Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

terça-feira, 5 de maio de 2009

Palmadas...

Pesquisas em educação infantil demonstram que mesmo a agressão leve é nefasta, prejudica e cria danos na auto-estima das crianças. Em Portugal os castigos corporais ás crianças SÃO PROIBIDOS POR LEI!

Eu não sou perfeita, erro muitas vezes com meus filhos, e o meu auto-controle não é infalível, pelo contrário! Por isso procurei informações e resolvi partilhar com vocês...

Não bater não significa deixar fazer tudo que os filhos querem, existem formas de impor limites e respeito que não são baseadas na violência. É um caminho difícil mas facilmente conseguimos ver como a mudança nas nossas atitudes tem efeito sobre a auto-estima dos nossos filhos.

Recomendo a leitura de A auto-estima do seu filho deDorothy Corkille Briggs e

Inteligência emocional: e a arte de educar nossos filhos de J.Gottman e J. DeClaire



Existe uma confusão entre o efeito e o que se aprende de facto com as palmadas e outras agressões físicas. O sintoma que incomoda, a birra por exemplo, desaparece, a criança sente medo e pára, mas passa a ter novos sentimentos mais difíceis a enfrentar como a mágoa pela palmada, a frustração por não ser compreendido, o ressentimento por não ser ajudado pela pessoa amada, a impotência por ser mais fraco o medo de mais castigos, etc.

Que tal substituirmos a palmada pela escuta activa da criança? Encarar a raiva dos filhos de maneira construtiva ajuda-os a aceitar todas a partes de si mesmo sem julgamentos negativos, é a base da auto-estima.


PENSE 20 VEZES ANTES DE BATER

1. Bater em alguém mais fraco é em si um acto de covardia.

2. A palmada tende a ir perdendo seu efeito a longo prazo e a criança aos poucos teme menos a agressão física. A tendência dos pais é, então, bater mais e mais.

3. A palmada não resolve os conflitos comuns às relações pais e filhos: muitas das crianças que apanham, mesmo sentindo-se magoadas e amedrontadas, enfrentam os pais dizendo que a "palmada não doeu", e o que era apenas uma palmadinha no rabo, acaba numa agressão física violenta.

4. A palmada, aos poucos, pode afastar severamente pais e filhos, pois a agressão física, não faz a criança pensar no que fez, desperta-lhe raiva contra aquele que a agrediu.

5. Os danos emocionais impostos pela agressão física são geralmente mais duradouros e prejudiciais que a dor física.

6. Bater pode ser uma experiência traumática para a criança não apenas pela dor física, mas principalmente porque coloca em risco a credibilidade depositada por ela nos pais.

7. Acriança não pode sentir-se segura se sua segurança depende de uma pessoa que se descontrola e para com a qual tem ressentimentos.

8. A criança que apanha tende a verse como alguém que não tem valor.

9. Aos poucos a criança aprende a enganar e descobre várias maneiras de esconder suas atitudes com medo da punição.

10. A criança pode aprender a mostrar remorso para diminuir sua punição, sem no entanto senti-lo realmente.

11. Para a criança a palmada anula a sua conduta: é como se ela tivesse pago por seu erro, e por isso pensa que pode vir a cometê-lo de novo.

12. A palmada não ensina à criança o que ela pode fazer, mas apenas o que não pode fazer, sem que saiba ao menos o motivo. A criança só acredita ter agido realmente mal quando alguém lhe explica o porquê e quando percebe que sua atitude afecta o outro.

13. O medo da palmada pode impedir a criança de agir mal, mas não faz com que ela tenha vontade de agir certo

14. A palmada tem um carácter apenas punitivo, e não educativo; ela pode parecer o caminho mais fácil a ser seguido, porque aparentemente tem o efeito desejado pelos pais. É comum a criança inibir o comportamento indesejado por medo, e não pela convicção de que agiu de maneira inadequada.

15. Muitas das crianças que apanham aprendem a adquirir aquilo que querem através da agressão física e, não raras vezes, apresentam na escola condutas agressivas com os colegas.

