Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

sexta-feira, 27 de março de 2009

Mães que Trabalham ...

"Separar-se do filho é sempre uma experiência algo inquietante. Tal como é sentir que não se lhe pode dedicar o tempo que se acredita ser ideal. Os especialistas asseguram que as repercussões destas realidades na vida das crianças dependem de muitos factores. Nomeadamente da idade da criança, do apoio que tem, do tempo que está com a mãe e como esta usa esses momentos. “Se ao chegarmos a casa com um saco de congelados encontrarmos uma criança ávida de mãe (ou de pai) e nos pusermos de cócoras, abraçando aquele filho que vem disparado para nós, marcamos a diferença. Se o mimarmos durante 10 minutos, com muita intensidade de afecto, de contacto corporal, utilizando todos os sentidos, apertando-o, até ser ele próprio a despegar-se, então já cumprimos. Se, pelo contrário, dermos prioridade ao saco de congelados, então estamos a dizer-lhe que vale menos do que os douradinhos e as ervilhas…” - revista Maxima

Após ler ESTE artigo muito interessante da revista Máxima - " A falta de tempo das Mães " e a pedido da Filipa, decidi partilhar dois livros que recomendo para mães que regressão ao trabalho:

Mães que trabalham são culpadas?
Capa mole. AMBAR 2004.
ISBN 9724307506 / 972-43-0750-6
EAN 9789724307503

Actualmente divididas entre os filhos e a vida profissional, não é fácil para as mulheres fazerem ouvir as suas dificuldades. Porém, com a feminização do mundo do trabalho e o acesso a novas responsabilidades, conciliar o interesse da criança e a actividade profissional tornou-se um verdadeiro desafio da sociedade.
e




Maternidade e a Vida Profissional

A Maternidade e a Vida Profissional
Capa mole. Editorial Presença 2004.
ISBN 9722333062 / 972-23-3306-2
EAN 9789722333061

Um dos maiores desafios que se colocam aos pais de hoje é a resolução do conflito que se gera entre a vida profissional e a vida familiar. Na sequência da chegada de um novo membro à família, muitos pais sentem que têm de se desdobrar para ter o tempo e a atenção necessários para criar o filho sem deixarem de ser eficientes no trabalho. T. Berry Brazelton, na qualidade de pediatra experiente e reconhecido, oferece linhas de orientação para a conciliação de ambos. Tomando como exemplo a história de três famílias que se confrontam com este mesmo problema, Brazelton fornece conselhos práticos que abrangem tópicos como: quando regressar ao trabalho, quem escolher para tomar conta dos filhos, como gerir as crises e lidar com a pressão, com a falta de tempo e com as doenças. A sua abordagem também realça o papel de um pai mais envolvido e motivado como algo essencial para o desenvolvimento da criança e para a estabilidade da família.
E vocês, como foi o regresso ao trabalho?
Como conseguem conciliar o trabalho com o ser MÃE?

3 comentários:

Sofia disse...

Para mim foi muito, muito difícil. Eu vivi os primeiros tempos de maternidade de forma muito intensa e estabeleci um vínculo muito forte e instintivo de "progenitora". O facto de amamentar contribuiu para que assim fosse.
Quando o Gonçalo fez 5 meses, pensar em separar-me dele para ir trabalhar era o meu pior pesadelo. Aí é que eu achei que ía ter uma dpp...! Tive que ir, porque simplesmente não tive outra opção pois financeiramente era imcomportável eu ficar em casa...
Os primeiros meses de trabalho foram muito complicados. Além da angústia da separação, sofri muito com falta de sono e descanso. Amamentava de 3 em 3 (quando não era menos) horas durante a noite e às 6 da manhã tinha que estar a pé para ir trabalhar. Às vezes tornava-se desesperante...
Surpreende-me que não se fale mais deste tema e que as mulheres sofram em silêncio... mas por outro lado, na maioria das vezes a necessidade fala mais alto...

Bjs

mjf e pmp disse...

esta é uma temática recorrente no grupo da API...

Filipa disse...

Ainda faltavam 5 semanas para voltar ao trabalho quando comecei a sentir-me muito mal por ter de o fazer... Acho que comecei logo a sofrer por antecipação: será que o bebé se vai ressentir da minha ausência, como hei-de conciliar o trabalho com a amamentação, será que vai conseguir beber pelo biberão/copinho, será que se vai adaptar bem à ama?
Senti-me como se fosse entregá-lo a alguém e nunca mais o fosse ver, apesar da sorte em ter um chefe muito humano que me pôs à vontade (ainda na gravidez) para levar o bebé para o escritório, trabalhar em casa, ou o que me desse mais jeito, com toda a flexibilidade de horário. É claro que do ponto de vista racional, não teria razões para me queixar muito, mas as hormonas em turbilhão condicionavam o meu estado emocional (felizmente apenas em alguns momentos).
Mas o que mais me deixou em baixo foi a pouca importância que a maioria das pessoas mais chegadas deu a tudo isto, independentemente das boas condições oferecidas pelo chefe: "É normal, isso depois passa", "Calha a todas, a mim também me custou", como se fosse uma alienada por me sentir mal devido a algo tão inerente às vidas de hoje, que parece mal não aceitar e calar, pura e simplesmente. Senti-me sozinha...
Depois a Cat sugeriu o Brazelton (obrigada por todo o apoio, Cat, a minha sempre doula!), que 'devorei' com todo o entusiasmo, por me reconhecer em tantas situações apresentadas. Não me senti melhor, mas ao menos tracei um plano de como seria o meu regresso.
E o meu regresso ao trabalho aconteceu na semana que passou... Foi uma semana e tanto, a tentar estar em casa à hora do Miguel mamar, a levar o Miguel para o trabalho, com a ama atrás, para lhe dar de mamar, a almoçar às 3 da tarde nalguns dias, a tentar não adormecer de manhã, depois de acordar não sei quantas vezes de noite para dar de mamar, enfim!... Não foi tão mau como eu esperava, o Miguel adora a Cláudia, detesta o biberão mas come quando tem fome e anda muito feliz na mesma : )
E eu cá me vou adaptando à nova vida, a pensar no que posso fazer para a melhorar...

Um grande beijinho a todas a mães-trabalhadoras que passam por esta ansiedade! E um bem-haja a todos os chefes/patrões que, como o meu, têm mais de humano e menos de chefe!