Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

terça-feira, 30 de junho de 2009

Instruções Básicas para Meditação da Respiração

(Originalmente publicado no Acesso ao Insight)

A técnica que irei ensinar é a meditação da respiração. É um bom tópico independentemente da sua orientação religiosa. Como meu mestre disse certa vez, a respiração não pertence ao Buddhismo ou Cristianismo ou a qualquer seita. É propriedade comum que qualquer pessoa pode usar para meditar. Ao mesmo tempo, de todos os tópicos de meditação que existem, é provavelmente o mais benéfico para o corpo, pois quando estamos lidando com a respiração, não estamos lidando somente com o ar que entra e sai dos pulmões, mas também com todas as sensações de energia que percorrem o corpo com cada respiração. Se você conseguir aprender a se tornar sensível a essas sensações, e permitir que elas fluam facilmente e sem obstruções, você poderá auxiliar o seu corpo a funcionar mais facilmente, e dar para a mente um meio para lidar com a dor.

Então vamos todos meditar por alguns minutos. Sentem-se confortavelmente eretos, em uma posição equilibrada. Vocês não precisam ficar duros e retos como um soldado. Tentem somente não se inclinar para a frente ou para trás, ou para a esquerda ou direita. Feche os olhos e diga a si mesmo, "Que eu possa ser verdadeiramente feliz e livre de sofrimento." Isso pode parecer uma forma estranha, até egoísta, de começar a meditar, porém existem boas razões para isso. Primeiro, se você não consegue desejar a sua própria felicidade, não há meio de que você possa honestamente desejar a felicidade de outros. Algumas pessoas necessitam se lembrar constantemente de que elas merecem a felicidade — nós todos a merecemos, porém se não acreditamos nisso, encontraremos constantemente formas de nos punir, e acabaremos punindo outros de forma sutil ou grosseira também.

Segundo, é importante refletir acerca do que é a verdadeira felicidade e onde ela pode ser encontrada. Um momento de reflexão mostrará que você não poderá encontrá-la no passado ou no futuro. O passado já passou e a sua memória dele não é confiável. O futuro é uma grande incerteza. Portanto, o único lugar onde realmente podemos encontrar a felicidade é no presente. Porém mesmo aqui você tem que saber aonde procurar. Se você tentar basear a sua felicidade em coisas que mudam — aparências, sons, sensações em geral, pessoas e coisas externas — você está buscando desapontamento, tal como construir uma casa sobre um penhasco em que já ocorreram deslizamentos várias vezes no passado. Dessa forma a verdadeira felicidade deve se procurada dentro de você. A meditação é como uma caça ao tesouro: encontrar na mente aquilo que tem valor consistente e imutável, algo que nem mesmo a morte consegue tocar.

Para encontrar esse tesouro nós precisamos de ferramentas. A primeira ferramenta é o que estamos fazendo agora mesmo: desenvolvendo boa vontade para dentro de nós mesmos. A segunda é disseminar essa boa vontade para outros seres vivos. Diga a si mesmo: "Todos seres vivos, não importa quem sejam, não importa o que lhe tenham feito no passado — que todos eles também encontrem a verdadeira felicidade." Se você não cultivar esse pensamento, e ao invés disso, trazer rancores para a sua meditação, isso é tudo que você será capaz de ver quando olhar internamente.

Somente quando você tiver limpado a sua mente desta forma, e tendo colocado os assuntos externos de lado, você estará pronto para focar na respiração. Traga a sua atenção para a sensação da respiração. Inspire e expire longamente por algumas vezes, focando em qualquer ponto do corpo em que a respiração seja notada facilmente, e que a sua mente se sinta confortável. Pode ser no nariz, no peito, no abdômen, ou qualquer outro ponto. Permaneça com esse ponto, observando a sensação que é produzida pela inspiração e pela expiração. Não force a respiração, ou pressione o seu foco de maneira muito intensa. Permita que a respiração flua naturalmente, e simplesmente fique de olho na sensação. Saboreie a sensação, como se ela fosse algo especial que você queira prolongar. Se a sua mente divagar, simplesmente traga-a de volta. Não fique desencorajado. Se ela divagar 100 vezes, traga-a de volta 100 vezes. Mostre-lhe que a sua intenção é séria, e eventualmente ela cederá.

Se você quiser, pode experimentar com diferentes tipos de respiração. Se a respiração longa é confortável, permaneça com ela. Se não é, mude para qualquer ritmo que lhe pareça tranqüilizador para o corpo. Você pode tentar a respiração curta, respiração rápida, respiração lenta, respiração profunda, respiração superficial — qualquer uma que lhe pareça mais confortável exatamente agora...

Uma vez que a respiração esteja confortável no ponto que você escolheu, mova a sua atenção para observar como a respiração é sentida em outras partes do corpo. Comece focando na área imediatamente abaixo do umbigo. Inspire e expire, e observe a sensação naquela área. Se você não perceber nenhum movimento, simplesmente esteja consciente do fato de que não existe movimento. Se você sentir movimento, observe a característica do movimento, para ver se a respiração é sentida de maneira não uniforme, ou se existe alguma tensão ou firmeza. Se houver tensão, pense em relaxá-la. Se a respiração for sentida de forma irregular, pense em tranqüilizá-la... Agora mova a sua atenção para a direita desse ponto — para a parte inferior direita do abdômen — e repita o mesmo processo... Então para a parte inferior esquerda do abdômen... Então para cima para o umbigo... direita... esquerda...para o plexo solar... direita... esquerda... o meio do peito... direita... esquerda... a base da garganta... direita... esquerda... para o meio da cabeça... (tome alguns minutos para cada ponto).

Se vocês estivessem meditando em casa poderiam continuar este processo por todo o corpo — pela cabeça, pelas costas, pelos braços e pernas até a ponta dos dedos das mãos e dos pés — porém como nosso tempo é limitado, eu lhes pedirei que retornem o seu foco para qualquer um dos pontos anteriores. Deixe que a sua atenção se estabeleça confortavelmente nesse ponto, e então deixe que a sua atenção se espalhe para preencher todo o corpo, da cabeça até a ponta dos pés, tal como se você fosse uma aranha sentada no meio da teia. Ela está sentada em um ponto porem sensível a toda a teia. Mantenha a sua atenção expandida dessa forma — você tem que fazer um certo esforço, pois a tendência será de contrair-se a um ponto somente — e pense a respeito da respiração entrando e saindo de todo o seu corpo, através de cada poro. Deixe a sua atenção simplesmente permanecer assim durante algum tempo — você não precisa ir a nenhum outro lugar, não há mais nada acerca do que pensar... E depois suavemente saia da meditação.

 

O controle da composição do leite - Dr. González

 

Não só a quantidade de leite produzida, como também sua composição, depende da forma como o bebê mama. O bebê controla o peito para obter o tipo de leite que necessita em cada momento.

A quantidade de gordura no leite aumenta ao longo da mamada. Não é um aumento pequeno; está comprovado que a concentração de gordura ao final da mamada pode ser cinco vezes maior que no princípio. Às vezes, fala-se em "leite do princípio" e "leite do final"; mas não é que existam dois tipos de leite, "plim", acabou o leite desnatado e agora sai leite com gordura. A quantidade de gordura (e, portanto, de calorias) vai aumentando gradualmente, como se mostra no esquema da figura 1. No princípio, o bebê mama poucas calorias em grande quantidade de leite; ao final, muitas calorias em pouco volume. Veja que nesse gráfico não aparece o tempo. O tempo depende da velocidade em que o bebê mama; pode ser que mame tudo que quer mamar em dois ou três minutos, ou pode precisar de mais de vinte.

 

Assim, quanto mais leite o bebê ingerir em uma determinada mamada, maior será a quantidade de gordura ingerida (é possível que haja um limite máximo, claro, mas esse limite nunca se alcança, porque como já dissemos, um bebê nunca esvazia o peito completamente). Quando solta o peito, essas últimas gotas que ainda caem têm uma concentração de gordura muito alta. Quando voltar a mamar, após algumas horas, as primeiras gotas de leite terão muita pouca gordura. Aquele último leite concentrado foi sendo diluído durante esse intervalo com o novo leite, mais aguado, que foi produzido nesse período. Acredita-se que também aqui exista um autocontrole, e que, se o bebê deixa dentro do peito muita quantidade de gordura, esta inibe a produção de mais lipídios e o leite produzido em seguida é mais aguado que o habitual. Como se o bebê dissesse: "mamãe, não consigo terminar de comer esse macarrão, está muito gorduroso." e ela responde, "não se preocupe, na próxima vez colocarei menos óleo".

Suponhamos que o bebê pegue e solte o peito, mas após cinco minutos, volte a mamar. Sairá leite com pouca gordura? Claro que não, não houve tempo para que o leite recém produzido tenha diluído o que ficou no peito no fim da mamada anterior. Sairá, desde o princípio, o mesmo leite "do final" que estava saindo há alguns instantes. A quantidade de lipídios do começo da mamada depende do nível que se alcançou na mamada anterior e do tempo transcorrido desde então.

A todo momento, estamos falando de um só peito. Mas, claro, tem também o segundo. Tomar 100 ml de um só peito não é o mesmo que tomar 50 ml de cada um; no segundo caso, o bebê está tomando muito menos gordura e, portanto, muito menos calorias. E também não é o mesmo que tomar 70 e 30, 85 e 15...

 

E se não é o mesmo, o que é o melhor? Quando tirar o bebê do primeiro peito para colocá-lo no segundo? Não fazemos idéia. Não sabemos qual a quantidade de lipídios que um bebê necessita (os livros de nutrição podem dizer coisas como: “os lactentes entre seis e nove meses necessitam entre x e y miligramas/quilo/dia de lipídios”, mas não pode nos dizer quantos lipídios Laura de Souza, de 8 meses, necessita tomar essa tarde às 16h28min), não sabemos qual a quantidade de lipídios tem o leite no princípio da mamada, não sabemos quantos ml de leite já tomou, não sabemos em qual velocidade está aumentando a quantidade de gordura no leite nesta mamada determinada, não sabemos qual a quantidade de gordura terá o leite do segundo peito, não sabemos qual a quantidade de leite do segundo peito que caberá no estômago dele. E como há gente capaz de dizer coisas como: “em dez minutos tire o bebê do primeiro peito para dar o segundo?” Vai saber! A ignorância dá asas à audácia.