16. Uma palmada, para um adulto, pode parecer inofensiva. Porém é importante saber que cada criança atribui um significado diferente ao facto de “levar umas palmadas”, podendo tornar-se uma experiência marcante em sua vida futura. Além disso, independente da intensidade do bater, o acto continua a se o mesmo: um acto de violência contra um ser desprotegido.

17. Bater é uma forma de perpetuação da “cultura da violência” tão presente nas relações entre as pessoas nos dias actuais, ensina às crianças que os conflitos resolvem-se por meio de agressão física.

18. Bater nos filhos muitas vezes acaba por gerar nos pais fortes sentimentos de culpa, o que os leva a procurar compensar sua atitude posteriormente “afrouxando” aquilo que procuravam corrigir.

19. Bater é um atestado de fracasso que os pais passam a si próprios (Zagury, 1985) porque demonstram para a criança que perderam o controle da situação.

20. O sentido da justiça está em fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem.Quando nós adultos agimos de maneira inadequada, não esperamos punição.


Eu já dei uma palmada a Princesa, movida pela raiva e frustração e estava muito cansada, mas não serve de desculpa... Quem ama educa mas infelizmente bater é muito mais fácil que educar...

Devemos ser o exemplo, sempre... uma criança agredida vai ser um futuro agressor...

Tento não gritar, não bater, pois acredito ser importante resolver os problemas pelo dialogo.

Ler sobre Attachment Parenting ajudou-me a estar mais ligada aos seus filhos e desenvolver a minha intuição, e ... a pedir ajuda quando estou cansada...





Outro livro que recomendo e o Bésame Mucho do Carlos Gonzalez

Sites onde procurei informação para escrever este post
http://www.leisecacontrapalmadas.com.br/
http://www.pediatriaradical.com.br/

Recomendo também os encontros de educação intuitiva http://apilisboa.blogspot.com/ onde podem contar com o apoio da Natália Moderadora do Attachment Parenting International (Educação Intuitiva)

E vocês já bateram nos vossos filhos? Como se sentiram? Como resolvem as birras?

7 comentários:

claudia disse...

olá, agradeço tanto o tema! não, nunca bati nas minhas 3 filhas - promessa que fiz já quando era pequena - quem não se recorda da humilhação que se sente quando os pais nos batem? mesmo que só uma palmada - é um enorme acto de covardia. Vivi muitos anos fora de Portugal e quando voltei, confesso, fiquei um pouco chocada com a naturalidade com que pais e avós batem nas crianças. Claro que as crianças batem-se aqui mais do que eu vivenciei no estrangeiro - isto comparando com meios semelhantes. Também evito gritar, nunca ameaço, nunca castiguei. É preciso muuuuuito mais paciência. Mas vai se treinando e é cada vez mais fácil. Sei muito bem em que ponto teria recebido uma bofetada e orgulho-me de não sentir o ímpeto de o fazer. Por outro lado, parece-me importante ser sincera com as crianças e não fazer como se não estivesse irritada quando de facto estou. As crianças têm enormes antenas e parece-me importante que aquilo que sentem coincida com o que expressamos, para que possam confiar em nós. Tento explicar sempre porque estou irritada, com argumentos que possam entender. E peço desculpas quando me enganei, o que também acontece...

Rita Costa disse...

Gostava de dizer que nunca bati mas isso não é verdade. Já foram várias as vezes que lhes dei uma palmada no rabo.

Sei perfeitamente que não adianta de nada. Realmente eles param com aquele comportamento mas eu sinto-me tão mal que mais valia ter ficado quieta. Mas no momento, com o cansaço que sinto ou perante o choro de um dos irmãos que foi vitima de alguma "maldade" passo-me da cabeça e lá sai a palmada.

Gostaria de ter sempre paciencia e sangue frio para resolver tudo pelo diálogo mas confesso que não consigo... mas, em minha defesa digo, que sinto que os meus filhos são felizes.

E se é verdade que de vez em quando levam uma palmada, mais verdade ainda é que sou uma verdadeira melga e os cubro de beijos, abraços e dou-lhes muitooooo colo :)

Barrigas e Bebés disse...

