O Pinhal das Artes é um Festival de artes para a primeira infância, num espaço dedicado à família, à sensibilização ambiental e à educação pela e para a arte. Com particular destaque para a música este evento realiza-se no Pinhal do Rei em S.Pedro de Moel -Marinha Grande-Leiria, nos próximos dias 29 de Junho a 3 de Julho de 2011.
...a não perder por nada deste mundo!
Mais Informações AQUI
terça-feira, 31 de maio de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
Lua Nova de Junho
A LUA NOVA de Junho será na semana Internacional do Meio Ambiente.
Irei refletir sobres as ações efetivas que tenho com a minha casa: o meu corpo e a GRANDE Terra Mãe.
Estarei a fazer escolhas sustentáveis? O que são escolhas sustentáveis?
Uma boa reflexão para todos!
Irei refletir sobres as ações efetivas que tenho com a minha casa: o meu corpo e a GRANDE Terra Mãe.
Estarei a fazer escolhas sustentáveis? O que são escolhas sustentáveis?
Uma boa reflexão para todos!
sexta-feira, 27 de maio de 2011
"Desenvolver amor e ligação com o poder da menstruação também significa desenvolver amor e ligação com o processo. Isso não funciona se o relacionamento que você tiver com a sua menstruação for um relacionamento teórico. Ele tem de ser realizado em termos de comportamento, para que o poder comece a se manifestar de uma maneira positiva. Se não honrarmos nosso sangramento e desenvolvermos um relacionamento consciente com ele, se não captarmos as mensagens que os nossos corpos nos enviam, o poder volta-se contra nós. É muito importante cultivar uma atitude amorosa para com todo o nosso ciclo - esta atitude é a capacidade de mudança subjacente a menstruar com consciência." - Lara Owen
Livro: Seu Sangue é Ouro - Editora Rosa dos Tempos
Livro: Seu Sangue é Ouro - Editora Rosa dos Tempos
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Workshop para grávidas / casais grávidos / casais a pensar engravidar
Sábado, dia 28 de Maio, entre as 15h30m e as 18h, em Sintra - Sº João das Lampas, vou promover um encontro para grávidas / casais grávidos com o objectivo de passar informação sobre:
- Rotinas e Protocolos no Parto
- As Evidencias Cientificas
- O Plano de Parto
Entrada por donativo!
Inscrições e mais informação euquero@parirempaz.com
DIVULGO: Encontro Alternativo de Sintra
Sexta, Sábado e Domingo
Pintura Facial – Ana Penitência e Sara Mirtilho
Sexta – 16h às 22h
Sábado e Domingo – 10h às 22h
18h – Plantas Medicinais – Fernanda Botelho (Alpendre Hora do Conto)
19h – "Muda de Vida, com Riso ©" – Ananda Marga Portugal (Casa do Chá)
Meditações
19h – Meditação dos dois corações – Espaço dos Girassóis (Hora do Conto)
Palestras
18h – "Necessidades básicas da mulher no trabalho de parto" – Aqui há Bebé
19h30 – "A luz está dentro de ti" – Fernando Girão
Música
19h – Projecto Rurouni – Concerto Meditativo Sitar – Mário Miranda (Palco)
22h30 – Fernando Girão – Projecto Planeta (Aliados €)
00h – Tanira Folk (Aliados €)
11h – Como funciona a energia eólica – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
11h – Ritmos Corporais – Famili'Art (Jardim dos Eucaliptos)
14h – Percussão – Famili'Art (Espaço Oficinas)
15h – Caça Sonhos – Sílvia da Floresta (Espaço Oficinas)
16h – Brinquedos com materiais reciclados – Telma Santos (Espaço Oficinas)
16h – Reciclagem "Do pacote à carteira" – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
16h – Como funciona a energia eólica – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
17h – Ilustração – Sara Teixeira e Rita Galante (Espaço Oficinas)
17h – Fiação – Fátima Gavinho (Correnteza)
18h – Origamis – Origamers by Hideas (Correnteza)
Workshops
14h – "Introdução à Permacultura" – Telheiras e Sintra em Transição (Jardim)
15h – "Tantra Yoga e Meditação" – Ananda Marga Portugal (Hora do Conto)
15h – "Meditações Activas de Osho" – Projecto Simplesmente (Casa do Chá)
17h – Yoga para grávidas – Carla Silveira (Hora do Conto)
19h – Experiência de Merkabah – Sérgio Mago (Hora do Conto)
Palestras
12h – "Respiração Holotrópica" – Rui Bizarro
14h – "Terapia Prânica – A técnica ancestral adaptada aos tempos modernos" – Carlos Poço
15h – "Genshai – A arte da valorização pessoal e social" – Sérgio Mago
16h – "Espiritualidade no trabalho" Lígia de Noronha
17h – "Prout e Ecologia – Uma visão universalista para o sistema económico" – Kalyanesh
18h – "Florestas alimentares" – Jorge Crespo
18h30 – "Movimento Zeitgeist em Portugal" – Zeitgeist Portugal (Sala Polivalente)
Documentário
18h - "Consumo ético e sustentável" - Quercus (Casa do Chá)
19h30 – "Zeitgeist: Addendum" – Zeitgeist Portugal
Poesia
18h – Orbesirindo – poesia musicada (Hora do Conto)
Tertúlia 16h – "Transition Towns Movement" – Telheiras e Sintra em Transição (Jardim dos Eucaliptos)
Animação no Recinto
18h – Malabarismo – Famili'Art
21h – Fogo – Famili'Art
Música
19h – Guitarra Flamenca – Paulo Croft (Palco teatro/música)
22h30 – Projecto Bug (Aliados €)
24h –Peace Revolution (Aliados €)
Domingo, 29 de Maio
11h – Como funciona a energia eólica – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
15h – Malabarismo – Famili'Art (Espaço Oficinas)
15h – Permacultura para Crianças – Sílvia da Floresta (Jardim Eucaliptos)
16h – Ilustração – Sara Teixeira e Rita Galante (Espaço Oficinas)
16h – Reciclagem "Do pacote à carteira" – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
16h – Como funciona a energia eólica – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
17h – Brinquedos com materiais reciclados – Telma Santos (Espaço Oficinas)
18h – Caça Sonhos – Sílvia da Floresta (Correnteza)
18h – Marionetas – Famili'Art (Espaço Oficinas)
Práticas Alternativas
11h – Chi-Kung – Teresa Borges (Jardim dos Eucaliptos)
17h – Jornadas pela auto-suficiência – PermaBlitz Sintra (Jardim dos Eucaliptos)
20h – "Vegetação de Sintra" – Parque Natural Sintra–Cascais (Sala Polivalente)
Teatro Infantil
16h30 – "Folhas" – Teatro das Botas (Palco teatro/música)
Poesia 17h30 – Colectivo L.A.B.I.O. – poesia musicada (Alpendre Hora do Conto)
Animação no Recinto
18h – Malabarismo - Famili'Art
21h – Fogo - Famili'Art
18h30 – Luz e Som – Taças de Cristal e Taças Tibetanas – Concerto Meditativo – Ananda Marga Portugal (Casa do Chá)
19h – Guitarra Portuguesa – Hugo Claro (Palco teatro/música)
O Programa poderá estar sujeito a alterações sem aviso prévio.
Massagens (pagas e por marcação no local)
Caminholístico – Humberto Tomás
Tui. Na | Reflexologia Podal | Terapia Acu-Sonora
Zen Temple – Didier Fernandes
Shiatsu| Bodywork | Relaxamento
Massagem Tradicional Tailandesa – Lara Morbey
Massagem Tradicional Tailandesa
Sexta – 16h às 20h
Sábado e Domingo – 10h às 13h e das 15h às 20h Pintura Facial – Ana Penitência e Sara Mirtilho
Sexta – 16h às 19h
Sábado e Domingo – 10h às 19h
Artesanato |Associações Culturais e Desenvolvimento Humano | ONG's | Produtos Biológicos | Cozinha Vegetariana
Onda de Vida – Terra Cristal Lisboa | Colectivo Biodiversidade | Ventre da Romã | Chaiconspiracy | Sintra 2001 | Terapias de Biofeedback | Iswari | Naturkinda |Symbolion | Sintra-se… de alma e coração | Associação Centro do Yoga Sintra (Áshrama) | À Roda dos Tambores | Atelier Paulo Marques | Fátima Gavinho | Zéfiro | Um Mundo Novo by Rita & Miguel Galante | Sara na Lua | PanoPortaBebé | Silencetour – Animação Turística | Quinta dos 7 Nomes, Cooperativa Ecológica | Aura Biofeedback | Cosmic Tribe | Art of Living | Ananda Marga | F. K. Nepal | Associação Viveclodir | Sopro de Brigh | Essencial-Mente Saudável | Biovilla | Origamers by Hideas | Movimento Zeitgeist Portugal | Aqui há Bebé | Fadas & Flores | Transição Telheiras e Sintra | Mama África | C.A.S.A. Delegação de Sintra | Samhar – Consciência Sensível | Associação Portuguesa de Praticantes de Mountainboard | La Plante Magique | Casa do Outeiro | Associação Qe, uma nova linguagem para a incapacidade | Saricotico | BioSamara Ibéria | Rasgos de Sabor | AMMA Portugal | Horta Mágica | Quercus | Ode6xe | Sílvia da FlorestaSexta – 16h às 22h
Sábado e Domingo – 10h às 22h
Sexta, 27 de Maio
Oficinas 18h – Plantas Medicinais – Fernanda Botelho (Alpendre Hora do Conto)
Workshops
18h – "Partilha de Terapia Prânica" – Espaço dos Girassóis (Casa do Chá)19h – "Muda de Vida, com Riso ©" – Ananda Marga Portugal (Casa do Chá)
Meditações
19h – Meditação dos dois corações – Espaço dos Girassóis (Hora do Conto)
Palestras
18h – "Necessidades básicas da mulher no trabalho de parto" – Aqui há Bebé
19h30 – "A luz está dentro de ti" – Fernando Girão
Lançamento
19h – "Salada de Flores – Guia de Botânica para crianças" – Fernanda Botelho e Sara Simões (Alpendre Hora do Conto)
19h – "Salada de Flores – Guia de Botânica para crianças" – Fernanda Botelho e Sara Simões (Alpendre Hora do Conto)
Música
19h – Projecto Rurouni – Concerto Meditativo Sitar – Mário Miranda (Palco)
22h30 – Fernando Girão – Projecto Planeta (Aliados €)
00h – Tanira Folk (Aliados €)
Sábado, 28 de Maio
Oficinas
11h – Reciclagem "Do pacote à carteira" – Eco-Club (Espaço Oficinas €)11h – Como funciona a energia eólica – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
11h – Ritmos Corporais – Famili'Art (Jardim dos Eucaliptos)
14h – Percussão – Famili'Art (Espaço Oficinas)
15h – Caça Sonhos – Sílvia da Floresta (Espaço Oficinas)
16h – Brinquedos com materiais reciclados – Telma Santos (Espaço Oficinas)
16h – Reciclagem "Do pacote à carteira" – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
16h – Como funciona a energia eólica – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
17h – Ilustração – Sara Teixeira e Rita Galante (Espaço Oficinas)
17h – Fiação – Fátima Gavinho (Correnteza)
18h – Origamis – Origamers by Hideas (Correnteza)
Workshops
14h – "Introdução à Permacultura" – Telheiras e Sintra em Transição (Jardim)
15h – "Tantra Yoga e Meditação" – Ananda Marga Portugal (Hora do Conto)
15h – "Meditações Activas de Osho" – Projecto Simplesmente (Casa do Chá)
Práticas Alternativas
11h – Yoga – Paulo Monteiro e Carla Silveira (Casa do Chá)
15h – Yoga para crianças – Famili'Art (Jardim dos Eucaliptos)11h – Yoga – Paulo Monteiro e Carla Silveira (Casa do Chá)
17h – Yoga para grávidas – Carla Silveira (Hora do Conto)
18h – Chi-Kung – Teresa Borges (Jardim dos Eucaliptos)
Meditações
17h – Viagem Xamânica – António Paiva (Casa do Chá)19h – Experiência de Merkabah – Sérgio Mago (Hora do Conto)
Palestras
12h – "Respiração Holotrópica" – Rui Bizarro
14h – "Terapia Prânica – A técnica ancestral adaptada aos tempos modernos" – Carlos Poço
15h – "Genshai – A arte da valorização pessoal e social" – Sérgio Mago
16h – "Espiritualidade no trabalho" Lígia de Noronha
17h – "Prout e Ecologia – Uma visão universalista para o sistema económico" – Kalyanesh
18h – "Florestas alimentares" – Jorge Crespo
