Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Parto Normal depois de uma Cesariana?

SIM!!!!
O parto normal sempre é mais seguro que a cesariana.
A cesariana tem quatro vezes mais risco de morte materna e dez vezes mais risco de morte neonatal.No caso do parto normal após cesariana (VBAC), o principal risco é o de ruptura uterina. A taxade ruptura uterina nos VBAC é de 0,2 a 0,6%.A taxa de complicação de cesariana varia de 0,6% a 1%.
Se a cesariana foi feita com corte baixo, na linha do biquini, então os riscos são de fato muito baixos (corte segmentar transversal). O corte vertical (corte corporal ou segmento-corporal), pode trazer um aumento do risco de ruptura considerável.
Não há estudos conclusivos que mostrem que mulheres com mais de uma cesariana corram um risco de ruptura significativamente maior que aquelas com uma só cesariana.
Se quer um Parto Normal após Cesariana, o mais importante é evitar o uso dos indutores e aceleradores de parto tipo prostaglandina e misoprostol (citotec), que aumentam a força das contrações fazendo aumentar o risco de ruptura. A ocitocina também deve ser evitada pois, embora seja menos prejudicial que os dois primeiros medicamentos, também aumenta a força das contrações uterinas.
Nas raríssimas vezes em que ocorre uma ruptura, a mulher percebe,especialmente se não estiver sob efeito de anestesia.
Geralmente os batimentos cardíacos do bebé ficam diferentes, e as mulheres reportam uma dor contínua, que ultrapassa o tempo da contração.
Bibliografia:
Sebenta do curso GAMA
Catarina Pardal

7 comentários:

Anónimo disse...

Infelizmente no meu caso um parto normal a seguir a uma cesariana, foi o pior que me aconteceu. Pois, se existe a febre das cesarianas também existe a das induções, pois se se insiste em fazer uma indução numa mulher que já tem uma cesariana e, se se trata a situação como se de nada complicado houvesse, como se não fosse necessário uma vigilância mais apertada, então eu prefiro fazer uma cesariana, até porque se a tivesse feito hoje teria cá a minha filha.
Na minha primeira gravidez tive a minha filha aos sete meses de cesariana, por ter um episódio de pré-eclampsia, posteriormente fiquei hipertensa, até hoje. Passados dez anos volto a engravidar, foi considerada gravidez de risco, perto das 36 semanas a tensão começa novamente a alterar, conseguido-se controlar com a medicação. Ás 37 semanas a médica resolve-se por uma indução com prostaglandinas, resultado rotura uterina, sem que ninguém desse por nada, nem no CTG porque pura e simplesmente minguém olhou para lá . A Beatriz foi encontrada nos meus intestinos, porque por acaso o enfermeiro calhou de olhar para o CTG naquele momento e viu que já não havia batimento cardiaco do bebé, mas foi só por acaso, foi reanimada até á exaustão, ficou com uma paralisia cerebral muito grave e ao fim de seis meses e um dia faleceu.
www.justicaparabeatriz.blogspot.com

Luisa Condeço disse...

Não consigo imaginar essa dor lacinante de se perder um filho, ainda mais por uma situação claramente de negligência médica. Todas as evidências científicas (estudos médicos)apontam para o NÃO uso de oxitocina em caso de parto vaginal após cesariana pois esta aumenta em 15 vees o risco de ruptura uterina.
Se esse médico tivesse lido um pouco mais saberia que estava a pôr em risco a vida da vossa filha e da mãe ao usar oxitocina num Vbac. Desejo-vos paz e justiça para a Beatriz

Cristina Silva disse...

Tenho seguido vosso blog, vi a vossa entrevista no programa Fátima. É impossível imaginar a vossa dor e a vossa revolta.
Foram vítimas de negligencia médica, não há dúvida nenhuma.
Reafirmo o que a Luisa Condeço escreveu, todas as evidências científicas para o NÃO uso de oxitocina em caso de parto vaginal após cesariana pois esta aumenta em 15 vezes o risco de ruptura uterina.
Deixo-lhe aqui um extrato de um estudo que traduzi, se quiser posso enviar-lhe o artigo completo em português ou se quiser ler o artigo científico original vá a:
http://ican-online.org/resources/white_papers/wp_pharma_sp.pdf

