Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Os rituais de purificação



"Os rituais de purificação são o testemunho da crise por que passaram
a mãe e a criança, e também as protegem da ameaça do desconhecido e
dos poderes das trevas exteriores. Alguns deles envolvem limpeza
física, como é o caso do hábito de se agachar sobre um balde de água
'quente como o amor de nove dias', adotado pelas jamaicanas, um bom
método de limpar o períneo sem precisar de tocar nessa zona.

Pode dar-se imediatamente banho ao recém-nascido, como tantas vezes se
faz na nossa sociedade. Mas, na realidade, isto não é necessário pois,
à exceção de algumas manchas de sangue, os bebês nascem limpos. Eles
estão cobertos de uma substância semelhante a um creme facial que
protege a sua pele dentro do útero e cuja remoção na altura em que
nascem faz mais mal do que bem. Limpar o recém-nascido tem mais
significado ritual do que eficácia higiênica.

As purgas constituem um método de limpeza drástico, popular sob várias
formas em todo mundo e, sobretudo, na nossa sociedade, onde a
evacuação regular é considerada essencial para a saúde e a limpeza e
onde a venda de laxantes atingiu proporções astronômicas. Estas
atitudes relativas às funções intestinais são transpostas para o
parto. Em sociedades tecnologicamente avançadas, dá-se um clister ou
um supositório para a parturiente evacuar. Noutras sociedades podem
dar-lhe uma dose de óleo de castor que, na nossa sociedade também
constitui um processo tradicional de dar início a um trabalho de parto
atrasado."

(Sheila Kitzinger, Mães - um estudo antropológico da maternidade.
Lisboa, Presença, 1978; pp.95-96)
 

 

2 comentários:

P e M disse...

"Em sociedades tecnologicamente avançadas, dá-se um clister ou
um supositório para a parturiente evacuar."

Quando eu nasci, a minha mãe evacuou as mesmo tempo (porcalhota... hehehhehe...). Quando ela teve o meu irmão deram-lhe um clister...

Eu, quando tive a minha filha, e apesar de me terem perguntado se tinha evacuado (eu disse-lhes que sim), não o tinha feito!

Eu queria um parto o mais natural possível, sem stresses, sem intervenções médicas de alguma espécie e como foi na MAC..., nada como encobrir alguma informação. De mais a mais, ninguém foi a minha casa para averiguar se tinha ou não evacuado, não é verdade?!

P e M disse...

A tua grávida já "desengravidou"?

Espero que tenha corrido tudo de acordo com o que ela cria.

Beijinhos