 

Cada bebê dispõe, pois, de três mecanismos para modificar a composição do leite que toma a cada momento: pode decidir o quanto de leite vai tomar, quanto tempo demorará para voltar a mamar, e se mamará um peito ou dois. Foi comprovado cientificamente, analisando o leite em cada caso, que os três fatores influenciam na sua composição. A quantidade de leite ingerida deveria depender do tempo em que o bebê está no peito; mas a relação é tão variável (uns mamam depressa e outros devagar) que estatisticamente não há relação: não podemos dizer “se está mamando há cinco minutos, ingeriu 50 ml, se está há dez minutos, mamou 130 ml”. A concentração de gordura não depende da quantidade de tempo que o bebê mama e sim da quantidade de leite que o bebê mama no período. Veja bem, para um bebê determinado, em uma mamada determinada, é óbvio que se lhe tiramos do peito antes, terá tomado menos leite. E, se por uma lado é fácil medir quanto tempo mama, por outro é muito difícil saber quanto de leite tomou. Assim, para fins puramente didáticos poderíamos dizer que os três mecanismos de controle são:

- a duração da mamada;

- a frequência das mamadas;

- mamar um peito ou dois.

Cada bebê, em cada momento do dia ou da noite, modifica à vontade esses três fatores para conseguir o alimento que necessita.

 

Quando se tira o bebê do primeiro peito antes de que ele acabe (talvez porque alguém com boa vontade advertiu: “principalmente, dê o segundo peito antes que ele durma”), em vez do último leite do primeiro peito, tomará o primeiro leite do segundo peito. Isso significa, como indica a figura 2, que necessitará tomar mais quantidade para obter as mesmas calorias. Se a diferença for pequena, provavelmente não acontecerá nada. Toma um pouco mais de leite e problema resolvido. Mas se mudam o bebê de peito quando ainda teria que mamar muito do primeiro (por exemplo, quando tiramos do peito com dez minutos um bebê necessita de quinze ou vinte minutos) a quantidade de leite que teria de tomar é tão grande que, simplesmente, não cabe em seu estômago. Nos adultos, o estômago tem uma capacidade muito superior a que normalmente se usa; poderíamos tomar um litro de água depois de comer e quase não sentiríamos nenhum incômodo. Mas o estômago de um bebê é muito pequeno, quase não tem capacidade de reserva. O bebê se vê obrigado a soltar o segundo peito porque não agüenta mais nada, mas por outro lado, ainda está com fome; a situação é muito similar à que ocorre quando a pega está errada.



 

Em 1988, Michael Woolridge e Chloe Fisher publicaram na prestigiada revista médica Lancet cinco casos de bebês que apresentavam de forma continuada choro frequente, cólicas, diarreia e outros incômodos. Bastou dizer às mães que não tirassem o bebê do primeiro peito, mas que esperassem que ele soltasse sozinho quando acabasse, para que os problemas desaparecessem. Pouco depois, Woolridge e outros pesquisadores tentaram reproduzir experimentalmente a situação em um grupo de bebês saudáveis que não tinham problemas com a amamentação. Disseram à metade das mães que tirassem o bebê do primeiro peito após dez minutos, e à outra metade que esperassem que o bebê soltasse o peito espontaneamente. Pensavam que os bebês do primeiro grupo tomariam líquido demais, lactose demais e pouca gordura e, portanto, teriam cólicas, vômitos e gases. Mas os próprios bebês modificavam os outros dois fatores, o intervalo entre as mamadas e a decisão de mamar um peito ou os dois, de forma que ao longo do dia conseguiam mamar a mesma quantidade de gordura que o outro grupo e não tinham nenhum problema.

Como o bebê tem três ferramentas (lembre: frequência das mamadas, duração das mamadas, mamar um peito ou dois) para controlar a composição do leite, é possível que a maioria deles dê um jeito para controlar com duas delas, mesmo que tenhamos fixado a terceira arbitrariamente. Talvez aqueles cinco bebês que tiveram problemas para limitar o tempo de sucção sejam exceções, sejam bebês (ou mães) com menor capacidade fisiológica de adaptação. Do mesmo modo, todos nós caminhamos, mas na hora de correr uns irão mais depressa e se cansarão antes que os outros.

 

A capacidade de adaptação dos seres vivos pode ser muito grande, mas não podemos esperar milagres. Ao longo do século passado, muitos médicos se empenharam em controlar simultaneamente os três fatores: o bebê tem que mamar exatamente dez minutos de cada lado a cada quatro horas. A exatidão chegava a ser obsessiva; ainda hoje algumas mães perguntam se as quatro horas começam a contar desde quando o bebê começa a mamar ou desde que acaba (porque, claro, com dez minutos por peito e um entre eles para arrotar, seriam quatro horas e vinte e um minutos). Muitos livros e muitos especialistas nem sequer diziam “a cada quatro horas”, mas estipulavam as horas concretas: às oito, ao meio dia, às quatro, às oito e à meia noite. Nem pense em dar às nove, à uma e às cinco! Entre meia-noite e oito da manhã havia um descanso noturno de oito horas (passar metade da noite acordada vendo seu filho chorar e não podendo dar de mamar era chamado de descanso noturno). O intervalo de quatro horas era a recomendação da escola alemã. Também havia uma recomendação da escola francesa de dar de mamar a cada três horas, com descanso noturno de seis horas. Cabe perguntar se dar de mamar cinco ou sete vezes durante o dia influía no caráter nacional desses países. Também havia partidários de dar em cada mamada um peito ou ambos (esses últimos mais numerosos), o que no total perfaziam quatro teorias: um peito a cada três horas, dois a cada três, um a cada quatro horas e dois a cada quatro horas. Mas, habitualmente, cada médico seguia uma teoria somente e a defendia com entusiasmo.

 

Assim, os bebês se encontravam totalmente desarmados: não poderiam decidir sobre a frequência, nem sobre a duração, nem o número de peitos que deveriam mamar. E não podiam controlar nem a quantidade nem a composição do leite, tinham que se conformar com o que o acaso lhe determinava. Na maioria dos casos, a quantidade era insuficiente e a composição, inadequada; os bebês choravam, queixavam-se, vomitavam, não aumentavam de peso... Há uns anos, na Espanha, ainda amamentar aos três meses era raro, e fazê-lo sem ajuda de complemento era quase heroico.

 

Claro, também há casos em que, pela mais rocambolesca das coincidências, o bebê obtém a quantidade de leite de que necessita e com uma composição adequada mamando dez minutos a cada quatro horas. Essas raras exceções só vêm confirmar a fé dos médicos nos horários rígidos: “Isso de amamentar em livre demanda é uma bobagem. Eu conheci uma mãe que seguia ao pé da letra a regra de dez minutos a cada quatro horas, e tudo ia maravilhosamente bem; amamentou até os nove meses e o bebê dormia como um anjo e engordava perfeitamente. O que acontece é que as mães de hoje não querem trabalho, preferem a comodidade da mamadeira.”

Woolridge MW, Fisher C. Colic, “overfeeding” and symptoms of lactose malabsorptiom in the breast-fed baby: a possible artifact of feed management? Lancet. 1988; 2:382-4.
Woolridge MW. Baby-controlled breastfeeding: biocultural implications. En Stuart-Macadam P, Dettwyler KA, eds.: Breastfeeding. Biocultural perspectives. New York: Aldine de Gruyter, 1995.
Woolridge MW, Ingram LC, Baum LD. Do changes in pattern of breast usage alter the baby’s nutrient intake? Lancet 1990;336:395-397.

Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas

Nota das tradutoras:

Resumindo, os bebês têm 3 mecanismos para controle das mamadas e da ingestão de leite:

1- a duração da mamada - portanto é um erro determinar que o tempo que o bebê deve mamar, nem 5 nem 10, nem 15, nem 50 minutos. Cada bebê controlará em cada mamada quanto tempo deve mamar. Se tiramos o bebê antes do tempo que ele vai determinar naquela mamada, é óbvio que terá mamado menos do que necessita.

2- a frequência das mamadas - portanto, é igualmente errado colocar intervalos fixos para mamadas: nem de 3 em 3 horas, nem de 4 em 4 horas, nem de 1 em 1 hora. O bebê é que determina se quer mamar 1 hora depois ou 3 horas depois. É o que chamamos livre demanda.

3- se quer mamar um peito ou dois - só devemos trocar o bebê de peito numa mesma mamada, se ele largar espontaneamente o primeiro e demonstrar que ainda quer mamar, e que o primeiro se esvaziou (se no primeiro ainda há leite, deve-se oferecer o primeiro novamente - se for na mesma mamada). Assim, a regra é um peito por mamada, a não ser que ele ainda queira mais. E sempre alternando os peitos a cada mamada.

Se colocarmos limites nesses três fatores, ou seja, determinar quantos minutos devem durar as mamadas, determinar o intervalo entre elas e oferecer sistematicamente sempre os dois peitos numa mesma mamada estaremos contribuindo e muito para que o bebê não ingira a quantidade de leite adequada ao seu desenvolvimento.

Esqueçam o relógio!
 
 
Obrigado Doula Rosa pela partilha da informação!

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Interessante...

Há um exercício que se aprende em coaching muito interessante e digamos que muito elucidativo. Temos de imaginar que um Médico nos diz que temos uma doença grave e que tempos apenas 15 dias de vida. Temos de imaginar isto e fazer uma lista de coisas que queremos ainda fazer. Convido-vos a fazer uma destas listinhas.

Depois de feita, voltamos ao Médico e ele diz-nos que afinal, não é assim tão grave e que ainda temos 6 meses de vida. Refazemos a lista de “afazeres”, é possível que acrescentemos coisas, ou não. Façamos então esta nova lista.