18h30 – "Movimento Zeitgeist em Portugal" – Zeitgeist Portugal (Sala Polivalente)
Documentário
18h - "Consumo ético e sustentável" - Quercus (Casa do Chá)
19h30 – "Zeitgeist: Addendum" – Zeitgeist Portugal
Teatro Infantil
16h – "Ama – A Fiadeira de histórias" – Ana Alpande (Hora do Conto)Poesia
18h – Orbesirindo – poesia musicada (Hora do Conto)
Tertúlia
Animação no Recinto
18h – Malabarismo – Famili'Art
21h – Fogo – Famili'Art
Música
19h – Guitarra Flamenca – Paulo Croft (Palco teatro/música)
22h30 – Projecto Bug (Aliados €)
24h –Peace Revolution (Aliados €)
Domingo, 29 de Maio
Oficinas
11h – Reciclagem "Do pacote à carteira" – Eco-Club (Espaço Oficinas €)11h – Como funciona a energia eólica – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
15h – Malabarismo – Famili'Art (Espaço Oficinas)
15h – Permacultura para Crianças – Sílvia da Floresta (Jardim Eucaliptos)
16h – Ilustração – Sara Teixeira e Rita Galante (Espaço Oficinas)
16h – Reciclagem "Do pacote à carteira" – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
16h – Como funciona a energia eólica – Eco-Club (Espaço Oficinas €)
17h – Brinquedos com materiais reciclados – Telma Santos (Espaço Oficinas)
18h – Caça Sonhos – Sílvia da Floresta (Correnteza)
18h – Marionetas – Famili'Art (Espaço Oficinas)
Workshops
11h – "Amamentar, um presente para toda a vida" – Aqui há Bebé (Casa do Chá)
12h – "Movimento e consciência para o parto" – Carla Silveira (Casa do Chá)
14h – "Como criar a sua realidade, como mudar o seu destino" – Ana Dâmaso (Casa do Chá)
14h – "Introdução à Permacultura" – Telheiras e Sintra em Transição (Jardim)
16h - "Construção de Painéis Fotovoltaicos e Geradores Eólicos" - O2oxigénio/Terra Verde (Jardim dos Eucaliptos)11h – "Amamentar, um presente para toda a vida" – Aqui há Bebé (Casa do Chá)
12h – "Movimento e consciência para o parto" – Carla Silveira (Casa do Chá)
14h – "Como criar a sua realidade, como mudar o seu destino" – Ana Dâmaso (Casa do Chá)
14h – "Introdução à Permacultura" – Telheiras e Sintra em Transição (Jardim)
Práticas Alternativas
11h – Chi-Kung – Teresa Borges (Jardim dos Eucaliptos)
17h – Jornadas pela auto-suficiência – PermaBlitz Sintra (Jardim dos Eucaliptos)
Meditações
19h – Viagem Sonora Curativa – Sérgio Mago (Casa do Chá)Palestras
12h – "Culinária Vegetariana" – Ananda Marga Portugal
14h – "Materiais Naturais na construção" – Catarina Pinto
15h – "Sofrologia" – Izilda Galo e Palmira Castro
16h – "Apresentação da tecnologia EM" – EM Portugal
17h – "Realidades alternativas e Universos paralelos" – Ana Dâmaso
18h – "As cores da Aura da Humanidade e do Planeta em 2011" – Susana Pinho
19h – "Espiritualidade e estabilidade emocional" – Dhyanananda
Documentário12h – "Culinária Vegetariana" – Ananda Marga Portugal
14h – "Materiais Naturais na construção" – Catarina Pinto
15h – "Sofrologia" – Izilda Galo e Palmira Castro
16h – "Apresentação da tecnologia EM" – EM Portugal
17h – "Realidades alternativas e Universos paralelos" – Ana Dâmaso
18h – "As cores da Aura da Humanidade e do Planeta em 2011" – Susana Pinho
19h – "Espiritualidade e estabilidade emocional" – Dhyanananda
20h – "Vegetação de Sintra" – Parque Natural Sintra–Cascais (Sala Polivalente)
Teatro Infantil
16h30 – "Folhas" – Teatro das Botas (Palco teatro/música)
Poesia
Animação no Recinto
18h – Malabarismo - Famili'Art
21h – Fogo - Famili'Art
Música
17h – "Momentos Geo" – Concerto Meditativo Carlos Alberto Cavaco (Casa do Chá)18h30 – Luz e Som – Taças de Cristal e Taças Tibetanas – Concerto Meditativo – Ananda Marga Portugal (Casa do Chá)
19h – Guitarra Portuguesa – Hugo Claro (Palco teatro/música)
O Programa poderá estar sujeito a alterações sem aviso prévio.
terça-feira, 24 de maio de 2011
EPISIOTOMIA - Corte da vagina para alargar o canal vaginal
Eu subscrevi uma petição mundial contra as mutilações genitais femininas que acontecem em algumas tribos africanas, mas para mim, a episiotomia, é também um tipo de mutilação genital com a desculpa de que foi para "ajudar o parto". A Organização Mundial de Saúde sustenta que esta prática não traz benefícios materno-fetais e que deveria ser de todo evitada na prática obstétrica pois não há nenhuma prova cientifica ou pesquisa académica que justifique ou aprove esta técnica por rotina!
A episiotomia é um procedimento cirúrgico quase universal que foi introduzido na prática clínica sem evidência científica que suportasse o seu benefício. O seu uso continua a ser rotineiro apesar de não cumprir a maioria dos objectivos pelos quais é justificado, isto é, não diminui o risco de lesões perineais severas, não previne o desenvolvimento de relaxamento pélvico e não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade do recém nascido.
Originalmente, pensava-se que as episiotomias preveniam rasgos sérios e que curavam melhor que os rasgos naturais, mas os resultados muitos estudo mostram claramente o oposto – as episiotomias podem aumentar a gravidade dos rasgos durante o parto e fazerem com que a recuperação das mulheres seja mais difícil. Além disso, mulheres que já sofreram episiotomias têm os músculos da parede pélvica mais fracos e enfrentaram um desconforto maior quando retomaram a sua actividade sexual.
As episiotomias, estão correlacionadas com um maior risco de lesão, maiores dificuldades na cura e mais dores, segundo uma análise baseada em 26 estudos efectuados. Os estudos encontraram evidência que a episiotomia não tem efeito aos níveis da incontinência, na resistência da parede do útero ou ainda na função sexual. Ainda, de acordo com os estudos as mulheres a quem foi aplicado o procedimento demoram mais tempo a retomar a sua actividade sexual. Aliás, o primeiro coito pós‑parto causou mais dor a estas mulheres!
Médicos e pesquisadores têm-se afastado há algum tempo das recomendações de episiotomias de rotina, mas continuam a ser relativamente frequentes nos Estados Unidos. Em Portugal é uma prática largamente utilizada.
Espreitem este excelente artigo sobre a episiotomia "Uso Generalizado versus Selectivo" - da autoria das Dras. Bárbara Bettencourt Borges, Fátima Serrano, Fernanda Pereira do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa - Lisboa - Portugal. Um excelente olhar científico sobre esta rotina médica praticada em Portugal (em versão PDF).Deixo-vos a conclusão:
O uso profiláctico/rotineiro da episiotomia continua a ser praticado frequentemente apesar da ausência de evidência científica que suporte o seu benefício.
Pelo contrário, existe mesmo uma evidência clara de que a episiotomia pode trazer algumas sequelas.
Desta revisão ressalta que a episiotomia não cumpre a maioria dos objectivos pelos quais é justificada a sua utilização.
Não só não diminui o risco de lesão do períneo, sob a forma de roturas de grau III e IV, como, inclusive, as suas complicações podem agravar ainda mais estas lesões.
Não previne o desenvolvimento do relaxamento pélvico com também não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade fetal.
Na verdade, os riscos associados ao seu uso são significativos e levam-nos a ponderar se perante esta ausência de suporte científico é correcto praticar um acto para o qual não se encontram benefícios que o justifiquem!”
È UM ESTUDO FEITO EM PORTUGAL POR GINECOLOGISTAS PORTUGUESAS!!!
Afinal o que é uma episiotomia? É o corte do músculo perineal que tem interferência directa na mobilidade, no coito e no parto, entre outras funções....
Quando este músculo é cortado durante o parto deixa de fazer uma das principais funções que é o da orientação fisiológica da cabeça do bebé para o nascimento e permitir suavidade na respectiva libertação.
No pós-parto, o musculo cortado limita a mobilidade da mulher, causa dores continuas e limita o posicionamento em especial no sentar e a execução de tarefas relativamente simples como o vestir, etc.
A cicatriz resultante do corte perineal, muitas das vezes desenvolvem cicatrizes coloidais, que não só irá interferir nos partos posteriores limitando a distensão perineal e por isso torna inevitáveis as lacerações e/ou novas episiotomias, assim como são um dos principais responsáveis pelas dores nas relações sexuais...
De entre as estruturas que também poderão ficar afectadas com a episiotomia é a enervação sensitiva dos grandes e pequenos lábios vaginais e do clitóris, o que pode originar desde adormecimento parcial até à falta de sensibilidade genital. Quando se faz uma episiotomia, pode haver também a secção e corte das glândulas de Bartholin, que são responsáveis pela lubrificação da vulva e vagina externa, para assim facilitar a relação sexual, o que pode comprometer a sua funcionalidade posterior para além de a tornar susceptível para o desenvolvimento de infecções e assim aumentar-se a probabilidade de se repetirem as bartholinites.
TU PODES ESCOLHER NÃO SER SUBMETIDA Á ÚNICA INTERVENSÃO CIRÚRGICA POSSÍVEL DE FAZER SEM O TEU CONSENTIMENTO! INFORMA-TE!
Fazer o bebé nascer mais rápido não significa nascer melhor. Muitas mulheres sofrem esta VIOLAÇÃO sem saber os seus direitos!
Ter um filho não pode ser um acto de violencia, tem de ser um acto DE AMOR!
A episiotomia é um procedimento cirúrgico quase universal que foi introduzido na prática clínica sem evidência científica que suportasse o seu benefício. O seu uso continua a ser rotineiro apesar de não cumprir a maioria dos objectivos pelos quais é justificado, isto é, não diminui o risco de lesões perineais severas, não previne o desenvolvimento de relaxamento pélvico e não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade do recém nascido.
Originalmente, pensava-se que as episiotomias preveniam rasgos sérios e que curavam melhor que os rasgos naturais, mas os resultados muitos estudo mostram claramente o oposto – as episiotomias podem aumentar a gravidade dos rasgos durante o parto e fazerem com que a recuperação das mulheres seja mais difícil. Além disso, mulheres que já sofreram episiotomias têm os músculos da parede pélvica mais fracos e enfrentaram um desconforto maior quando retomaram a sua actividade sexual.
As episiotomias, estão correlacionadas com um maior risco de lesão, maiores dificuldades na cura e mais dores, segundo uma análise baseada em 26 estudos efectuados. Os estudos encontraram evidência que a episiotomia não tem efeito aos níveis da incontinência, na resistência da parede do útero ou ainda na função sexual. Ainda, de acordo com os estudos as mulheres a quem foi aplicado o procedimento demoram mais tempo a retomar a sua actividade sexual. Aliás, o primeiro coito pós‑parto causou mais dor a estas mulheres!
Médicos e pesquisadores têm-se afastado há algum tempo das recomendações de episiotomias de rotina, mas continuam a ser relativamente frequentes nos Estados Unidos. Em Portugal é uma prática largamente utilizada.
