Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Cesariana: quando, como e porquê

Quando, por algum motivo, o bebé não consegue ou não deve nascer por via vaginal, a opção recai sobre o parto cirúrgico, a cesariana.

A intervenção pode ser realizada com anestesia geral ou epidural, mas esta última reúne cada vez mais as preferências de médicos e grávidas. Poucas já serão, aliás, as que não acompanham de olhos abertos e emoções despertas o nascimento do seu bebé na sala de operações.

Há indicações absolutas e consensuais para realizar uma cesariana, como os casos de prolapso do cordão umbilical (situação em que o cordão surge na vagina à frente da cabeça do bebé, podendo ficar comprimido), descolamento da placenta ou placenta prévia, mas a operação não deve ser vista como a solução para todos os males. Sobretudo, não deve ser encarada como um procedimento livre de riscos, argumento frequentemente invocado para justificar uma cesariana a pedido.

Instituições de referência como o Colégio Real de Obstetras e Ginecologistas (RCOG, britânico) e o Colégio Americano de Obstetras e Ginecologistas (ACOG) defendem especificamente que a solicitação materna, por si só, não constitui indicação para o parto cirúrgico. O RCOG aconselha a que se explorem as razões do pedido e se discuta com a grávida os riscos e os benefícios de uma cesariana na ausência de motivos clínicos.

Nem mesmo a apresentação pélvica do feto – quando o bebé ‘não dá a volta’ -, que ocorre em cerca de três a quatro por cento das gravidezes de termo – é uma justificação inequívoca para a realização de cesariana. Segundo recomenda o RCOG, as mulheres com gestações saudáveis de fetos pélvicos devem ser submetidas a uma manobra por volta das 36 semanas que tem por objectivo tentar reverter a situação. O procedimento intitula-se versão externa e deve ser realizado por um obstetra experiente. Com a ajuda da monitorização fetal contínua e exercendo pressão nos locais certos, o médico procura colocar o feto de cabeça para baixo. A taxa de sucesso da técnica ronda os 60 por cento.

Minimizar riscos

Apoiado nas orientações do Instituto Nacional para a Saúde e Excelência Clínica (NICE), o colégio inglês sublinha a importância de se reduzirem os riscos inerentes à cesariana, particularmente a electiva (antes de a grávida entrar em trabalho de parto). Diz o RCOG que a cesariana marcada antes das 39 semanas está associada a um maior risco de problemas respiratórios no bebé. Depois desta data, as probabilidades desse tipo de complicações surgir diminuem significativamente. É, por isso, totalmente desaconselhável marcar partos cirúrgicos rotineiramente antes das 39 semanas, recomenda o RCOG. A associação lembra ainda que é importante reduzir as hipóteses de uma grávida vir a necessitar de uma cesariana. Para isso aconselha os técnicos de saúde a explicarem às mulheres que o apoio continuado de outra mulher durante o parto reduz as probabilidades de o nascimento terminar na sala de operações. Sublinha também que as induções do trabalho de parto, em grávidas saudáveis, não devem ser efectuadas antes das 41 semanas de gestação, pelo risco de cesariana que comportam (devido a dificuldades na progressão do parto).

Outro factor associado ao risco de parto cirúrgico é a utilização da monitorização fetal contínua (CTG), tecnologia cujos resultados nem sempre são considerados objectivos. O RCOG não desaconselha o recurso ao CTG, mas defende que é importante que as grávidas tenham conhecimento destes factos.

Em que casos?

Quando se prevê que os benefícios são superiores aos riscos, avançar para a cesariana é, sem dúvida, a melhor opção. Algumas das causas mais frequentes do parto cirúrgico, segundo o RCOG, são: bebés pélvicos (quando a reversão externa está contra-indicada ou foi mal sucedida), gravidezes múltiplas (se o primeiro bebé não estiver ‘de cabeça para baixo’), placenta prévia (quando a placenta cobre parcial ou completamente o orifício interno do colo uterino) e doença infecciosa materna.

Outros motivos frequentes incluem cesariana anterior (embora envolto em controvérsia), paragem do trabalho de parto ou progressão lenta, incompatibilidade feto-pélvica (desproporção entre as dimensões da pélvis e as dimensões ou posição do feto), alterações do ritmo cardíaco do bebé, prolapso do cordão umbilical e descolamento da placenta.

Recuperação

A recuperação física e emocional de uma cesariana é mais prolongada e dolorosa do que a de um parto normal. É preciso não esquecer que a cesariana é uma cirurgia major, ou seja, de grande impacto, tendo, por isso, maiores consequências sobre o organismo. A recuperação completa pode demorar cerca de quatro a seis semanas. O RCOG recomenda que as mulheres que foram submetidas a um parto cirúrgico sejam alvo de cuidados específicos, nomeadamente no apoio à amamentação. E que tenham oportunidade de perceber e discutir as razões que as levaram à sala de operações. Para que numa gravidez seguinte possam tomar uma decisão mais esclarecida quanto ao tipo de parto.

Fontes: Royal College of Obstetricians and Gynaecologists (www.rcog.org.uk) e National Institute for Clinical Excellence (http://www.nice.org.uk/)

Riscos da cesariana

Para a mãe:
Morbilidade e mortalidade significativamente mais elevadas do que no parto vaginal;
Maior risco de internamento nos cuidados intensivos (4x);
Risco de complicações infecciosas 5 a 20 vezes maior;
Risco hemorrágico 6 a 8 vezes superior;
Incidência de 1 a 2 por cento de complicações intra-operatórias (anestésicas, hemorrágicas e lesões viscerais);
Incidência de 1 a 5 por cento de complicações pós-operatórias (infecciosas, trombo-embolismo venoso, depressão pós-parto);
Complicações a longo prazo: maior risco de placenta prévia e placenta acreta, ruptura uterina e descolamento de placenta;

Para o bebé:
Risco de lesão fetal na altura da histerotomia (incisão no útero) e da extracção (2%);
Risco de síndrome de distress respiratório nas cesarianas electivas efectuadas antes das 39 semanas;
Não existe diferença significativa na morbilidade e mortalidade neonatais entre o parto vaginal e a cesariana.

Para tornar o ambiente da cesariana menos frio:

1. Se possível, permanecer algumas horas em trabalho de parto antes de realizar a cirurgia;
2. Pedir para que estejam apenas as pessoas indispensáveis na sala de operações e que estas façam silêncio, evitando assuntos despropositados;
3. Havendo esse desejo, pedir para ser colocada uma música suave e em volume baixo, ou cantar para o bebé (por que não?!);
4. Durante a administração da anestesia, o pai pode participar dando apoio físico e emocional, colocando-se de frente para a mãe e apoiando os seus ombros. Neste momento, o casal pode aproveitar para se olhar nos olhos numa atitude de cumplicidade e trocar palavras de carinho;
5. Depois da anestesia, o pai pode permanecer de mãos dadas com a mulher ou simplesmente ficar junto dela;
6. Confirmar se é política do serviço prender os braços da mãe durante a cirurgia e pedir para que tal não aconteça;
7. Quando o bebé nasce, o foco de luz deve ser retirado do ventre materno e todas as luzes devem ser reduzidas para não ofuscar o recém-nascido que está a sair de um ambiente escuro;
8. Imediatamente após o nascimento, a criança deve ser colocada sobre o ventre materno para sentir o calor da mãe e, se possível, ali permanecer até o cordão deixar de pulsar e a cirurgia terminar;
9. Se o pai se sentir à vontade poderá cortar o cordão umbilical, tomando as devidas precauções indicadas pelo médico;
10. Se possível, realizar uma massagem suave no bebé ao colo da mãe;
11. Evitar submeter o bebé a intervenções desnecessárias (aspiração e administração de colírio);
12. Se a mãe estiver desconfortável com o bebé no peito, o pai poderá segurá-lo e massajá-lo;
13. Pedir ao anestesista para que não administre nenhum sedativo à mãe. Desta forma ela estará mais activa.
Fonte: Amigas do Parto (http://www.amigasdoparto.com.br/)

Texto: Maria João Amorim revista Pais&Filhos

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Como evitar o risco de uma cesariana:

 

  • Preparação para o parto

  • Reconhecer as diferenças entre trabalho de parto latente e fase activa de trabalho de parto

  • Hidroterapia

  • Música, relaxamento

  • Suporte contínuo durante o trabalho de parto (doulas)

  • Fazer o trabalho de parto fora do ambiente hospitalar

  • Avaliação de risco feita por um profissional de saúde menos intervencionista, como uma parteira ou médico de família

Fonte: Mary Zwart - Humpar http://www.humpar.org/Parto%20por%20cesareana%20Mary%20Zwart.htm

Riscos das cesarinas sem indicação médica

" (...) Em Portugal, cerca de 1 em cada 3 mulheres dá à luz através de cesariana.