Dias depois vamos ver como está o nosso caso grave e eis que temos outra boa notícia! Afinal vamos viver mais 10 anos! Temos mais tempo, temos mais hipóteses de fazer mais, de produzir mais, de fazer mais gente feliz, de dar mais abraços e dizer “Deixa lá!”



Temos consciência de quanto o tempo é importante e valorizamo-lo de forma nunca feita. Passamos a viver com outra intensidade, com outra energia, com outra leveza, relativizamos todas as questões, perdoamos muito mais; temos vontade de fazer coisas que antes nos pareciam doidas, mas que gostávamos tanto de fazer… o pudor e a educação castradora que nos deram nem sempre ajuda. Temos muito medo do ridículo, do parecer mal… penso que isso esteja a desaparecer aos poucos, mas este pudor talvez esteja a dar espaço ao extremo oposto: à leviandade e desconsideração… A tal crise de valores que tanto se fala, ou melhor, falou, porque agora só se fala na crise económica, e nem percebemos que o que está por detrás da crise financeira é a falta de valores morais.



Convido-vos a fazer esta reflexão que pode ser deveras profunda e esclarecedora daquilo que nós genuinamente queremos, amamos e desejamos. Mas temos de fazer este exercício com calma, de preferência em silencio… vão ver o quão curioso é.

Nasceu uma estrela :)

E está outro Tomás a caminho ( alias 2! )
 
Nos nossos dias a escolha de um nome é feita sem grandes preocupações de significado, no entanto no passado a escolha do nome para um bebé era objecto de grandes preocupações, pois sabia-se que o nome influiria no futuro e no carácter dessa pessoa.

A escolha do nome era vista como um presságio.

 

Relato de Parto na água

Pedi autorização á Joana para partilhar este relato de parto no blog, foi um privilegio conhecer esta fantástica mulher, percebi logo que só podia acabar com um parto assim...

Um grande beijinho com saudades e admiração para as minhas colegas e amigas Sara e Ana, que mais uma vez mostraram o seu profissionalismo e dedicação.



Já sou mãe! Relato do meu parto em casa e na água!


Nada disto seria possivel sem a atenção, o carinho e elevado profissionalismo da minha enfermeira-parteira Ana Ramos e da minha doula Sara Almeida, a quem venho por aki agradecer, foram elas q me deram força e me fizeram acreditar q eu conseguiria e q podia continuar ;) ! Foi preciso ter mta paciência ;) ! Aki vai o relato:

A minha filha Catarina nasceu no dia 20 às 7h31!!!
O parto foi em casa, como planeado, dentro de água, na piscina q comprei p partos q é espectacular, a água ajuda mt realmente, tanto na fase da dilatação do alivio das contracções como na fase da expulsão, sabe mm mt bem ir p dentro de água! O pai ajudou-me a faze-la nascer, mandei-o entrar na piscina quando senti q faltava pouco p ela nascer, ele pos-se atrás de mime encostei-me a ele p fazer força, fizemos nascer a nossa filha de mãos dadas e eu c as pernas apoiadas nos pés dele p n ter tendência de fechar as pernas! Eu fiz tudo como quis, fui à casa de banho quando quis, punha-me nas posições q queria, e digo-vos ja q a posição de deitada era horrivel p suportar as contracções, eu normalmente punha-me de gatas p ultrapassar a contracção e descansava deitada, tb usei uma bola p me apoiar durante as contracções. Pude comer quando quis, e entrava e saia da agua quando queria tb! Tive o acompanhamento da minha enfermeira-obstetra, da minha doula, do meu namorado, da minha irmã e da minha sobrinha! A doula e a enfermeira estiveram sempre ao pé de mim, o q permitiu q o meu namorado descansasse e dormisse um bocado durante a fase da dilatação! Senti perfeitamente tudo o q se tava a passar no meu corpo, senti quando estava a ser a dilatação e dps a fase da expulsão, apesar de no final da dilatação ja estar um bocado drogadita, so a dizer asneiras, lol, dizem q é das endorfinas naturais, ou das hormonas n sei, mas entrei como q num estado de transe! As minhas águas só rebentaram às 6h da manhã com uma contracção mt forte, e dps eu quis entrar para a piscina e começou a fase de expulsão, pus-me apoiada na borda da piscina, de joelhos c as pernas abertas p dilatar bem a minha pélvis, senti mm vontade de fazer isto, era como me sentia melhor e foi mt natural! Houve alturas q pensei q n fosse conseguir, q doia mt, q so me apetecia morrer, lol, mas a enfermeira e doula dizem q isso é normal, q isso são pensamentos q se costumam ter mm no final! À medida q fazia força conseguia visualizar a minha pélvis a abrir e a cabeça da bebé a encaixar-se lá! Dps numa altura senti q estava mm próximo e q ia precisar da ajuda do meu namorado, pedi a ele p entrar na piscina, primeiro apareceu o cabelinho dela e em cada contracção eu ia dilatando cada vez mais a minha vulva e os tecidos, tive uma sensação de ardor q se chama "anel de fogo" q é a dor dos tecidos distendidos, mas a vontade de fazer força e de fazer a bebé nascer era superior a isso, e ao fim de algumas contracções, a minha vulva la se foi abrindo, os cabelinhos apareceram, eu fui tocando sempre na cabecinha p saber o q se estava a passar, até q ao fim de umas contracções saiu a cabeça, dps descansei uns minutos, lol, e fiz nascer o resto do corpinho da minha filha na contracção seguinte, foi espectacular! Senti o corpinho dela girar sozinho p os ombros passarem, a enfermeira disse-me q isso ia acontecer, e q o bebé fazia sozinho e foi verdade!!! A enfermeira pegou nela e passou logo p nós, foi mt emocionante e eu fikei logo consciente e saí logo do estado de transe p dar atenção à minha bebé, ela levantou a cabeça p olhar p nós qd a pegámos, chorámos os dois e ficamos os 3 abraçados, foi mt bom! Dps o pai cortou o cordão umbilical! Demos a primeira mamada ainda dentro de água e dps é q me levaram p a cama! Na cama fui cosida, so fiz 2 rasgões pequenos, um em cima, e outro no períneo, o de cima nem levou pontos e passado 2 dias ja tinha cicatrizado e o do períneo levou so 2 pontos, so rasguei 1 pouquinho de pele, nem chegou ao ânus, hoje ja fiz cocó normalmente e n me doi nada! Tb me pude logo sentar mm dps de ser cosida! O trabalho da doula e da enfermeira foi espectacular, estiveram sempre presentes e a dar-me mta força, disseram-me as palavras certas na altura certa, a doula estava sempre ao pé de mim, a abraçar-me a dar-me beijinhos e massagens, com palavras mt doces, fui tratada como uma princesa! A enfermeira interferiu o minimo possivel, às vzs auscultava a bebé, deu-me algumas indicações na fase da expulsão, dava-me palavras de ânimo, e na fase da expulsão verificou se estava tudo bem p a bebé sair e recebeu-a, dps coseu-me e fez mais uma série de coisas importantes q nem me dei conta! Elas são as duas, pessoas e profissionais espectaculares! Eu e o meu namorado ficámos os 2 mt satisfeitos c o meu parto! A minha filha nasceu com 3,900 kg, e 50,5 cm! Provavelmente se eu tivesse ido p o hospital tinham-me feito uma cesariana por ela ser mt grande, além de q ela tinha a cara virada p o meu coccix e dizem q assim é mais dificil, ou tinham-na tirado c forceps ou ventosas, e tinham-me cortado, além de q eu n teria suportado as dores se fosse p um hospital, eu acho q tinha-me passado e tinha entrado em pânico!
Gravámos o meu parto e quem quiser esta convidado p vir a minha casa ver! N vou dizer q n doi, nem q n custa, as dores são grandes à mm, mas pelo menos pude procurar formas de me aliviar, e qd tinha vontade de fazer cocó fazia, qd tinha vontade de fazer xixi e de comer tb, etc!
No dia a seguir, sentia-me mt cansada devido às dores musculares, doiam-me os musculos todos, acho q os usei a todos p fazer a expulsão, eheheh, tb perdi bastante gordura q ganhei durante a gravidez, já tenho outra vez as pernas quase sem gordura como tinha antes, a natureza realmente é espectacular!
Se tivesse ido p o hospital provavelmente tb n tinham esperado, pq a minha fase de dilatação durou mt tempo, desde as 11h30 até às 6h do dia seguinte, mas dps a expulsão foi "rápida", uma hora e meia, apesar de nos hospitais despacharem isso em 5 minutos!
Meninas, n acho bem q vos digam no hospital p aguentarem ou p n fazerem força, isso é completamente anti-natural e n sei se alguem o consegue fazer, eu n conseguiria, tinha vontade de fazer força, fazia força, mais nada!
Fartei-me de gritar, eheheh, acordei o predio todo, ainda vieram ca uns vizinhos mas aceitaram mt bem, no dia a seguir vieram me visitar!
Já fez 3 dias q ela nasceu e ja estou praticamente recuperada, ja n me doi nada no corpo, a n ser os pontos q dão 1 pouco comichão, mas é normal, n infectaram. Tb ja toquei na minha vulva e parece normal, parece q nem pari, eheheh Piscar o olho !
Já consigo fazer tudo em casa e tratar de tudo da minha menina, mas graças a deus n tive de me preocupar mt c isso pq tive cá a minha irmã e a minha sobrinha a ajudarem-me!
Tb acho importante dizer q minha filha nunca entrou em sofrimento fetal, a frequência cardíaca dela esteve sempre óptima, e tb q acho mt importante q mãe possa fazer as escolhas em relação ao parto, q posições tomar, o q fazer, quando e como fazer força, a natureza é sábia, e o q a mãe sente q é o melhor a fazer nakela altura é mm o melhor, o q o nosso corpo necessita nakele momento p akele acto! O nosso corpo sabe fazer cocó, fazer xixi, comer, tal como sabe parir, e ninguem sabe melhor do que o corpo da mãe como parir! É importante deixarmo-nos levar pelo q sentimos! Achei uma experiência surreal, de trancendência mm, percebi a capacidade enorme q o meu corpo tem e senti toda a força da natureza em mim! Poder parir à nossa vontade é espectacular, é feito naturalmente, n traumatiza e recupera-se mt bem! P mim n foi um choque, mas uma experiência linda, espectacular e de força!
Tb acho, e sei de casos q foram mm assim, q se alguma coisa n está bem, ou q n é possivel continuar o parto naturalmente, a mãe sente! Aconselho a todas as mulheres a pensarem bem no parto q vão ter, têm o direito de decidir, n é obrigatório ir p o hospital, e q acima de tudo confiem em si, na sua força, acima de tudo e de qualquer outra pessoa! O corpo é nosso, os filhos são nossos, nós é q sabemos o q é melhor p os nossos filhos e p nos no acto de parir, nós somos kem se preocupa mais!
N vos vou dizer q n há altura de duvida, em q desconfiamos q n vamos conseguir, afinal, temos de fazer akilo sozinhas, n vai nenhum médico puxar o nosso bebé com ventosas, ou cortar-nos p sair mais depressa, eu cheguei a pensar q me apetecia q alguem fizesse akilo pode mim, mas é natural pensar assim, e talvez isso é mais um factor a ajudar p q tudo corra bem, e no fundo, eu n keria k ninguem fizesse akilo por mim, nem mexesse no meu corpo, no fundo, eu keria fazer sozinha e sabia q era capaz! Na fase da expulsão da bebé, à medida q ia sentindo a vulva a abrir-se e a cabeça a aparecer, tinha perfeita noção do k se estava a passar e de k precisava de mais tempo p os meus tecidos permitirem a passagem da bebé! No hospital aceleram este momento, fazem a episiotomia p q o bebé saia mais depressa, ou usam forceps ou ventosas, nem deixam as coisas acontecerem ou a mãe trabalhar poe ela própria! A episiotomia n é melhor q uns rasgõezitos, corta camadas musculares, pele, pode cortar nervos, vasos sanguineos, a recuperação é mais dificil e dolorosa, há estudos q dizem ja à mts anos q a episiotomia de rotina é desnecessária, e so sera necessaria em menos d 5% das mulheres, em portugal fazem acima de 90% nos hospitais...tudo pq n há calma, pq n se espera, pq n se deixa a mulher fazer o trabalho q é dela! No fim, senti-me mt realizada por ter conseguido! Foi mt bom!
Hoje estou mt feliz, tenho uma filha linda, perfeitamente saudável e n a sujeitei a nada desagradavel como o q sujeitam os bebés nos hospitais e n falo só no pós-parto imediato, mas tb, durante o trabalho de parto visto as induções levarem a sofrimento fetal, as cesarianas fazerem bebés nascer adormecidos e sem terem passado pelo processo de parto q é um momento importante das suas vidas e q sabe-se hoje q é mt importante q passem por esse momento na sua vida futura a nível psicológico!
Aconselho vivamente a todas as mães este tipo de parto, e pelo menos para pensarem mt bem no sitio onde vão parir e como kerem o vosso parto, q se informem e vejam o k é melhor p si, n se entreguem a outras pessoas, nem ao k vos dizem, vocês é q sabem o k é melhor p vocês!
Contactem-me para mais informações, q ajudo no que puder!