Espreitem este excelente artigo sobre a episiotomia "Uso Generalizado versus Selectivo" - da autoria das Dras. Bárbara Bettencourt Borges, Fátima Serrano, Fernanda Pereira do Serviço de Ginecologia e Obstetrícia da Maternidade Dr. Alfredo da Costa - Lisboa - Portugal. Um excelente olhar científico sobre esta rotina médica praticada em Portugal (em versão PDF).Deixo-vos a conclusão:
O uso profiláctico/rotineiro da episiotomia continua a ser praticado frequentemente apesar da ausência de evidência científica que suporte o seu benefício.
Pelo contrário, existe mesmo uma evidência clara de que a episiotomia pode trazer algumas sequelas.
Desta revisão ressalta que a episiotomia não cumpre a maioria dos objectivos pelos quais é justificada a sua utilização.
Não só não diminui o risco de lesão do períneo, sob a forma de roturas de grau III e IV, como, inclusive, as suas complicações podem agravar ainda mais estas lesões.
Não previne o desenvolvimento do relaxamento pélvico com também não tem impacto sobre a morbilidade ou mortalidade fetal.
Na verdade, os riscos associados ao seu uso são significativos e levam-nos a ponderar se perante esta ausência de suporte científico é correcto praticar um acto para o qual não se encontram benefícios que o justifiquem!”
È UM ESTUDO FEITO EM PORTUGAL POR GINECOLOGISTAS PORTUGUESAS!!!
Afinal o que é uma episiotomia? É o corte do músculo perineal que tem interferência directa na mobilidade, no coito e no parto, entre outras funções....
Quando este músculo é cortado durante o parto deixa de fazer uma das principais funções que é o da orientação fisiológica da cabeça do bebé para o nascimento e permitir suavidade na respectiva libertação.
No pós-parto, o musculo cortado limita a mobilidade da mulher, causa dores continuas e limita o posicionamento em especial no sentar e a execução de tarefas relativamente simples como o vestir, etc.
A cicatriz resultante do corte perineal, muitas das vezes desenvolvem cicatrizes coloidais, que não só irá interferir nos partos posteriores limitando a distensão perineal e por isso torna inevitáveis as lacerações e/ou novas episiotomias, assim como são um dos principais responsáveis pelas dores nas relações sexuais...
De entre as estruturas que também poderão ficar afectadas com a episiotomia é a enervação sensitiva dos grandes e pequenos lábios vaginais e do clitóris, o que pode originar desde adormecimento parcial até à falta de sensibilidade genital. Quando se faz uma episiotomia, pode haver também a secção e corte das glândulas de Bartholin, que são responsáveis pela lubrificação da vulva e vagina externa, para assim facilitar a relação sexual, o que pode comprometer a sua funcionalidade posterior para além de a tornar susceptível para o desenvolvimento de infecções e assim aumentar-se a probabilidade de se repetirem as bartholinites.
TU PODES ESCOLHER NÃO SER SUBMETIDA Á ÚNICA INTERVENSÃO CIRÚRGICA POSSÍVEL DE FAZER SEM O TEU CONSENTIMENTO! INFORMA-TE!
Fazer o bebé nascer mais rápido não significa nascer melhor. Muitas mulheres sofrem esta VIOLAÇÃO sem saber os seus direitos!
Ter um filho não pode ser um acto de violencia, tem de ser um acto DE AMOR!
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Oxitocina - um medicamento altamente perigoso!
http://www.ismp-espana.org/ficheros/Medicamentos%20alto%20riesgo.pdf
Para quem não sabe o que é "A ocitocina, oxitocina (português europeu) ou oxitocina (português brasileiro) é um hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado na hipófise posterior (Neuroipófise), e tem a função de promover as Contrações musculares uterinas durante o parto e a ejeção do leite durante a amamentação. Também é um hormônio ligado ao que as pessoas sentem ao, por exemplo, abraçar seu parceiro de longa data. De acordo com um estudo da Universidade de Zurique caso a ocitocina seja pingada no nariz de pessoas prestes a começar uma discussão diminui a produção de cortisol, um hormônio produzido em resposta ao estresse da discussão.
A ativação do córtex insular e cingular anterior e do núcleo paraventricular foi observada como precursora da produção de oxitocina no hipotálamo e sua conseqüente liberação pela hipófise posterior. Este hormônio é responsável pela sensação de prazer quando a mãe tem o seu bebê e também quando o pai segura o seu filho nos braços. Vários especialistas a denominam hormônio do amor. Assim como a prolactina, a concentração de ocitocina aumenta 40% depois do orgasmo." Fonte Wikipédia
PORTANTO... PRODUZIMOS NATURAKMENTE E SEMPRE QUE NOS SENTIMOS BEM :)))
Claro que aqui falamos da Oxitocina sintetica cujas ações terapêuticas são:
Estimulante uterino.
Anti-hemorrágico.
Estimulante da secreção láctea.
Estimula a contração do músculo liso uterino mediante um efeito indireto e, assim, mimetiza as contrações do parto. Aumenta a amplitude e duração das concentrações uterinas, o que produz dilatação e adelgaçamento do cérvix. Ao nível mamário, estimula o músculo liso para facilitar a excreção de leite (mas não aumenta a produção). Sua união às proteínas é baixa (30%) e o metabolismo é realizado nos níveis hepático e renal. A meia-vida é de 1 a 6 minutos, o início da ação é evidenciado em poucos minutos quando a administração é nasal, e em 3 a 5 minutos por via IM. Por via IV, o efeito é imediato: aumenta a freqüência e intensidade das contrações uterinas ao longo de 15 a 60 minutos, e depois são estabilizadas. Elimina-se por via renal em pequenas quantidades inalteradas.
Indicações.
Indução do parto. Tratamento do aborto inevitável, incompleto ou frustrado. Controle da hemorragia pós-parto. Estimulação da secreção láctea.
Posologia.
Solução nasal dose para adultos: 1 pulverização ou 3 gotas em uma ou ambas as fossas nasais, 2 a 3 minutos antes de amamentar.
Injetável Indução do parto: Infusão IV, inicialmente não mais de 1 a 2 miliunidades por minuto; aumentar em intervalos de 15 a 30 minutos, com incrementos de 1 a 2 miliunidades por minuto, até obter contrações similares às do parto normal, até um máximo de 20 miliunidades por minuto; aborto frustrado: 10 unidades a um ritmo de 20 a 40 miliunidades por minuto. Controle de hemorragia uterina pós-parto: 10 unidades a uma velocidade de 20 a 40 miliunidades por minuto depois do parto e da expulsão da placenta.
Reações adversas.
Náuseas, vômitos e contrações ventriculares prematuras; pode provocar bradicardia fetal, icterícia neonatal, hemorragia pós-parto, arritmias cardíacas e, raramente, afibrinogenia. A dose excessiva em pacientes hipersensíveis pode provocar hipertonia uterina e esta, por sua vez, ruptura do útero. Pode inibir a expulsão da placenta e aumentar o risco de hemorragia e infecção. Podem ocorrer reações de anafilaxia.
Precauções.
Nos casos de inércia uterina, não ministrar oxitocina por mais de 6 a 8 horas. Devido ao risco materno e fetal, a oxitocina deve ser administrada com precaução; não é recomendada para indução rotineira do parto. A dose deve ser reduzida em pacientes com doença cardiovascular, hipertensiva ou renal. A infusão de oxitocina deve ser suspensa ao primeiro sinal de hiperatividade uterina.
Interações.
A administração conjunta de anestésicos (ciclopropano, enflurano, halotano e isoflurano) piora a hipotensão causada pela oxitocina e diminui a resposta uterina aos oxitócicos. O uso simultâneo de outros oxitócicos pode causar hipertonia uterina.
Contra-indicações.
Durante o parto: desproporção cefalopélvica significativa ( podia estar horas a escrever sobre isto!!!), apresentação do cordão ou prolapso, placenta prévia, sofrimento fetal quando o parto não é iminente. Inércia uterina ou toxemia grave. A relação risco-benefício deverá ser avaliada nos seguintes quadros clínicos: carcinoma cervical invasor, apresentações fetais desfavoráveis, placenta prévia parcial, superdistensão uterina, doença cardíaca, antecedentes de sepse uterina.
Resumindo... é algo que produzimos naturalmente... mas que dão a praticamente todas a gravidas em trabalho de parto... E COMO PODEM LER NO PDF É UM MEDICAMENTO ALTAMENTE PERIGOSO!!
Deixo-vos um texto do Michel Odent:
Todos os mamíferos dão à luz graças à súbita libertação de um fluxo de hormonas. Uma destas hormonas, a oxitocina, desempenha um papel importantíssimo. Ela é necessária para a contracção do útero, para os bebés nascerem e as placentas saírem. Está implicada na indução do amor maternal: é o componente principal de um verdadeiro ‘cocktailO facto de a adrenalina e a oxitocina serem antagonistas explica que a necessidade básica de todos os mamíferos ao dar à luz é sentirem-se seguros. Num ambiente selvagem, uma fêmea não consegue dar à luz quando houver uma possibilidade de perigo, por exemplo na presença de um predador. Nesse caso é vantajoso libertar adrenalina, que leva mais sangue aos músculos junto ao esqueleto e dá mais energia para lutar ou fugir; é também vantajoso parar de libertar oxitocina, para atrasar o processo do nascimento. Na verdade há uma grande diversidade de situações associadas à libertação de adrenalina.
Os mamíferos libertam adrenalina quando se sentem observados. É evidente que todos confiam numa estratégia especial para não se sentirem observados ao dar à luz: a privacidade é obviamente outra necessidade básica. A hormona de emergência também está implicada na regulação térmica. Num ambiente frio, um dos papéis bem conhecidos da adrenalina é induzir o processo de vasoconstrição. Este facto explica que, para dar à luz, os mamíferos necessitam de estar num local suficientemente quente, segundo a adaptabilidade da espécie. de hormonas do amor’.
Todos os mamíferos podem também libertar uma hormona de emergência denominada adrenalina, cujo efeito é interromper a libertação de oxitocina. A hormona de emergência adrenalina é libertada em particular quando existe uma possibilidade de perigo.
Uma vez que os humanos são mamíferos, estas considerações fisiológicas sugerem que, para dar à luz, as mulheres devem sentir-se seguras sem se sentir observadas, num local suficientemente quente.
As desvantagens humanas
Embora a perspectiva fisiológica possa identificar facilmente as necessidades básicas das parturientes, pode também facilitar a compreensão das desvantagens específicas dos seres humanos no período do nascimento. As desvantagens humanas estão relacionadas com o enorme desenvolvimento daquela parte do cérebro denominada neocórtex. É graças ao nosso enormemente desenvolvido neocórtex que conseguimos falar, contar e ser lógicos e racionais. O nosso neocórtex é originalmente uma ferramenta que serve a velha estrutura cerebral como forma de suportar o nosso instinto de sobrevivência. O que interessa é que a sua actividade tem tendência a controlar estruturas cerebrais mais primitivas e a inibir o processo do nascimento (e também qualquer tipo de experiência sexual).
A natureza encontrou uma solução para ultrapassar a desvantagem humana no período do nascimento. O neocórtex deve estar em descanso, para que as estruturas cerebrais primitivas possam mais facilmente libertar as hormonas necessárias. É por isto que as mulheres que dão à luz tem tendência a isolar-se do mundo, a esquecer o que leram ou aquilo que lhes ensinaram; atrevem-se a fazer o que nunca se atreveriam a fazer no dia a dia social (gritar, praguejar, etc.); podem encontrar-se nas posturas mais inesperadas; já ouvi mulheres dizerem posteriormente: ‘Estava noutro planeta’. Quando uma mulher em trabalho de parto se encontra ‘noutro planeta’, isto significa que a actividade do neocórtex foi reduzida. Esta redução da actividade do neocórtex é um aspecto essencial da fisiologia do parto entre os seres humanos.
Este aspecto da fisiologia do parto implica que uma das necessidades básicas das parturientes é serem protegidas contra qualquer tipo de estimulação do neocórtex. De um ponto de vista prático, é útil explicar o que isto significa e analisar os factores conhecidos que podem estimular o neocórtex humano.
