Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

A sobrevivência da humanidade

Ao nascer, o corpo do bebé  separa-se do da mãe. O cordão umbilical é cortado e mãe e bebé deixam de ser um só. Será mesmo assim?!

Não. O território emocional não se separa, mãe e bebé vivem em fusão emocional. Essencial para a sobrevivência da humanidade!

A mãe, em fusão com a sua cria, tem a capacidade de sentir o que acontece com o bebé, a mãe sente se o bebé sente dor, fome, solidão, medo, etc.

Quando a mulher não dá à luz na sua condição natural – ou seja, se ela pare com medo, com violência – o seu instinto de sobrevivência - proterger-se - vai falar mais alto do que o instinto materno - proterger a cria.
O mesmo ocorre com outros mamíferos. Por exemplo, uma leoa que dá à luz na selva, no seu habitat natural, terá instinto materno e cuidará dos filhotes. Já uma leoa que dá à luz no cativeiro, assustada, irá deixar os filhotes de lado e tentar defender-se, em primeiro lugar.

Como é o contexto do parto da nossa sociedade? 

- submissão feminina
-parto com intervenções

Etc

As mulheres parem com MEDO

As mães, por terem parido neste contexto, deixaram o instinto materno de lado.

Repercussões desta bola de neve?
Meditem sobre isto...

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Ainda bem que parir dói....

Chegou a hora de reclamar a nossa dor no Parto - nós e os nossos filhos precisamos dela para sobreviver!  Permitam-nos sentir o parto.. permitam-nos parir....

A dura realidade é que nós mulheres permitimos que os nossos corpos fossem controlados por ideias vendidas pelos médicos de que a dor no parto é desnecessária e evitável de maneira segura. MAS NÃO É!

 Nós, mulheres,  condenamos este controle porque não estamos conectadas, NÓS SOMOS mamíferos, não estamos informadas sobre a natureza e o propósito da dor no parto, e somos influenciadas por argumentos que parecem persuasivos, mas não são baseados em factos.

PARIR DÓI; MAS É UMA DOR COM PROPÓSITO:::


Canto a las mujeres, que como las lobas
bailan y aúllan a la luna.
Juntas y salvajes van por las montañas,
Van en libertad y son hermanas.

Recogiendo todos los logros de nuestras antepasadas,,
continuando con conciencia y usando nuevas palabras.

Es el momento de alcanzar los sueños,
es hora de regalarnos risas,
de esas que nacen de muy adentro
y que se expanden a toda prisa.

Y que rían con nosotras los nuevos hombres del mundo
que se inventan, como nosotras, para poder andar juntos.

Sentimos lo sagrado habitando nuestro cuerpo,
que es el cuerpo de la tierra misma.
En cada fase de nuestros ciclos
abrazamos con amor la vida.

Y que vivan con nosotras los nuevos hombres del mundo que se inventan, como nosotras, para poder sembrar juntos.

domingo, 2 de novembro de 2014

Para a minha irmã

Estou quase a ser " Tri  Tia " já tenho duas sobrinhas lindas, agora está prestes a nascer o meu sobrinho Lourenço.

Para a minha irmã e para todas as mães prestes a parir



Sabemos Parir - Rosa Zaragoza:

Sabemos parir 
Siente que el momento llega.
Siente: tus huesos son fuertes.
Siente: estamos ayudando.
Lo divino está contigo.
Siente: el niño está en la puerta.
Vivirá para abrazarte.
Siente: estás en buenas manos
y eres parte de la tierra.
Tienes lo que necesitas,
madre de todos nosotros.

Musica de Rosa Zaragoza inspirada num poema do Livro " A tenda vermelha", de Anita Diamant ( que eu recomendo vivamente!) 
São canções para ajudar a dar à luz. Quando digo ajudar não é só relaxar, é para apoiar...
70 minutos de músicas para ajudar a "acordar"
21 pessoas, incluindo músicos e cantores, participaram na sua elaboração. 
O CD é acompanhado por um livro com ajuda prática: respiração, Yoga, asanas, endereços úteis, e o melhor de tudo, testemunhos de mulheres incríveis..

sábado, 1 de novembro de 2014

OFICIDA DE LIBERTAÇÃO EMOCIONAL para grávidas

Num parto é importante relaxar, ouvir e sentir o próprio corpo ..

Para que tal possa acontecer é importante criar espaço interior para que a energia " do parir " se manifeste. Para isso torna-se necessário esvaziar "as bagagens" que trazemos, da nossa vida, de vidas passadas, do nosso próprio nascimento, dos partos das nossas ancestrais, etc.

Olhar o medo do parto de frente, de forma a iniciar um processo individual de libertação e regeneração interior, onde se possa libertar e finalmente abraçar o nosso  poderoso lado de fêmea mamifera que somos, mas que muitas vezes esquecemos,  sem  máscaras ou desculpas.

Um enorme desafio? Sim. Por vezes, o caminho de uma vida...

No entanto, o caminho faz-se ao caminhar e só na ação, encontraremos as respostas, colocando em marcha importantes processos interiores.

Incluí práticas várias técnicas de resgate interior, para o que se pretende que seja uma grande libertação no parto. 

Aconselhado a todas as grávidas que desejam parir.

Porque quando nasce um bebé nasce também uma mãe.

NOTA:

-As inscrições e sua ordem de registo serão validadas após transferência do valor de 30€; 

-Em caso de anulação este valor transitará para outra formação, salvo comunicação 15 dias antes da data; 

- Cada um levará o almoço e algo que possa comer a meio da manhã e a meio da tarde. Juntaremos tudo o que existir e repartiremos.

Oferta de uma massagem a todas as participantes! 

Local: Sintra

Das 10h - 18h
No primeiro sábado de Dezembro

Inscrição:
parirempaz@Gmail.com
Valor 50 euros ( 30 na inscrição e 20 no próprio dia) 

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Osteopatia para bebés e crianças?

Osteopatia Pediatrica


por Nelson Alegre - Osteopata

O trauma do nascimento vivido pelo recém-nascido é um assunto pouco falado, e ao qual não damos a devida importância.

A mudança extrema de ambiente (o passar do útero quente, escuro e confortável para um ambiente frio, ofuscante e cheio de gente), a nova sensação do toque humano e de ser manipulado por várias pessoas (que muitas vezes não são delicadas como exige um recém nascido), o grande aumento de partos induzidos, o uso de instrumentos (como forceps e ventosas) e as cesarianas, são exemplos de situações traumáticas para um recém-nascido.
Estas experiências ficam guardadas nos seus tecidos durante anos e podem gerar problemas mais tarde, podendo converter-se em síndromes e sintomas emocionais e/ou físicos.

A Osteopatia Pediátrica pode ajudar a prevenir e/ou a tratar estes problemas.