Joana Almeida

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Nova formação para doulas

 

A Associação Doulas de Portugal vai lançar mais uma Acção de Formação Inicial para doulas que terá lugar no Fundão de 25 a 27 de Setembro e 9 a 11 de Outubro.

Para pré-inscrições devem enviar e-mail para geral@doulasdeportugal.org com nome, profissão, contactos e motivos de interesse para fazer esta formação.

O preço é de 350 euros para sócios (a quota é de 30 euros) e de 400 euros para não sócios.
As formadoras serão Ana Raposeira e Luísa Condeço.

As inscrições são limitadas.
 
 
http://doulasdeportugal.blogspot.com/
 

quinta-feira, 25 de junho de 2009

 

Ajuda para um trabalho jornalístico

A ideia é falar das coisas que se dizem às grávidas em trabalho de parto. Especialmente as enfermeiras(os), mas também os anestesistas e os médicos. Isto no sentido mau, claro. Do género: «Quando estavas a fazê-lo não gritavas pois não?» E outros que podem ser considerados mais soft, mas que também incomodam, como mandar calar ou dizer «vá lá, porte-se bem». Ou qualquer comentário pouco apropriado para quem está numa situação vulnerável como é estar a parir num hospital.
 
Não te cales, se alguém te disse algo que não gostaste em Trabalho de Parto contacta-me para te encaminhar para uma jornalista.
As futuras mães agradecem!

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Barrigas de Amor

http://www.barrigasdeamor.com/

Vai-se realizar a 3a edição do Mundo da Grávida
28 Junho no Parque dos Poetas em Oeiras.
Entrada livre.
 
Este ano irei só como visitante... consultem o programa tem actividades muito interessantes.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Ser Mãe

 

 

Ser Mãe
É ser poderosa,
Um milagre da natureza:
É dividir os gestos por cem
E não perder a destreza.
Que lição maravilhosa!

Ser Mãe
É encher-se de ternura
Por sustentar a vida que brota
E torná-la suavemente madura
Em cada compasso,
Em cada nota!

Ser Mãe
É a mesma transfiguração da vida
Que se oferece, atenta, total,
Sem medida,
Dando à criança que chega
O lugar principal!

Ser Mãe
É acrescentar de novo a velha história,
Expandir a ternura dos horizontes,
Regar o lado seco da memória
Com a frescura meiga das fontes!

Medina de Gouveia

Parto Domiciliar - Perguntas e Respostas mais freqüentes para quem deseja fazer escolhas informadas

Recebi este mail do Dr. Ricardo Jones, Obstetra Brasileiro e tinha de partilhar...


1) E se você quiser tomar algo para a dor? Existem varias formas de alivio da dor que estão disponíveis num parto domiciliar. Varias técnicas de gerenciamento da dor que você mesma pode controlar ajudam muito, mas também existem medicações que podem ser usadas num parto em casa para ajudar a mãe a lidar com a dor. Na Inglaterra, parteiras normalmente levam o gás Entonox (Oxido Nitroso e Oxigênio, também chamado de "gás e ar") para o atendimento em domicilio, e opiáceos injetáveis como Pethidine podem ser usados se essa for a sua preferência.



2) Você não poderá tomar a anestesia peridural em casa - se você achar, durante o trabalho de parto, que você realmente quer a anestesia, a transferência para o hospital será feita para que isso seja possível. Você poderá achar a espera difícil, mas mantenha em mente que mesmo mulheres que tem um parto planejado no hospital muitas vezes também precisam esperar para receber a peridural. Anestesia peridural deve ser administrada por um anestesista e é difícil prever quando um deles estará disponível, já que anestesistas normalmente trabalham em diversas áreas do hospital e não apenas na área de maternidade. Eles podem ter sido chamados para aplicar anestesia de emergência em alguém que acabou de se acidentar, por exemplo. Sua parteira poderá ligar com antecedência assim que você decidir pela transferência, para tentar fazer com que você receba a anestesia assim que chegar ao hospital.



3) E se você tiver uma hemorragia pós-parto? Parteiras levam para partos domiciliares as mesmas medicações que são usadas para expelir a placenta e contrair o útero que se usam em hospitais. Incluindo ocitocina e ergometrina, muitas vezes administrados em combinação com o nome Syntometrine. Se esses remédios não controlarem a hemorragia, a parteira chamara uma ambulância e você será transferida, e administrara medidas de emergência no meio tempo, como dar fluidos intravenosos e manualmente comprimir o útero.



*Porem, é significantemente menos provável que você terá uma hemorragia pós-parto num parto domiciliar do que num parto hospitalar*, porque o risco de hemorragia pós-parto aumenta com intervenções como fórceps ou ventosa e indução de trabalho de parto, que são somente feitas no hospital.



4) E se você precisar de fórceps ou ventosa? No passado, médicos de família, às vezes, utilizavam fórceps em partos domiciliares. Porém, partos com fórceps aumentam os riscos para o bebe (por exemplo: contusão na cabeça, ou complicações como distócia de ombro) e para a mãe (laceração extensa e/ou sangramento). Por essas razões, partos com fórceps não são realizados em domicilio na Inglaterra hoje em dia. Se você precisar de fórceps, por exemplo, se o trabalho de parto não evoluir no segundo estagio, você será transferida para o hospital. Algumas mulheres nessa situação chegam ao hospital e dão a luz naturalmente, enquanto outras realmente precisam de fórceps. Normalmente não é uma situação emergencial, mas transferência por progressão demorada pode ser desconfortável e frustrante para a mãe.



5) E se você precisar de uma cesárea? Se você precisar de uma cesárea você será transferida para o hospital. A maioria das cesáreas não planejadas é realizada por progressão lenta do trabalho de parto, onde nem a mãe nem o bebe estão em perigo imediato. Uma cesárea assim pode ocorrer depois que a mãe for transferida para o hospital por progressão lenta, talvez tenha tomado a anestesia peridural para descansar um pouco, e um soro de ocitocina sintética para acelerar o trabalho de parto. Também pode ocorrer apos uma tentativa frustrada de trazer o bebe ao mundo com fórceps ou ventosa.



