do útero se houver infecção com vírus do papiloma humano.
  • Perda de cabelo
  • Eritema
É claro que emocionalmente , estes medicamentos desvinculam-nos com a sabedoria feminina ao impedir a comunicação interna entre as nossos hormonas, útero e ovários.

Milhões de mulheres estão conectadas com a industria farmacêutica e não com o ciclo lunar, e não com elas mesmas....

Pergunto-vos eu, será a pílula uma forma de libertação das mulheres... ou uma forma de escravidão?

Criticar a pílula não quer dizer anti-feminismo , quer dizer não concordar com uma concepção incompleta e falsa das mulheres!

Existem outros métodos anticoncepcionais que respeitam o ciclo feminino e o próprio corpo , são eficientes e aumentam o nível de conhecimento pessoal,  conectam-nos com o nosso sagrado feminino.  Permitem o auto-conhecimento da fertilidade feminina, pois, enquanto o homem  é fértil em qualquer momento de sua vida adulta, a fertilidade da mulher é cíclica.


Além disto, a tecnologia também chegou à anticoncepção natural , são vendidos dispositivos com microcomputadores que armazenam os dados e indicam claramente o estado de fertilidade .
Deixo alguns exemplos:

  •  Os analisadores eletrónicos de hormonas - verificam os níveis das hormonas que são alteradas periodicamente durante o ciclo de fertilidade da mulher acumulando a informação numa base de dados, o que os possibilita fazer um prognóstico com alto grau de precisão da aproximação do período fértil da mulher. Os mais difundidos são o  PERSONA e o CLEARPLAN.
  • Exame salivar com microscópio de bolso  - A estrutura microscópica da saliva e do muco cervical variam se a mulher está no dia fértil ou não. Observando-se a saliva ou o muco cervical através desses aparelhos, os casais podem determinar se a mulher está fértil ou não. Existem diferentes marcas desses aparelhos, as mais conhecidas são o Ovulator e o PG-53.
  • O termometro eletronico é um pequeno aparelho computadorizado que indica os dias férteis da mulher utilizando-se de dados da temperatura basal e do muco cervical. Os mais conhecidos são o L-Sophia e o Bioself (temperatura basal + método Ogino).
Pessoalmente prefiro Métodos naturais sem equipamentos.

A mulher só é fértil durante aproximadamente 10 horas no mês, que é o tempo de vida do óvulo depois de sua saída do ovário, o que ocorre apenas uma vez por mês.
Há três sinais anteriores à fertilidade que podem ser usados na observação:

1.Temperatura basal.

2.Secreção vaginal (os sistemas que confiam exclusivamente no secreção vaginal incluem o método de aviso da ovulação, o modelo de Creighton, e o método dos dois dias)

3.Posição colo do útero (nenhum estudo foi conduzido em mulheres que seja exclusivamente sobre observações do colo do útero)

Método Sintotérmico é a combinação da observação da Temperatura basal, do Secreção vaginal, e às vezes da posição colo do útero.

Método Rítmico, o método natural mais antigo que se conhece é o Ogino-Knauss, também chamdo de Método de Ogino-Knauss ou Calendário ou Tabelinha, que permite obter, mediante cálculos matemáticos, os dias de fertilidade do casal, levando em conta que a mulher ovula apenas uma vez ao mês, nos 14 dias antes da próxima menstruação e que o óvulo vive aproximadamente 10 horas após a ovulação e o espermatozóide 72 horas depois da ejaculação, no muco fértil.

Quando os ciclos são regulares o método é útil, porém, dadas as frequentes irregularidades, o método tem muitas falhas que geralmente se produzem porque o tempo entre a menstruação anterior e a ovulação depende da hipófise e ela por sua vez do hipotálamo e este do córtex cerebral; de maneira que qualquer stress poderá fazer com que a ovulação se atrase ou adiante. O mesmo não acontece com a segunda fase do ciclo que, quase sempre, é regular para toda mulher e que dura aproximadamente duas semanas, entre a ovulação e a menstruação seguinte.

Os cálculos são feitos tomando-se em conta os 12 ciclos anteriores. Do ciclo mais curto subtrai-se 19 dias e do ciclo mais longo 11 dias. C=19 e L=11. Por exemplo, suponhamos que a duração dos ciclos nos 12 meses anteriores foram de: 28, 27, 31, 32, 28, 30, 29, 32, 30, 28, 32 e 28 dias. O mais curto é de 27 dias e o mais longo de 32. Nesse caso teremos 27-19 = 8 e 32-11 = 21, de forma que por este método o casal seria fértil do dia 8 ao dia 21.

No caso de adiar uma gravidez o casal pode ter relações desde o primeiro dia da menstruação até o 8º dia e a partir daí deve guardar abstinência até o 21º dia a partir do qual pode reiniciar as relações. Este método tem um índice de segurança de apenas 64%.