Estabelecida no início do século pelo Dr. William Sutherland, a TCS ( terapia crâniosacral ) é uma técnica feita com as mãos que avalia e melhora a função do sistema crâniosacral, estendendo-se desde os ossos do crânio, face, e boca descendo até ao sacro.
Sutherland explorou o conceito de que os ossos do crânio foram estruturados para o movimento e a partir daí desenvolveu a osteopatia craniana.
Em meados de 1970, o médico osteopata John Upledger partiu para a confirmação científica da existência do sistema crâniosacral, o que eventualmente levou ao desenvolvimento da terapia.

Os terapeutas usam um toque leve para ajudar no fluxo natural de fluido cérebro-espinhal dentro do sistema. A força necessária é muito pequena - semelhante à força usada para levantar uma moeda com um dedo (5 gramas) - para testar se há restrições nas várias partes do sistema crâniosacral, facilitando a autocorreção do corpo.
As técnicas de TCS utilizadas em pediatria não são as mesmas utilizadas com adultos. Principalmente o toque é diferente visto os ossos do crânio do bebé e da criança, estarem em desenvolvimento e formação.
Além disso, as crianças não dão os mesmos “feedbacks” que os adultos, logo, os terapeutas pediátricos, precisam tomar mais decisões durante o tratamento ( as crianças emitem mensagens mais subtis e mexem-se muito mais que os adultos )

A TCS pediátrica pode ser utilizada para tratar vários problemas, como:
· Problemas de sono
· “ Bebés chorões”
· Deficiências de aprendizagem
· Dificuldade de concentração
· Hiperatividade
· Atraso geral de desenvolvimento
· Autismo
· Etc.

Contudo todos os bebés e crianças deveriam fazer uma avaliação do equilíbrio do seu sistema crâniosacral ( principalmente as que tiveram um parto instrumentalizado ou uma cesariana )

Bibliografia:

The Nation’s Contemporary Magazine for Physical and Occupational Therapy - Vol. 5, No. 40 - Outubro de 1997.

“The brain is born” , Dr.John Upledge

Consultas: Lisboa, Cascais, Sintra.
Também disponível ao domicílio

Contacto: 914006999

na2230@gmail.com

sábado, 27 de setembro de 2014

OMS Lança Declaração Para Prevenção e Eliminação da Violência Obstétrica

No dia 23 de setembro de 2014, a Organização Mundial da Saúde (OMS) tornou pública, em português, uma declaração oficial para a PREVENÇÃO E ELIMINAÇÃO DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NAS INSTITUIÇÕES DE SAÚDE de todo o mundo.

É um grande passo para a obstetrícia e para a luta pela humanização do parto e nascimento em Portugal!

Esperamos que este documento seja muito divulgado e principalmente respeitado!

O documento na íntegra aqui!

quinta-feira, 10 de julho de 2014

«A DOR DE PARTO É INTOLERÁVEL»

"Se HÁ UM Associado universal Medo AO parto E Este Muito o Porque o nascimento continua a Estar Ligado, na Nossa Cultura, à ideia de Sofrimento..  Mas a dor E UMA sensação Muito subjetivação E a Maneira Como se lida com ELA -. ACEITA- la UO tentar desesperadamente Elimina-la - E fulcral não desenrolar do Trabalho de parto .
E de suma importância perceber Que, Das AO contrario OUTRAS Dores, uma dor de parto Localidade: Não E hum Sinal de Opaco algoritmo ESTA Errado não Nosso Corpo. Por Varias Razões, E UMA dor Muito Diferente de TODAS como OUTRAS. E E intermitente gradual, permitindo à Mulher Recuperar Forças empreendedorismo como contracções.
A SUA intensity Depende Localidade: Não So de gravida parágrafo gravida, Como das CONDIÇÔES los Opaco A Mulher Dá à luz: do Nível de Relaxamento, privacidade, Apoio de Familiares e Profissionais, POSIÇÃO de parto e ambiente Opaco um Rodeia. O Medo da dor E o Inimigo diretor da Mulher los Trabalho de parto. QUANDO HÁ Medo, Aumenta a Tensão, Que Aumenta a dor .
O Melhor plano de para encarar a dor E senti-la Aliada Como UMA nenhuma Processo de Fazer Nascer o bebé. Acreditar Que ELA TEM UMA função fisiológica e  tentar dar à luz num Ambiente Propício: sem imposições de Terceiros, SEM estresse e SEM intervenções desnecessárias. E Confiar na Natureza . Se a dor de parto fossa Realmente Impossível de suportar, Ha Muito Opaco uma Humanidade se tinha extinguido ... "

Revista Pais & Filhos

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Carta às mães mais que perfeitas

Retirado daqui: uptolisbonkids.com

Querida Mãe:

Eu já te vi por aí.

Eu vi-te a gritar com os teus filhos em público, vi-te a ignorá-los no parque, vi-te a levá-los à escola antes de teres tomado banho, e de calças de pijama por baixo do casaco.

Eu vi-te a implorares aos teus filhos, vi-te a suborná-los, e a ameaça-los.

Eu vi-te a gritar feita louca com o teu marido, com a tua mãe, e com o agente de polícia no cruzamento da escola.

Eu já te vi a correr com os miúdos de um lado para o outro, a sujares-te no parque e a praguejares em voz alta depois de bateres com o joelho na esquina da cadeira.

Eu vi-te a partilhares um leite achocolatado com um maníaco de 4 anos. Vi-te a limpar o nariz dos teus filhos com os dedos e a limpa-los na parte de trás das calças de ganga. Vi-te a correr com o teu bebé de 2 anos pendurado na dobra do teu braço, para apanhares a bola que está a fugir para a estrada.

Eu já te vi a ranger os dentes enquanto o teu filho gritava contigo porque não queria ir à aula de piano, à natação, ou ao treino de futebol. Eu vi-te a fechar os olhos e a respirar fundo depois de entornarem um copo de leite inteiro em cima. Vi-te a chorar desesperada enquanto tentavas tirar lápis de cera da tua melhor mala.

Eu já te vi na sala de espera do hospital. Eu vi-te no balcão da farmácia. Vi-te com o teu olhar cansado e assustado.

Eu não sei se tinhas planeado ser mãe ou não.

Se soubeste desde sempre que querias pôr crianças neste mundo, cuidar deles, ou se a maternidade te apareceu de surpresa.

Não sei se correspondeu às tuas espectativas, ou se passaste os primeiros tempos como mãe aterrorizada porque tinhas imaginado que sentirias o “amor materno” doutra forma.
Não sei se tiveste dificuldade em engravidar, se perdeste algum bebé, ou se tiveste algum parto traumático.

Nem sequer sei, se concebeste o teu filho no teu ventre, ou se o acolheste na tua família.

Mas eu conheço-te.

Eu sei que não alcançaste tudo o que querias na vida. Sei que há coisas que nunca soubeste que querias até teres filhos.