Estes números fazem com que a cesariana seja a operação cirurgica mais realizada em Portugal. A OMS (Organização Mundial de Saúde) refere que a percentagem de cesarianas não deve ser superior a 15%.

Com este artigo, pretendo informar acerca dos riscos para as mulheres e bebés das cesarinas sem indicação médica (cesariana electivas), porque esses riscos podem ser evitados.

Vamos ver artigos dos Estados Unidos e outros países e comparar com a situação presente em Portugal.

Gostaria de agradecer a Nicette Jukelevics pelo seu livro acerca deste assunto.

Compreendendo os perigos do parto por cesariana: Tomar decisões informadas ISBN 978-0-275-99906-3 – há vários recursos e material para profissionais de saúde e para mães disponivel para download em www.dangersofcesareanbirth.com

Os médicos que efectuam cesarianas a pedido, acreditam que este tipo de parto promove a saúde e bem-estar tanto da mulher como do seu feto, mais do que num parto vaginal. Por isso eles dizem ser ético este tipo de procedimento. No entanto, esta crença não é suportada pelas evidências científicas.

As mulheres acreditam que a cirurgia irá prevenir problemas futuros no suporte pélvico e problemas de disfunção sexual, mas não há provas de qualidade que substanciem qualquer uma destas crenças. Em Março de 2006, na Conferência promovida pelo US National Institutes od Health State, em Bethesda, Maryland, sob o tema “Cesarianas electivas a pedido da mãe”, não foi apresentado um único estudo que suportasse o facto de as mulheres norte-americanas fazerem cesarianas a pedido, sem indicação médica.

O inquérito conduzido pela organização “Childbirth Connection” em Nova Iorque, decobriu que apenas menos de 1% das mulheres que responderam ao questionário queria uma cesariana elecctiva sem indicação médica para tal. Mas por todo o país e nos media estava a começar uma discussão acerca da cesariana electiva ser uma opção que as grávidas deveriam discutir com os seus médicos.

Isto apesar de o Colégio Americano de Enfermeiros-Obstetras e a Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canadá, a Associação Canadiana de Parteiras, O Colégio Real de Ginecologistas da Grã-Bretanha, o Colégio Real de Parteiras do Reino Unido e a Federação Internacional de Obstetras e Ginecologistas não suportarem a cesariana elecctiva a pedido da mulher, por não haver evidências de que seja mais benéfico do que um parto normal.

Num ensaio publicado nos  Anais de Medicina Familiar os médicos Lawrence M. Leeman e Lauren A. Plante escreveram: “Nos tempos mais recentes temos observado o declínio da escolha da mulher por um parto vaginal, enquanto que o parto vaginal após cesariana anterior se torna cada vez menos disponível e o parto pélvico vaginal raramente é exeutado. A questão que se coloca acerca da escolha pela cesariana electiva apenas incide sobre o direito de uma mulher em escolher a cesariana sem indicação médica. O direito da mulher de optar por um parto vaginal não é sequer abordado... Para quê defender a escolha da mulher, se a única opção disponível é a cesariana?”

Hoje em dia, graças à pesquisa e investigação disponível, sabe-se que até em bebés de termo a mortalidade neonatal é quase o dobro em crianças nascidas de cesariana electiva sem indicação médica, quando comparada com o parto vaginal. (...) "

 

Mary Zwart - Humpar

Podem ler o texto todo aqui: http://www.humpar.org/Parto%20por%20cesareana%20Mary%20Zwart.htm

Hospitais privados chegam a fazer 93% de cesarianas!!!!!!!!!!!!!!

Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) detectou taxas de cesariana nos privados que são o quádruplo do que está definido pela Organização Mundial de Saúde.
O receio de um parto natural levou Clara, hoje com 38 anos, a optar por uma clínica para ter os seus dois filhos. No sector privado, a mulher pode escolher se quer ou não ser sujeita a uma cesariana, o que não acontece, por norma no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Seja por opção da mulher ou indicação do médico, há maternidades privadas no País em que 93 em cada cem crianças nascem por cesariana, revelam dados do relatório de actividades de 2008 da Inspecção--Geral das Actividades em Saúde (IGAS).

Em média, 68,3% das mães que tiveram filhos em clínicas privadas, de 2005 a 2007, foram sujeitas a esta operação, que custa cerca de 5000 euros. Uma percentagem que é o dobro do limite máximo recomendado pela União Europeia e o quádruplo do defendido pela Organização Mundial de Saúde.

Apesar de a IGAS considerar que esta taxa não deve ser avaliada negativamente quando não coloca em risco a saúde da mãe ou do filho, os dados preocupam as autoridades. O Plano Nacional de Saúde definia como meta para 2010 uma taxa de 24,8% de cesarianas, um objectivo que a alta comissária da Saúde, Maria do Céu Machado, admitiu ser irrealista.

No País, as clínicas privadas têm realizado cerca de 20 mil partos anuais. Mas são as unidades de menor dimensão que menos cumprem as recomendações internacionais sobre cesarianas, chegando a atingir taxas de 93%. Nos estabelecimentos com 700 a 1500 partos/ano, a percentagem situa-se entre 46,6% e 85,3%%. As unidades maiores, que fazem mais de 1500 partos, apresentavam valores entre 53,6% e 68,3%.

Esta avaliação integra o relatório sobre os centros de nascimento não públicos e abrangeu 25 unidades no total. Entre as irregularidades detectadas, constatou-se que apenas duas unidades tinham uma urgência aberta ao exterior, bem como o pessoal, as tecnologias e a presença física de recursos necessários para receber grávidas com qualquer grau de risco.

As falhas detectadas chegavam à ausência de identificação dos recém-nascidos com pulseiras, falta de organização de processos clínicos ou inexistência de folhas para consentimento informado das utentes para cirurgia.

Quadros de pessoal só existiam nas duas clínicas com urgência aberta. As restantes contavam com colaboradores que também trabalhavam no sector público.




Actualização da agenda para o mês de Maio

  • Sábado, dia 16 estarei em Famões ás 10h30m para dar um workshop de Amamentação com o tema "a introdução dos sólidos" - 50 euros a dividir pelos participantes ( já temos 4 inscrições)

  • Sábado dia 16 estarei no Toys R´Us de Cascais ás 19h a representar o Barrigas&Bebés, vou falar sobre os Cuidados com o Bebé ( banho, muda da fralda, transporte, etc) - Entrada Livre

Apareçam!

Consultem a Agenda do Mês de Maio na coluna ao lado --»

Que tipo de experiências perdem os recém-nascidos após Cesariana e como podemos compensá-los após o nascimento?

Na melhor das hipóteses, uma cesariana é feita após a cascata hormonal feto-placentar do parto ser activada. Provavelmente esta cascata hormonal é desencadeada aos 5 cm de dilatação.

Com alguma sorte, o bebé nasce num local amigo das mulheres, onde os profissionais dão a oportunidade do processo de vínculo acontecer após a cesariana. Melhor ainda será se o médico imitar a rotação de um parto espontâneo na Cesariana, cortar o cordão com o bebé nos braços do pai e depois o bebé ir para o peito da mãe em lugar da mesa de reanimação (estas opções existem mesmo!).

Exposto a uma cirurgia rápida (incl. duração de anestesia), o bebé inicia o processo de amamentação nos primeiros 30 minutos de vida. Induzidos por este cenário optimista, temos no entanto que estar alerta na inexistência de reacções de um bebé nascido por cesariana, que deverão ser compensadas após o nascimento.
Continua AQUI

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Cesariana VS Parto vaginal

A visão de uma mãe que passou pelas duas situações!

Bebé pélvico ( de cabeça para cima ) = cesariana????

NÃO!
 
Cinco anos após o estudo de pélvicos a termo: A subida e a queda dum estudo controlado seleccionado randomizado. (Five years to the term breech trial: The rise and fall of a randomized controlled trial Glezerman, Obstetrics and Gynecology; Volume 194; Page 20; January 2006).
Desenho do estudo: O autor examina a metodologia do bem conhecido ensaio de nádegas a termo de Hannah e cita as inconsistências.
Conclusão: A maioria dos casos de morte e de morbidade neonatal no ensaio de nádegas a termo não se podem atribuir ao modo de parto. Por outra parte, a análise do resultado depois de 2 anos não demonstrou nenhuma diferença entre os partos vaginais e abdominais dos bebés de nádegas. O autor conclui que a "sabedoria convencional" de cesariana para os partos de nádegas deve ser retirada.