A linguagem, particularmente a linguagem racional, é um desses factores. Quando comunicamos com a linguagem, processamos aquilo que captamos com o neocórtex. Isto implica, por exemplo, que se houver alguém a assistir ao parto, uma das principais qualidades deve ser a capacidade de manter um perfil baixo e permanecer silencioso, e em particular evitar fazer perguntas directas. Imagine uma mulher em trabalho de parto e já "noutro planeta". Atreve-se a gritar; atreve-se a fazer coisas que de outra forma nunca faria; esqueceu-se do que lhe ensinaram e dos livros que leu; perdeu o sentido do tempo e depois encontra-se na posição inesperada de ter de responder a alguém que pretende saber quando urinou pela última vez! Embora seja aparentemente simples, vai provavelmente demorar muito tempo a redescobrir que um assistente de nascimento deve manter-se o mais silencioso possível.
Luzes fortes são outro factor que estimula o neocórtex humano. Os electroencefalógrafos sabem que a actividade cerebral que explora traços pode ser influenciada pelos estímulos visuais. Normalmente fechamos as cortinas e desligamos a luz quando pretendemos reduzir a actividade do nosso intelecto para dormirmos. Isso implica que, de uma perspectiva fisiológica, uma luz fraca deve em geral facilitar o processo do nascimento. Vai também levar algum tempo a convencer muitos profissionais da saúde de que se trata de um problema sério. É notável que logo que a parturiente se encontra ‘noutro planeta’ é espontaneamente levada a posturas que tendem a protegê-la de todos os tipos de estímulos visuais. Por exemplo, pode ficar de gatas, como se rezasse. Para além de reduzir as dores nas costas, esta postura comum tem muitos efeitos positivos, tais como eliminar a principal razão da angústia fetal (compressão dos grandes vasos ao longo da coluna) e facilitar a rotação do corpo do bebé.
A sensação de ser observada pode também ser apresentada como outro tipo de estímulo do neocórtex. A resposta fisiológica à presença de um observador já foi objecto de estudos científicos. Na verdade, é do conhecimento comum que todos nos sentimos diferentes quando sabemos que estamos a ser observados. Por outras palavras, a privacidade é um factor que facilita a redução do controlo do neocórtex. É irónico que todos os mamíferos não humanos, cujo neocórtex não está tão desenvolvido como o nosso, tenham uma estratégia para dar à luz em privacidade; os que estão normalmente activos à noite, como os ratos, têm tendência a dar à luz durante o dia, e pelo contrário outros, como os cavalos, que estão activos durante o dia, têm tendência para dar à luz durante a noite. As cabras selvagens dão à luz nas áreas mais inacessíveis das montanhas. Os chimpanzés, nossos parentes próximos, também se afastam do grupo. A importância da privacidade implica, por exemplo, que existe uma diferença entre a atitude de uma parteira que se coloca em frente a uma parturiente e a observa, e outra que se limita a sentar-se perto dela. Também implica que deveríamos ser relutantes ao introduzir qualquer dispositivo que possa ser considerado uma forma de observar, seja uma câmara de vídeo ou um monitor fetal electrónico.
Na verdade, qualquer situação com probabilidades de disparar uma libertação de adrenalina pode também ser considerada um factor com tendência a estimular o neocórtex.
As dificuldades mecânicas do nascimento do Homo SapiensAo mencionar as particularidades mecânicas do nascimento humano, não podemos evitar referências e comparações com os chimpanzés, nossos parentes próximos. A cabeça de um chimpanzé bebé no fim da gravidez ocupa um espaço significativamente mais pequeno na pélvis materna, e a vulva da mãe está perfeitamente centrada, para que a descida da cabeça do bebé seja o mais simétrica e directa possível. Parece que desde que nos separámos dos outros chimpanzés e ao longo da evolução da espécie hominídea tem havido um conflito entre o caminhar erecto sobre dois pés e, ao mesmo tempo, uma tendência para um cérebro cada vez maior. O cérebro do Homo Sabemos por que razão o comportamento dos seres humanos é mais complexo e mais difícil de interpretar que o comportamento dos outros mamíferos, incluindo primatas.(4) Os seres humanos desenvolveram formas sofisticadas de comunicar. Falam. Criam culturas. O seu comportamento é influenciado menos directamente pelo equilíbrio hormonal e mais directamente pelo ambiente cultural. Quando uma mulher descobre que está à espera de bebé, pode antecipar a demonstração de alguns comportamentos maternais. Mas isto não significa que não possamos aprender com os mamíferos não humanos. As respostas comportamentais espectaculares e imediatas indicam as questões que deveríamos levantar sobre nós mesmos.
No que toca aos seres humanos, as perguntas devem incluir termos como “civilização” ou “cultura”. Por exemplo, se os outros mamíferos não cuidam dos bebés após uma cesariana, devemos em primeiro lugar perguntar-nos: ‘Qual o futuro de uma civilização nascida de cesariana?’
Os ambientes culturais não só atenuam os efeitos de uma alteração no equilíbrio hormonal durante o processo de nascimento como podem também interferir com o processo do nascimento. Por outras palavras, todas as sociedades que conhecemos perturbam os processos fisiológicos que rodeiam o nascimento.
Interferem através dos assistentes de nascimento que frequentemente estão activos e até invasivos. Originalmente, as mulheres tinham provavelmente uma tendência para dar à luz junto à mãe ou a outra mulher experiente da família ou da comunidade. São estas as raízes das parteiras. Uma parteira é originalmente uma figura maternal. Num mundo ideal, a nossa mãe é o protótipo da pessoa com quem nos sentimos seguros sem nos sentirmos observados nem julgados. Em muitas sociedades, o assistente do nascimento tornou-se um guia e ajudante.
A transmissão de crenças e rituais é a forma mais poderosa de controlar o processo do nascimento e particularmente a fase do trabalho de parto entre o nascimento do bebé e a saída da placenta. Mencionemos apenas, como exemplo, a crença de várias culturas segundo a qual o colostro é impuro ou prejudicial, até mesmo uma substância a extrair e eliminar. Esta atitude negativa relativamente ao colostro implica que, imediatamente após o nascimento, o bebé deva estar nos braços de outrem que não a mãe. É esta a origem de um ritual generalizado e enraizado, que é o de nos despacharmos para cortar o cordão.
Não conseguimos elaborar uma lista exaustiva de todas as crenças e rituais conhecidos que perturbam os processos fisiológicos. Também não conseguimos mencionar todas as crenças que reforçam a atitude comum relativamente ao colostro. É este o caso, por exemplo, das crenças partilhadas por diversos grupos étnicos da África Ocidental segundo as quais a mãe não deve olhar para os olhos do recém-nascido, para que ‘os maus espíritos não entrem no corpo do bebé’.
Devemos tomar consciência de que o ambiente cultural do séc. XXI está a transmitir as suas próprias crenças, particularmente no que diz respeito ao estabelecimento do parto natural. Estas crenças também contrariam aquilo que podemos aprender a partir das perspectivas fisiológicas e do comportamento dos outros mamíferos.
Por exemplo, é comum comparar as parturientes com atletas como corredores de maratonas, a quem se aconselha que consumam grandes quantidades de hidratos de carbono, proteína e fluidos antes de iniciar um grande esforço físico.(5) Muitos assistentes de nascimento são influenciados por estas comparações e incentivam as mulheres a comer coisas como massa no início do trabalho de parto, e a beber qualquer coisa doce quando o trabalho de parto está estabelecido. Na verdade, quando a primeira fase está a avançar, é sinal de que os níveis de adrenalina estão baixos. Depois a parturiente tem tendência a ficar imóvel. Quando todos os músculos junto ao esqueleto estão em descanso, como quando a mãe está deitada sobre um lado ou de gatas, gasta-se muito pouca energia. Além disso, quando o trabalho de parto evolui facilmente, é sinal de que o neocórtex está em descanso. O neocórtex é o outro órgão do corpo humano cujo principal combustível é a glucose. Comparar uma parturiente com uma atleta da maratona pode levar a outros erros, tal como sobrestimar a necessidade de água. Na verdade, as parturientes não perdem muita água, uma vez que os níveis da hormona pituitária de retenção de água (vasopressina) são altos e os músculos junto ao esqueleto não estão activos. Uma bexiga cheia é outro preço a pagar pela analogia com a maratona. Da mesma forma, as mulheres em trabalho de parto são frequentemente aconselhadas a andar. No entanto, o facto de uma mulher em trabalho de parto não sentir necessidade de se levantar e andar é bom sinal. Significa que o nível de adrenalina está provavelmente baixo.(6) Durante a primeira fase de um parto fácil e rápido, as mulheres estão muitas vezes passivas, por exemplo de gatas ou deitadas. Sugerir qualquer tipo de actividade muscular pode ser contraproducente, até cruel.
Pontos de viragem que é especificamente humano implica que o primeiro passo deve ser livrarmo-nos do resultado de todas as crenças e rituais que, durante milénios, perturbaram os processos fisiológicos em todos os ambientes culturais conhecidos. Implica ainda que a actividade do neocórtex, a parte do cérebro cujo enorme desenvolvimento é um traço exclusivamente humano, tem de ser reduzida. Implica ainda que a linguagem, que é especificamente humana, deve ser utilizada com muita precaução.
Atender as necessidades do mamífero significa em primeiro lugar satisfazer a necessidade de privacidade, uma vez que todos os mamíferos têm uma estratégia para não se sentirem observados quando dão à luz. Também significa satisfazer a necessidade de segurança. É significativo que, quando uma mulher em trabalho de parto tem total privacidade e se sente segura, acaba por se colocar em posturas caracteristicamente mamíferas, por exemplo de gatas.
É comum alegar que o nascimento tem de ser ‘humanizado’. Na verdade, a prioridade deveria ser ‘mamiferizar’ o nascimento. De certa forma, há que desumanizar o nascimento.
Quais as vantagens evolucionárias deste leque de crenças e rituais que tendem a desafiar o instinto protector maternal durante um curto período de tempo considerado crítico no desenvolvimento da capacidade de amar?
No contexto científico actual, pensamos em fazer as perguntas desta forma, porque as respostas podem ser sugeridas. Desde a altura em que a estratégia básica da sobrevivência da maior parte dos grupos humanos era dominar a Natureza e dominar outros grupos humanos, foi uma vantagem tornar os seres humanos mais agressivos e capazes de destruir a vida. Por outras palavras, foi uma vantagem moderar a capacidade de amar, incluindo o amor à Natureza, ou seja, o respeito pela Mãe Terra. Foi uma vantagem perturbar os processos fisiológicos no período do nascimento, particularmente na terceira fase do trabalho de parto, que é hoje em dia considerada crítica no desenvolvimento da capacidade de amar. Ao longo dos milénios tem havido uma selecção de grupos humanos segundo o potencial de agressão que apresentam. Todos somos frutos dessa selecção.
Estas considerações devem ser tidas em conta no contexto do séc. XXI.(7) Estamos numa altura em que a Humanidade tem de inventar estratégias de sobrevivência radicalmente novas. Hoje em dia estamos a chegar a uma percepção dos limites das estratégias tradicionais. Temos de levantar novas questões, tais como: “como desenvolver esta forma de amor que é o respeito pela Mãe-Natureza?” Para parar de destruir o planeta necessitamos de uma espécie de unificação da aldeia planetária.
Precisamos mais do que nunca das energias do Amor. Todas as crenças e rituais que desafiem o instinto maternal protector e agressivo estão a perder as vantagens evolucionárias. Temos novos motivos para perturbar os processos fisiológicos o menos possível. Temos novos motivos para redescobrir as necessidades básicas das mulheres em trabalho de parto e dos bebés recém-nascidos.
Este ponto de viragem na história da humanidade ocorre numa altura em que a história do nascimento também se encontra num ponto de viragem. Embora todas as sociedades tenham tido no passado uma tendência para controlar este evento, a situação é radicalmente nova no início do séc. XXI.(8) Até há pouco tempo, uma mulher não podia ser mãe sem libertar um fluxo de hormonas, que constitui na verdade um complexo cocktail de hormonas do amor. Hoje em dia, na fase actual do parto industrializado, a maior parte das mulheres tem bebés sem confiar neste cocktail de hormonas. Muitas têm uma cesariana que pode ser decidida e executada antes de ter início o trabalho de parto. Outras bloqueiam a libertação das hormonas naturais fiando-se em substitutos (normalmente oxitocina sintética no soro, mais uma anestesia epidural). Até as que acabam por dar à luz sem medicação recebem muitas vezes um agente farmacológico para fazer sair a placenta numa altura crítica da relação entre a mãe e o bebé.