Eu sei que, às vezes, pensas que não estás a dar o teu máximo e que podias fazer melhor.

Eu sei que olhas para os teus filhos e te revês neles.

Eu sei que às vezes apetece-te atirar um candeeiro ao teu filho adolescente, e atirar o de 3 anos pela janela.

Eu sei que há noites que, depois de deitar os miúdos, estás tão exausta que só te apetece enrolares-te na cama a chorar.

Eu sei que há dias tão difíceis que só queres que acabem depressa. Depois, na hora de ir para a cama os teus filhos abraçam-te e enchem-te de beijinhos, e dizem o quanto gostam de ti, e de repente querias que o dia durasse para sempre.

Mas nada dura para sempre.

Os dias terminam, e o dia a seguir é um novo desafio. Febres, desgostos amorosos, trabalhos da escola, novos amigos, novos animais de estimação e novas dúvidas. E todos os dias, fazes o que tens de fazer.

Vais trabalhar, ou ficas em casa pões o bebé no sling e ligas o aspirador. Ou vais até ao jardim passear com ele.

Largas tudo para moderar uma discussão sobre de quem é a vez de usar aquelas canetas especiais, para dar um beijinho ao óó da tua filha, ou para conversar sobre qual é a cor do batom que a mãe do Pinóquio usava.

Eu sei que fazes guerras de cocegas em castelos de lençóis, e que sabes de cor as histórias de, pelo menos, 8 livros ilustrados. Eu sei que danças de forma ridícula quando vocês estão sozinhos. E que inventam canções parvas sobre queijo, maus cheiros, ou ervilhas.

Eu sei que uma hora depois de deitares os teus filhos, largas o que estás a fazer e vais cortar as unhas do mais novo. Sei que paras de arrumar a cozinha, porque a tua filha te convidou para a festa de chá que está a fazer com as bonecas, e faz questão que lá estejas.

Eu sei o que custou tratares dos teus filhos quando tiveste aquela virose de 4 dias. Sei que comes os restos dos pratos deles, enquanto arrumas a cozinha.

Eu sei que não contavas com muitas destas coisas. Sei que não antecipaste amar alguém tão intensamente, ou andar tão cansada, ou ser a mãe em que te vieste a tornar.

Pensavas que tinhas tudo planeado. Ou então, estavas perdida e aterrorizada. Ias contratar a Nanny perfeita. Ou ias deixar de trabalhar e aprender tudo sobre crianças.

Sei que não és a mãe perfeita. Por mais que tentes, e por mais que te esforces. Tu nunca serás a mãe perfeita.

E isso, provavelmente, vai perseguir-te. Ou se calhar fizeste as pazes com isso. Ou talvez nem nunca tenha sido um problema.

Eu sei que acreditas que independentemente do que fizeres, poderias ter feito sempre mais.

A realidade é outra.

Não interessa o pouco que fizeste, no fim do dia os teus filhos vão sempre amar-te. Vão continuar a rir para ti, e acreditar que tens poderes mágicos que podes curar quaisquer coisas.

Independentemente do que acontecer no trabalho, na escola, ou num grupo de amigos, tu fazes, sempre, tudo o que está e não está ao teu alcance para garantir que no dia a seguir os teus filhos estarão tão felizes, saudáveis e espertos quanto é possível.

Há um velho ditado iídiche que diz: “Há um filho perfeito no mundo, e todas as mães o têm.”

Feliz ou infelizmente, não há pais perfeitos. Os teus filhos vão crescer determinados a ser diferentes de ti. Vão crescer com a certeza de que não vão pôr os seus filhos nas aulas de piano, de que vão ser mais brandos, ou mais rigorosos, ou ter mais filhos, ou ter menos, ou não ter nenhum.

Um dia os teus filhos vão estar a correr como loucos na igreja, a portar-se pessimamente no restaurante a fazer caretas para o lado, e alguém vai passar e elogiar a tua família.

Uma certeza podes ter: não és perfeita!

E isso é bom. Porque na realidade, nem os teus filhos são perfeitos. E ninguém no mundo se preocupa mais com eles do que tu, ninguém sabe porque é que eles estão a chorar senão tu, ninguém percebe as piadas deles melhor do que tu.

E já que ninguém é perfeito, tens de desempatar com 2 biliões de pessoas que estão em primeiro lugar execuo para concorrer à melhor mãe do mundo.

Parabéns melhor Mãe do Mundo. Tu não és perfeita. És mais que perfeita:

És tão boa mãe como o resto do mundo.

por Lea Grover em Becoming a super mommy

adaptado por Up To Lisbon Kids

Passar de filha a mãe, de mãe a avó... Haverá ciclo de vida mais bonito?

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quarta-feira, 25 de junho de 2014

Parecer da ordem dos enfermeiros sobre o parto na água

http://www.ordemenfermeiros.pt/documentos/Documents/MCEESMO_Parecer_51_2014_Parto_Agua_site_proteg.pdf Parecer da ordem dos Enfermeiros sobre o parto na água "Congratulamo-nos que o Colégio de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos não inclua o parto aquático na sua Legis Artis Médica e que esta prática não tenha lugar nos curricula académicos médicos pois, sendo um parto fisiológico, esta prática insere-se nas atividades autónomas do EEESMO, pelo que a atividade médica é supérflua." Ou seja parto na água é um parto normal, e como quem tem competência para fazer os partos normais são os EESMOS, os médicos não têm nada a ver com o assunto . Melhor resposta? Impossível!

Pelo direito à escolha!


O Hospital de São Bernardo em Setúbal é o único hospital público em Portugal que oferece aos casais a opção de um parto na água (de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde para o parto fisiológico).
Familias de todo o pais têm viajado até Setubal para poderem receber o seu bebé desta forma.
Infelizmente a Ordem dos Médicos quer retirar-nos esta possibilidade de escolha e encerrar esta unidade baseando-se não em evidências científicas mas em achismos.
Assinem e ajudem a divulgar esta petição para que este serviço continue a existir!
http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PartosAguaPortugal

Pessoalmente concordo com esta petição e cumpro com o dever de a fazer chegar ao maior número de pessoas, que certamente saberão avaliar da sua pertinência e actualidade.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

O Projecto Parir Em Paz apoia a Enfermeira Obstetra Ana Ramos


O movimento pela humanização do parto em Portugal está de luto!
O projecto Parir em Paz manifesta a sua indignação pela decisão que a Ordem dos Enfermeiros tomou em suspender por 2 anos a Enfermeira Obstetra Ana Ramos.

Enquanto doula, activista pela humanização do parto em Portugal, mãe e mulher não poderia estar mais apreensiva com a repercussão que uma decisão como esta terá nos contornos do movimento de humanização do parto! Demos um gigante passo para trás.... Como Doula acompanhei mais de 30 partos com a Enfermeira Obstetra Ana Ramos. Assisti ao seu profissionalismo e dedicação, não tendo absolutamente NADA a apontar a nível profissional à referida Enfermeira,  que é muito competente e na qual mantenho PLENA confiança! 