O parto vaginal continua a ser uma opção nos partos de nádegas a termo? Resultado dum estudo de observação prospectivo na França e Bélgica. (Is planned vaginal delivery for breech presentation at term still an option? Results of an observational prospective survey in France and Belgium Goffinet, et al.,Obstetrics and Gynecology Volume 194, Issue 4 , April 2006, Pages 1002-1011).
Desenho do estudo: Os investigadores compararam resultados entre as cesarianas programadas e os partos vaginais de nádegas planeados em 8.105 mulheres na França e Bélgica.
Conclusão: Das que planearam um parto vaginal, 71% tiveram êxito e não houve diferenças significativas nos resultados entre os partos vaginais e as cesarianas.
Fonte: ICAN - International Cesarean Awareness Network ( www.ican-online.org )

 

Sobre(viver) a cesariana

 O Blog da Doula Cristina Silva com informação interessante sobre cesarianas.

Porque é que....

O aumento das taxas de cesarianas é prejudicial para as mães e bebés?
AQUI

Uma cesariana



Relato de uma cesariana

"Já tinha tentado de tudo para entrar em trabalho de parto (TP) espontaneamente, só falhei mesmo no esperar que acontecesse naturalmente. Sentia-me preparada para tudo, queria sentir as contracções, o meu corpo a abrir para a passagem do meu filho, até esperava que fosse demorado... Seja como for descobri-me mais forte do que pensava ser, só por ser mulher.
Quando cheguei às 41 semanas cheguei ao que a medicina moderna interpreta como limite, a partir daí o caminho é a indução, tem de se tirar com a maior urgência possível o bebé do ventre assassino da sua mãe."

Relato da cesariana da Doula Rosa, continua AQUI

Placenta Prévia?

Uma das indicações para cesariana é a Placenta Prévia.

O termo Placenta Prévia abrange todas as inserções da placenta no segmento inferior do útero.

São diferentes tipos de placenta prévia: laterais (ou de implantação baixa), marginais e centrais (estas também podem ser sub-divididas em centrais-parciais e centrais-totais).
Os tipos de placenta prévia são os seguintes:

1- Placenta Prévia central-total: O orifício interno do colo está inteiramente coberto pela placenta, que se vê assim pelo exame especular como através do aminioscópio. O tecido placentário é identificado pelo dedo explorador (cerca de 30 a 40 % dos casos).
2- Placenta Prévia central-parcial: O orifício interno está cerrado incompletamente pela placenta. Podem ver-se ou tocar, tanto as membranas ovulares como o tecido placentário (aproximadamente 30%).
3- Placenta Prévia marginal: A borda placentária, que tangencia o orifício interno, será percebida pelo toque, mas se deixa ver com dificuldade (pelo aminioscópio e pela visão desarmada) (por volta de 30 %).
4- Implantação baixa da placenta: Essa não se vê, nem se toca, mas a palpação percebe quando inserida na face ventral do segmento inferior.

Resumindo: A placenta prévia central cobre o orifício interno. Na marginal, a placenta atinge-o e na lateral, a placenta não o alcança.

A hemorragia é o sintoma principal da placenta prévia e, por sua vez, a placenta prévia é a causa principal de hemorragia no 3º trimestre. Esta hemorragia indolor, de vermelho-sangue vivo, desvinculada de quaisquer esforços ou traumatismos, presente em mais de 90% dos casos de placenta prévia, por via-de-regra despontando no último trimestre, em torno de 34 semanas, mais raramente durante o trabalho de parto.

Ao lado da hemorragia, acompanhando-a ou sucedendo-a, apresentam-se outros sintomas, de freqüência relativa na placenta prévia:

Sinais gerais: Decorrentes da hemorragia e a ela proporcionados.
Sinais físicos: A palpação identificará a má acomodação do feto e nos casos favoráveis reconhece a placenta inserida na face ventral do seguimento inferior (o que será impossível tratando-se de implementações dorsais), sob a forma de massa espessa ou depressível.

O sangramento genital é o sintoma marcante da placenta prévia. Geralmente, manifesta-se na segunda metade da gestação, com mais freqüência no terceiro trimestre, de início de cessar súbitos, repetitivo e, em geral progressivo. Os dados sobre a quantidade de sangramento, idade gestacional, fatores de piora e história da gestação atual devem ser obtidos com detalhes. Freqüentemente, a paciente relata sangramento após relação sexual.
Ocasionalmente, o sangramento poderá ser associado a contrações uterinas, o que nos leva a pensar também em descolamento prematuro de placenta.

O exame especular permite avaliar a intensidade do sangramento (presença de coágulos) e as condições do colo. O toque vaginal não deve ser realizado nas pacientes com sangramento vaginal, a menos que a localização placentária seja conhecida. As placentas prévias central e parcial poderão cursar com sangramento vultuoso até o toque, devendo o mesmo ser realizado em ambiente hospitalar.

Também deverão ser realizados exames laboratoriais: eritrograma, tipagem sangüínea ABO e Rh, e estudo da coagulação.

A ultra-sonografia (preferencialmente pela via transvaginal) confirmará a hipótese diagnóstica, além de diagnosticar a idade gestacional e de avaliar a vitalidade fetal. Constitui o método de escolha para o diagnóstico de placenta prévia, com acuidade de 95%. O diagnóstico ultra-sonográfico de placenta prévia dependerá da idade gestacional. Antes de 32 semanas, o correto seria a denominação de inserção baixa da placenta porque, após essa idade gestacional, ocorrerá a formação do segmento inferior e a placenta poderá “migrar”, não se caracterizando a placenta prévia. A porcentagem de involução da inserção baixa de placenta em placentação normal, após 32 semanas, chega a 90%. Assim, somente 10% das inserções baixas de placenta confirmar-se-ão como placenta prévia.

•TRATAMENTO:
Duas condutas orientam o tratamento da placenta prévia, contemporização e intervenção, aquela indicada antes da maturidade fetal (36-37 semanas), essa se há garantias da viabilidade fetal.
Vários fatores influenciarão no tratamento da placenta prévia. A idade gestacional, a viabilidade fetal, o volume de sangramento vaginal, a classificação da placenta prévia, a apresentação fetal, a posição e a situação fetal, o grau de dilatação cervical e a presença ou não de contrações uterinas são variáveis que indicarão a conduta correta.
Em gestações menores de 37 semanas, a conduta será expectante, desde que o sangramento não coloque a gestante em risco. Em gestações acima de 37 semanas, a conduta será a interrupção da gravidez. A cesariana é a via de eleição na placenta prévia. A via de parto vaginal é reservada para pacientes com placenta prévia marginal e apresentação cefálica.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Sofrimento fetal?

Tradução infeliz do termo em inglês fetal distress é diagnosticado pelo padrão de batimentos cardíacos do bebé .

Os batimentos normais variam entre 110 a 160 batidas por minuto. Durante as contracções as batidas cardíacas do bebe podem desacelerar e quando o bebé se mexe podem acelerar, as variações são normais e desejáveis.

O sofrimento fetal não a acontece de repente muitas vezes basta mudar a mãe de posição, dar-lhe algo para comer ou simplesmente dar-lhe mais segurança e apoio para que o batimento cardíaco do bebé volte ao "normal".

Hoje em dia, a indução do trabalho de parto é um factor de risco para o "sofrimento fetal".

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Não é um argumento valido fazer uma cesariana quando:

  • O cordão esta enrolado á volta do pescoço ( circular de cordão ) - ver aqui
  • Bolsa rota sem contracções - ver aqui
  • Parto prolongado - não existe parto prolongado desde que o bebé e a mãe estejam bem.
  • Falta de dilatação ou " o trabalho de parto parou "- o que existe é o profissional não ter paciência para aguardar o processo natural de um trabalho de parto ( distocia funcional )
  • Ter passado das 40 semanas - a gestação humana normal vai das 37 as 42 semanas
  • Bacia estreita - sem a tentativa de um parto vaginal é impossível saber se a cabeça do bebé é muito grande para passar pela bacia da mãe ( desproporção ou incompatibilidade cefalo-pélvica ). O ajuste entre um bebé e a bacia da mãe depende da posição da cabeça e de como esta se molda durante o trabalho de parto. Ver aqui
  • Condições ginecológicas : Streptococcus, herpes genital não activo, mioma, varizes na vagina, epilepsia, hemorróidas, placenta madura, não são a priori indicações de cesariana.