Sublinhemos que uma injecção de oxitocina sintética não tem efeitos a nível comportamental, porque não atravessa a barreira entre o sangue e o cérebro. A questão inspirada por estas práticas tão disseminadas tem de ser colocada em termos de civilização.
Um método prático
Uma vez que é urgente melhorar a nossa compreensão dos processos fisiológicos, aparece um método prático como ajuda adequada para redescobrir as necessidades básicas das parturientes. Pode ser resumido numa frase: no que toca ao trabalho de parto, parto e nascimento, há que eliminar o que é especificamente humano e atender às necessidades do mamífero. Eliminar omoderno é quatro vezes maior que o cérebro da nossa famosa antepassada Lucy. Existe um conflito na nossa espécie porque a pélvis adaptada à postura erecta deve ser estreita para permitir que as pernas se aproximem sob a coluna vertebral, o que facilita a transferência de forças das pernas para a coluna vertebral durante a corrida. Uma postura erecta é o pré-requisito para o desenvolvimento do cérebro. Conseguimos transportar pesos pesados na cabeça quando estamos levantados. Os mamíferos que andam sobre quatro patas não conseguem fazê-lo. Aparentemente, é por isso que o processo de evolução encontrou outras soluções que não uma pélvis feminina alargada para tornar possível o nascimento do ‘primata com o cérebro grande’: quanto mais rapidamente corriam os nossos antepassados, mais probabilidades tinham de sobreviver.
Ambientes culturais
Outra diferença entre os humanos e os outros mamíferos é que os efeitos de um processo de nascimento perturbado no comportamento materno são muito mais evidentes a um nível individual em mamíferos não humanos.
Inúmeras experiências confirmaram que o comportamento maternal de mamíferos não humanos pode ser dramaticamente perturbado pela anestesia geral. Há quase um século, na África do Sul, Eugene Marais fazia experiências para confirmar a sua intuição de poeta segundo a qual existe uma ligação entre a dor do nascimento e o amor materno.(1) Estudou um grupo de sessenta gamos Kaffir, sabendo que não havia registo de sequer uma mãe que rejeitasse uma cria desde há quinze anos. Administrou às fêmeas em trabalho de parto um pouco de clorofórmio e éter, reparando que as mães posteriormente se recusavam a aceitar os recém-nascidos. O comportamento maternal foi também muito perturbado pela anestesia local. Na década de 1980, Krehbiel e Poindron estudaram os efeitos da anestesia epidural entre as ovelhas em trabalho de parto.(2) Os resultados deste estudo resumem-se facilmente: quando as ovelhas dão à luz com anestesia epidural, não tratam dos cordeiros.
Hoje em dia, são comuns as cesarianas na medicina veterinária, particularmente entre os cães. Isto é possível desde que os seres humanos compensem um comportamento maternal frequentemente inadequado, prestem assistência ao processo da amamentação e forneçam, se necessário, substitutos comerciais do leite canino. Os efeitos de uma cesariana no comportamento maternal dos primatas estão bem documentados, porque diversas espécies de macacos são utilizados como animais de laboratório. É este o caso dos ‘macacos-caranguejeiros’ e dos macacos Rhesus.(3) Nestas espécies, as mães não tomam conta dos bebés após uma cesariana; o pessoal do laboratório tem de espalhar as secreções vaginais no corpo do bebé para induzir o interesse da mãe pelo recém-nascido.
Não é necessário multiplicar os exemplos de experiências com animais e observações por veterinários e cientistas que lidam com primatas para convencer ninguém de que uma cesariana, ou simplesmente a anestesia necessária para a operação, pode alterar dramaticamente o comportamento materno dos mamíferos em geral.
Neste aspecto os seres humanos são especiais. Milhões de mulheres em todo o mundo tomam conta dos bebés após uma cesariana, um parto com epidural ou um ‘parto com sedação total’.
também se relacionam com o desenvolvimento do cérebro. No final da gravidez, o diâmetro mais pequeno da cabeça do bebé (que não é exactamente uma esfera) é mais ou menos o mesmo que o diâmetro maior da pélvis da mãe (que não é exactamente um cone). O processo evolucionário adoptou uma combinação de soluções para atingir os limites do que é possível.
A primeira solução foi tornar a gravidez o mais curta possível, para que, de certa forma, o bebé humano nasça prematuramente. Além disso descobrimos recentemente que a mãe grávida pode, até certo ponto, adaptar o tamanho do feto ao seu próprio tamanho, modulando o fluxo sanguíneo e a disponibilidade de nutrientes ao feto. Por isso é que as mães de aluguer mais pequenas com embriões de pais genéticos muito maiores dão à luz bebés mais pequenos do que se espera.
De um ponto de vista mecânico, a cabeça do bebé deve estar o mais flexibilizada possível, para que o diâmetro mais pequeno se apresente antes da espiral descendente para sair da pélvis materna. O nascimento dos seres humanos é um fenómeno complexo e assimétrico, sendo a pélvis materna mais larga transversalmente à entrada e mais larga longitudinalmente à saída. Um processo de ‘modulação’ pode mudar ligeiramente a forma do crânio do bebé, se necessário.
Referências:
1 - Marais EN. The soul of the white ant. Methuen. London 1937.
2 - Krehbiel D, Poindron P. Peridural anaesthesia disturbs maternal behaviour in primiparous and multiparous parturient ewes. Physiology and behavior 1987; 40: 463-72.
3 - Lundbland E.G., Hodgen G.D. Induction of maternal-infant bonding in rhesus and cynomolgus monkeys after caesarian delivery. Lab. Anim. Sci 1980; 30: 913.
4 - Odent M. A Cientificacao do amor. Edicao Brasileira Saint Germain 2002.
5 - Odent M. Laboring women are not marathon runners. Midwiferytoday 1994; 31: 23-26.
6 - Bloom SL, McIntire DD, et al. Lack of effect of walking on labor and delivery. N Engl J Med 1998; 339: 76-9.
7 - Odent M. O camponês e a parteira. Editora Ground. Sao Paulo 2003.
8 - Odent M. The Caesarean. Free Association Books. London 2004.
Para quem não sabe o que é "A ocitocina, oxitocina (português europeu) ou oxitocina (português brasileiro) é um hormônio produzido pelo hipotálamo e armazenado na hipófise posterior (Neuroipófise), e tem a função de promover as Contrações musculares uterinas durante o parto e a ejeção do leite durante a amamentação. Também é um hormônio ligado ao que as pessoas sentem ao, por exemplo, abraçar seu parceiro de longa data. De acordo com um estudo da Universidade de Zurique caso a ocitocina seja pingada no nariz de pessoas prestes a começar uma discussão diminui a produção de cortisol, um hormônio produzido em resposta ao estresse da discussão.
A ativação do córtex insular e cingular anterior e do núcleo paraventricular foi observada como precursora da produção de oxitocina no hipotálamo e sua conseqüente liberação pela hipófise posterior. Este hormônio é responsável pela sensação de prazer quando a mãe tem o seu bebê e também quando o pai segura o seu filho nos braços. Vários especialistas a denominam hormônio do amor. Assim como a prolactina, a concentração de ocitocina aumenta 40% depois do orgasmo." Fonte Wikipédia
PORTANTO... PRODUZIMOS NATURAKMENTE E SEMPRE QUE NOS SENTIMOS BEM :)))
Claro que aqui falamos da Oxitocina sintetica cujas ações terapêuticas são:
Estimulante uterino.
Anti-hemorrágico.
Estimulante da secreção láctea.
Estimula a contração do músculo liso uterino mediante um efeito indireto e, assim, mimetiza as contrações do parto. Aumenta a amplitude e duração das concentrações uterinas, o que produz dilatação e adelgaçamento do cérvix. Ao nível mamário, estimula o músculo liso para facilitar a excreção de leite (mas não aumenta a produção). Sua união às proteínas é baixa (30%) e o metabolismo é realizado nos níveis hepático e renal. A meia-vida é de 1 a 6 minutos, o início da ação é evidenciado em poucos minutos quando a administração é nasal, e em 3 a 5 minutos por via IM. Por via IV, o efeito é imediato: aumenta a freqüência e intensidade das contrações uterinas ao longo de 15 a 60 minutos, e depois são estabilizadas. Elimina-se por via renal em pequenas quantidades inalteradas.
Indicações.
Indução do parto. Tratamento do aborto inevitável, incompleto ou frustrado. Controle da hemorragia pós-parto. Estimulação da secreção láctea.
Posologia.
Solução nasal dose para adultos: 1 pulverização ou 3 gotas em uma ou ambas as fossas nasais, 2 a 3 minutos antes de amamentar.
Injetável Indução do parto: Infusão IV, inicialmente não mais de 1 a 2 miliunidades por minuto; aumentar em intervalos de 15 a 30 minutos, com incrementos de 1 a 2 miliunidades por minuto, até obter contrações similares às do parto normal, até um máximo de 20 miliunidades por minuto; aborto frustrado: 10 unidades a um ritmo de 20 a 40 miliunidades por minuto. Controle de hemorragia uterina pós-parto: 10 unidades a uma velocidade de 20 a 40 miliunidades por minuto depois do parto e da expulsão da placenta.
Reações adversas.
Náuseas, vômitos e contrações ventriculares prematuras; pode provocar bradicardia fetal, icterícia neonatal, hemorragia pós-parto, arritmias cardíacas e, raramente, afibrinogenia. A dose excessiva em pacientes hipersensíveis pode provocar hipertonia uterina e esta, por sua vez, ruptura do útero. Pode inibir a expulsão da placenta e aumentar o risco de hemorragia e infecção. Podem ocorrer reações de anafilaxia.
Precauções.
Nos casos de inércia uterina, não ministrar oxitocina por mais de 6 a 8 horas. Devido ao risco materno e fetal, a oxitocina deve ser administrada com precaução; não é recomendada para indução rotineira do parto. A dose deve ser reduzida em pacientes com doença cardiovascular, hipertensiva ou renal. A infusão de oxitocina deve ser suspensa ao primeiro sinal de hiperatividade uterina.
Interações.
A administração conjunta de anestésicos (ciclopropano, enflurano, halotano e isoflurano) piora a hipotensão causada pela oxitocina e diminui a resposta uterina aos oxitócicos. O uso simultâneo de outros oxitócicos pode causar hipertonia uterina.
Contra-indicações.
Durante o parto: desproporção cefalopélvica significativa ( podia estar horas a escrever sobre isto!!!), apresentação do cordão ou prolapso, placenta prévia, sofrimento fetal quando o parto não é iminente. Inércia uterina ou toxemia grave. A relação risco-benefício deverá ser avaliada nos seguintes quadros clínicos: carcinoma cervical invasor, apresentações fetais desfavoráveis, placenta prévia parcial, superdistensão uterina, doença cardíaca, antecedentes de sepse uterina.
Resumindo... é algo que produzimos naturalmente... mas que dão a praticamente todas a gravidas em trabalho de parto... E COMO PODEM LER NO PDF É UM MEDICAMENTO ALTAMENTE PERIGOSO!!
Deixo-vos um texto do Michel Odent:
Todos os mamíferos dão à luz graças à súbita libertação de um fluxo de hormonas. Uma destas hormonas, a oxitocina, desempenha um papel importantíssimo. Ela é necessária para a contracção do útero, para os bebés nascerem e as placentas saírem. Está implicada na indução do amor maternal: é o componente principal de um verdadeiro ‘cocktailO facto de a adrenalina e a oxitocina serem antagonistas explica que a necessidade básica de todos os mamíferos ao dar à luz é sentirem-se seguros. Num ambiente selvagem, uma fêmea não consegue dar à luz quando houver uma possibilidade de perigo, por exemplo na presença de um predador. Nesse caso é vantajoso libertar adrenalina, que leva mais sangue aos músculos junto ao esqueleto e dá mais energia para lutar ou fugir; é também vantajoso parar de libertar oxitocina, para atrasar o processo do nascimento. Na verdade há uma grande diversidade de situações associadas à libertação de adrenalina.