Que esta decisão sirva para promover e contribuir para um debate público e construtivo acerca do parto em Portugal. Não podemos ignorar o número crescente de casais que opta por parir em casa.
Se quiserem manifestar a vossa indignação enviem um e-mail para a Ordem dos Enfermeiros à Consideração do Exmº Sr.º Bastonário da Ordem dos Enfermeiros, o e-mail é 
srsul@ordemenfermeiros.pt

Eu não vou ficar de braços cruzados, não só pela Ana Ramos, mas principalmente pelos casais que nestes dois anos vão ficar sem poder recorrer ao excelente trabalho da referida enfermeira.


quarta-feira, 21 de maio de 2014

Visionamento do filme - O Renascimento do Parto

Sábado, dia 24/5 no final da #SemanaMundialPeloPartoRespeitado, visionamento do filme O Renascimento Do Parto.
Jantar - 13,50euros no Tinkuy ( Sintra )
Inscrições - Parirempaz@gmail.com



sexta-feira, 16 de maio de 2014

Bulas das Vacinas do PNV

Serviço público ! 

Que nenhum pai vacine o seu filho antes de ler a bula. Vacinar com consciência e informação!


BCG (Tuberculose)
http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=29626&tipo_doc=rcm
                                                   
VHB (Hepatite B) http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=9567&tipo_doc=fi

                                                                                                                      DTPa (Difteria, Tétano, Tosse Convulsa)  
Hib (Haemophilus ifluenzae b)                              
  http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=30460&tipo_doc=fi        

VIP (Poliomielite) http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=6764&tipo_doc=fi


MenC (meningites e septicemias causadas pela bactéria meningococo)http://www.infarmed.pt/infomed/download_ficheiro.php?med_id=31948&tipo_doc=fi


VASPR (Sarampo Papeira e Rubéola) - Em espanhol, mas é a mesma que se usa em Portugal
http://www.ema.europa.eu/docs/es_ES/document_library/EPAR_-_Product_Information/human/000604/WC500030170.pdf

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Faleceu David Chamberlain



David Chamberlain foi um dos pioneiros na criação do novo campo da psicologia pré e perinatal. Deu conferências em todo o mundo sobre a inteligência dos recém-nascidos e dos bebés dentro do útero, e  alertou os pais e profissionais da saúde para valorizarem a qualidade psicológica do nascimento. Depois de realizar um curso sobre Aplicações Clínicas da Hipnose em 1974, David descobriu que os seus clientes podiam recordar detalhes das suas experiências no ventre materno e durante o nascimento.Isto conduziu-o a uma nova linha de trabalho na sua carreira como psicólogo, investigador, escritor, professor e conferencista sobre a desconhecida mente dos bebés.Chamberlain começou a investigar na literatura cientifica procurando informação sobre as capacidades dos recém-nascidos e dos fetos, trabalho que continuou durante quase três décadas. O fruto deste trabalho é "A mente do seu recém-nascido", uma obra traduzida já em dez linguas.


Faleceu MARSDEN WAGNER


"As mulheres correctamente lutam para não serem controladas por homens. Mas se as mulheres aceitam o modelo de assistência obstétrica que vê o parto como algo que acontece às mulheres ao invés de algo que as mulheres fazem, elas abrem mão de qualquer chance de controlar seus próprios corpos e fazer escolhas verdadeiras. Mulheres que exigem informação, mas somente obtêm informações seleccionadas e favoráveis aos médicos aderem, não inteligentemente, à posição obstétrica e chamam isso de direito das mulheres. E tragicamente, aquelas mulheres que então escolhem a cesariana, perdem a oportunidade de experimentar o poder de seus corpos e perdem a oportunidade de experimentar o nascimento de seus próprios bebés. Escolher e perder." MARSDEN WAGNER



Marsden Wagner médico pediatra e neonatologista foi durante 15 anos como Responsible Office for Maternal and Child Health for the European office of OMS (que representa 32 países), trabalhou incansavelmente para promover o cuidado perinatal seguro e eficaz em países industrializados. Vivia na Dinamarca, onde trabalha como um consultor para a OMS, UNICEF, para o governo e organizações não governamentais.  Faleceu esta semana.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Oficina Pais&Filhos



Na Festa da Primavera, dia 5 de Abril, teremos a nossa Primeira  Oficina de Contos, Psicomotricidade, Expressão Dramática e Yoga para Pais&Filhos.

Nesta oficina estimularemos as crianças a comunicar com o meio através do seu corpo, permitindo-lhes viverem novas experiências de comunicação, de cooperação, de percepção social, de comparação e de empatia. Como Schilling (1997) referiu: "O movimento é a primeira e mais importante forma de comunicação do futuro homem."

Acreditamos que Brincar é a melhor maneira de aproximar e estabelecer o vínculo afetivo entre pais e filhos. A brincadeira está diretamente relacionada com o desenvolvimento cognitivo, físico, afetivo e social da criança, além de desenvolver competências, a autoestima e autoconfiança.

Apareçam na antiga escola primária de Fontanelas, pelas 10h a ENTRADA É LIVRE!

(Actividade por donativo - cada um dá o que quer- inserida no programa da FESTA DA PRIMAVERA com o objectivo de angariar fundos para as obras na escola)

Catarina Pardal

sábado, 8 de março de 2014

Dia Internacional da Mulher



O dia da mulher existe para lembrar que ainda precisamos de lutar para mudar a nossa maneira de pensar...
Não temos que aceitar a violência.
Não temos que ceder sempre.
Não temos que estar sempre maravilhosas.
Não temos que impedir o envelhecimento para sermos desejáveis.
Não temos que fazer nada que não quisermos apenas para agradar o outro.