Tudo o que uma mulher precisa de saber sobre cesariana...

Indicações absolutas para se fazer uma cesariana:

  • Prolapso do cordão umbilical - Quando a bolsa rompe, o cordão pode sair pelo colo do útero e aparecer na vulva ( ficando assim comprimido ) e o suprimento de sangue para o bebé pode ser interrompido. No caso de um bebé de termo com apresentação cefálica ( de cabeça para baixo ) o prolapso do cordão é raro se a bolsa não rompeu artificialmente.Mais informação sobre o risco de prolapso na caso de uma amniotomia aqui:http://onyx-ii.com/birthsong/page.cfm?amniotomy
    http://www.springerlink.com/content/67gu72x8130085n7/
    http://www.childbirth.org/articles/amnio.html
    http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/16538441
    http://www.birthpsychology.com/messages/amnio/amnio.html
  • Verdadeira placenta previa - a placenta cobre o colo do útero bloqueando a saída do bebé. Uma hemorragia sem dor, normalmente á noite, no fim da gravidez é um dos sinais típicos de placenta previa.
  • Ruptura da placenta - pode ocorrer antes ou durante o trabalho de parto, significa que ouve um descolamento da placenta da parede uterina antes do bebé nascer. A mãe sente uma dor abdominal repentina e pode ser acompanhada, ou não, de uma hemorragia.
  • Apresentação córmica - o bebé esta deitado horizontalmente e não de cabeça para baixo ( nem de cabeça para cima )

sábado, 9 de maio de 2009

Semana Mundial pelo Parto Respeitado

Comemora-se de 11 a 17 de Maio/2009, mais uma Semana Mundial Pelo Parto Respeitado .
Este ano com o tema: Urgente Diminuição das Cesarianas Desnecessárias, tendo em conta a recomendação da OMS, de uma taxa total de cesarianas não superior a 15%.



Como é que uma operação de salvamento se tornou uma prática de parto tão comum?
Porque é que o índice de cesariana é diferente nos hospitais privados dos públicos?
Quais as consequências a longo prazo de nascer por cesariana?
Quais as consequências a longo prazo de dar á luz por cesariana?
O que a mãe e o bebé perdem por não terem um parto vaginal?
Qual é o futuro de uma civilização nascida por cesariana?
A humanidade pode sobreviver á cesariana?

Esta semana vamos falar sobre cesariana! Gostavam de participar no blog? fico á espera de relatos de cesarianas e da vossa opinião sobre o assunto! enviem para o meu mail catarinapardal@sapo.pt que depois eu publico.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Maio: Mês Internacional da Doula


 
Em Maio celebra-se internacionalmente o mês da Doula.
Este ano, como forma de celebrar o acontecimento, vamos fazer uma corrente para ajudar a divulgar o trabalho destas mulheres.
Entre também na corrente e ajude a reencaminhar esta informação que poderá fazer a diferença para tantas mães e futuras mães!


Uma doula é uma mulher que dá suporte físico, emocional e informativo a outras mulheres antes, durante e após o parto.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, no seu guia "Assistência ao Parto Normal: um guia prático", uma doula é
"(...) uma prestadora de serviços que recebeu formação básica sobre o parto e que está familiarizada com uma ampla variedade de procedimentos de assistência. Fornece apoio emocional, o qual consiste em elogios, reafirmação, medidas para aumentar o conforto materno, contacto físico (... ) explicações sobre o que está a acontecer durante o trabalho de parto e uma presença amiga constante."
Leia mais aqui e aqui!


Porquê ter uma Doula?


  • Porque geralmente os partos com o apoio de uma doula são mais rápidos e menos complicados
  • Porque a doula ajuda a que a mulher sinta o parto como uma experiência positiva (e essa experiência terá repercurssões no futuro)
  • Porque os pais que podem contar com o apoio de uma doula sentem-se mais confiantes e acarinhados
  • Porque a doula também ajuda os pais a adaptarem-se às exigencias desta nova etapa das suas vidas
  • Porque uma doula ajuda com a amamentação e quem conta com o seu apoio tem maiores probabilidades de vir a ter uma amamentação de sucesso
  • Porque as mulheres que contam com uma doula têm menos probabilidades de vir a sofrer depressões pós-parto
  • Porque a doula é uma pessoa com quem se pode contar 24 horas por dia para todo o tipo de dúvidas e desabafos
  • Porque no meio do "desconhecido" do parto a doula vai ser uma mão amiga que saberá tranquilizar a futura mãe e o seu companheiro
  • Porque a doula além de ajudar a mãe, dará apoio ao acompanhante relativamente às formas que este poderá encontrar para ajudar e apoiar a futura mãe
  • Porque a doula tem conhecimentos suficientes e actualizados para explicar aos pais todas as alternativas ao seu dispor e ajudá-los a elaborar um plano de parto
  • Porque a doula recebeu formação e sabe o que a mulher precisa durante o parto, sabe aplicar técnicas no alívio da dor, conhece posições que facilitam o progresso do trabalho de parto
  • Porque com uma doula a futura mãe tem menos 50 % de probabilidades de precisar de uma cesariana e a duração do trabalho de parto reduz em média 25%. Tem 60% menos de probabilidades de necessitar uma epidural e menos 40% de hipóteses de vir a precisar de oxitocina sintética. Nos partos com doula, a necessidade de usar fórceps desce 40%, comparando com partos sem o seu apoio[1]
  • Porque até a própria Organização Mundial de Saúde[2] se refere de forma bastante favorável ao acompanhamento das doulas no trabalho de parto, referindo que a sua presença oferece "muitos benefícios, incluíndo partos mais rápidos, com menos medicação e uso de epidural, menos índices de apgar abaixo de 7 nos recém-nascidos e menos partos instrumentalizados"[3]
  • Porque a doula é alguém com quem se pode contar para ajudar depois do parto, mesmo com pequenos gestos como preparar uma refeição reconfortante para a mãe enquanto esta descansa com o seu bebé
  • Porque o apoio de uma doula durante a gravidez, parto e pós-parto, não custa mais do que 3 consultas com um médico particular e apesar disso envolve um acompanhamento muito próximo, exclusivo e constante
[1] segundo um estudo de 1993 por Kennel e Klaus, autores do livro "The Doula Book: How a trained Labour Companion Can Help You Have a Shorter, Easier and Healthier Birth"
[2] "Safe Motherhood, Care in Normal Birth: a Practical Guide", World Health Organization, Geneva - WHO/FRH/MSM/96.24

[3] ref. a Klaus et al 1986, Hodnett and Osborn 1989, Hemminki et al 1990, Hotmeyer et al 1991



 Sofia Carvalho
Doula, Educadora Perinatal e Conselheira em Aleitamento Materno OMS/Unicef
http://aquihabebe.blogspot.com/


Para saber mais:

http://www.doulasdeportugal.org/pt/home
http://www.doulas.com.br/
 http://www.dona.org/

Apoio às mães que amamentam após um ano

 

Por Carlos González

As mães que continuam amamentando após um ano enfrentam muitos problemas, sobretudo devido às críticas de quem crê que isso “não é normal” e as ameaçam com todo tipo de doenças e catástrofes.

Na realidade, não se conhece qual é a idade “natural” do desmame no ser humano. Cada cultura tem a esse respeito seus próprios costumes, apesar de que nenhuma desmama tão cedo quanto a cultura ocidental do século XX. A antropóloga norte-americana Katherine Dettwyler (1) abordou a questão a partir da zoologia comparada, generalizando uma hipotética idade para o desmame no ser humano a partir dos dados referentes a outros primatas, a partir de vários parâmetros que se correlacionam de forma mais ou menos exata com a amamentação:

a) Segundo o peso do nascimento.
Costuma-se dizer que os mamíferos se desmamam quando triplicam o peso do nascimento. Isso só é válido para os animais pequenos; os animais de tamanho parecido com o nosso se desmamam após quadruplicar o peso do nascimento, o que seria aproximadamente aos dois anos e meio.

b) Segundo o peso do adulto.
Muitos mamíferos se desmamam ao alcançar aproximadamente a terça parte do peso do adulto. Como em nossa espécie o homem adulto é maior, isso representaria um desmame mais tardio: os meninos com sete anos (ao alcançar os 23 kg), e as meninas um pouco antes dos seis anos (com 19 kg).

c) Segundo o peso da mãe.
Os pesquisadores Harvey e Clutton-Brock constataram que, em um grande número de primatas, a idade do desmame em dias é igual ao peso de uma fêmea adulta em gramas multiplicado por 2,71. Aplicando essa fórmula a uma mãe de 55 quilos, corresponderia a desmamar aos três anos e quatro meses.

d) Segundo a duração da gestação.
A relação entre a duração da amamentação e a duração da gestação é muito variável entre os primatas, mas parece ter relação com o tamanho dos indivíduos. Nos macacos pequenos, essa relação costuma ser inferior a dois; mas entre nossos parentes mais próximos (em parentesco e tamanho), a relação é de 6,4 para o chimpanzé e de 6,18 para o gorila. Se assumirmos que para o ser humano essa relação deverá ser também superior a 6, o resultado é um mínimo de quatro anos e meio de amamentação.

e) Segundo a dentição.
O desmame pode acontecer em muitos primatas quando ocorre a erupção do primeiro molar permanente, o que corresponderia aos 6 anos do ser humano.

