Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Tu podes escolher!

Este vídeo mostra bem a diferença entre um parto medicalizado e um parto humanizado

6 comentários:

Daisy disse...

Olá Viva!

brutal a parte do corte! desta vez forcei-me a ver (geralmente nunca escolho ver porque tenho muita dificuldade em esquecer este tipo de imagens) para um frente-a-frente com a realidade obstetrícia :) nos hospitais e com a imensa interferência no parto. Foi largamente compensada com a imensa alegria que senti ao ver as outras imagens do parto natural. Lindo, Lindo!
Por que será que temos ainda tanto medo de nós próprias, da nossa própria força? força feminina, geradora de Vida, de Luz e de Amor!

Um abraço com muito carinho,
Susana.

Cristina Ruivo disse...

Obrigada por estas imagens, tão chocantes por um lado tão pernas pelo outro.É necessário não desviar o olhar de forma a nos consciencializarmos do que implica um parto hospitalizado.
Cristina

Sónia disse...

Cat...
Sem palavras...
Vou partilhar. Está demais.
Grata pela tua incansável dedicação e amor á Humanização do Parto.
Um grande abraço.
Sónia

Carina disse...

Posso fazer uma pergunta? O que é aquele objecto preto que encostam no ventre?
Obrigada.

Anónimo disse...

Boa noite,
Um parto medicalizado é também um parto humanizado. Há casos e casos. Trabalho em hospitais e posso afirmar que aquilo que os partos "medicalizados" pretendem é utilizar os avanços científicos, com o intuito de evitar complicações para o recém-nascido e para a mãe. Nomeadamente em relação à dequitadura (o corte que se vê nas imagens), é de manifesta utilidade para evitar roturas perineais extensas que, nos partos caseiros e não acompanhados, podem conduzir a incontinência anal, por exemplo. O parto "natural" que se vê no vídeo é um exemplo de um caso sem complicações. A realidade, contudo, é que não é transversal a todos os casos e as complicações possíveis são sérias, para a mãe e para o recém-nascido.
Gostaria só de deixar esta mensagem. A humanização de um parto não passa pela não utilização de instrumentos médicos. Passa, sim, pela compreensão e respeito pelo momento especial vivido pela família.
Cumprimentos a todos,
João Dias

Cat disse...

Caro João Dias, prometo escrever sobre a episiotomia...As episiotomias, incisões que alargam a abertura vaginal durante o parto, estão correlacionadas com um maior risco de lesão, maiores dificuldades na cura e mais dores, segundo uma nova análise baseada em 26 estudos efectuados.

Os resultados, publicados no Journal of the American Medical Association, parecem reverter crenças estabelecidas de que o procedimento seria preferível para prevenir um rasgo espontâneo e que também ajudaria as mulheres a recuperar no pós‑parto. O estudo encontrou evidência que a episiotomia não tem efeito aos níveis da incontinência, na resistência da parede do útero ou ainda na função sexual. Ainda, de acordo com o estudo as mulheres a quem foi aplicado o procedimento demoram mais tempo a retomar a sua actividade sexual. Aliás, o primeiro coito pós‑parto causou mais dor a estas mulheres, de acordo com um relatório da Associated Press sobre este estudo.

“Esta análise reúne num único local todas as evidências que não estamos a ter os resultados que pretendemos” disse a Drª Katherine Hartmann, a autora/directora do estudo, investigadora na Universidade da Carolina do Norte.

Ela estimou que 1 milhão de mulheres em cada ano tiveram episiotomias desnecessárias, citando estudos que indicam que o procedimento é aplicado em cerca de 30% dos partos vaginais. Uma análise da Associated Press de dados hospitalares descobriu que houveram 616.702 episiotomias em 2002, mas Hartmann disse que os procedimentos estão subestimados nos registos hospitalares.

Médicos e pesquisadores têm-se afastado há algum tempo das recomendações de episiotomias de rotina, mas continuam a ser relativamente frequentes nos Estados Unidos. Em Portugal é uma prática largamente utilizada.

Originalmente, pensava-se que as episiotomias preveniam rasgos sérios e que curavam melhor que os rasgos naturais, mas os resultados deste estudo mostram claramente o oposto – as episiotomias podem aumentar a gravidade dos rasgos durante o parto e fazerem com que a recuperação das mulheres seja mais difícil. Além disso, mulheres que já sofreram episiotomias têm os músculos da parede pélvica mais fracos e enfrentaram um desconforto maior quando retomaram a sua actividade sexual, do que as mulheres a quem não foi aplicado este procedimento.


Outro excelente artigo sobre a episiotomia "Uso Generalizado versus Selectivo" - da autoria das Dras. Bárbara Bettencourt Borges, Fátima Serrano, Fernanda Pereira do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa - Lisboa - Portugal. Um excelente olhar científico sobre esta rotina médica practicada em Portugal (em versão PDF que pode ver aqui:

http://www.ordemdosmedicos.pt/ie/institucional/publicacoes/ACTA/6-2003/2205%20Episiotomia.pdf