Canta e Dança Mulher

Lembra mulher de quando teus pés descalços pisavam na terra molhada, depois da tempestade tão esperada

Recorda quando teus ouvidos sabiam compreender as mensagens que o vento assoprava para o teu espírito
Inspira fundo e sente o aroma daquela época onde viveste próxima aos frutos e às flores e tudo acontecia em tempo certo, sem apressamentos

Compreende que teu corpo e tua alma obedeciam à voz da Grande Mãe, e tua vida fluia plena de sabedoria, pois tu representavas a Deusa, o Sagrado Feminino, e de ti resplandecia toda a generosidade

Recorda que conhecias bem os mistérios da lua, tua irmã, e te guiavas por instintos e intuições, sonhavas com as respostas e cheia de confiança em teu coração guiava a tua vida e de tantos outros por caminhos seguros

Tua natureza, sempre disposta a dar vida e dela cuidar, ligada por estreitos laços aos ritmos e ciclos do universo, sabia cantar e dançar, e assim espalhava alegria pelo norte, pelo sul, pelo leste e pelo oeste, sem perder o teu centro

Rosa dos ventos e dos tempos, hoje estás novamente aqui, mas não te esqueça jamais de continuar a cumprir o teu sagrado papel
O Universo ainda carece do teu feminino...
Ah! Então canta e dança
E o destino dos homens se cumprirá!
(Autoria desconhecida )

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

ESTUDO IMPORTANTE SOBRE CESARIANAS

"Os interesses económicos do setor da saúde justificam em grande parte o aumento generalizado do número de partos por cesariana realizados nos últimos anos em Portugal. A conclusão é de um estudo realizado pela Universidade de Aveiro (UA) que aponta, igualmente, que o elevado número de cesarianas efetuado no serviço público de saúde se deve ao facto dos hospitais não terem profissionais suficientes “para que haja tranquilidade” na hora de decidir entre um parto natural e um por cesariana. Perante o cansaço causado por turnos prolongados, e na presença de trabalhos de partos morosos, a decisão pela cesariana tende a ser tomada para evitar a vigília médica durante a madrugada.
Só entre 1999 e 2009, segundo a OCDE, o número de cesarianas por cada 100 nados-vivos realizadas em hospitais públicos e privados portugueses aumentou em cerca de 70 por cento.
“Uma cesariana custa, em média, o dobro de um parto normal”, aponta Aida Isabel Tavares, investigadora do Departamento de Economia, Gestão e Engenharia Industrial (DEGEI) e autora do trabalho realizado com Tania Rocha. “Se o parto for por cesariana, a mãe e o recém-nascido têm que ficar mais dias no hospital do que se fosse um parto normal, o que significa que tem um custo acrescido por cada dia suplementar no hospital”, diz a responsável que aponta que a alta do parto normal é dada ao segundo dia e no parto por cesariana, “se tudo correr bem “, é dada ao terceiro.
“Uma das justificações para este excesso de cesarianas está no problema de informação assimétrica que caracteriza o setor da saúde”, indica Aida Isabel Tavares. “Os médicos são agentes económicos com mais informação do que os pacientes e podem induzi-los a realizar mais consultas, mais exames de diagnóstico ou mais tratamentos do que o necessário para que possam atingir os seus objetivos pessoais”, explica. A este fenómeno dá-se o nome de procura induzida, isto é, induzir alguém a procurar um bem ou serviço. “Neste caso poder-se-á dizer que as mães poderão ser induzidas a realizar cesarianas”, diz.
No setor privado, a remuneração de um médico obstetra é composta por uma componente fixa e outra variável que depende do número de consultas ou de intervenções realizadas pelo médico. Assim, “poderá acontecer que haja incentivos para que os obstetras procurem induzir as grávidas a fazer uma cirurgia [cesariana] e a realizar mais consultas”. Uma situação que significa mais benefícios económicos, quer para o hospital, quer para o obstetra.
Setor público sem tranquilidade para decidir
No setor público os médicos ganham uma remuneração fixa, independentemente das consultas ou das cirurgias efetuadas. Assim, a preferência pela cesariana em detrimento do parto natural não se deve a questões económicas mas organizacionais. A opção pela cirurgia deve-se ao facto de “os hospitais não terem profissionais suficientes para que haja tranquilidade na tomada da decisão mais apropriada” e porque  “há equipas a fazer turnos de muitas horas e muitas cesarianas são decididas, na sequência de trabalhos de parto prolongados, no momento do cansaço e antes de entrar pela madrugada adentro”.
As cerca de 27 400 cesarianas registadas em Portugal no ano de 1999, distribuídas pelos setores público e privado, aumentaram para mais de 34 300 realizadas em 2009. A tendência de crescimento mantem-se até hoje. Em 2010 o país registou uma taxa de cesarianas de cerca de 36 por cento (por  100 nados-vivos). Um valor muito acima do recomendado pela Organização Mundial de Saúde que aponta que a taxa não deve ultrapassar os 15 por cento já que a saúde de mães e recém nascidos pode ser afetada com a realização de cesarianas desnecessárias. "

http://uaonline.ua.pt/pub/detail.asp?lg=pt&c=37466

O Poder de um Beijo

Quando uma mãe beija o seu bebé, recolhe amostras dos germes patogénicos que estão no rosto do bebé ingerindo-os. Os órgãos linfoides secundários da mãe, como as amígdalas, e as células "b" de memória são estimuladas. Estas células "b" migram até as mamas da mãe onde se produzem os antibióticos específicos que seu bebé precisa”. 

Lauren Sompayrac, autora de How The Immune System Works (Como trabalha o Sistema Imunológico) 

Citado em Why Mothers Kiss Their Babies ( Por que as Mães Beijam os seus Bebés) de Judie Rall na Revista Birthing Magazine.

http://www.birthunlimited.ca/parenting/23-why-mothers-kiss-their-babies.html

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Semana Internacional pelo Parto Respeitado 2014

Semana Internacional pelo Parto Respeitado: 19 a 25 de Maio.
Tema: o parto é empoderador!

E tu vais ficar de braços cruzados a ver esta semana a passar?!
EU NÃO !!!

PATRIARCADO E REPRESSÃO SEXUAL

O pensamento sobre a condição humana normalmente é tingido pela nossa cultura, ou seja, é subjetivo, pois ninguém pode olhar de fora do caminho em que estamos. Isso gera um problema importante: há uma cultura pequena inserida em outra que a contém, que está dentro de outra que acontém, e assim por diante. No fim, Oriente e Ocidente compartilham algo em comum há cerca de 5 mil anos ou mais: o patriarcado como sistema de organização social. O patriarcado se baseia na submissão. Em princípio, da mulher em relação ao homem e da criança em relação ao adulto. Também tem um objetivo prioritário, que é a acumulação de patrimônio. Portanto, a ideia é que alguns acumulem tudo o que seja possível, e para isso será necessáriosubmeter outros para que ofereçam sua força de trabalho. Alguns acumulam, outros servem. Os homens exercem o poder enquanto as mulheres servem. Os adultos decidem enquanto as crianças se submetem ao desejo dos mais velhos.