Em conclusão, Dettwyler supõe que a idade normal do desmame no ser humano é entre os dois anos e meio e os sete anos.

No congresso espanhol de grupos de mães, ocorrido no ano de 2001 em Zaragoza, realizamos uma pesquisa para averiguar qual era a duração da amamentação entre as mães participantes, e que vantagens e desvantagens encontravam as mães que amamentam bebês após um ano.

Trata-se de uma amostra altamente selecionada (mães com suficiente interesse e meios econômicos para participar do evento), e que de modo algum representa a sociedade espanhola. Mas nos permite afirmar que a amamentação depois de um ano existe, ainda que seja em um grupo pequeno.

Responderam ao questionário 95 mães que juntas têm 174 filhos. Trabalham fora de casa 74, e 78 haviam amamentado mais de um ano. Somente 15 mães haviam praticado amamentação tandem (ou seja, amamentado dois filhos de idades diferentes ao mesmo tempo). Portanto, não é preciso ser dona de casa para amamentar por mais de 1 ano.

O resultado foi o seguinte:

Formação - total - Amamentaram por mais de 1 ano
Graduação - 31 - 30
Cursos seqüenciais/tecnólogo - 32 - 22
Curso técnico - 17 - 14
Ensino médio - 13 - 10
Ensino fundamental - 2 - 1

Isso contrasta com a situação tradicional de algumas décadas, em que apenas as mães pobres de zonas rurais amamentavam após 1 ano de idade. É precisamente entre as mães mais cultas e informadas que se recupera a prática da amamentação.

No momento da entrevista, 109 bebês haviam sido desmamados, com uma idade média de 19,1 meses, enquanto que 65 seguiam mamando, com una idade média de 20,9 meses. Ou seja, que já superaram a média e continuam mamando, o que fará com que a média global aumente muito quando ocorrer o desmame dessas 65 crianças.

A comparação entre os filhos de uma mesma mãe mostra também um incremento progressivo na duração da amamentação. Entre 20 mães com três filhos ou mais, a duração média da amamentação do primeiro filho foi de 12,8 meses. Do segundo filho, um (50 meses) ainda mamava, e os demais haviam sido desmamados com uma idade média de 19,3 meses. Do terceiro filho, 13 seguiam mamando (idade média de 25,9 meses) e 7 estavam desmamados (com média de idade de 29,3 meses). Podemos dizer que a amamentação prolongada foi tão satisfatória para essas mães, que repetiram e aumentaram a dose com os demais filhos. Com certeza, também há mães que não tiveram uma experiência satisfatória na amamentação, e é provável que estas mães não participem de congressos de amamentação. O resultado foi o seguinte:

Formação - total - Amamentaram por mais de 1 ano
Graduação - 31 - 30
Cursos seqüenciais/tecnólogo - 32 - 22
Curso técnico - 17 - 14
Ensino médio - 13 - 10
Ensino fundamental - 2 - 1

Isso contrasta com a situação tradicional de algumas décadas, em que apenas as mães pobres de zonas rurais amamentavam após 1 ano de idade. É precisamente entre as mães mais cultas e informadas que se recupera a prática da amamentação.

No momento da entrevista, 109 bebês haviam sido desmamados, com uma idade média de 19,1 meses, enquanto que 65 seguiam mamando, com una idade média de 20,9 meses. Ou seja, que já superaram a média e continuam mamando, o que fará com que a média global aumente muito quando ocorrer o desmame dessas 65 crianças.

A comparação entre os filhos de uma mesma mãe mostra também um incremento progressivo na duração da amamentação. Entre 20 mães com três filhos ou mais, a duração média da amamentação do primeiro filho foi de 12,8 meses. Do segundo filho, um (50 meses) ainda mamava, e os demais haviam sido desmamados com uma idade média de 19,3 meses. Do terceiro filho, 13 seguiam mamando (idade média de 25,9 meses) e 7 estavam desmamados (com média de idade de 29,3 meses). Podemos dizer que a amamentação prolongada foi tão satisfatória para essas mães, que repetiram e aumentaram a dose com os demais filhos. Com certeza, também há mães que não tiveram uma experiência satisfatória na amamentação, e é provável que estas mães não participem de congressos de amamentação.

Responderam da seguinte forma à pergunta de se as pessoas relacionadas apoiaram ou criticaram a amamentação (pergunta feita a todas as mães, incluindo as que desmamaram antes de 1 ano de idade):

quem - apóiam - criticam
Marido ou companheiro - 77 - 6
Amigas ou vizinhas - 47 - 53
Mãe ou sogra - 44 - 39
parteira - 27 - 6
Outros parentes - 22 - 43
pediatra - 15 - 36
enfermeiras - 6 - 19
Médico ou GO - 5 - 9
Outros - 29 - 14

Considerando que cada mãe pode ter vários amigos ou vários pediatras, alguns grupos apareciam ao mesmo tempo aprovando e criticando. Observamos que o papel dos profissionais de saúde é em geral negativo, salvo no caso das parteiras. E, em todo caso, parecem influenciar menos, tanto para o bem como para o mal, que parentes e amigas. Como se nos mantivéssemos à margem.

Destaque muito positivo para o papel do marido, que quase nunca critica e que é a pessoa que mais aprova. Duvidamos que isto reflita um grande interesse pela amamentação entre os maridos espanhóis em geral, e achamos que , na verdade,aconteceu uma seleção natural: o apoio incondicional do marido é quase imprescindível para que uma mãe consiga amamentar, desfrutar da sua experiência, envolver-se num grupo de apoio e participar de um congresso sobre amamentação.

Por último, perguntamos o que foi mais agradável e o que foi mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

O que é mais agradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

Contato físico, olhar, vínculo - 36
Relação especial, amor, algo teu - 34
Felicidade materna, realização pessoal - 20
Comodidade e liberdade - 14
O melhor alimento - 12
Bebê feliz - 10
Consolo ou calma para o bebê - 8
É algo natural - 3
Mais saudável para o bebê - 6
Carinho - 1

O que é mais desagradável ao amamentar bebês maiores de 1 ano:

Críticas de outras pessoas - 33
Nada - 14
Mamadas noturnas - 10
Pedir muito quando a mãe não deseja - 4
Difícil de conciliar com irmãos maiores - 4
Mordidas - 4
Desmame - 4
Falta de informação profissional e de apoio social - 4
Dependência - 4
Sensação de que não vai deixar de mamar - 2
Não poder sair de noite - 2
Dificuldade para conciliar com inquietudes maternas - 2
Desinformação (medo absurdo) - 1
Problemas mamários (mastites, rachaduras) - 1
Angústia - 1

Conforme era esperado, essas mães encontram muito mais satisfações que problemas (de outro modo, não o teriam feito). Entre as vantagens se dá muito mais importância aos aspectos afetivos e psicológicos que à nutrição e à saúde física; enquanto que entre os inconvenientes destacam-se as críticas recebidas de outras pessoas, e um grande número de mães espontaneamente afirmam que não houve nada desagradável em sua experiência.

Portanto, a amamentação após uma ano de idade do bebê é uma realidade entre algumas mulheres espanholas, sobretudo de classe média-alta, e parece que a prática está crescendo. É preciso que nós profissionais de saúde adotemos um papel mais efetivo de apoio às mães que amamentam, e que contribuamos na educação da população para que estas mães recebam o respeito que merecem.

(1) Stuart-Macadam P, Dettwyler K. Breastfeeding. Biocultural perspectives. Aldine de Gruyter, New York, 1995

Tradução: Fernanda Mainier
Revisão: Luciana Freitas

Original em espanhol:
http://www.dardemamar.com/Lactancia_prolongada_por_Carlos_Gonzalez.pdf

Obrigado Doula Rosa por esta informação.