Ai... nem sbes a angúsi que ist me traz..
Sim, já dei palmadas aos '3metralhas' e, sim, acho que é sempre mais difícil para mim!
Mas tou como a Rita não sou perfeita, a minha vida as vezes (dias) é um verdadeiro caos, de stress com falta de tempo, paciência e outras coisas...
Sim, às vezes apetece-me fugir, ou gritar, ou ambos...
Mas também sinto que os meus filhos têm ums ligação especial comigo (talvez por serem todos rapazes e eu ser a única diferente lá em casa ;-)) e que são felizes!
obrigada pela partilha.
bjs

moya disse...

Que temática interessante: obviamente nunca batemos na Joana (só tem 2 meses), mas já houve alturas durante as noites em claro com cólicas que já nos apeteceu abaná-la para a acalmar... Mas aí respiramos fundo e contamos até 10 e passa...
REalmente em Portugal é muito comum aplicar um correctivo. Até eu e o meu marido apanhámos dos professores na escola quando eramos pequenos e dos pais, embora não fossem muito dados a isso, também... E a sensação é mesmo essa: revolta, tristeza, angústia, que não queremos que se sinta cá em casa... Vamos ver como as coisas evoluem com o crescimento da Joana e muitos parabéns Cláudia: gostei muito das tuas palavras.

Anónimo disse...

Olá,

Dei umas palmadas ao meu filho mais velho, no rabo e algumas leves na cara, quando ele tinha 3 anos e eu estava grávida do meu segundo filho, a conselho da minha mãe, porque não ficava na cama à hora de dormir, levantando-se constantemente. Fiz isso duas noites seguidas e jurei para NUNCA mais, senti-me a pior das mães, uma bruxa horrorosa! E contra a vontade/conselhos de toda a gente, NUNCA mais repeti, sendo que o meu marido partilha esta atitude comigo. Concordo plenamente e em tudo com o artigo. Peço muitas vezes desculpa aos meus filhos se calha haver um dia que estou mais cansada e grito, o que é rarissimo, ou estou-me sempre a zangar sem muita razão.....o que não implica que não seja disciplinadora, aliás os meus filhos, apesar de normalmente reguilas, são muito cumpridores das regras que considero importantes e bonzinhos, e são mesmo muitoooooooooooo felizes, mais do que o normal das crianças. Dá é trabalho, agora já não porque estou a colher frutos daquilo que foi muita paciência, trabalho, coerência e persistência.
Obrigada e continuação deste bom trabalho.
Patrícia Baltazar

P e M disse...

Eu já, infelizmente.

Concordo com aquilo que a Cláudia escreveu.

Apesar de nunca ter apanhado uma estalada do meu pai ou da minha mãe, houve uma vez que fui festejar o aniversário a casa de uma amiga da escola e não telefonei a dizer a que horas eles lá deviam ir-me buscar... foi por pouco que eu não apanhei a dita estalada, mas ainda me lembro bem da humilhação.

Concordo com o que disse a Patrícia Baltazar...

Tenho uma filha amorosa até mais não (chega a ser melga) e gosto de pensar que alguma parte se deve a mim... ;o)

Também lhe peço desculpa quando erro e digo-lhe obrigada sempre que me faz um favor... ela já diz "bigada" sempre que nós lhe fazemos alguma vontade...

Filipa disse...

O Miguel tem 6 meses e nunca lhe batemos, como é óbvio, por ser tão pequenino. Desde que ele nasceu, tentámos sempre tratá-lo com todo o respeito que merece como pessoa, independentemente da idade. Assim, tentamos sempre ajudá-lo em momentos de crise, levando a sério as suas queixas, mesmo que a nós os motivos nos pareçam irrelevantes ou desconhecidos; há coisas que são muito mais complicadas de gerir para um bebé do que para um adulto (e mesmo assim, às vezes os adultos têm cada comportamento! eu não era capaz de levar vacinas com a descontração do Miguel, lol!)
Foi partindo deste princípio que optámos por nunca lhe dar chucha. A chucha acalma o choro (o comportamento que queremos anular), é fácil, mas não resolve o problema. É quase como a palmada. E isto parece-me um bom treino para não cair na armadilha 'da reacção de cabeça quente da qual sempre nos arrependemos' e evitar a dita palmada quando ele for mais velho.