Desejo-vos muita luz e muita paz e Justiça para a Beatriz.
Cristina

Riscos da indução
Outro elemento a considerar quando se elege uma indução é que, além de aumentar a possibilidade de sofrer outra cesariana, aumenta os riscos para ti e para o teu bebé. A indução incrementa o stress que o bebé experimenta, aumenta o risco de sofrimento fetal, especialmente quando utilizam as doses mais altas de oxitocina e misoprostol (5) (6) (7). A mãe deve ser vigiada cuidadosamente porque a indução pode produzir contracções demasiado fortes. As contracções artificiais são mais difíceis de suportar para ti e para o teu bebé, uma vez que o período entre contracções é mais curto e o bebé não recebe tanto oxigénio. Em alguns casos, a indução causa a separação precoce da placenta (placenta abrupta) (8) (9).
Ao eleger uma indução a probabilidade da mãe eleger ou necessitar de uma epidural para suportar as contracções aumenta (10) (11). A epidural adiciona outros tipos de riscos, incluindo dor espinal, incontinência urinária temporal, hipotensão materna, dores de costas a longo prazo, dores de cabeça, ciática e adormecimento ou formigueiro; em casos pouco comuns, produz-se paragem cardíaca, convulsões, ataques de alergia e paragem respiratória (12). A epidural eleva a temperatura da mãe, pelo que depois do nascimento esta pode requerer intervenções para descartar uma infecção. Ainda mais, a epidural pode ocasionar sofrimento fetal, uma vez que as drogas usadas passam ao sistema do bebé (13). A epidural também faz com que o parto seja mais lento, o qual pode contribuir para outra cesariana, por “não progressão de parto” (14), e usá-la aumenta a probabilidade de usar fórceps, uma vez que a mãe tem menor capacidade de puxar de maneira efectiva (15). Se sofreste uma cesariana por uma indução falhada ou por “não progressão de parto”, terás sofrido alguns ou vários dos efeitos secundários e os riscos de uma cirurgia maior, assim como os da indução, se bem que todos eles possivelmente poderiam ter sido evitados.
A ruptura artificial de membranas tão pouco se recomenda como indutor. Uma vez que a bolsa de águas está rota, aumenta o risco de infecção e impõem-se limites de tempo na maioria dos partos. Estatisticamente falando, a ruptura artificial de membranas aumenta, em vez de diminuir, a probabilidade de sofreres uma operação cesariana (16) (17).
Os bebés cujos nascimentos são induzidos parecem ter maior risco de serem prematuros (18). Apesar das provas e das melhores intenções do pessoal médico, não existe uma garantia total de maturação. Aliás, é mais comuns os bebés com nascimento induzido necessitarem de ressuscitação, a admissão numa unidade de cuidados intensivos e fototerapia para tratar a icterícia, e todos estes casos requerem a separação do bebé da sua mãe (19).

Ruptura uterina
Quanto à ruptura uterina, os factos falam por si mesmos: a indução farmacológica aumenta os riscos de ruptura uterina (39). A taxa de ruptura uterina num VBAC não induzido é só de 0.5%, menor que o risco de sofrer muitas outras complicações maiores do parto. No entanto, quando se introduz o factor indução, o risco aumenta. Um estudo recente, o qual obteve muita atenção por parte dos média, mostrou que nos VBAC induzidos com pitocina ou oxitocina, o risco de ruptura aumentou para 0.77% e com prostaglandinas como agente indutor, a taxa de ruptura uterina aumentou a 2.45% (40).
Quase todos os estudos confirmam o risco de indução nos VBAC, ainda que alguns não mostrem um incremento na taxa de ruptura (41). Num estudo realizado com 752 mulheres, ocorreram 12 rupturas uterinas, 11 das quais estiveram associadas ao uso de indução ou condução do parto ou ambos. Os autores afirmaram que o VBAC é seguro, mas que o VBAC induzido não o era (42). Num estudo mencionado acima sobre a eficácia da indução verificou-se que nos partos induzidos a taxa de deiscência da cicatriz é de 7% (43).
Uma revisão de cerca de 115.000 partos no Canadá confirmou que a indução ou condução do parto (usar agentes químicos para estimular uma maior actividade uterina num parto iniciado espontaneamente) são factores de risco confirmados para a ruptura uterina (44). Ainda que a condução do parto poderia ser uma opção menos questionada que a indução, uma vez que o parto já se iniciou, segue existindo risco de ruptura. Um estudo israelita concluiu que o uso de oxitocina e prostaglandinas aumentam o risco de ruptura (45). Outro estudo confirmou que os partos espontâneos têm um baixo risco de ruptura (0.45%), mas que o uso de prostaglandinas aumenta o risco 6.41 vezes (46).