Ken Robinson: Escolas matam a criatividade?




Comentem....

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Dra. Patricia Carrington, professora de Psiquiatria da Universidade de New Jersey nos E.U.A.

“Praticar meditação é como tirar férias uma ou duas vezes por dia. Quando cuidamos de nós, ganhamos muitos benefícios.”

Esta semana podemos ajudar a Marta aqui:

LISBOA - HOSPITAL DA LUZ dia 6 de Maio: Piso -1, Análises Clínicas, das 14h às 18h

ALMADA - ESC. SUP. DE SAÚDE EGAS MONIZ dia 6 de Maio : das 12h às 16h

PORTO - VODAFONE dia 6 de Maio: R.S.João de Brito, 605 E, 5º Dto, das 9h30 às 13h.

FIGUEIRA DA FOZ - PALÁCIO SOTTO MAYOR dia 6 de Maio: das 9h30 às 13h. Rua Dr. João de Barros, 12 , 5.º

L’ÓREAL - 5ªf, dia 7 de Maio das 10h às 14h

PESSOAS DE FORA: enviar email para ajudaraamarta@mail.com colocando no título L’Óreal e facultando o nome completo. É útil levarem os questionários já preenchidos.

Tranquilidade- A recolha de sangue será efectuada durante o dia 7 de Maio, das 10h00 às 16h00, no Gabinete de Medicina Curativa da Sede de Lisboa. Quem se associar a esta campanha deve fazer uma inscrição via mail (PES - Gab. Adm. Pessoal) para a Direcção de Pessoal até ao dia 4 de Maio.

PORTO DE MÓS –local a definir-Sábado, 9 de Maio às 9:00

BARCELOS –local Pousa Barcelos-Sábado, 9 de Maio às 10:00

ERICEIRA , Bombeiros voluntários da Ericeira
10 de Maio domingo das 10h as 16h.

ANADIA , 10 de Maio domingo das 10h ede da Ass dos dadores de sangue de Mogoflores (Anadia), Edificio Escolas Velhas de Mogoflores

BEJA: dia 10 de Maio, das 9h30 às 13h00 no Instituto Politécnico de Beja). R. Pedro Soares, 7800 - 295 Beja. Acção CGD Agência de Beja

ÁGUEDA: dia 12 de Maio, das 9h na Escola Secundária Adolfo Portela

COIMBRA: dia 13 de Maio, das 9h na Faculdade de Letras de Coimbra

COSTA DA CAPARICA, Ginásio Energym, dia 13 de Maio, das 10h as 14

BRAGA, Escola Monsenhor Elísio Araujo, Vila Verde, Braga, dia 14 de Maio, das 10h as 14

ÉVORA, Ginásio Every  Body, dia 15 de Maio, das 10h as 14

PAÇOS DE FERREIRA: dia 16 de Maio, ás 10h no Hospital da Misericórdia em Paços de Ferreira

VISEU: dia 17 de Maio, ás 10h nos Bombeiros Municipais de Viseu

CASCAIS nos Bombeiros dia 17 de Maio, das 10 as 16h

PORTO -ACP: dia 18 de Maio, ás 10h

UNIVERSIDADE CATÓLICA   dia 19 de Maio das 10h00 -16 h00- Campus de SINTRA (Estrada Otávio Pato; junto ao Tagus Park).

OURÉM, Escola Secundária de OURÉM: dia 19 de Maio, ás 9h

COIMBRA, Faculdade de Matemática de Coimbra: dia 21 de Maio, ás 9h

BRAGA, A DEFINIR LOCAL dia 22 de Maio, ás10h

Bombeiros voluntários das taipas dia 23 de Maio, ás10h

EXPONOR , CROMA exponor dia 23 de Maio, ás 10h

POMBAL  Sede da Associação dadores de sangue do Outeiro da Ranha,  dia 24 de Maio, ás 9h

CENTRO COMERCIAL OERIAS PARK - dia 24 de Maio das 10 as 16H

 COIMBRA, Farmácia Estadio de Coimbra: dia 251 de Maio, ás 9h

VALE DA CAMBRA:, Associação pró -desencolvimento de Vale da Cambra, dia 31 de Maio, ás 8H30

FELGUEIRAS,  Escola EB 2/3 de ARIÃES, Felgueiras, dia 31 de Maio, ás 10

PORTO DE MÓS, Blocotelha 1 de Junho, ás 9

Caixa Geral de Depósitos, sede em lisboa- dia 3 de Junho das 10h00 -16 h00

 

terça-feira, 5 de maio de 2009

Palmadas...

Pesquisas em educação infantil demonstram que mesmo a agressão leve é nefasta, prejudica e cria danos na auto-estima das crianças. Em Portugal os castigos corporais ás crianças SÃO PROIBIDOS POR LEI!

Eu não sou perfeita, erro muitas vezes com meus filhos, e o meu auto-controle não é infalível, pelo contrário! Por isso procurei informações e resolvi partilhar com vocês...

Não bater não significa deixar fazer tudo que os filhos querem, existem formas de impor limites e respeito que não são baseadas na violência. É um caminho difícil mas facilmente conseguimos ver como a mudança nas nossas atitudes tem efeito sobre a auto-estima dos nossos filhos.

Recomendo a leitura de A auto-estima do seu filho deDorothy Corkille Briggs e

Inteligência emocional: e a arte de educar nossos filhos de J.Gottman e J. DeClaire



Existe uma confusão entre o efeito e o que se aprende de facto com as palmadas e outras agressões físicas. O sintoma que incomoda, a birra por exemplo, desaparece, a criança sente medo e pára, mas passa a ter novos sentimentos mais difíceis a enfrentar como a mágoa pela palmada, a frustração por não ser compreendido, o ressentimento por não ser ajudado pela pessoa amada, a impotência por ser mais fraco o medo de mais castigos, etc.

Que tal substituirmos a palmada pela escuta activa da criança? Encarar a raiva dos filhos de maneira construtiva ajuda-os a aceitar todas a partes de si mesmo sem julgamentos negativos, é a base da auto-estima.


PENSE 20 VEZES ANTES DE BATER

1. Bater em alguém mais fraco é em si um acto de covardia.

2. A palmada tende a ir perdendo seu efeito a longo prazo e a criança aos poucos teme menos a agressão física. A tendência dos pais é, então, bater mais e mais.

3. A palmada não resolve os conflitos comuns às relações pais e filhos: muitas das crianças que apanham, mesmo sentindo-se magoadas e amedrontadas, enfrentam os pais dizendo que a "palmada não doeu", e o que era apenas uma palmadinha no rabo, acaba numa agressão física violenta.

4. A palmada, aos poucos, pode afastar severamente pais e filhos, pois a agressão física, não faz a criança pensar no que fez, desperta-lhe raiva contra aquele que a agrediu.

5. Os danos emocionais impostos pela agressão física são geralmente mais duradouros e prejudiciais que a dor física.

6. Bater pode ser uma experiência traumática para a criança não apenas pela dor física, mas principalmente porque coloca em risco a credibilidade depositada por ela nos pais.

7. Acriança não pode sentir-se segura se sua segurança depende de uma pessoa que se descontrola e para com a qual tem ressentimentos.

8. A criança que apanha tende a verse como alguém que não tem valor.

9. Aos poucos a criança aprende a enganar e descobre várias maneiras de esconder suas atitudes com medo da punição.

10. A criança pode aprender a mostrar remorso para diminuir sua punição, sem no entanto senti-lo realmente.

11. Para a criança a palmada anula a sua conduta: é como se ela tivesse pago por seu erro, e por isso pensa que pode vir a cometê-lo de novo.

12. A palmada não ensina à criança o que ela pode fazer, mas apenas o que não pode fazer, sem que saiba ao menos o motivo. A criança só acredita ter agido realmente mal quando alguém lhe explica o porquê e quando percebe que sua atitude afecta o outro.

13. O medo da palmada pode impedir a criança de agir mal, mas não faz com que ela tenha vontade de agir certo

14. A palmada tem um carácter apenas punitivo, e não educativo; ela pode parecer o caminho mais fácil a ser seguido, porque aparentemente tem o efeito desejado pelos pais. É comum a criança inibir o comportamento indesejado por medo, e não pela convicção de que agiu de maneira inadequada.

15. Muitas das crianças que apanham aprendem a adquirir aquilo que querem através da agressão física e, não raras vezes, apresentam na escola condutas agressivas com os colegas.