Os mamíferos libertam adrenalina quando se sentem observados. É evidente que todos confiam numa estratégia especial para não se sentirem observados ao dar à luz: a privacidade é obviamente outra necessidade básica. A hormona de emergência também está implicada na regulação térmica. Num ambiente frio, um dos papéis bem conhecidos da adrenalina é induzir o processo de vasoconstrição. Este facto explica que, para dar à luz, os mamíferos necessitam de estar num local suficientemente quente, segundo a adaptabilidade da espécie. de hormonas do amor’.
Todos os mamíferos podem também libertar uma hormona de emergência denominada adrenalina, cujo efeito é interromper a libertação de oxitocina. A hormona de emergência adrenalina é libertada em particular quando existe uma possibilidade de perigo.
Uma vez que os humanos são mamíferos, estas considerações fisiológicas sugerem que, para dar à luz, as mulheres devem sentir-se seguras sem se sentir observadas, num local suficientemente quente.
As desvantagens humanas
Embora a perspectiva fisiológica possa identificar facilmente as necessidades básicas das parturientes, pode também facilitar a compreensão das desvantagens específicas dos seres humanos no período do nascimento. As desvantagens humanas estão relacionadas com o enorme desenvolvimento daquela parte do cérebro denominada neocórtex. É graças ao nosso enormemente desenvolvido neocórtex que conseguimos falar, contar e ser lógicos e racionais. O nosso neocórtex é originalmente uma ferramenta que serve a velha estrutura cerebral como forma de suportar o nosso instinto de sobrevivência. O que interessa é que a sua actividade tem tendência a controlar estruturas cerebrais mais primitivas e a inibir o processo do nascimento (e também qualquer tipo de experiência sexual).
A natureza encontrou uma solução para ultrapassar a desvantagem humana no período do nascimento. O neocórtex deve estar em descanso, para que as estruturas cerebrais primitivas possam mais facilmente libertar as hormonas necessárias. É por isto que as mulheres que dão à luz tem tendência a isolar-se do mundo, a esquecer o que leram ou aquilo que lhes ensinaram; atrevem-se a fazer o que nunca se atreveriam a fazer no dia a dia social (gritar, praguejar, etc.); podem encontrar-se nas posturas mais inesperadas; já ouvi mulheres dizerem posteriormente: ‘Estava noutro planeta’. Quando uma mulher em trabalho de parto se encontra ‘noutro planeta’, isto significa que a actividade do neocórtex foi reduzida. Esta redução da actividade do neocórtex é um aspecto essencial da fisiologia do parto entre os seres humanos.
Este aspecto da fisiologia do parto implica que uma das necessidades básicas das parturientes é serem protegidas contra qualquer tipo de estimulação do neocórtex. De um ponto de vista prático, é útil explicar o que isto significa e analisar os factores conhecidos que podem estimular o neocórtex humano.
A linguagem, particularmente a linguagem racional, é um desses factores. Quando comunicamos com a linguagem, processamos aquilo que captamos com o neocórtex. Isto implica, por exemplo, que se houver alguém a assistir ao parto, uma das principais qualidades deve ser a capacidade de manter um perfil baixo e permanecer silencioso, e em particular evitar fazer perguntas directas. Imagine uma mulher em trabalho de parto e já "noutro planeta". Atreve-se a gritar; atreve-se a fazer coisas que de outra forma nunca faria; esqueceu-se do que lhe ensinaram e dos livros que leu; perdeu o sentido do tempo e depois encontra-se na posição inesperada de ter de responder a alguém que pretende saber quando urinou pela última vez! Embora seja aparentemente simples, vai provavelmente demorar muito tempo a redescobrir que um assistente de nascimento deve manter-se o mais silencioso possível.
Luzes fortes são outro factor que estimula o neocórtex humano. Os electroencefalógrafos sabem que a actividade cerebral que explora traços pode ser influenciada pelos estímulos visuais. Normalmente fechamos as cortinas e desligamos a luz quando pretendemos reduzir a actividade do nosso intelecto para dormirmos. Isso implica que, de uma perspectiva fisiológica, uma luz fraca deve em geral facilitar o processo do nascimento. Vai também levar algum tempo a convencer muitos profissionais da saúde de que se trata de um problema sério. É notável que logo que a parturiente se encontra ‘noutro planeta’ é espontaneamente levada a posturas que tendem a protegê-la de todos os tipos de estímulos visuais. Por exemplo, pode ficar de gatas, como se rezasse. Para além de reduzir as dores nas costas, esta postura comum tem muitos efeitos positivos, tais como eliminar a principal razão da angústia fetal (compressão dos grandes vasos ao longo da coluna) e facilitar a rotação do corpo do bebé.
A sensação de ser observada pode também ser apresentada como outro tipo de estímulo do neocórtex. A resposta fisiológica à presença de um observador já foi objecto de estudos científicos. Na verdade, é do conhecimento comum que todos nos sentimos diferentes quando sabemos que estamos a ser observados. Por outras palavras, a privacidade é um factor que facilita a redução do controlo do neocórtex. É irónico que todos os mamíferos não humanos, cujo neocórtex não está tão desenvolvido como o nosso, tenham uma estratégia para dar à luz em privacidade; os que estão normalmente activos à noite, como os ratos, têm tendência a dar à luz durante o dia, e pelo contrário outros, como os cavalos, que estão activos durante o dia, têm tendência para dar à luz durante a noite. As cabras selvagens dão à luz nas áreas mais inacessíveis das montanhas. Os chimpanzés, nossos parentes próximos, também se afastam do grupo. A importância da privacidade implica, por exemplo, que existe uma diferença entre a atitude de uma parteira que se coloca em frente a uma parturiente e a observa, e outra que se limita a sentar-se perto dela. Também implica que deveríamos ser relutantes ao introduzir qualquer dispositivo que possa ser considerado uma forma de observar, seja uma câmara de vídeo ou um monitor fetal electrónico.
Na verdade, qualquer situação com probabilidades de disparar uma libertação de adrenalina pode também ser considerada um factor com tendência a estimular o neocórtex.
As dificuldades mecânicas do nascimento do Homo SapiensAo mencionar as particularidades mecânicas do nascimento humano, não podemos evitar referências e comparações com os chimpanzés, nossos parentes próximos. A cabeça de um chimpanzé bebé no fim da gravidez ocupa um espaço significativamente mais pequeno na pélvis materna, e a vulva da mãe está perfeitamente centrada, para que a descida da cabeça do bebé seja o mais simétrica e directa possível. Parece que desde que nos separámos dos outros chimpanzés e ao longo da evolução da espécie hominídea tem havido um conflito entre o caminhar erecto sobre dois pés e, ao mesmo tempo, uma tendência para um cérebro cada vez maior. O cérebro do Homo Sabemos por que razão o comportamento dos seres humanos é mais complexo e mais difícil de interpretar que o comportamento dos outros mamíferos, incluindo primatas.(4) Os seres humanos desenvolveram formas sofisticadas de comunicar. Falam. Criam culturas. O seu comportamento é influenciado menos directamente pelo equilíbrio hormonal e mais directamente pelo ambiente cultural. Quando uma mulher descobre que está à espera de bebé, pode antecipar a demonstração de alguns comportamentos maternais. Mas isto não significa que não possamos aprender com os mamíferos não humanos. As respostas comportamentais espectaculares e imediatas indicam as questões que deveríamos levantar sobre nós mesmos.
No que toca aos seres humanos, as perguntas devem incluir termos como “civilização” ou “cultura”. Por exemplo, se os outros mamíferos não cuidam dos bebés após uma cesariana, devemos em primeiro lugar perguntar-nos: ‘Qual o futuro de uma civilização nascida de cesariana?’
Os ambientes culturais não só atenuam os efeitos de uma alteração no equilíbrio hormonal durante o processo de nascimento como podem também interferir com o processo do nascimento. Por outras palavras, todas as sociedades que conhecemos perturbam os processos fisiológicos que rodeiam o nascimento.
Interferem através dos assistentes de nascimento que frequentemente estão activos e até invasivos. Originalmente, as mulheres tinham provavelmente uma tendência para dar à luz junto à mãe ou a outra mulher experiente da família ou da comunidade. São estas as raízes das parteiras. Uma parteira é originalmente uma figura maternal. Num mundo ideal, a nossa mãe é o protótipo da pessoa com quem nos sentimos seguros sem nos sentirmos observados nem julgados. Em muitas sociedades, o assistente do nascimento tornou-se um guia e ajudante.
A transmissão de crenças e rituais é a forma mais poderosa de controlar o processo do nascimento e particularmente a fase do trabalho de parto entre o nascimento do bebé e a saída da placenta. Mencionemos apenas, como exemplo, a crença de várias culturas segundo a qual o colostro é impuro ou prejudicial, até mesmo uma substância a extrair e eliminar. Esta atitude negativa relativamente ao colostro implica que, imediatamente após o nascimento, o bebé deva estar nos braços de outrem que não a mãe. É esta a origem de um ritual generalizado e enraizado, que é o de nos despacharmos para cortar o cordão.
Não conseguimos elaborar uma lista exaustiva de todas as crenças e rituais conhecidos que perturbam os processos fisiológicos. Também não conseguimos mencionar todas as crenças que reforçam a atitude comum relativamente ao colostro. É este o caso, por exemplo, das crenças partilhadas por diversos grupos étnicos da África Ocidental segundo as quais a mãe não deve olhar para os olhos do recém-nascido, para que ‘os maus espíritos não entrem no corpo do bebé’.
Devemos tomar consciência de que o ambiente cultural do séc. XXI está a transmitir as suas próprias crenças, particularmente no que diz respeito ao estabelecimento do parto natural. Estas crenças também contrariam aquilo que podemos aprender a partir das perspectivas fisiológicas e do comportamento dos outros mamíferos.
Por exemplo, é comum comparar as parturientes com atletas como corredores de maratonas, a quem se aconselha que consumam grandes quantidades de hidratos de carbono, proteína e fluidos antes de iniciar um grande esforço físico.(5) Muitos assistentes de nascimento são influenciados por estas comparações e incentivam as mulheres a comer coisas como massa no início do trabalho de parto, e a beber qualquer coisa doce quando o trabalho de parto está estabelecido. Na verdade, quando a primeira fase está a avançar, é sinal de que os níveis de adrenalina estão baixos. Depois a parturiente tem tendência a ficar imóvel. Quando todos os músculos junto ao esqueleto estão em descanso, como quando a mãe está deitada sobre um lado ou de gatas, gasta-se muito pouca energia. Além disso, quando o trabalho de parto evolui facilmente, é sinal de que o neocórtex está em descanso. O neocórtex é o outro órgão do corpo humano cujo principal combustível é a glucose. Comparar uma parturiente com uma atleta da maratona pode levar a outros erros, tal como sobrestimar a necessidade de água. Na verdade, as parturientes não perdem muita água, uma vez que os níveis da hormona pituitária de retenção de água (vasopressina) são altos e os músculos junto ao esqueleto não estão activos. Uma bexiga cheia é outro preço a pagar pela analogia com a maratona. Da mesma forma, as mulheres em trabalho de parto são frequentemente aconselhadas a andar. No entanto, o facto de uma mulher em trabalho de parto não sentir necessidade de se levantar e andar é bom sinal. Significa que o nível de adrenalina está provavelmente baixo.(6) Durante a primeira fase de um parto fácil e rápido, as mulheres estão muitas vezes passivas, por exemplo de gatas ou deitadas. Sugerir qualquer tipo de actividade muscular pode ser contraproducente, até cruel.
Pontos de viragem que é especificamente humano implica que o primeiro passo deve ser livrarmo-nos do resultado de todas as crenças e rituais que, durante milénios, perturbaram os processos fisiológicos em todos os ambientes culturais conhecidos. Implica ainda que a actividade do neocórtex, a parte do cérebro cujo enorme desenvolvimento é um traço exclusivamente humano, tem de ser reduzida. Implica ainda que a linguagem, que é especificamente humana, deve ser utilizada com muita precaução.
Atender as necessidades do mamífero significa em primeiro lugar satisfazer a necessidade de privacidade, uma vez que todos os mamíferos têm uma estratégia para não se sentirem observados quando dão à luz. Também significa satisfazer a necessidade de segurança. É significativo que, quando uma mulher em trabalho de parto tem total privacidade e se sente segura, acaba por se colocar em posturas caracteristicamente mamíferas, por exemplo de gatas.