Conclusão
Geralmente, a indução farmacológica que se pratica actualmente nos hospitais não consegue o que promete. Em vez que aumentar a probabilidade de ter um VBAC com êxito, a diminui, além de converter o teu parto numa experiência perigosa para ti e para o teu bebé. No caso de existir uma necessidade médica, a indução pode ser uma opção útil, mas não deve usar-se de forma não pensada. Se verdadeiramente precisas de uma indução, é de grande importância que se prepare o colo do útero o mais possível antes da indução de forma a maximizar a possibilidade de conseguir-se um VBAC.
Elege com muita cautela a pessoa que te vai atender no parto e discute detalhadamente com ele ou ela todas as opções antes de acederes a uma indução de parto para um VBAC.

Extraído do paper publicado no site ICAN, originalmente em espanhol com tradução livre para português. Este material pode ser copiado e distribuído sempre e quando se inclua o direito de Autor© International Cesarean Awareness Network, Inc. Todos os direitos reservados.

Cat disse...

è impossivel imaginar a vossa dor, a vossa revolta! Que negligência médica, não se deve usar oxitocina em caso de parto vaginal após cesariana devido ao risco de ruptura uterina!

Será que eu posso ajudar de alguma maneira?

pode sempre contactar a HumPar que luta pela humanização do parto em Portugal www.humpar.org.

Um abraço muito apertado

Catarina Pardal

Anónimo disse...

Por acaso preciso de ajuda, preciso da maior informação possível e nem sempre sei onde encontrar, queria saber sobre o parto vaginal a seguir a uma cesariana, sobre a paragem cárdio respiratória que a minha Beatriz teve e ninguém viu registada no CTG, pura e simplesmente porque não deram a minima atenção, porque concerteza antes de isso acontecer ela entrou em sofrimento, enfim tudo o que tiver relacionado com o meu parto, se me puderem ajudar de qualquer maneira em relação a isso fico imensamente agradecida.
www.justicaparabeatriz.blogspot.com
Alexandra_Inacio1@hotmail.com

Bárbara disse...

Boa Tarde,

Também eu passei por um parto vaginal após cesariana que correu mal.
Felizmente tenho comigo de boa saúde a minha filha, mas acho que isso se deve somente à sorte.
Tive uma primeira cesariana em 2001 por sofrimento fetal.
Desta gravidez sempre me disseram que iria ser parto normal, pos sofrimento fetal não era razão para uma 2ª cesariana.
Tudo bem, também era da minha vontade ter um parto vaginal.
As 35 semanas entrei em trabalho de parto, fui para a MAternidade, e fiquei internada, já com o colo apagado.
As contracções foram ficando cada vez mais forte e seguida, e as àguas rebentaram espontaneamante. Confesso que as dores estavam a ser fortissimas, muito seguidas,e pedi epidural. Já na sala de partos dão-me epidural, mas continuo com dores, a parteira então deu-me várias doses de algo no soro que depois uma enfermeira minha amiga me disse ser petidina, que faz parar o trabalho de parto.
Realmente, estive na sala de partos desde cerca das 23 horas de sábado até às 8 da manha de domingo, sempre com 3 cm de dilatação. E com as aguas rebentadas.
Quando entrou o turno da manhã a médica de serviço mandou tirar as anestesias, por ocitocina e começar a fazer força, mesmo sem ter vontade. Conclusão, a minha filha nasceu às 10h25m, com fórceps, felizmente com muita saude.
Mas para mim, o horror mal tinha começado. Depois de ser cosida etc, comecei a sentir uma dor muito intensa na barriga, mas realmente muito forte, muito pior que o parto, e comecei a vomitar sangue, deixei de sentir as pernas, e a perder muito sangue. Lá fui eu pro bloco, com anestesia geral, onde fui re-suturada. Tive um pós parto absolutamente pavoroso, para terem uma ideia, tinha enormes bolhas de sangue à volta do anus, e a nádega esquerda com o dobro do tamanho da direita e totalmente negra. Levei 2 unidades de sangue, e mesmo assim sai da maternidade com a hemoglubina a 9,4.
Não conseguia estar sentada, e deitada só de barriga pra baixo.
Isto foi assim durante 3 semanas.
Até hoje não sei o que aconteceu (Isto foi em setembro de 2007).
Já escrevi para a Administração da maternidade, mas sem sucesso. Posso dizer que a minha vida sexual nunca mais será a mesma, e isto já me foi dito por um médico da dita maternidade, onde vou às consultas. Dizem me para ter paciência e que realmente é chato.
Felizmente tenho a minha filha para compensar.
E para tentar evitar que outras mulheres passem por isto, vou em fevereiro fazer o curso de Educador Perinatal.

Cat disse...

Barbara, tem todo o direito de ter saber o que lhe aconteceu!
Entidade Reguladora da Saúde tem um livro de reclamações on-line http://www.ers.pt/portal_url/informacoes_uteis/livro-de-reclamacoes-online
espero que seja util!