 

- Cena mais do que comum da hierarquia que nosso sistema obedece, retirada do Google - 

 

A ferramenta mais importante do patriarcado para obter a submissão das mulheres tem sido a repressão sexual. Que não tem absolutamente nada que ver com a religião (judaico-cristã no caso). A palavra "religio" deriva de "religare", que significa relacionar, vincular, associar. A "religio" na Roma clássica se referia às obrigações de cada indivíduo em relação própria comunidade. Era necessário honrar concretamente os valores que constituíam a base da convivência. Então, não foi a religião que obrigou as mulheres a reprimir sua sexualidade, mas a lógica do patriarcado.
Vamos considerar que o propósito principal era a acumulação de terras. As mulheres se constituíram também em propriedade. Se pertenciam ao varão, garantiam o pertencimento dos filhos, futuros proprietários dos bens dele. Para conseguir que as mulheres deixassem de ser sujeitos e se tornassem objetos de uso, era imprescindível que deixassem de "sentir". As mulheres - por meio dos ciclos vitais - estiveram sempre intimamente ligadas ao próprio corpo. Para deixar de estar tão envolvidas com o próprio corpo, este teve de se tornar perigoso ou pecaminoso. Intocável. Se uma mulher não pode tocar nem ser tocada, o corpo se paralisa, as sensações corporais prazerosas se congelam, e a mulher deixa de ser ela mesma. Torna-se um corpo sem vida em termos femininos, um corpo distante, indomável, incompreendido. A mulher que sangra é considerada suja e impura. Todos entendemos esses conceitos, porque "mamamos" essas crenças, que estão mais arraigadas do que parece.

- Do blog The Upsidedownwold, com uma crítica contundente aos versos bíblicos que corroboram essa ordem - 

 

A humanidade organizada sobre a base da conquista de terras, as guerras - necessárias para aumentar o patrimônio - e a submissão das mulheres são a mesma coisa. Hoje não se conhece cultura que não esteja alinhada a essa forma de vida, a ponto de acreditarmos que o ser humano "é" assim: manipulador, guerreiro, conquistador, injusto. Entretanto, não deixa de ser uma apreciação feita apenas do ponto de vista do patriarcado. É verdade que quase não restam sinais de outros sistemas, que comunidades matrifocais, centradas no respeito pela Mãe Terra, na ecologia, na sexualidade livre, na igualdade entre seres vivos e no amor como valor supremo não sobreviveram. Mesmo que pareça um paradoxo, essa foi a mensagem de Jesus. Mas rapidamente o patriarcado dominante na época se encarregou de transformá-lo nas crenças cristãs que, na prática, não tem nada que ver com as palavras de amor, solidariedade, confiança e igualdade entre os seres vivos que Jesus proclamou.

 

- A Vênus de Willendorf é o artefato de representação humana mais antigo que se tem notícia, e data de 24mil anos. Nitidamente uma idealização da figura feminina, é acreditada por parte da comunidade científica ser registro desse tempo em que as organizações sociais eram focadas na mulher e suas características sagradas. -

 

A questão é que passamos vários séculos da história mergulhados em repressão sexual. Isso significa que o corpo é considerado baixo e impudico, e o espírito, alto e puro. As pulsões sexuais são malignas. E a totalidade das sensações corporais é indesejada. Em que lugar aprendemos que não há lugar para o corpo e para o prazer? No exato momento do nascimento. Segundos depois de nascer, já deixamos de ser tocados. Perdemos o contato corporal que era contínuo no paraíso uterino. Nascemos de mães reprimidas ao longo de gerações e gerações de mulheres ainda mais reprimidas, rígidas, congeladas, duras, paralisadas, incapazes de tocar e muito menos de acariciar. O sangue congela, o pensamento congela, as intenções congelam e o instinto materno se deteriora, se perde, se descontrói e se transforma.
Nós, mulheres, com séculos de patriarcado nas costas, afastadas de nossa sintonia interiro, não queremos parir, nem sentir, nem entrar em contato com a dor. Não sabemos o que é o prazer orgásmico. Carregamos séculos de dureza interior, vivemos com o útero rígido, a pele seca, os braços incapacitados. Não fomos abraçadas por nossas mães, porque elas não foram abraçadas nem embaladas por nossas avós e assim por gerações e gerações de mulheres que perderam o vestígio de brandura feminina. Quando chega o momento de parir, nosso corpo inteiro dói devido à inflexibilidade, à submissão, à falta de ritmo e de carícias. Odiamos nosso corpo que sangra, que muda, que ovula, que mancha, que é ingovernável. E ainda por cima nasce outro corpo que não podemos tocar nem nos aproximar. E não sabemos o que fazer.

 

- A artista americana sob o pseudônimo deFecundcunt faz registros críticos e impressionantes das condições femininas e suaS relações com o corpo, com sangue menstrual, fotografias, pintura e crochê - 

 

É importante levar em conta que, além da submissão e da repressão sexual histórica, as mulheres parem em cativeiro. Há um século - à medida que as mulheres ingressaram no mercado de trabalho, nas universidades e em todos os circuitos de intercâmbio público - cedemos o último bastião do poder feminino: a cena do parto. Já não nos resta nem esse pequeno cantinho de sabedoria ancestral feminina. Acabou-se. Não há mais cena de parto. Agora há tecnologia. Máquinas. Homens. Horários programados. Drogas. Picadas. Ataduras. Lâminas que raspam. Torturas. Silêncio. Ameaças. Resultados. Olhares Invasivos. E medo, claro. Volta a aparecer o medo no único refúgio que durante séculos excluiu os homens. Acontece que entregamos até esse último resguardo. Foi a moeda de troca para que nos permitissem circular por onde há dinheiro e poder político. Entregamos o parto. Foi como vender a alma feminina ao diabo.
Entregar o parto supõe abandonar nas mãos de outros a vinda do indivíduo que nasce nesse instante. Se estamos confirmando a importância da biografia humana de cada indivíduo e a qualidade da maternagem recebida, não há dúvida de que a maneira como a cria humana é recebida será fundamental na constituição do personagem e na posterior armação da trama familiar.
Muito bem, mas é possível "entregar"o parto? Pode-se perder algo tão intrínseco ao ser feminino, algo tão próprio como o corpo gestante que dá a luz? Sim, é possível extraviá-lo de todo o seu sentido profundo. Se a mulher está fora de si mesma. Mas por acaso o instinto materno não é mais forte? Depende. Se a situação é de despojo, o instinto terá que se esconder para sobreviver em melhores condições.

 

- Isso hoje,  em muitos casos, é a imagem de um parto - 

 

Em todos os zoológicos do mundo se sabe que qualquer fêmea mamífera criada em cativeiro terá poucas chances de conceber e dar à luz. Os partos costumam ser difíceis. Então, se não consegue, difícilmente "reconhece"a cria como própria e possivelmente terá dificuldades para amamentá-la e protegê-la. Os cuidadores encarregados do zoológico se verão obrigados a dar assistência tanto à mãe mamífera como à cria, alimetando e higienizando o recém nascido e intervido para que a mãe se relacione com o filho. Acontece algo muito parecido conosco: atravessamos a gravidez totalmente despojadas de nosso saber interior e então parimos em cativeiro: amarradas, picadas, ameaçadas e apressadas. O parto não é nosso. É das máquinas, do pessoal médico, das intervenções e das rotinas hospitalares. Estamos em uma prisão, amarradas de pés e mãos, submetidas a torturas. Nessas condições, por lógica, imediatamente depois de realizado o nascimento, desconhecemos nossa cria. Nas instituições médicas, geralmente o bebê é levado e trazido mais tarde banhado, penteado, vestido e adormecido, depois de receber glicose para que não chore mais do que deveria. A partir desse momento, temos que fazer um esforço intelectual para conhecer esse filho como próprio, com a culpa e a vergonha de pensar internamente que talvez não tenhamos esse desejado "instinto materno". Somos estranhas assim, temos muito medo de não saber então como ser uma boa mãe, como fazer o certo e como criar esse filho. Na verdade, despossuídas de nosso saber interior, não sabemos de nada. Perguntamos, como meninas, as trivialidades mais rudimentares. Pedimos permissão para segurá-los - e veja o paradoxo: a resposta é negativa.