O termo "cesárea de emergência" pode ser confuso, porque uma cesárea de "emergência" significa de fato apenas que é uma cesárea que não foi planejada no inicio do trabalho de parto, não fazendo diferença se o bebê e a mãe estão em perigo imediato ou não. O que assusta a maioria das pessoas é uma "cesárea de emergência real", onde o bebe deve ser tirado do útero com urgência. Isto raramente ocorre em gestações de baixo risco que termina em trabalho de parto fisiológico (espontâneo). Porém, pode acontecer. Os batimentos cardíacos do bebe podem indicar para a parteira que o bebe esta em stress severo. Talvez o cordão esteja enrolado no pescoco - o que ocorre, em media, em um terço de todos os partos e normalmente não acarreta problemas - mas em alguns casos o bebê pode ter sua fonte de oxigênio comprometida. Talvez o cordão tenha ficado comprimido dentro do útero. A mãe pode estar sangrando por causa de um descolamento parcial da placenta ou, muito raramente, de uma ruptura do útero. Em uma situação de emergência extrema como essas, a parteira chamaria uma ambulância imediatamente, e iria telefonar para o hospital e pedir que seja preparada uma sala no centro cirúrgico e uma equipe chamada. A ambulância, então, levaria a mãe diretamente para o centro cirúrgico. Durante a espera pela ambulância e transferência, a parteira pode inserir o soro intravenoso ou deixar a entrada de uma veia preparada para a colocação do soro assim que a ambulância chegar ou já no hospital. No passado, equipes obstétricas eram levadas de helicóptero para emergências extremas em partos domiciliares. Porem, esse tipo de assistência foi sendo extinta na Inglaterra por se ver que, em geral, a assistência era menos segura e menos efetiva do que a transferência para o hospital.


Então quanto tempo você perderia ao ser transferida para o hospital? Obviamente depende da distancia entre a sua casa e o hospital, condições de transito, mas mesmo se você já estiver no hospital, a sala no centro cirúrgico precisara ser preparada e a equipe chamada. Existe uma tabela interessante num artigo por Tuffnell et al (veja as referencias abaixo) que lista os passos necessários entre a decisão pela cesárea e a retirada do bebe. Se você esta em trabalho de parto no hospital quando o seu bebe mostra sinais de stress, você ira se surpreender com o tempo que leva entre o medico indicar a cesárea e a cirurgia efetivamente começar.


Na Inglaterra a diretriz para retirada do bebe através de uma cesárea é 30 minutes entre decisão e nascimento, mas pesquisas sugerem que essa diretriz nem sempre é possível de ser seguida. Por exemplo, MacKenzie e Cook (2001) viram que, em media, o tempo entre decisão e nascimento em cesáreas de emergência onde havia stress fetal foi 42.9 minutos no grande hospital escola em Oxford, Inglaterra, onde a pesquisa foi feita. Tuffnel et AL (2001) viram que:


"66.3% das mulheres tiveram o bebe em 30 minutos; 88.3% em ate 40 minutos e 29 (4%) ainda não haviam tido o bebe em 50 minutos. Se a mulher fosse levada ao centro cirúrgico em 10 minutos, 409 de um total de 500 (81.8%) tiveram os bebes em 30 minutos e 495 (97%) em 40 minutos." Parece inevitável que durante a transferência do domicilio para uma cesárea de urgência se perca algum tempo, comparado com um parto planejado no hospital. Porem, dependendo de quanto tempo em media levara a sua transferência, a diferença não seja tão grande quanto se imagina. Se você puder chegar no centro cirúrgico em 20 minutos, por exemplo, a diferença será realmente muito pequena.


A questão para a maioria das mulheres é qual o real risco de necessitarem uma cesárea de urgência. Se você não esta numa categoria de risco, e você não teve intervenções durante o trabalho de parto que aumentem os riscos (por exemplo: indução, condução de trabalho de parto), as chances são realmente muito pequenas. Apenas você poderá decidir qual combinação de riscos é aceitável para a sua família.



6) E se o cordão estiver enrolado no pescoço? Em media 1 em cada 3 bebes nasce com o cordão enrolado no pescoco. Pode ser apenas uma volta, ou duas, ou três ou mais. Apesar de ser assustador quando ocorre, normalmente não é um problema; alguns bebës precisam de medidas de ressuscitação como massagear a pele, administrar ar ou oxigênio com balão ou mascara, mas a maioria fica bem sem nenhuma intervenção. Ocasionalmente pode ser mais serio, não importando onde o bebe nasce. E o problema seria tratado em casa da mesma maneira que seria tratado no hospital, em quase todos os casos.


Se o cordão está muito apertado, a cabeça do bebe pode não descer e os batimentos cardíacos iriam com quase toda a certeza mostrar padrões não tranqüilizadores quando o cordão fosse comprimido durante as contrações, quando a cabeça fosse empurrada para baixo. Parteiras atendendo em domicilio monitoram regularmente os batimentos do bebe, e se estes se mostrassem não tranqüilizadores, você então seria transferida para o hospital. Se os batimentos se mantivessem não tranqüilizadores você então terá uma cesárea.


Porem, na maioria dos casos, o cordão está solto o suficiente para permitir o nascimento através do parto normal. Se o bebe não mostra sinais de stress mais cedo no trabalho de parto e a sua cabeça desce no canal de parto, então a situação seria gerenciada da mesma maneira não importando onde você esta - afinal, não teria tempo de ser feita uma cesárea a tempo mesmo no hospital se o seu bebe apresentar batimentos não tranqüilizadores nos últimos 10 minutos do trabalho de parto. Quando a cabeça coroar, se o cordão está solto o bastante, a parteira ira passá-lo por cima da cabeça do bebe ou ira aparar a cabeça do bebe bem próximo ao seu períneo enquanto o corpo sai e dar uma "cambalhota" para que o bebê nasça através da circular do cordão. Se o cordão está muito apertado a parteira pode clampear e cortar o cordão assim que a cabeça coroar. Porem, muitas parteiras experientes sentem que é quase nunca necessário cortar o cordão em uma situação assim porque o útero contrai e a barriga do bebe desce, então o cordão ira ficar mais solto. Como uma parteira disse, o pior caso é quando o cordão rompe assim que nasce o bebe; e qual a diferença entre romper e cortar?


Cortar o cordão muito cedo é contra indicado por duas razões principais. Primeiro, se os ombros do bebe ficarem presos apos o cordão ser cortado não existira fluxo de oxigênio ate que ele nasça. Segundo, cortar o cordão prematuramente não permite que o bebe receba uma quantidade significativa de sangue que normalmente seria transferida da placenta e cordão nos primeiros minutos apos o nascimento, e hoje em dia existem inúmeras pesquisas que mostram que esse sangue diminui o risco de anemia na infância, entre outros problemas.


Se o bebe não esta em boas condições ao nascer então a parteira ira ressuscitá-lo, e os passos tomados em casa são, ao menos em primeira instância, os mesmos que se tomaria no hospital.



7) E se houver prolapso de cordão? Prolapso de cordão é uma dessas situações de emergência que dão pesadelos as parteiras. Apresentação de cordão ocorre quando o cordão umbilical sai antes do bebe. Quando a cabeça desce, o cordão é comprimido e isso pode restringir o fluxo de oxigênio para o bebe. Prolapso de cordão é o próximo estagio - quando o cordão sai do útero antes do bebe, e pode ser sentido na vagina.


Algumas vezes a parteira ou medico podem empurrar o cordão de volta para cima, segurando a cabeça do bebe enquanto o fazem. Porém, muitas vezes uma cesárea de emergência será necessária. Se o prolapso de cordão ocorrer em casa, a sua parteira provavelmente ira pedir que você fique de quatro, com a sua cabeça mais baixa que o corpo e o bumbum levantado. Isso tira a pressão do seu colo de útero e, se der certo, do cordão também. A parteira pode ficar com uma mãe dentro de você, segurando a cabeça do bebe para longe do cordão, enquanto espera a ambulância chegar. Ela poderá ficar nessa posição enquanto a ambulância leva você para o hospital. Uma imagem interessante para os seus vizinhos - mas potencialmente uma que salvara o seu bebe. Porem, não ha como negar que esta é uma complicação onde qualquer perda de tempo pode ser fatal; não ha duvidas que um hospital é o melhor lugar para um prolapso de cordão. A questão é qual a possibilidade real de algo assim ocorrer?


Prolapso de cordão é uma complicação que pode ser falta em casa ou no hospital. Um estudo de partos domiciliares planejados do National Birthday Trust Fund da Inglaterra relatou incidência de prolapso de cordão. Em grupos domiciliares e hospitalares totalizando 10.695 mulheres, apenas um prolapso de cordão ocorreu, no grupo domiciliar, mas não houve morte fetal relatada*. Os autores apontam que prolapso de cordão ocorre em media uma vez a cada 900 partos (apresentação de cordão uma vez a cada 300), mas é muito mais comum em certas categorias de alto risco: bebes pélvicos ou transversos, bebes pequenos, excesso de liquido amniótico.


Poucas mulheres que planejam um parto domiciliar estarão em alguma destas categorias acima listadas.


**Nota: fomos contatadas pela mãe que participou deste estudo. Ela estava planejando um parto domiciliar, mas decidiu no fim da gestação por ter um parto hospitalar. Ao chegar no hospital em trabalho de parto, foi visto que ela tinha um prolapso de cordão e o bebe morreu. Não está claro se este é o caso mencionado acima. Como ela estava originalmente planejando um parto domiciliar, a morte de seu bebe será contada como morte no grupo de parto domiciliar planejado. Note que ela não estava em casa e nem sendo transferida quando isso ocorreu, ela estava no hospital. Bebes algumas vezes morrem por conta desse problema, não importando onde a mãe estava - mas o problema é que se acontece quando ela estava em casa, alguém, em algum lugar, ira culpar o fato de que era um parto domiciliar. Se ela estava no hospital, será apenas "um desses casos tristes".*



8) E se houver distócia de ombro? "Distócia de ombro" significa que a cabeça do bebê saiu, mas os ombros ainda estão presos dentro da mãe e não nascem espontaneamente com a próxima contração. Representa perigo de vida para o bebê já que ele não pode respirar até que o corpo saia - não há espaço para inflar os pulmões - mas o cordão pode ser comprimido já que a cabeça já saiu. É uma situação que pode ser aterrorizante tanto para o profissional de saúde quanto para a mãe, não importa aonde ocorra.


Todas as parteiras na Inglaterra devem ter sido treinadas em gerenciamento de emergência de distócia de ombros, e as manobras para liberar o ombro preso podem ser feitas tanto em casa quanto no hospital. Elas incluem mudar a mãe para uma posição onde deixe mais espaço para o bebê se mover através da pelve, a manobra de McRoberts onde a mãe é colocada de costas e os seus joelhos são empurrados na direção das axilas, e a parteira manualmente libera o ombro do bebê.