16. Uma palmada, para um adulto, pode parecer inofensiva. Porém é importante saber que cada criança atribui um significado diferente ao facto de “levar umas palmadas”, podendo tornar-se uma experiência marcante em sua vida futura. Além disso, independente da intensidade do bater, o acto continua a se o mesmo: um acto de violência contra um ser desprotegido.

17. Bater é uma forma de perpetuação da “cultura da violência” tão presente nas relações entre as pessoas nos dias actuais, ensina às crianças que os conflitos resolvem-se por meio de agressão física.

18. Bater nos filhos muitas vezes acaba por gerar nos pais fortes sentimentos de culpa, o que os leva a procurar compensar sua atitude posteriormente “afrouxando” aquilo que procuravam corrigir.

19. Bater é um atestado de fracasso que os pais passam a si próprios (Zagury, 1985) porque demonstram para a criança que perderam o controle da situação.

20. O sentido da justiça está em fazer aos outros aquilo que gostaríamos que nos fizessem.Quando nós adultos agimos de maneira inadequada, não esperamos punição.


Eu já dei uma palmada a Princesa, movida pela raiva e frustração e estava muito cansada, mas não serve de desculpa... Quem ama educa mas infelizmente bater é muito mais fácil que educar...

Devemos ser o exemplo, sempre... uma criança agredida vai ser um futuro agressor...

Tento não gritar, não bater, pois acredito ser importante resolver os problemas pelo dialogo.

Ler sobre Attachment Parenting ajudou-me a estar mais ligada aos seus filhos e desenvolver a minha intuição, e ... a pedir ajuda quando estou cansada...





Outro livro que recomendo e o Bésame Mucho do Carlos Gonzalez

Sites onde procurei informação para escrever este post
http://www.leisecacontrapalmadas.com.br/
http://www.pediatriaradical.com.br/

Recomendo também os encontros de educação intuitiva http://apilisboa.blogspot.com/ onde podem contar com o apoio da Natália Moderadora do Attachment Parenting International (Educação Intuitiva)

E vocês já bateram nos vossos filhos? Como se sentiram? Como resolvem as birras?

 

Esta a chegar...


Pediatria Radical é a pediatria voltada para as mães, e é feita pela troca de experiência de umas com as outras e de todas com as moderadoras de uma lista de discussão.



Pediatria Radical de Thelma B. Oliveira

5 de Maio - Dia Internacional das Parteiras

O Dia Internacional da Parteira foi instituído pela Organização Mundial de Saúde em 1991, para salientar a importância do trabalho das parteiras em todo o mundo na melhoria da qualidade dos cuidados oferecidos às mulheres. Em diversos países, o Dia Internacional da Parteira tem sido comemorado por várias organizações ligadas à defesa dos direitos das mulheres, de que se destaca o ICM (International Confederation of Midwives), com responsabilidades acrescidas na divulgação e valorização dos contributos das parteiras para os ganhos em saúde da população mundial.


Um abraço especial a todas as parteiras com quem já tive o privilegio de trabalhar! Tenham um dia feliz!

Foto : http://www.flickr.com/photos/bellymotherbaby/69174923/in/set-1805052/

Este Sábado

No espaço Zem&Terapias na Malveira pelas 10 horas, vamos ver o filme



Falar dos métodos não médicos para o alivio da dor no parto e relaxar com a meditação e visualização criativa do parto.

Já temos poucas vagas!

Inscrevam-se pelo mail catarinapardal@sapo.pt

"Gravidez, Nascimento e Parentalidade: Ser Mãe e ser Pai em Portugal"

1ª Jornada
 
23 de Maio

Mais uma excelente iniciativa do ESCA (Espaço para a Saúde da Criança e do Adolescente), esta primeira jornada dedicada à parentalidade no nosso país vai reunir, em Lisboa, no Auditório da Escola de Enfermagem de S. Vicente de Paulo (ao Campo Grande) alguns dos melhores especialistas portugueses em torno de quatro mesas temáticas: "Gravidez e Qualidade de Vida", "Gravidez de Risco", "Parto e Nascimento" e "Maternidade; Paternidade e Puerpério".

O programa  aqui

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Grande Reportagem Sic

Para quem não viu ... 

Está no nosso Site : 

http://sic.aeiou.pt/online/video/informacao/Reportagem+SIC/2009/5/9-meses-depois.htm 

Fico á espera dos comentários! 

 

Mais uma Borla!!!






Grande Reportagem SIC - 9 meses depois

Cada vez mais vai-se falando da humanização do parto, das Doulas e do parto em casa e certamente muitas mulheres, ontem, perceberam que podem ser elas as protagonistas do seu próprio parto.
 
Tive o privilegio de acompanhar e filmar um dos partos que apareceu, foi realmente um parto magico...
 
Lieve e Ivone, vocês estiveram muito bem... Parabéns às duas!
 
Mas ontem na TVI também falaram do parto em casa, será que estamos a criar uma moda... penso que não, acredito que estes tipos de reportagens façam as mulheres questionarem-se sobre a maneira como se nasce em Portugal, e o querem para o nascimento dos seus filhos, não se pode escolher ter um filho em casa só para fugir aos procedimentos e rotinas hospitalares, deve-se sim lutar pela humanização do parto no meio hospitalar.
 
Devolvam-nos o Parto...
 
.

A GRIPE...

Já não consigo ouvir falar em tanta gripe... primeiro suína e agora gripe A...
Mas resolvi partilhar esta informação, não vá alguma mãe começar a espirrar e resolver deixar de dar de mamar por isso :)

A amamentação deve continuar no surto de gripe A

O aleitamento materno fornece aos lactentes anticorpos maternos que podem ajudá-los a combater doenças e a protegerem-se de viroses.

Recomendações do Centers for Disease Control and Prevention (CDC), "Guia Médico - A mulher grávida e a gripe suína: Considerações para clínicos", que aconselham as mães que estão a amamentar a continuar mesmo que estejam a tomar medicações antivirais. Disponível em http://www.cdc.gov/swineflu/clinician_pregnant.htm

Recomenda que mães que amamentam e fiquem doentes com a gripe, tomem medidas para minimizar a exposição do bebé, incluindo a lavagem das mãos e cubram a boca/nariz com uma máscara.
O CDC também relata que se desconhece o risco de transmissão da gripe A da mãe para o bebé através do leite materno.
De acordo com Angela Smith, presidente da ILCA, muitos médicos especialistas acreditam que, quando os sintomas da gripe manifestam-se na mãe, o bebé já foi exposto.
Fornecer anticorpos humanos e de outros factores protectores através da amamentação ajuda a proteger o bebé. Além disso, verifica-se que a fórmula infantil (leite em pó), aumenta o risco de diarreia e infecções nos lactentes.

domingo, 3 de maio de 2009

EDUCAR É DEIXAR RESPIRAR

por Eugenio Mussak


Imagine a seguinte cena, como se fosse um filme que você está assistindo:
“Há uma sala fechada, quase totalmente escura, na qual não se podem identificar com clareza os móveis, objetos e pessoas. Quem tenta caminhar bate nas coisas e perde o equilíbrio. E o pior é que o ar é rarefeito, difícil de respirar, e há um cheiro de mofo irritando as narinas. Existe apenas uma janela alta, mas está quase totalmente fechada, deixando aparecer só uma estreita fresta embaixo da cortina. Paira, na sala, intenso desejo de respirar com intensidade e enxergar com clareza. Mas, como? Do lado de fora, uma pessoa resolve ajudar os que estão na sala. Procura um fole, dotado de uma mangueira fina o suficiente para passar pela fresta da janela. Com esforço, introduz a mangueira e começa a fazer um cansativo movimento de vaivém, na tentativa de arejar o recinto. Pelo esforço, apesar da boa intenção, cansa-se e irrita-se. Com o tempo, começa a esbravejar contra as pessoas da sala, culpando-as por estarem ali, o que as leva a respirar ainda mais depressa, piorando a situação. Tal acontecimento é observado por outro homem do lado de fora. Esse homem não participa, só observa, mas reflete sobre o que está acontecendo. Percebe o esforço do primeiro em mandar ar para a sala e o das pessoas em respirar o ar pouco e viciado. Nota que o desespero está tomando conta de todos e que o desânimo está chegando. O homem do fole não tem mais força nem paciência. As pessoas da sala estão começando a achar que é melhor deixar como está, pois dá para continuar vivendo desde que se respire pequenininho. O observador, então, levanta-se do banco em que se acomodara, dirige-se lentamente ao centro da cena e, com um movimento decidido, mas delicado, afasta as duas lâminas da janela, faz correr as pesadas cortinas, e algo parecido com milagre acontece: o ar a luz entram pelo novo espaço, com a naturalidade desconcertante das coisas óbvias”.
Na metáfora acima há dois homens tentado resolver o problema da sala fechada. O primeiro tenta fazer o ar entrar usando a força. O segundo apenas abre a janela, deixando o ar fluir, como é de sua natureza, e a luz ocupar o espaço. Qual dos dois poderia ser comparado a um educador de verdade? O que força a entrada ou o que abre a janela?



