Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

sábado, 14 de Junho de 2008

Indução Natural do Parto

Tenho recebido vários mails com a mesma questão " Como induzir o Parto Naturalmente?"

É o bebé que deve dar o sinal para iniciar o trabalho de parto, ele liberta hormonas que iniciam o trabalho de parto, estimulando o hipotálamo da mãe a produzir a hormona natural oxitocina, que por sua vez provoca as contracções uterinas.Que tipo de mensagem enviamos ao nosso filho quando não lhe deixamos que ele próprio faça aquilo para que foi biologicamente destinado? “Não vais nascer quando quiseres, mas sim no dia que dava jeito à mãe ou ao médico”.

Não existe uma data fixa para o nascimento e não há razão para se pensar que um bebé tem forçosamente que nascer até às 40. Deve-se considerar um período provável para o nascimento (entre as 38 e as 42 semanas após o primeiro dia do último período menstrual) e não uma “data prevista” pois isso simplesmente não existe. Ainda assim, no final de uma gestação prolongada, deve-se acompanhar com maior atenção o bem-estar do bebé, contando os movimentos, ouvindo o coração diariamente, verificando se há perdas de líquido com cor esverdeada, fazendo uma ecografia em caso de ansiedade ou dúvidas.

Esta ansiedade faz mal á mãe e ao bebé.
A angústia não vai adiantar o parto e a impaciência só atrapalha a grávida e o desenvolvimento do bebé.

Para ajudar, algumas atitudes que podem ser colocadas em prática

• faça com que todos (filhos, marido, pais e irmãos) entenderem que o momento é seu e que precisa estar calma e despreocupada

• leve um ritmo mais moderado de trabalho. Claro que gravidez não é doença, mas tente ter um ritmo mais tranquilo.

• delegue as tarefas da casa para outra pessoa e exclua esse problema da sua rotina. A sua mãe, o marido,... podem ajudar bastante;

• relaxe todo o tempo que conseguir – dormir ou assistir a um filme à tarde ou receber uma massagem à noite só vão ajudar a descansar

• tire alguns minutos do dia para cuidar apenas de si, para fazer aquilo que gosta.


E depois de fazer isto tudo pense que 6% dos bebes nasce na data prevista para o parto. Se ainda não chegou ás 40 semanas descontraia, se já passou pode tentar:

- caminhar,

- sexo com ejaculação no colo do útero,

- chá de cravo com canela,

- chá da Naoli,

- chá de framboeseiro,

- comidas apimentadas,

- banhos quentes,

- massagem nos mamilos.


Além disto rir muito, rever o plano de parto ( que já deve de estar feito e enviado para a direcção do hospital), lavar as roupas do bebé, meditar...

Falar com uma doula ajuda a relaxar e diminuir a ansiedade.

O parto é seu, e não se esqueça que induções... só por razões médicas.

De acordo com o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG), o trabalho de parto deve ser induzido somente quando o risco para o bebé seja maior, se permanecer dentro do útero da mãe que o do nascimento prematuro.

Isto é verdade quando:

- a bolsa de água que envolve o bebé se rompe verdadeiramente e o trabalho de parto não inicia,

- a gravidez ultrapassa as 42 semanas, ( e só 42 semanas )

- a mãe sofre de tensão arterial alta,

- a mãe sofre de algum problema, como diabetes, que poderia prejudicar o seu bebé,

- ou quando a mãe tem uma infecção no útero.

Existem evidências crescentes que a indução do trabalho de parto não está isenta de riscos.

Prematuridade - Um dos problemas de induzir o trabalho de parto é que as datas prováveis de parto não são exactas. Se há um erro de 2 semanas ao calcular a DPP (Data Prevista do Parto), uma mulher que está a programar a indução na semana 38 poderá estar somente de 36 semanas de gravidez.

O Dr. Michael Kramer da Universidade de Montreal e os seus colegas, examinaram 4.5 milhões de nascimentos nos EUA e Canada durante 1990.

Num estudo publicado no The Journal of the American Medical Association (Jornal da Associação Americana de Médicos), em 2000, os investigadores concluíram que os bebés nascidos somente umas semanas mais cedo – de 34 a 36 semanas – eram 3 vezes mais propensos a morrer no seu primeiro ano de vida que aqueles que nasciam de termo. “ Os obstetras podem perceber a indução livre de riscos e por isso não avaliar adequadamente os riscos e os benefícios”, disse mais tarde o Dr. Kramer numa entrevista.

Complicações e Nascimentos por Cesariana - Investigadores da Universidade de Texas South Western Medical Center em Dallas, Texas, também fizeram uma análise nos resultados das gravidez por semanas de gestação, o Dr. James Alexander e seus companheiros de investigação concluíram que “ A indução rotineira do trabalho de parto às 41 semanas de gestação só aumenta as complicações do trabalho de parto e o nascimento por cesariana sem nenhuma melhoria significativa nos resultados neonatais”. Os investigadores do Grupo Chochrane para a Gravidez e Parto, uma fonte de informação mundialmente respeitada, para os cuidados e atenção, baseados em evidências, estiveram de acordo com esta conclusão.

Relativamente às gravidezes de pós-termo, eles declararam “ Uma política de indução rotineira às 40-41 semanas de gestação numa gravidez normal não pode ser justificada, isto demonstrado por provas controladas. Uma vez que a duração da gravidez ultrapassou as 41 semanas, às mulheres que optam pela indução, deverá oferecer-se-lhes o melhor método de indução disponível.

Aumento da Necessidade de Intervenções - A somar ao aumento do risco de moderada prematuridade e do nascimento por cesariana.

A indução do trabalho de parto por norma leva à necessidade de intervenções médicas adicionais. Em muitos casos, se uma mãe é induzida, necessitará uma canalização intravenosa (IV) e monitorização electrónica contínua do ritmo cardíaco fetal. Na maioria dos hospitais, irá ser necessário que a mulher permaneça na cama ou muito perto dela. Como resultado a mulher será incapaz de colaborar no progresso do seu trabalho de parto, caminhando livremente, ou mudando de posições em resposta às suas contracções de trabalho de parto. A mãe será incapaz de tomar vantagem de um reconfortante banho de imersão ou um duche para aliviar o desconforto das contracções. As contracções induzidas artificialmente normalmente chegam ao seu pico mais rapidamente e permanecem intensas por períodos mais longos, que as contracções naturais, aumentando a necessidade de uso de medicamentos para aliviar a dor na mãe.

Desvantagens Psicológicas - O trabalho de parto induzido, especialmente quando não está indicado medicamente, pode ser uma mensagem muito poderosa na mãe, de que o seu corpo não está a funcionar adequadamente – de que necessita de ajuda para iniciar o seu trabalho. Esta mensagem junto com os necessários aumentos de intervenções médicas, pode diminuir a confiança na sua habilidade para dar à luz

Por tudo isto, relaxe, descontraia, porque mais dia, menos dia, vai ter o seu bebé no colo... feliz...

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