Existe apenas uma manobra que só pode ser feita no hospital e não em casa, mas esta é virtualmente não existente na Inglaterra - a manobra de Zavanelli, onde a cabeça do bebê é empurrada de volta para o corpo da mãe e aí é feita a cesárea. Por causa do tempo que levaria para a cesárea ser realizada, as circunstâncias onde esta manobra salvam a vida do bebê são extremamente raras.



9) E se o bebê precisar de ressuscitação? Parteiras na Inglaterra normalmente levam equipamento de ressuscitação para partos domiciliares, e todas tem treinamento em ressuscitação de recém-nascidos. A maioria dos métodos de ressuscitação usados em hospitais está disponível para partos domiciliares, especialmente os que são utilizados após um parto normal espontâneo.


"Ressuscitação" é um termo que se usa para várias medidas diferentes que objetivam encorajar ou possibilitar um recém-nascido a respirar por si próprio. As formas mais comuns incluem:



· Estimular o bebê massageando vigorosamente sua pele

· Aspirar a boca e o nariz com, por exemplo, uma seringa estilo pêra ou uma máquina de aspirar nariz para remover muco, etc, que podem estar obstruindo as vias aéreas

· Ventilar o bebê - dando ar e oxigênio pressurizado. Isso pode ser feito com um "ambu" ou "saco e mascara", que a parteira opera manualmente, ou por entubação, onde um tubo é colocado na traquéia e que pode ser ligado a um aparelho de ventilação

· Se a respiração do bebê está fraca porque a mãe recebeu Pethidine ou outros opiáceos durante o trabalho de parto, o antídoto Naloxone (Narcan) pode ser administrado

Aspiração, administrar Naloxone, dar oxigênio e ventilar com saco e mascara podem ser feitos em casa. Intubação também pode ser feita em casa desde que a parteira seja treinada para isso, mas é um procedimento que por sis ó pode ser perigoso para o bebê e pode ocasionar ou piorar o stress respiratório, e normalmente só é feito no hospital, e mesmo lá somente em situações com sério risco. Se ressuscitação prolongada for necessária, as parteiras utilizarão a ventilação com saco e mascara até que o bebê seja transferido para o hospital. As diretrizes da Organização Mundial de Saúde para ressuscitação de recém-nascidos incluem informações sobre como ventilar um bebê usando saco e mascara. Note-se que é a mesma recomendação para primeiros socorros não importando onde o bebê nasceu.


De uma maneira geral, partos domiciliares na Inglaterra são atendidos por duas parteiras, então se por ventura tanto a mãe quanto o bebê necessitarem de ajudam logo após o parto, uma profissional estará disponível para cada um.


Abaixo alguns comentários de uma parteira com experiência em partos domiciliares e hospitalares.

*A visão de uma parteira sobre ressuscitação em partos domiciliares*

O que eu tenho disponível para ressuscitação de recém-nascidos em casa é:

· Peço para a mãe e o pai terem várias toalhas disponíveis, e nós as aquecemos quando chega perto da hora do bebê nascer

· Uma superfície reta e firme para ressuscitação (uma bandeja grande é portátil, o chão funciona bem para uma emergência, o topo de uma cômoda ou um trocador é o ideal) num quarto quente e sem vento

· Um bom abajur para verificar a cor do bebê (não necessário se o bebê está chorando)

· Equipamento para aspiração manual em caso de mecônio ou outra obstrução das vias aéreas

· Oxigênio e um ambu, com vários tamanhos de mascaras diferentes para bebês de tamanhos diferentes, para inflar os pulmões

· "Gudel airways" - útil quando as narinas do bebê não funcionam, para que ele possa respirar pela boca até chegar ao hospital



O que eu não tenho disponível, e que existe no quarto no hospital:

Equipamento para aspiração mecânica

· Laringoscópio e tubo endotraqueal

· Medicação (apesar de que eu posso, teoricamente, levar Narcan caso a mulher decidir usar Pethidine, e eu posso levar quaisquer outros tipos de medicação comigo)

· Alguém para vir correndo assim que eu apertar o botão de emergência no quarto


Porém, se eu estivesse num o parto domiciliar onde o bebê não respire no primeiro minute, eu pediria que alguém chamasse os paramédicos, que trazem consigo o equipamento de aspiração mecânica, o laringoscópio e tubo endotraqueal, e provavelmente os remédios também. E eles sabem utilizá-los e estão bem treinados.

Escrito por *Viv*, parteira inglesa

O estudo do National Birthday Trust Fund da Inglaterra sobre partos domiciliares mostrou que bebês planejados para nascer em casa têm menos chances de precisar de qualquer forma de ressuscitação do que bebês planejados para nascer no hospital, mas os riscos foram similares. Bebês que nasceram no hospital após uma transferência de um parto planejado para ser domiciliar têm mais chances de precisar de ressuscitação, porém muitos desses casos de transferência ocorrem por complicações que aconteceram durante o trabalho de parto. E, claro, como esses bebês nasceram no hospital, o fato de suas mães terem originalmente planejado partos domiciliares não afetou a disponibilidade de atendimento de ressuscitação para os bebês.

Resultados do estudo:

Partos domiciliares planejados:
Partos hospitalares planejados:

Aspiração: 11.3%
Aspiração: 18%

Saco e máscara: 5.6%
Saco e máscara: 9.1%

Intubação: 0.6%
Intubação: 0.8%





9) E se o seu bebê morrer? Como você irá reagir? Alguns bebês morrem após ou durante um parto domiciliar. Alguns bebês morrem após ou durante um parto hospitalar. A morte pode ser causada por deformidade congênita, ou por problemas que aconteceriam não importando o local do nascimento. Muito raramente um bebê que morre após um parto domiciliar teria sobrevivido se o parto fosse realizado no hospital. Talvez uma cesárea de urgência é necessária, e a transferência para o hospital é demorada. E o outro lado também é verdadeiro - alguns bebês morrem após partos hospitalares e poderiam ter sobrevivido num parto domiciliar. Isso pode ocorrer por problemas respiratórios decorrentes de uma cesárea, infecção hospitalar, ferimentos após parto com fórceps, reações adversas a medicamentos dados à mãe durante o trabalho de parto, ou stress ou ferimento decorrente de indução ou condução do trabalho de parto.


Algumas vezes não é possível saber se o resultado final poderia ter sido diferente em outro local. As pessoas especulam, mas em casos individuais, é difícil saber. O que nós podemos fazer é ver os resultados de um grande número de partos domiciliares planejados e perguntar se é mais provável um bebê morrer - ou ser ferido - em casa ou no hospital. Muito do conteúdo deste site é dedicado à essa pergunta, e o consenso da imensa maioria dos especialistas é que bebês não correm maior risco de morrer, e mães e bebês correm menor risco de ferimentos quando se escolhe um parto domiciliar. Dê uma olhada nas páginas de pesquisa para sumários de todas as pesquisas recentes sobre parto domiciliar às quais eu tive acesso. Há dois relatos de parto neste site de famílias cujos bebês morreram após um parto domiciliar. Em ambos os casos o bebê não respirava sozinho, e apesar de ressuscitação imediata e transferência rápida para o hospital, ambos morreram. Nos dois casos, os pais tiveram seu próximo bebê em casa. Leiam os relatos de Nicky e Megan, em memória dos bebês que elas perderam, e em celebração dos bebês que vivem.


*Referências* *Mackenzie and Cooke, 2001:*
BMJ 2001;322:1334-1335 ( 2 June )
Prospective 12 month study of 30 minute decision to delivery intervals for
"emergency" caesarean section
I Z MacKenzie, clinical reader in obstetrics and gynaecology, Inez Cooke,
clinical lecturer in obstetrics and gynaecology.
Nuffield Department of Obstetrics and Gynaecology, University of Oxford,
John Radcliffe Hospital, Oxford OX3 9DU

*Tuffnell et al, 2001*
BMJ 2001;322:1330-1333 ( 2 June )
Interval between decision and delivery by caesarean sectionare current
standards achievable? Observational case series
Derek J Tuffnell, consultant, Kath Wilkinson, clinical governance support
officer, Nicola Beresford, senior house officer.
Maternity Unit, Bradford NHS Trust, Bradford BD9 6RJ

Você pode ler essas pesquisas na íntegra no site do British Medical Journal
(http://bmj.bmjjournals.com/ )


domingo, 21 de junho de 2009

Para os "meus" bebés aquaticos...

O ultimo parto que acompanhei na agua foi no dia 6 de Março.... estou a ficar com saudades....

O ultimo parto que acompanhei foi "em andamento" :) Nasceu a minha 3ª Maria no dia 10 de Junho

Com 2 filhos pequenos as vezes temos de tomar decisões que custam um bocadinho...

Este filme fez-me recordar os bebés que vi nascer na agua....





Não sei muito bem o meu caminho.... espero encontra-lo....

sábado, 20 de junho de 2009

Se estas a amamentar e queres doar o teu leite contacta a Mac!

Mães interessadas em doar e receber leite já contactam a Alfredo da Costa

O primeiro banco de leite humano em Portugal deve começar a funcionar este mês na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, depois de alguns contratempos que adiaram, em vários meses, a sua entrada em funcionamento.

O banco de leite materno foi apresentado à imprensa a 15 de Janeiro e, na altura, o director da maternidade, Jorge Branco, estimou que pudesse entrar em funcionamento no mês seguinte. Contudo, o facto de se tratar da primeira infra-estrutura do género em Portugal e de os responsáveis terem decidido fazer algumas alterações em relação ao projecto inicial fez que com que só agora o banco de leite esteja em condições de começar a funcionar com toda a segurança.