O jogo já começou. proíbem-nos de tocar a criança e levamos em consideração orientações antinaturais estúpidas como essa. Porque somos submissas há séculos, o que nos conduz à mais terrível ignorância. Isso significa que estamos despossuídas, além de termos ficado feridas. Depois do parto medicado, sistematizado e moderno, costumamos estar cortadas, costuradas, enfaixadas e imobilizadas, e a criança costuma estar distante de nosso corpo. Não podemos segurá-la por nossos próprios meios devido às feridas e cortes. Além disso estamos cortadas de nosso ser essencial, com o qual sequer sentimos a necessidade visceral de ter a crianças nos braços. É assim que a maquinaria ancestral do patriarcado continua funcionando à perfeição. Cada criança não tocada por sua mãe é uma criança que servirá à roda da indiferença, à guerra e à submissão de uns pelos outros.

 

Do ponto de vista da criança, a decepção é enorme. Porque a necessidade básica primordial de toda criança humana é o contato corporal e emocional permanente com outro ser humano. No entanto, se sustentarmos a repressão de nossos impulsos básicos como bastião principal, essa demanda de contato da criança vai se transformar em um problema. Preferimos nos afastar de nosso corpo. Nenhuma outra espécie de mamíferos faria algo tão insólito com a própria cria. Mas para os humanos é comum determinar que o melhor é "deixá-lo chorar", "que não fique mal acostumado" ou "que não fique manhoso". Para nós é totalmente habitual que o corpo da criança esteja separado: apenas no berço. Apenas em seu carrinho. Apenas em sua cadeirinha. Supomos que deva dormir sozinho. Cresce um pouco e já opinamos que é grande para pedir abraços ou mimos. Logo depois é grande para chorar. E sem dúvida, sempre é grande para fazer xixi, para ter medo de insetos ou para não querer ir à escola. Se tudo que necessitava desde seu nascimento foi de contato e não obteve, sabe que seu destino é ficar sozinho. Finalmente a criança adoece. Quase todas estão doentes de solidão. Mas nós, adultos, não reconhecemos na doença da criança a necessidade deslocada de contato corporal e presença. A repressão sexual é isso: é medo de tocar a criança porque tocar nos dói. Dói nosso corpo rígido de falta de amor, dói na moral, dói na alma.
A repressão sexual encontrou na moral cristã sua melhor aliada. Porque utiliza ideias espiritualmente elevadas como o amor a Deus para esconder uma realidade muito mais terrena e desprovida de atributos celestiais: a necessidade de possuir o outro como um bem próprio. E a compreensão de todos os medos primários por falta de maternagem é substituída pela acumulação de dinheiro. Inclusive se nós mulheres já nos percebemos como praticantes ou devotas, a repressão sexual continua agindo ao longo de várias gerações, porque nos privamos de tocar nosso corpo e, consequentemente, de tocar o corpo da criança com amor e dedicação.

 

- "Nenhuma outra espécie de mamíferos faria algo tão insólito com a própria cria" / foto da Amazon, onde esse aparato para distanciar o que já é distante é vendido. -   

 

Quase todas biografias humanas às quais temos acesso são marcadas por níveis de repressão sexual que não imaginávamos pudessem ser tão importantes. Quando precisamos determinar as dinâmicas familiares ou o grau de desamparo emocional sofrido durante a primeira infância, a investigação sobre a moral religiosa da mãe será um dado fundamental. Nessa busca simples, encontraremos a marca principal do sofrimento de cada indivíduo, e nos veremos obrigados a revisar todo o material sombrio que ele tem escondido. Pensemos que a moral e a repressão sexual nos obrigam a mentir. Sim, nos obrigam a agir de forma diversa que nossas pulsões básicas ditam. Daremos nomes altivos a isso ou não, pouco importa. mas à medida que mascaramos nossas verdadeiras e genuínas pulsões com mais empenho, mais nos afastaremos de nossa essência pessoal e mais grosseiramente confeccionaremos a roupa do personagem que vai nos cobrir e disfarçar o que somos.

A vida reprimida normalmente é tão comum e corrente que não paramos para registrar a influência nefasta que a repressão sexual exerce sobre cada um. Esse desastre ecológico, que tem vários séculos de sucesso aberrante, prejudica a vida de homens e mulheres. Nosso trabalho é descobrir, por meio da construção da biografia humana, a porção de repressão, moral, refúgio e medo que cada indivíduo carrega em si, encobrindo o que de mais belo, instintivo e lindamente animal nos faz humanos.
Insisto que abordar o nível de repressão sexual em cada biografia humana é fundamental, tanto em homens como em mulheres. As consequências para as mulheres são facilmente detectáveis. Com um pouco de experiência profissional, registrar o tônus muscular e a dureza do olhar daquelas que nos consultam é suficiente para antever o nível de autoexigência e de rigidez que as mantêm presas. Nos homens pode ser mais complicado detectar, pois conseguem dissociar um pouco mais as pulsões sexuais do contato corporal. Ou seja, pode ter a sensação de que leva uma vida sexual muito ativa, mas com menos registro do vazio emocional. Por isso é possível que não detectem ali um "problema". Em todos os casos, é necessário investigar e ver o que encontramos.

 

- Texto retirado na íntegra do livro O Poder do Discurso Materno, Capítulo 5, Os Estragos da Repressão Sexual, Patriarcado e Repressão sexual, pág 102 a 109. Imagens, links ilustrativos e comentários por conta do Mamatraca. - 


Laura Gutman é argentina. Terapeuta familiar e criadora da metodologia de construção da biografia humana, escreveu livros sobre maternidade, paternidade, vínculos afetivos, desamparo emocional e violência. Dirige em Buenos Aires um centro de formação de profissionais para o atendimento de famílias, dá palestras e conferências em diversos países.


sábado, 25 de janeiro de 2014

Parabéns Virgínia !

Virginia Woolf fazia hoje anos! 
Um dos livros mais marcantes que li da autora foi "Profissões para mulheres e outros artigos feministas ". 
São sete ensaios nos quais a autora questiona a visão tradicional da mulher como “fada do lar” e expõe as dificuldades da inserção feminina no mundo profissional e intelectual da época. Numa era em que o papel da mulher modifica-se cada vez mais rapidamente, as críticas e reflexões de Virginia mostram que a autora estava muito à frente no seu tempo.