É comum alegar que o nascimento tem de ser ‘humanizado’. Na verdade, a prioridade deveria ser ‘mamiferizar’ o nascimento. De certa forma, há que desumanizar o nascimento.
Quais as vantagens evolucionárias deste leque de crenças e rituais que tendem a desafiar o instinto protector maternal durante um curto período de tempo considerado crítico no desenvolvimento da capacidade de amar?
No contexto científico actual, pensamos em fazer as perguntas desta forma, porque as respostas podem ser sugeridas. Desde a altura em que a estratégia básica da sobrevivência da maior parte dos grupos humanos era dominar a Natureza e dominar outros grupos humanos, foi uma vantagem tornar os seres humanos mais agressivos e capazes de destruir a vida. Por outras palavras, foi uma vantagem moderar a capacidade de amar, incluindo o amor à Natureza, ou seja, o respeito pela Mãe Terra. Foi uma vantagem perturbar os processos fisiológicos no período do nascimento, particularmente na terceira fase do trabalho de parto, que é hoje em dia considerada crítica no desenvolvimento da capacidade de amar. Ao longo dos milénios tem havido uma selecção de grupos humanos segundo o potencial de agressão que apresentam. Todos somos frutos dessa selecção.
Estas considerações devem ser tidas em conta no contexto do séc. XXI.(7) Estamos numa altura em que a Humanidade tem de inventar estratégias de sobrevivência radicalmente novas. Hoje em dia estamos a chegar a uma percepção dos limites das estratégias tradicionais. Temos de levantar novas questões, tais como: “como desenvolver esta forma de amor que é o respeito pela Mãe-Natureza?” Para parar de destruir o planeta necessitamos de uma espécie de unificação da aldeia planetária.
Precisamos mais do que nunca das energias do Amor. Todas as crenças e rituais que desafiem o instinto maternal protector e agressivo estão a perder as vantagens evolucionárias. Temos novos motivos para perturbar os processos fisiológicos o menos possível. Temos novos motivos para redescobrir as necessidades básicas das mulheres em trabalho de parto e dos bebés recém-nascidos.
Este ponto de viragem na história da humanidade ocorre numa altura em que a história do nascimento também se encontra num ponto de viragem. Embora todas as sociedades tenham tido no passado uma tendência para controlar este evento, a situação é radicalmente nova no início do séc. XXI.(8) Até há pouco tempo, uma mulher não podia ser mãe sem libertar um fluxo de hormonas, que constitui na verdade um complexo cocktail de hormonas do amor. Hoje em dia, na fase actual do parto industrializado, a maior parte das mulheres tem bebés sem confiar neste cocktail de hormonas. Muitas têm uma cesariana que pode ser decidida e executada antes de ter início o trabalho de parto. Outras bloqueiam a libertação das hormonas naturais fiando-se em substitutos (normalmente oxitocina sintética no soro, mais uma anestesia epidural). Até as que acabam por dar à luz sem medicação recebem muitas vezes um agente farmacológico para fazer sair a placenta numa altura crítica da relação entre a mãe e o bebé.
Sublinhemos que uma injecção de oxitocina sintética não tem efeitos a nível comportamental, porque não atravessa a barreira entre o sangue e o cérebro. A questão inspirada por estas práticas tão disseminadas tem de ser colocada em termos de civilização.
Um método prático
Uma vez que é urgente melhorar a nossa compreensão dos processos fisiológicos, aparece um método prático como ajuda adequada para redescobrir as necessidades básicas das parturientes. Pode ser resumido numa frase: no que toca ao trabalho de parto, parto e nascimento, há que eliminar o que é especificamente humano e atender às necessidades do mamífero. Eliminar omoderno é quatro vezes maior que o cérebro da nossa famosa antepassada Lucy. Existe um conflito na nossa espécie porque a pélvis adaptada à postura erecta deve ser estreita para permitir que as pernas se aproximem sob a coluna vertebral, o que facilita a transferência de forças das pernas para a coluna vertebral durante a corrida. Uma postura erecta é o pré-requisito para o desenvolvimento do cérebro. Conseguimos transportar pesos pesados na cabeça quando estamos levantados. Os mamíferos que andam sobre quatro patas não conseguem fazê-lo. Aparentemente, é por isso que o processo de evolução encontrou outras soluções que não uma pélvis feminina alargada para tornar possível o nascimento do ‘primata com o cérebro grande’: quanto mais rapidamente corriam os nossos antepassados, mais probabilidades tinham de sobreviver.
Ambientes culturais
Outra diferença entre os humanos e os outros mamíferos é que os efeitos de um processo de nascimento perturbado no comportamento materno são muito mais evidentes a um nível individual em mamíferos não humanos.
Inúmeras experiências confirmaram que o comportamento maternal de mamíferos não humanos pode ser dramaticamente perturbado pela anestesia geral. Há quase um século, na África do Sul, Eugene Marais fazia experiências para confirmar a sua intuição de poeta segundo a qual existe uma ligação entre a dor do nascimento e o amor materno.(1) Estudou um grupo de sessenta gamos Kaffir, sabendo que não havia registo de sequer uma mãe que rejeitasse uma cria desde há quinze anos. Administrou às fêmeas em trabalho de parto um pouco de clorofórmio e éter, reparando que as mães posteriormente se recusavam a aceitar os recém-nascidos. O comportamento maternal foi também muito perturbado pela anestesia local. Na década de 1980, Krehbiel e Poindron estudaram os efeitos da anestesia epidural entre as ovelhas em trabalho de parto.(2) Os resultados deste estudo resumem-se facilmente: quando as ovelhas dão à luz com anestesia epidural, não tratam dos cordeiros.
Hoje em dia, são comuns as cesarianas na medicina veterinária, particularmente entre os cães. Isto é possível desde que os seres humanos compensem um comportamento maternal frequentemente inadequado, prestem assistência ao processo da amamentação e forneçam, se necessário, substitutos comerciais do leite canino. Os efeitos de uma cesariana no comportamento maternal dos primatas estão bem documentados, porque diversas espécies de macacos são utilizados como animais de laboratório. É este o caso dos ‘macacos-caranguejeiros’ e dos macacos Rhesus.(3) Nestas espécies, as mães não tomam conta dos bebés após uma cesariana; o pessoal do laboratório tem de espalhar as secreções vaginais no corpo do bebé para induzir o interesse da mãe pelo recém-nascido.
Não é necessário multiplicar os exemplos de experiências com animais e observações por veterinários e cientistas que lidam com primatas para convencer ninguém de que uma cesariana, ou simplesmente a anestesia necessária para a operação, pode alterar dramaticamente o comportamento materno dos mamíferos em geral.
Neste aspecto os seres humanos são especiais. Milhões de mulheres em todo o mundo tomam conta dos bebés após uma cesariana, um parto com epidural ou um ‘parto com sedação total’.
também se relacionam com o desenvolvimento do cérebro. No final da gravidez, o diâmetro mais pequeno da cabeça do bebé (que não é exactamente uma esfera) é mais ou menos o mesmo que o diâmetro maior da pélvis da mãe (que não é exactamente um cone). O processo evolucionário adoptou uma combinação de soluções para atingir os limites do que é possível.
A primeira solução foi tornar a gravidez o mais curta possível, para que, de certa forma, o bebé humano nasça prematuramente. Além disso descobrimos recentemente que a mãe grávida pode, até certo ponto, adaptar o tamanho do feto ao seu próprio tamanho, modulando o fluxo sanguíneo e a disponibilidade de nutrientes ao feto. Por isso é que as mães de aluguer mais pequenas com embriões de pais genéticos muito maiores dão à luz bebés mais pequenos do que se espera.
De um ponto de vista mecânico, a cabeça do bebé deve estar o mais flexibilizada possível, para que o diâmetro mais pequeno se apresente antes da espiral descendente para sair da pélvis materna. O nascimento dos seres humanos é um fenómeno complexo e assimétrico, sendo a pélvis materna mais larga transversalmente à entrada e mais larga longitudinalmente à saída. Um processo de ‘modulação’ pode mudar ligeiramente a forma do crânio do bebé, se necessário.
Referências:
1 - Marais EN. The soul of the white ant. Methuen. London 1937.
2 - Krehbiel D, Poindron P. Peridural anaesthesia disturbs maternal behaviour in primiparous and multiparous parturient ewes. Physiology and behavior 1987; 40: 463-72.
3 - Lundbland E.G., Hodgen G.D. Induction of maternal-infant bonding in rhesus and cynomolgus monkeys after caesarian delivery. Lab. Anim. Sci 1980; 30: 913.
4 - Odent M. A Cientificacao do amor. Edicao Brasileira Saint Germain 2002.
5 - Odent M. Laboring women are not marathon runners. Midwiferytoday 1994; 31: 23-26.
6 - Bloom SL, McIntire DD, et al. Lack of effect of walking on labor and delivery. N Engl J Med 1998; 339: 76-9.
7 - Odent M. O camponês e a parteira. Editora Ground. Sao Paulo 2003.
8 - Odent M. The Caesarean. Free Association Books. London 2004.
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Relato do nascimento do Tomás
E foi assim que nasceu o Tomás... nasceu também uma nova mãe/mulher... um novo pai.... uma avó... duas irmãs.. uma nova família!!! Só lhes posso agradecer pelo carinho, pela confiança e por terem partilhado comigo um dos momentos mais íntimos da sua vida....
Quando tive a minha filha mais velha, há seis anos atrás, não podia imaginar a sorte que acabava por ter ao poder ter um parto vaginal, às 42 semanas e 1 dia, após mais de 24 horas de ingresso hospitalar, após um episódio de herpes genital aos 5 meses de gravidez...
Estava em Espanha e por mero acaso acabei por ir parar a uma maternidade onde o protocolo parecia ser o de reservar as hipóteses de uma cesariana às situações estritamente emergentes e explorar todas as alternativas possíveis antes de avançar com essa decisão.
Mas isto, como disse, foi por mero acaso. Curiosamente, saí daquela primeira experiência com a sensação de que aqueles médicos e enfermeiros tinham salvo a minha vida e a da minha filha... que nasceu com os olhos totalmente arregalados e uma expressão apavorada que não consigo esquecer.
Apesar de me terem permitido esperar até às 42 semanas, quando as contracções se fizeram sentir com alguma intensidade e decidi passar por lá já não me deixaram sair, devido ao tempo de gestação, pois mesmo que não estivesse em trabalho de parto, iriam induzir, de qualquer forma. Assim, deram-me uma droga qualquer para me manter quieta e caladinha durante a noite, apesar das contracções, que podiam muito bem ter sido aproveitadas e assim fiquei, à espera que a manhã trouxesse o obstetra que ia parir a minha filha. Já no dia seguinte, e até às 21 horas desse dia, quando a Beatriz finalmente cedeu e decidiu sair (eu no lugar dela também não estaria com muita vontade de vir cá para fora...), tivémos tudo a que tínhamos direito: oxitocina no soro e dores de enlouquecer, amniotomia, CTG contínuo e enfermeiras simpáticas a queixar-se da doentinha travessa que não parava quieta para deixar ler o registo, epidural, internos, médicos e sei lá mais quem a entrar à bruta sem sequer um bom dia para ver se “aquela já estava madura”, transferência para a sala de partos aos 5 cm por aparente bradicardia fetal, 5 análises de PH à bebé (tiraram-lhe amostras de sangue da cabeça – 5 vezes) para confirmar se realmente estava com falta de oxigénio, que não levaram a nenhum resultado conclusivo, já que me chegaram a dizer que não sabiam se o que estavam a apanhar era o coração do bebé ou uma veia minha (o CTG é realmente a invenção do século), kristeller, fórceps e, como não, uma bela episiotomia... e apesar de tudo isto, quando voltei a engravidar e a pensar num segundo parto descobri que, afinal, até tinha tido sorte!!
Costumo dizer na brincadeira que, antes de parir o meu segundo filho, pari o meu parto e isto não deixa de ser um facto. Quase seis anos após o nascimento da Bia, em Espanha, com todos os recursos tecnológicos mais avançados ali à mão, encontrava-me agora a viver em Angola, e a pensar seriamente em como fazer na altura do parto já que, da primeira vez, a minha vida tinha sido milagrosamente salva por uma grande equipa de bons especialistas e ali, infelizmente, não contava com esse recurso. Decidi então que o meu filho viria nascer a Portugal.