Israel Macedo, pediatra neonatologista da Maternidade Alfredo da Costa (MAC), que tem estado a acompanhar este processo, disse ao JN que, durante este mês, deverão começar a seleccionar as mães-dadoras e a recolher leite. Logo que haja algum leite pasteurizado disponível, arranca a distribuição. Nesta fase inicial, o leite destina-se a alimentar os bebés prematuros internados nas unidades de cuidados intensivos e intermédios da MAC, cujas mães não têm leite suficiente ou, por qualquer razão, não os podem amamentar.

A administração do leite pasteurizado só será feita depois de os progenitores serem informados pelos médicos das vantagens e terem assinado um termo de consentimento esclarecido. Israel Macedo explica que o leite da dadora "não é tão bom como o leite da própria mãe, mas não é tão artificial como o leite que é dado aos bebés quando as mães não os podem amamentar".

Pela experiência dos países onde já existem bancos de leite - são muito populares no Brasil e existem também nos Estados Unidos, Inglaterra e, mais recentemente, em Espanha -, o neonatologista acredita que, em pouco tempo, "os pais vão perceber e aceitar que, na impossibilidade de estes bebés serem alimentados com o leite da mãe, o leite da dadora é uma alternativa com bastantes vantagens em relação ao leite artificial". A este propósito, disse que a MAC já foi contactada por duas mães interessadas em receber leite humano pasteurizado (por já não poderem amamentar os seus bebés) e por várias mães interessadas em doar leite.

Quanto à selecção das dadoras, Israel Macedo garante que o processo é tão rigoroso quanto o dos dadores de sangue. Para começar, a mulher tem de ser mãe e estar a amamentar, não pode ser fumadora, nem consumir bebidas alcoólicas ou produtos estupefacientes. O processo de selecção começa com uma consulta/entrevista com um médico da MAC, onde a mãe é observada a amamentar o seu bebé e ensinadas técnicas de amamentação. Nessa consulta, é feita uma primeira colheita de sangue (que será analisada pelo Instituto Português de Sangue, a quem compete dizer se a mãe pode ou não doar leite) e entregue um kit que inclui um bomba eléctrica, recipientes para colheita e armazenamento de leite para uma semana e produtos de higiene da mama. O leite é guardado em casa, no congelador, e semanalmente recolhido por uma empresa especializada que o transporta, em condições térmicas especiais, para a MAC, onde é analisado e pasteurizado.

O leite é sujeito a análises bacteriológicas (se houver bactérias passíveis de produzir toxinas, é rejeitado) e só depois pasteurizado. O processo demora cerca de hora e meia e passa por expor o leite a temperaturas muito altas e depois negativas. Congelado, o leite dura cerca de três meses.

GINA PEREIRA

Fonte: Jornal de Notícias

Vale a pena?

Ter um parto natural quando podemos ter um parto sem dor?

Confiar no nosso corpo em vez de confiar no sistema?

Confiar numa parteira?

Ter uma Doula?

Será que vale a pena?




Quem já passou pela experiência... acha que valeu a pena?

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Sobreviver às "Horas Venenosas" e Stress Familiar

Estratégias eficazes para diminuir o Stress Familiar
Workshop de Coaching Parental

27 de Junho, Sábado, 15h00
Orientado por Sandra Azevedo e Ângela Coelho.

"Bom dia! Toca a acordar." Sentam-se nas camas. Voltam a deitar-se. "Não quero ir à escola." Como é possível. 7h 55 e todos de pijama! O que é que eu fiz de errado? Última tentativa: Mais um beijinho a cada um, uma festinha e... "Vamos lá a acordar para tomarmos o pequeno-almoço." Não se mexem!

Muitos de nós se identificarão com este relato. Gostaríamos de encontrar soluções, descobrir truques que resultassem. Situações como as descritas despertam em nós sentimentos negativos e a ideia de que não estamos a ser o pai ou a mãe que gostaríamos. Os desafios nos dias de hoje são imensos e por isso, por vezes, temos a sensação que estamos a desviar-nos do caminho que idealizámos.

O Coaching Parental permite que cada pessoa se torne no pai ou mãe que deseja ser. Ajuda a reduzir os níveis de stress e a aumentar a energia. Permite que cada um encontre estratégias feitas à sua medida que lhe possibilitam tirar o máximo prazer e satisfação da sua vida familiar e lidar, de forma positiva, com as suas questões familiares.

Datas: 26 de Junho (1ª sessão) e 4 de Julho (2ª sessão) - Sábados
Duração: 15h00 às 16h30
Participação: 50€ por pessoa / 85€ por casal

Inscrições até ao dia 25 de Junho.

O grupo está sujeito a um número mínimo e máximo de participantes.

Mais informações no link abaixo

http://www.bchillout.com/page_novida.asp?ID=30

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Comentário sobre Pai no parto.


 
*^_^* deixou um  comentário  no  post  "Pai no parto?":   quando perguntei quem tiveram e quem gostavam de ter no parto, eis a resposta: 

O pai, que não assistiu a este porque tive de ir para bloco a correr para ter ajuda de ventosa.

E a minha mãe, que é enfermeira e só não assistiu devido aos nervos.

Prescindo de uma doula (o meu marido e a minha mãe desempenham muito bem esse papel)

E claro um ou uma parteira (se for o meu obstetra tanto melhor) 


 Eu já escrevi, apaguei e voltei a escrever... mas acho que quem já teve uma doula no parto responde melhor que eu... digam lá porque foi importante terem uma Doula no vosso parto? 
 
Já agora, as Doulas não ficam nervosas como ficam as nossas mães e reduzem cerca de 40% o uso de ventosas :) Não estamos lá para somar e nunca para tirar o papel de ninguém.. se é importante o pai ou outro acompanhante estarem presentes a Doula nunca lhe vai tirar o seu protagonismo e participação.

Relato de parto

 

O que faz o texto a seguir interessante não é porque eu vivi uma história singular. Ela pode ter sido única por um ou outro detalhe. Mas o que faz valer à pena ler o texto abaixo é que este relato é muito parecido com qualquer relato de cesária. A cesárea -diferente do parto normal - é um procedimento, impessoal e padronizado.
Mas ele não está aqui para aterrorizar ou entristecer ninguém. Ele está aqui para que as mulheres que confiam em seus médicos saiam do piloto automático e se questionem se ele é tão bom obstetra quanto foi ginecologista.
Existem opções mas é preciso lutar por elas.
 
 
Continua aqui : http://partodochico.blogspot.com/

PIQUENIQUE VEGETARIANO

Associação Vegetariana Portuguesa
Pela sua Saúde, pelos Animais, pelo Ambiente… Por um mundo melhor!
www.avp.org.pt

PIQUENIQUE VEGETARIANO
DOMINGO, 28 DE JUNHO - 16H

NO JARDIM PERTO DOS JERÓNIMOS EM BELÉM, LISBOA

Associação Vegetariana Portuguesa organiza um piquenique vegetariano  para promover o convívio entre todos os vegetarianos, veganos, não-vegetarianos curiosos em relação ao vegetarianismo e sócios da Associação.

 Para além da partilha de comida vegetariana e vegana, haverá música, jogos surpresa e divulgação de informação relacionada com a AVP e o vegetarianismo.

  COM:

PARTILHA DE COMIDA VEGANA
DIVULGAÇÃO SOBRE VEGETARIANISMO
ANIMAÇÃO
CHI KUNG
CONVÍVIO
JOGOS

O QUE LEVAR PARA O PIQUENIQUE:
Comida vegetariana (de preferência vegana) para partilhar <
< Toalhas de piquenique >
> Utensílios reutilizáveis (copos, pratos, tigelas, talheres) <
< Instrumentos musicais >
> Amigos e familiares! <


Transportes:
Localização:  Mosteiro dos Jerónimos / CCB, perto de Belém em Lisboa
 
Comboio linha Cascais: Estação de Belém
Estação Fluvial de Belém: Barcos da Trafaria e Porto Brandão
Autocarros (Carris): 27, 28, 29, 43, 49, 51, 112
Eléctrico: 15
 
 Para dúvidas e informações contacte:
968105837 ou 933468986

DIVULGUE E PARTICIPE !

 

 
:: MAIS INFORMAÇÕES ::

Faça o download da ficha de sócio:
 http://avp.eco-gaia.net/downloads/AVP-Ficha_Socio.pdf

 Fotos de alguns eventos organizados pela AVP:

Estatutos da AVP: http://avp.org.pt/node/5
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Fórum:
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Morada:
Associação Vegetariana Portuguesa
Apartado 1085 * 1050-001 Lisboa

Nada como mamar...

Se eu te dissesse que inventaram uma nova formula que aumenta as defesas do teu bebé, tu darias?

Se eu te dissesse que podes obter alimento grátis para os 6 primeiros meses do teu bebé, tu acreditavas?

Se eu te dissesse que uma empresa patenteou uma embalagem que mantem a comida fresca as 24 horas do dia, conservando todas as propriedades, tu comprarias?

Essa formula existe!
Esse alimento existe!
Essa empresa existe!

O leite materno é o melhor alimento para o teu bebé, adapta-se a todas necessidades e aumenta o sistema imunológico, e alem do mais é grátis.



quarta-feira, 17 de junho de 2009

Meditação para grávidas - entrada livre

Reservar uns minutos do seu dia para a prática da meditação ao longo da gravidez tem um impacto benéfico para a saúde tanto da mãe quanto do bebé.
 
A meditação faz diminuir a adrenalina, o cortisol e o ácido lático,  regulariza tensão arterial, suaviza a respiração e os batimentos cardíacos e diminui a insónia.

O Obstetra Roberto Cardoso ( fez um estudo sobre os benefícios da meditação nas mulheres grávidas ) afirma que a meditação tem como benefício ensinar a lidar com a ansiedade:

“A mulher grávida tem níveis peculiares de ansiedade, que crescem à medida que a gestação se desenvolve. A meditação vem sendo citada como um interessante método de relaxamento dentro do meio médico, mas ainda não havia quase nenhum registro sobre como essa técnica poderia ser útil na redução da ansiedade da gravidez”

Após acompanhar 169 grávidas, verificou que as mulheres que praticaram a meditação tiveram um aumento simbólico no nível de bem-estar, alegaram sentir menos tenções musculares, e afirmam estar mais tranquilas e seguras para enfrentar e aceitar as mudanças psicológicas e físicas causadas pela gravidez.