Método da Temperatura Basal

O método da temperatura basal tem como fundamento o aumento da temperatura que a progesterona provoca na mulher. Esta hormona começa a circular na segunda fase do ciclo menstrual. Quando a temperatura da mulher sobe é sinal de que ovulou.

Normalmente a temperatura sobe 2 décimos de grau Centígrado ou 4 Farenheit. Para registrar esse aumento de temperatura há que medir, diariamente, a temperatura basal com o mesmo termometro, nas mesmas condições e às mesmas horas, após duas horas de repouso, no mínimo.

Para adiar uma gravidez pelo Método da Temperatura Basal, deve-se guardar abstinência sexual desde a menstruação até três dias após o aumento da temperatura (2gC ou 4gF) além dos seis dias anteriores. É a conhecida regra de 3/6. Este método tem uma segurança de 99% mas exige uma abstinência muito prolongada.

Método aviso da ovulação

O Método aviso da ovulação é um sistema natural e gratuito de regulação da fertilidade baseado na determinação, por parte da própria mulher, das fases férteis ou inférteis de seu ciclo menstrual, reconhecidas pela observação diária da Secreção vaginal recolhido à entrada da vagina.

Este muco apresenta variações durante o ciclo feminino, durante o período de fértil  apresenta-se mais espesso e coeso podendo ser observado ( quando manuseado ) a formação de um fio entre os dedos.

Este método consiste em anotar diariamente em um gráfico as mudanças que observa na secreção vaginal. Com este método a mulher deve passar um papel higiénico na vagina antes e depois de realizar as suas necessidades e observar se aparece ou não o muco, bem como as suas características.

Método da auto-apalpação do colo do útero

O Método da Auto-apalpação Cervical é baseado nas mudanças das características do colo uterino, conforme o momento do ciclo menstrual pelas influências hormonais. Quando a mulher é fértil o colo está alto, macio e com o orifício central entreaberto, enquanto que na fase infértil o colo está baixo, encontrando-se muito facilmente quando se introduz os dedos na vagina, e está duro com o orifício externo fechado.

Método Sintotérmico

O Método Sintotérmico não é um método como tal, mas uma combinação de vários métodos uma vez que combina o cálculo pré-ovular de Ogino, as alterações do muco cervical do Método Billings, o registro da Temperatura Basal, a autopalpação do colo e cólica intermenstrual da ovulação. Pode-se utilizar a combinação de todos estes métodos ou apenas alguns deles. Quando se deseja adiar um gravidez usa-se para começar a abstinência no primeiro dos sinais ou cálculos da fertilidade que apareça e termina-se a abstinência no último dia do último método.
Os métodos naturais não fazem mal nenhum à saúde da mulher ( nem do homem) , são livres de efeitos colaterais. A liberdade e os direitos da mulher ( e do homem )  são respeitados.

Os métodos naturais desenvolvem uma relação inter-pessoal mais profunda entre os casais, baseada na comunicação, nas decisões compartilhadas e no respeito recíproco. Fortalecem o casal e, portanto, a vida familiar. E o mais importante.... CONECTAM A MULHER COM O SEU LADO MAIS FEMININO E SAGRADO!

3 comentários:

Só sedas disse...

Completamente de acordo, também prefiro tudo o que seja natural mas e quando a indicação para tomar a pílula é o défice de alguma hormona (estrogénios ou progesterona) que nos leva a ter ciclos irregulares e menstruações extremamente dolorosas? Existe alguma remédio natural para isso? Já agora gostava de saber...

Obrigada

efilipe disse...

Olá.
Conheci hoje este blogue e estive a ler alguns dos artigos aqui publicados, que me interessaram bastante. Sou mãe de um bebé de pouco mais de 3 meses. O me bebé nasceu de parto vaginal, estava em posição podálica em vez de cefálica. Foi tudo muito rápido e o médico que me assistiu transmitiu-me muita confiança, embora eu estivesse receosa porque estava a mentalizar-me desde há umas semanas para uma cesariana, o que digo felizmente, acabou por não acontecer.
Quero dar-lhe os parabéns pelo blogue e vou vir aqui visitar mais vezes.

Jason disse...

Os bushkiman comem poucas proteinas e por isso as mulheres tem apenas entre 2 e 3 filho por vida. Começam a menstruar por volta dos 20 anos, não menstruam todos os meses e quando estão a amamentar (amamentam apenas por 4 anos) não engravidam. repito que isto é por causa de uma dieta natural que, naturalmente, consiste em uma quantidade muito reduzido em relação ao mundo ocidental. Fora disso não utilizam anticonceptivos e a infanticida é apenas 12 em mil (quando nasce um bebe quando o filho anterior ainda está na fase de lactação). Na nossa sociedade os abortos superam xxxxxx vezes este número. Abraços Jason