Uma das romancistas mais inovadoras da literatura inglesa, Virginia Woolf (1882-1941) notabilizou-se também como uma das precursoras do feminismo contemporâneo. Além dos seus clássicos modernistas Mrs. Dalloway e Rumo ao farol, escreveu artigos nos quais explorou sem igual a questão da mulher e o seu papel numa sociedade dominada por homens, ideias que ajudaram a pavimentar o caminho do movimento feminista.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Alerta vermelho - psicólogo fala sobre os perigos de dormir com os filhos na cama

Respondam para sexo@rtp.pt

Podem ouvir aqui:

http://www.rtp.pt/play/podcast/375

Nao deixem de responder!!!!



Catarina Pardal

O Parto em casa e a sua segurança

Porque é que o parto em casa é 1000 vezes mais seguro do que o parto no hospital para mulheres de baixo risco?

Why home birth is 1000 times safer than hospital birth for low risk women

INTENDED FOR MEDICAL PRACTITIONERS: 20% of low risk planned Hospital birth in the USA ends up with the woman or baby or both having an avoidable life threate...

youtube.com

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Parabéns Simone

Porque hoje a Simone de Beauvoir fazia 106, é bom relembra a sua GRANDE obra... Um dos livros mais marcantes da minha vida:

O Segundo Sexo (Le Deuxième Sexe em francês) é um livro escrito por Simone de Beauvoir, publicado em 1949 e uma das obras mais celebradas e importantes para o movimento feminista.
Beauvoir faz uma análise, histórica, social, psicológica e biológica sobre o papel da mulher na sociedade, negando completamente idéias e estudos que tratem de uma suposta natureza feminina. O livro é riquíssimo em informações, análises profundas e bem fundamentadas, numa tentativa exaustiva de mostrar que o "ser mulher" é algo construído histórica e socialmente, tanto quanto a submissão dela em relação ao sexo oposto.
Sua intenção era desconstruir a tese do " instintos biológico feminino", a quem considera não um pressuposto natural imutável, mas sim uma condição culturalmente construída. Beauvoir rejeita a ideia que foi a "natureza inferior" da mulher que determinou a condição de segundo sexo, mas sim sua invisibilidade histórica. Já que não importa se sendo mãe, esposa ou prostituta, a mulher, sempre se definiu pela função em relação ao homem, encarnando aquilo que ela chamou de "Outro". Propõe que seria através da formação de uma consciência autónoma e da liberdade económica que a mulher pode ser livre e ter plena autonomia sobre seu corpo e seu destino.



terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Curso para Conselheiros em Aleitamento Materno - Janeiro 2014



A Associação SOS Amamentação, em parceria com a ESEL (Escola Superior de Enfermagem de Lisboa) e com a Ajuda de Mãe - Projecto Vamos dar de Mamar, irá realizar um Curso de Aconselhamento em Aleitamento Materno, segundo as recentes directivas da OMS/UNICEF.

Data
16,17,18,19,23,24,25 e 26 de Janeiro 

2 grupos - Laboral e Pós-Laboral:
a) horário laboral - das 9h às 18,30h (5ª,6ª e sábado) - 16,17,18,23,24 e 25 de Janeiro ( está completo - aceitamos para lista de espera)
b) horário pòs-laboral - das 18h às 23h (5ª e 6ª) e das 9h ás 18h (sábado) - 16,17,18,23,24,25,30,31 de Janeiro e 1 de Fevereiro ( ainda há algumas vagas)

Destinatários
profissionais de saúde, ou de outras áreas, e mães que trabalham ou estão interessadas em trabalhar nesta área de apoio ás mães e suas famílias no período de gravidez, parto, pós-parto e aleitamento materno. Pretende-se que fiquem habilitados como Conselheiros em Aleitamento Materno, e se o desejarem, colaborar com a Associação Sos Amamentação

OBJECTIVOS 

Desenvolver competências sobre aleitamento materno; 
Desenvolver a capacidade de ouvir e aprender por parte dos profissionais de saúde e voluntários; 
Desenvolver a capacidade de desenvolver confiança e dar apoio, por parte dos profissionais e voluntários; 
Providenciar conhecimentos e bases científicas sobre o processo do aleitamento materno; 
Melhorar os conhecimentos sobre a fisiologia da lactação e alterações mamárias, tendo em vista uma mais cuidada orientação; 
Fornecer instrumentos práticos para alterar comportamentos e atitudes de profissionais e cidadãos face ao aleitamento materno; 
Dar a conhecer as orientações da OMS/Unicef para o sucesso do AM e da alimentação infantil 


PREÇO: 175 € (Inclui manual de formação, com dossier de argolas e capa rija, cd com materiais complementares e coffeebreak )

Nota: em alternativa poderá ser enviado o material em suporte informático, sendo deduzido o referido custo, que ronda os 20 € ( na inscrição o formando deve indicar a opção pretendida)

FORMADORAS
Teresa Santana Félix ( Directora do Curso)
Professora da Escola Superior de Enfermagem de Lisboa, Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica, Formadora em Aleitamento Materno (OMS/Unicef - desde 1996), Co-fundadora e Voluntária Sos Amamentação ( 1998), Menbro da Comissão Nacional Iniciativa Hospitais Amigos dos Bebés, mãe de 1 filha

Ana Lúcia Freire 
Conselheira em Aleitamento Materno (OMS/Unicef), Enfermeira Especialista em Saúde Materna e Obstétrica, Consultora de Lactação certificada internacionalmente IBCLCE – nº de membro 309-75970, Colaboradora na Divisão de Saúde Reprodutiva da Direcção-Geral de Saúde, Voluntária Sos Amamentação, mãe de 3 filhos

Isabel Rute Reinaldo
Conselheira ( 1996) e Formadora (2009) em Aleitamento Materno (OMS/Unicef), professora do Ensino Básico e Secundário, Co-fundadora e Voluntária Sos Amamentação ( 1998), mãe de 8 filhos 

Elsa Paulino
Médica pediatra Hospital dos Lusíadas e Hospital Amadora/Sintra, Conselheira e Formadora em Aleitamento Materno (OMS/Unicef), mãe de 4 filhos

LOCAL
Escola Superior de Enfermagem de Lisboa – polo Gulbenkian (entrada junto ao Hospital de Santa Maria)


PRÉ – INSCRIÇÃO
Envie um email para o endereço associacao.sos.amamentacao@gmail.com

Direcção Sos Amamentação
Isabel Rute Reinaldo e Teresa Santana Félix
Tm 91 534 09 00 / 93 430 09 06
ou
"Vamos dar de Mamar" através do


sexta-feira, 3 de janeiro de 2014