Nos Estados Unidos, foram feitos estudos na Universidade de Berkley que apontaram que a meditação na gravidez equilibra as funções hormonais na mulher, aumentando a quantidade de hormonas que provocam a sensação de bem-estar, entre essas substâncias estão o DHEA e a melatonina.

Meditar nos meses que antecedem o nascimento da criança diminui também o risco de pré-eclampsia. Os estudos apontaram que no parto, o efeito da prática ajuda a diminuir em 56% a necessidade de cesarianas e de 85% a de anestesias.

Dia 19 de Junho, 6ª feira no espaço Zen&Terapias na Malveira ( a 10m de Lisboa pela A8)

1ª parte: O Poder dos Mantras e das Vocalizações no trabalho de parto

2ª parte: Meditação guiada com visualização criativa do parto.

Apareçam ás 19.30 horas, a entrada É LIVRE mas necessita de inscrição previa  pelo mail catarinapardal@sapo.pt 

Parto natural?

Para quem quer perceber, sentir o que é um parto natural...
Um parto em que é a mulher que comanda o seu corpo é transformador... as mulheres ficam mais fortes, mais poderosas... mais MULHERES...

Vamos ajudar a AMI?

As radiografias que já não servem para si podem ajudar a AMI a salvar muitas vidas.
Com o dinheiro obtido na venda da prata, a Ami pode cuidar de quem mais precisa em Portugal ou em qualquer lugar do Mundo onde a ajuda seja necessária.



Ao participar nesta campanha, vai estar também a proteger o mundo em que vive, evitando não só que as radiografias vão para o lixo, como que se perca para sempre a prata que contêm.



Participar é fácil



Basta entregar as suas radiografias em qualquer farmácia de Portugal, de 5 a 26 de Junho. Lá encontrará sacos disponíveis para a recolha das películas sem os relatórios nem os envelopes. A sua participação é fundamental.



Mostre que é solidário e ajude a AMI na sua acção humanitária global.



Para mais informações, aceda a www.ami.org.pt ou contacte a AMI (reciclagem@ami.org.pt / 21 836 21 00).



Dê. Vai ver que não dói nada.

Curvas de crescimento

por Dr. Carlos González

Os que estão com “baixo peso”

Em alguns casos, o problema não começa pelas mamadas “muito curtas”, mas pelo peso “muito baixo”. No mundo há pessoas de todos os tamanhos, e qualquer manhã, quando vamos comprar pão, cruzamos com pessoas que pesam 50 kg e outras que pesam 100 kg. Você realmente acha que essas pessoas pesavam o mesmo quando tinham 3 meses? Por que é tão difícil aceitar as diferenças no peso dos filhos?

Tenho um bebê de 3 meses que é amamentada. Até agora, ela vinha ganhando peso bem, 200 ou 250 g por semana. Duas semanas atrás, eu a levei ao pediatra e quando ele a pesou só tinha engordado 80 g. Ela nasceu com 3200 g e agora está com 5820 g. A pediatra recomendou uma “ajuda”, mas quando eu dou a mamadeira, ela recusa. Também comprei outros bicos, porque ela não aceita a chupeta, ela continua não aceitando, começa a chorar e passa até quatro ou cinco horas sem mamar no peito; tentei colocar no leite um pouco de papinha e dar com a colher, mas ela também não quer. Ela só quer saber de mamar. Mas eu não posso continuar assim, estou preocupada com saúde dela, pois não ganha quase peso e a pediatra diz que ela está abaixo da curva.

Abaixo de que curva? De acordo com os gráficos norte-americanos de desenvolvimento, o peso dessa menina está acima da média. Ela ganhou 2620 g em 3 meses, mais de 850 g por mês. A única medida que não está bem é a que mede a paciência da mãe. Quantas horas mais de angústia, quantas idas à farmácia para comprar novas mamadeiras e novos leites, apenas porque alguém interpretou mal um gráfico? Quantas mamadeiras um bebê terá de recusar para mostrar que ele não as quer?

Este exemplo ilustra dois problemas fundamentais: de um lado a interpretação generalizada dos gráficos; de outro, o ritmo de crescimento dos bebês amamentados.

O crescimento de crianças de peito

Os gráficos de peso mais comuns foram desenvolvidos há alguns anos, quando muitos bebês tomavam mamadeira, e os que mamavam no peito o faziam só por umas semanas. Atualmente, mais e mais bebês são amamentados durante meses e eles não seguem os antigos gráficos. Vários estudos (1,2) feitos nos EUA, Canadá e Europa mostram que bebês amamentados geralmente ganham peso mais rápido no primeiro mês do que mostram os gráficos, mas depois eles começam a perder velocidade e vão baixando de percentil. Por volta de seis meses eles perdem a liderança que obtiveram com o ganho de peso no primeiro ano, e mantêm até 1 ano um peso “baixo” de acordo com os gráficos antigos. Enquanto estou escrevendo esse livro, a OMS e o UNICEF estão preparando novos gráficos baseados em bebês amamentados, que logo substituirão aos antigos  . Não se trata de fazer gráficos para bebês de peito e outros diferentes para crianças que tomam mamadeira; os mesmos gráficos serão usados para todos. Enquanto isso, muitas mães levarão grandes sustos, porque dirão quando seu bebê tiver dois ou três meses que ele está “caindo” de peso, ou aos oito ou nove meses que seu filho está com “baixo peso” Isso não é verdade, seu bebê está bem.

Por que o crescimento de um bebê amamentado é tão diferente de um que toma mamadeira? Não temos muita certeza, mas em todo caso, não é por falta de alimento. Durante o primeiro mês, quando só tomam leite, bebês amamentados pesam o mesmo ou mais. Entre seis e doze meses, quando tomam papinhas além do leite, bebês amamentados pesam um pouco menos. Se fosse verdade a frase “o peito já não sustenta” (o que é uma grande bobagem uma vez que o leite materno alimenta mais que a mamadeira e mais que as papinhas), a criança ficaria com fome e comeria mais papinha e consequentemente ganharia o mesmo peso do bebê de mamadeira. A diferença é mais profunda; por alguma razão, leites artificiais levam a um padrão de crescimento que não bate com o padrão de crescimento do bebê amamentado.

Na primeira edição deste livro, eu escrevi: “Nós não sabemos quais consequências pode ter esse crescimento excessivo”. Agora já sabemos. Muitos estudos (4,5) demonstraram que bebês que foram amamentados por menos de seis meses têm taxas mais altas de obesidade e têm mais chances de apresentar sobrepeso e obesidade entre os 4 e os 6 anos.

Nem todas as crianças crescem no mesmo ritmo

Tenho uma filha de 8 meses e nos últimos 4 meses ela não ganhou peso, seu peso durante quatro meses é de 7.450 g e a altura aumentou pouco a pouco até os 71 cm que ela tem agora. O pediatra dela me disse que se ela não ganhar peso esse mês, vai solicitar exames de sangue, para ver se ela está com algum problema; se não é porque é inapetente e ponto.
Comer, come muito pouco. Ela recusa a colher e quando eu a forcei a comer com a colher, ela vomitou tudo. Continuo dando tudo com mamadeira: frutas, papinhas e cereais.

Certamente não é “normal” (no sentido de “comum”) que um bebê não ganhe nada de peso entre 4 e 8 meses. Para descobrir se além de pouco comum é também patológico, , é preciso considerar outros dados, entre eles os exames que prudentemente pediu o pediatra para ter certeza que o bebê não está doente. Mas se nada for detectado, é melhor esperar pacientemente “é inapetente e ponto”. Especialmente nesse caso em que também não é comum pesar tanto aos quatro meses; ela estava praticamente no percentil 95. A altura aos aos oito é grande, mais que a média.

Todos os exames foram normais e aos 13 meses essa menina estava pesando 8 kg e continuava sem querer comer. Parece que ao invés de manter um lento e constante ganho de peso, ela ganhou todo seu peso nos primeiros 4 meses e depois parou de ganhar.

Existe um ritmo de crescimento especial que geralmente leva os pais à loucura, chama-se “atraso constitucional do crescimento “. É apenas uma variação do normal, não uma doença. São crianças que não seguem nenhum gráfico; elas têm a sua própria curva de crescimento. Elas nascem com peso normal e crescer normalmente durante uns meses. Mas em algum momento entre o terceiro e o sexto mês elas estacionam e começam a crescer lentamente, tanto em peso como em altura. Mas, isso sim, seu peso é adequado a sua altura. O pediatra pode pedir exames, mas tudo estará normal. Eles ficam no limite ou fora dos gráficos por dois anos, mas por volta dos dois ou três anos eles começarão a crescer mais rápido até atingir uma altura final completamente normal e são adultos de estatura mediana. Isso é uma característica hereditária e pode ser muito tranquilizante quando as avós finalmente admitem que o pai ou o tio “também era muito miúdo no início e o pediatra vivia dando vitaminas”, mas no final de tudo ele cresceu. Veja um típico exemplo:

Minha filha tem dezoito meses e, felizmente, ainda mama no peito apesar dos comentários negativos de 99% das pessoas. O problema é que desde os 4 meses, quando eu voltei a trabalhar, ela não come bem. Ela começou a perder peso e agora está com 73,2 cm e 8.690 g. Ela fez exames e está tudo normal.

Aos dezoito meses, de acordo com os gráficos americanos antigos, uma menina no percentil 5 deveria ter 8.920g e 76 cm. Entretanto, para uma menina de 73cm, o peso está acima do percentil 25. Ela foi ao endocrinologista e o hormônio do crescimento está normal. Então, tudo que se tem a fazer é esperar alguns anos.

Logicamente, uma criança que cresce tão devagar come ainda menos que as outras crianças.

NOTA DO TRADUTOR: Os novos gráficos da OMS foram lançados em 2007.

Do livro Mi niño no me come de Carlos González

Tradução: Fernanda Hack e Luciana Freitas
Revisão: Luciana Freitas