Educar é deixar respirar
Nas escolas e nos lares encontramos, em todo o mundo, professores e pais que são apertadores de foles e professores e pais que são abridores de janelas. Apertar o fole significa tentar introduzir conceitos, conhecimentos e comportamentos à força, considerando o aluno, ou o filho, um menor incapaz de perceber, compreender e aprender. Que precisa, por ser assim um inválido intelectual, do esforço do outro, do adulto, do sábio, que é arrogante em sua superioridade do saber. Abrir a janela significa confiar no potencial do menino em aprender por seus próprios meios, valendo-se de sua natureza humana. Significa não atrapalhar e, quando muito, facilitar. Pais e mestres são facilitadores da aprendizagem, não inoculadores de idéias. Conhecimento não se transfere, constrói-se a partir de estímulos, como a curiosidade, e de substratos intelectuais, como os livros.
Eu não posso ler o livro para meu filho ou para meu aluno. Nem posso obrigá-lo a ler, isso seria uma violência. Mas posso aguçar sua curiosidade sobre o livro, de tal sorte que a leitura seja a conseqüência natural, óbvia e desejada. Mestres não entregam os livros, mostram onde eles estão. Não transferem conhecimentos, oferecem significados. Não dão conselhos, dão exemplos. Não funcionam como os trilhos da estrada de ferro, que marca o caminho na planície, e sim como o farol que serve de referência na noite atlântica. Por tudo isso, deduzimos o que representa a violência, de qualquer espécie, no processo do aprendizado. Nada. Ou melhor, tudo. Tudo o que há de errado, antipedagógico, desconstrutor, desumano.
Quando o assunto é educação, nunca é demais lembrar o que Sócrates disse há 25 séculos: “Educar é ensinar a pensar”. O primeiro grande educador que o mundo conheceu foi provavelmente o que mais bem definiu o ato de educar. E ele disse mais. Disse que aprender é uma condição humana natural, que acontecerá independentemente do professor. Crianças aprendem. Jovens aprendem. Adultos aprendem. Seres humanos aprendem porque é de sua natureza. O que tentamos fazer, a partir da organização dos temas e das técnicas pedagógicas, é facilitar esse processo e conduzir o aprendizado para o fim desejado, que é o de integrar o aluno à sociedade em que ele está inserido e torná-lo capaz de colaborar com a construção do todo desenvolvendo-lhe competências.
A mãe de Sócrates, Fenareta, era parteira. Observando o trabalho da mãe, o então menino disse-lhe certa vez: “Não é você quem faz o parto. Este acontece naturalmente por ação dos organismos da mãe e do filho. Você apenas conduz o nascimento”. É possível que a mãe tenha ficado magoada com o filho, pois nunca antes alguém lhe havia questionado o poder de fazer o parto. Sócrates adorava observações críticas, mas foi dessa observação impertinente que nasceu o método socrático de ensinar: a maiêutica, palavra que, em grego significa “a arte de dar à luz”.
O método maiêutico pressupõe que a criança (de qualquer idade) deve receber tudo o que facilite o aprendizado, assim este “nascerá” por conta própria. E, nesse contexto, é sempre bom lembrar que, se o aprendizado é um fenômeno intelectual, a aprendizagem é um fenômeno emocional. Em outras palavras, nós nos intelectualizamos com auxílio das emoções. A informação desprovida de sentido e de sentimento não cala na alma, não gruda na mente, não se acomoda na memória.
E é exatamente nesse ponto que reside o argumento dos que usam da violência (de qualquer tipo) para ensinar. Pois não seria a coação violenta uma maneira de acionar o emocional? Sim, claro, sem sombra de dúvida, mas... Mas o processo funciona assim: aprendizado com amor gera conhecimento e afeto pelo saber. Aprendizado com violência pode até desembocar no conhecimento, mas este será acompanhado do medo, da raiva e da aversão ao que ele representa. Fim do enigma.



Estímulo à curiosidade
Além da maiêutica, Sócrates lançava mão de outra técnica peculiar: a ironia. Só que ironia, no grego clássico, não era sinônimo de sarcasmo. Significava, antes, algo como “a arte de perguntar”. Sócrates dificilmente respondia, ele perguntava, o que obrigava seus discípulos a usar a cabeça de fato, refletir sobre o assunto em questão, criar novas idéias, propor novas visões. Pensar, enfim. Na atualidade, coitados dos perguntadores, dos curiosos. Costumam ser classificados como impertinentes, maleducados, desconfiados, perturbadores. E, com freqüência, punidos com repreensões ou coisa pior.
A curiosidade é uma característica infantil que se perde pela inutilidade do uso. Quando gera mais desconforto que glória, a curiosidade começa a ser questionada. Alunos curiosos, filhos curiosos, funcionários curiosos são pessoas que perturbam a ordem com suas perguntas, suas dúvidas, sua curiosidade, enfim. Como curiosidade pressupõe pergunta, pergunta exige resposta e resposta precisa do pensamento e do tempo de elaboração, haja paciência! Sim, educar exige paciência. Ter filhos exige paciência. E como ter paciência em um mundo impaciente, veloz, digital, cibernético, inconstante e louco? Atualmente ela só existe em um lugar: na consciência do educador, seja ele professor, pai, chefe, guarda de trânsito, não importa. Ser educador é um estado de espírito. Há educadores que não são professores e professores que não são educadores.
Durante os anos conturbados da queda do czar e ascensão do marxismo-leninismo – a Revolução Russa –, viveu um psicólogo e educador chamado Lev Vigotsky. Sua curta vida (morreu aos 37 anos, vítima da tuberculose que o torturou desde os 19) foi dedicada a entender como as pessoas, em especial as crianças, aprendem. Sua obra tem um caráter de urgência, como se pressentisse sua curta jornada, mas é reconhecida como fundamental, sendo complementar aos trabalhos de Jean Piaget, que, aliás, nasceu no mesmo ano de Vigotsky, mas que viveu até se cansar de viver. É do jovem russo, personagem de uma sociedade imersa em profunda transformação, a percepção do fundamental papel do ambiente no desenvolvimento sócio-cultural-intelectual do ser humano.
Entre seus escritos encontramos um pensamento que resume a educação com a mesma profundidade que a oração de São Francisco explica o cristianismo ("Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz; onde houver ódio, que eu leve amor; onde houver ofensa, que eu leve perdão..."). Disse Vigotsky a respeito dos ambientes, escolares, domésticos ou públicos, que são capazes de educar, desenvolver jovens, criar uma sociedade mais íntegra, justa, feliz: “Precisamos de ambientes em que o conhecimento já sistematizado não seja tratado de forma dogmática e esvaziado de significado. Precisamos de ambientes em que as pessoas possam dialogar, duvidar, discutir, questionar e compartilhar saberes. Lugares em que as pessoas tenham autonomia, possam pensar, refletir sobre seu próprio processo de construção de conhecimentos e ter acesso a novas informações. Onde haja espaço para as diferenças, para as contradições, para o erro, para a criatividade, para a colaboração e para as transformações”.

sábado, 2 de maio de 2009

Dia da Mãe

Que todas a s mães do mundo tenham um feliz dia!

E para aquelas que confiaram no meu trabalho... um grande beijinho!

Ter o privilegio de assistir á transformação de uma mulher em mãe é simplesmente ... mágico...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Sobrevivi...á noite de ontem...mesmo depois de ouvir tantos disparates no programa Sociedade Civil...

Parabéns Carla! Estiveste muito bem, só é pena que algumas colegas do debate não estivessem ao teu nível...
Quem não viu pode ver aqui AQUI

Quem viu, o que achou?

Tenho de confessar que estou com algum receio da Grande Reportagem de Domingo... podem espreitar AQUI ... vamos ver... só sei é que domingo á noite vou estar colada á televisão :) nem que seja para ver algumas colegas e amigas doulas e uma família que acompanhei ( e filmei o parto :)