A nossa viagem começou aí pelos 4 meses de gravidez, quando comecei a contactar hospitais e serviços que aceitassem algum tipo de acompanhamento à distância. Inicialmente, achei que o melhor seria optar por um destes novos hospitais privados, onde pudesse estar segura que tinha à mão tudo o que há de mais moderno e que, graças a isso, tudo correria bem... pura ilusão!
Mas calhou ter que ficar umas semanas em casa e ter tido mais tempo para pesquisar informação útil e foi aí que comecei a descobrir um universo feminino com o qual ainda não me tinha atrevido a conectar. Começo a ler sobre doulas, parto humanizado, parto domiciliar... e descubro com alguma revolta que, no meu primeiro parto a nossa vida não só não fora milagrosamente salva por aquela equipa (da qual não recordo um nome ou mesmo um rosto), como o processo ainda tinha sido completamente boicotado pela cascata de intervenções que foram feitas.
Com algum desgosto, descubro também que, se tivesse sido em Portugal as hipóteses de ter escapado a uma indução ou mesmo a uma cesariana programada, já que tivera herpes genital aos 5 meses de gestação, eram quase nulas.
Desde aí não parei de ler, de me deslumbrar, de me indignar e de pensar e repensar o que eu realmente queria para este segundo parto. Descobri o fantástico blog da Catarina e passei a acompanhá-lo regularmente. Contactei-a, já decidida a ter uma doula e contente e agradecida por, graças a ela, ter tanta informação de qualidade acessível de uma forma tão simples. Tive resposta e mantivémos o contacto ao longo dos meses que se seguiram.
De início, decidi ter uma Doula mas nem pensar noutra hipótese que não o parto hospitalar... a essas alturas parecia-me uma aventura demasiado arriscada pensar num parto domiciliar, principalmente porque achava que ia ser muito difícil vir a ter o apoio do meu marido nessa decisão e também porque, à distância que estava das pessoas que me poderiam acompanhar no caminho dessa decisão, seria difícil haver um tempo e um espaço de discussão e reflexão. De qualquer maneira, e como quem não quer a coisa, fui deixando “cair” pelos cantos da casa artigos e informação de todo o tipo sobre humanização, parto natural, etc, etc...
O certo é que quanto mais lia e me informava e à medida que a gravidez avançava tranquila e saudável, menos o parto hospitalar fazia sentido para mim. Foi aí que comecei a colocar a hipótese de o hospital fazer parte apenas do plano B. E, sem comentar com ninguém, contactei a Ana Ramos, Parteira, e comecei a viagem interior para me preparar para um parto em casa. Afinal, o parto era meu e era um erro ficar condicionada à partida pelo receio das reacções alheias. Com toda a informação que eu já tinha, argumentos de peso era o que não me faltava.
Vim para Portugal acompanhada da minha mãe da minha filha, cerca de 1 mês antes da data prevista para o parto, o pai viria um mês depois, precisamente na data provável para o parto, dia 4 de Agosto, o que me deixava numa situação mais complicada, pois arriscávamo-nos a que ele nem sequer estivesse presente no parto, no caso do pequeno decidir adiantar-se.
Primeiro, e antes de tomar a decisão definitiva, era importante para mim conhecer aquelas pessoas com quem tinha estado em contacto durante os meses anteriores e realmente perceber até que ponto aquilo fazia sentido para mim e até que ponto as impressões que tinha criado à distância se confirmavam no contacto directo. Marquei um encontro com a Catarina e com a Ana no dia seguinte a chegar a Portugal. Se ainda me restava alguma dúvida nessa altura, ali ficou decidido que este bebé nasceria em casa.
À cautela, e visto que até àquele dia a decisão esteve pendente de muitas coisas, havia resolvido há algum tempo marcar uma consulta com uma obstetra com certa fama de “diferente”. Não deixei de ir a essa consulta, marcada há mais de 3 meses e aproveitei para fazer os últimos exames, e talvez os mais completos de toda a gravidez, pois há muito que havia desistido de ir às consultas em Angola, limitando-me a fazer os exames que considerei importantes e interpretá-los por minha conta e risco (trabalho na área da saúde). Gostei da postura dela... mas gostei menos do marketing que faz à volta dessa postura. De qualquer das maneiras, por muito diferenciada que fosse a sua atitude, para mim, já nada para além da porta da minha casa fazia sentido. E não voltei lá.
Agora era aguardar que o meu pequeno desse sinal e esperar sinceramente que a informação com que havia bombardeado o pai nos meses anteriores tivesse sido lida, compreendida e assimilada da melhor forma, pois só no dia da sua chegada a Portugal é que ele se veria perante a notícia “o nosso filho vai nascer em casa”. Confesso que isso me trazia bastante ansiosa, quase a desejar que o bebé decidisse nascer antes para não ter que enfrentar aquela conversa.
No entanto, daquela como de tantas outras vezes, o meu querido marido surpreendeu-me muito, muito, pelo lado positivo. Não só todos os meus sinais haviam sido captados, de modo a que ele já estivesse de certa forma à espera que aquela acabasse por ser a minha decisão, como se mostrou plenamente de acordo comigo, afirmando que eu tinha todo o direito a parir o meu filho da forma que eu achasse melhor para mim e para o bebé e que ele, qualquer que fosse a minha decisão, ficaria do meu lado. Por ele, teria preferido abrir o microondas e tirar de lá o bebé já “prontinho” sem ouvir um “ai” J, mas se a minha vontade era viver todo o processo plenamente, ele estaria ali e, no fundo, embora um pouco apreensivo, tão feliz como eu por poder viver cada segundo do nosso parto.
Daí em diante, foi relaxar de verdade e apenas esperar que o grande dia chegasse. Em casa, estava tudo a postos. A avó um pouco nervosa, a mana do meio ansiosa, o pai em suspenso e a mana mais velha (filha do meu marido, com 16 anos) de férias, mas de sobreaviso, porque também estaria presente no parto.
A semana 40 passou sem novidades. Todos os dias, a todo o instante, estava a espera que o meu corpo me desse algum sinal de que a hora tinha chegado. E a hora chegou, 5 dias depois da data prevista ao fim da tarde, depois de um dia como outros, em que me fartei de andar a ver se a coisa se anunciava. Tinha passado a tarde com o Tomás pai para cima e para baixo e assim que chegámos a casa senti que algo de novo estava para acontecer. Sentia-me irritável e apetecia-me ficar num canto, sem falar com ninguém. E assim fiquei, acho que nem boa tarde disse à mana Bia e à avó, deixei-me ficar no sofá da sala, apenas concentrada no meu corpo. Pouco depois, as primeiras contracções. Deixei-me ficar, podia ainda não ser desta, já tinha tido outras ameaças que depois pararam ao fim de algumas horas. Mas as horas foram passando e eu passei do sofá para um monte de almofadas que atirei para o chão e comecei a achar que as contracções, embora suportáveis, eram muito seguidas. Confirmei: de 3 em 3 minutos?!! Achei estranho, mas confiei no que o meu corpo me dizia... aquilo estava só e apenas a começar e ainda teria ali entretém para muito tempo. Não me enganei.
Por volta das 10 da noite, a avó e a mana deitaram-se e o Tomás veio ver se estava tudo bem. Disse-lhe que era melhor ir descansar porque pelo estado das coisas, ia precisar de estar bem disposto no dia seguinte. Não sei bem porquê, mas sempre senti que este meu parto também seria demorado, como o primeiro. E, embora sentisse as contracções tão próximas umas das outras sabia que a coisa não ia trazer grandes novidades antes da tarde seguinte, pelo menos.
Seriam entre as 12 e a 1 quando decidi avisar a Catarina e a Ana. Esta última sugeriu-me um duche, para ver se tudo se mantinha igual ou, eventualmente, abrandava. Foi o que fiz... e tudo se manteve igual. A essa altura, embora já fosse um pouco complicado falar e reagir a outras coisas durante as contracções, sentia-me lindamente. Ajeitei as almofadas no chão, diminuí a intensidade da luz e ali me deixei ficar a gozar cada contracção, enquanto confirmava à Doula e à Parteira que a hora estava a chegar e precisava de as ter comigo. Embora sentisse que aquilo ia demorar, começava a ficar um bocado ansiosa se seria realmente assim ou não. Também sabia que a segurança da presença delas ia ajudar o pai a manter a calma.
A Ana Ramos chegou por volta das 3, se bem me lembro e a Catarina, que ainda tinha ido buscar a Ana, minha enteada, uma ou duas horas mais tarde. O Tomás, que pouco ou nada conseguia dormir, juntou-se a nós na sala e fomos conversando entre contracção e contracção. A Catarina fez-me uma massagem fantástica com óleos essenciais de aromaterapia para estimular as contracções. Pouco depois, o Tomás decidiu-se por uma última tentativa de descansar um pouco, a minha enteada tinha subido para o quarto dela e também dormia e eu, a Catarina e a Ana ficámos por ali, também a tentar dormir um bocado. Ao amanhecer, ainda consegui descansar um pouco entre as contracções e cheguei mesmo a dormir. Tinha deixado de contar os intervalos, pois, se tinha algumas com intervalos de 1 minuto, tinha outras de 5 em 5 minutos... ou seja, se fosse a julgar por aí, só me ia baralhar. A minha mãe e o Tomás prepararm um pequeno almoço delicioso e comemos todos alegremente. Nessa altura, senti que a coisa ia abrandar, as contracções estavam a perder intensidade e pelo que percebi, apesar de não saber exactamente “como estava”, estava muito no início... tanto que a Ana sugeriu um passeio à praia a ver se retomávamos o ritmo e aquilo avançava.
Nunca esquecerei essa manhã. Era uma 2ª feira, mês de férias e a praia da Figueirinha estava linda... e com bastante gente. Assim que comecei a caminhar na areia molhada e a sentir a frescura da água do mar nos pés, fui invadida por uma energia totalmente nova, sentia-me cheia de força, e caminhei, caminhei, caminhei pela beira mar, durante imenso tempo e com imensa genica, com as pilhas novinhas em folha! Quando as contracções vinham, começava a “marchar”, enterrando os pés na areia o mais que podia e andava à roda, de mão dada com o Tomás... não sei porquê, mas aquela espécie de ritual, ao estilo “dança da chuva” acalmava-me, ao mesmo tempo
que me renovava o ânimo. As pessoas na praia deviam estar um bocado intrigadas com aquilo, mas a verdade é eu estava noutro mundo. Se no caminho para a praia fiquei um bocado apreensiva por quase não ter tido contracções, no regresso pedi à Ana e à Catarina, que iam no banco de trás do nosso carro para me apertarem as mãos com bastante força para me distrair da dor porque a coisa finalmente parecia estar a engrenar com força.
A partir daqui, apesar de ainda terem sido muitas horas, parece-me tudo muito rápido e resumido a alguns flashes cuja sequência a certo ponto me custa organizar e consegui fazê-lo mais pelas fotos que pela memória...
Sei que chegámos a casa pela hora do almoço e eu já tinha muita vontade de ir para a piscina, foi só o tempo de a encher e meti-me lá dentro. Enquanto enchiam a piscina, estive literalmente “pendurada” na escada de caracol a meio da sala, enquanto a Catarina me massajava as costas.
Só por essa altura é que comecei a perder o rolhão. Finalmente, a piscina ficou pronta e pude entrar! Que alívio!! A Bia ainda esteve por ali um bocadinho, deu-me a mão, fez-me mimos, pôs-me água nas costas, mas depois a minha mãe levou-a, primeiro para dar uma volta e depois para casa da Avó Li, a quem eu baptizei carinhosamente de “a Doula da avó”. Nessa altura lembro-me de pensar, emocionada, no privilégio que tinha por poder viver aqueles momentos tão tranquilamente, na companhia da minha família, com total respeito pelo meu tempo e pelo meu espaço...
Estive algumas horas dentro de água. Durante as contracções, a Catarina ou o Tomás massajavam-me as costas ou apertavam-me as ancas com força... aliviava-me tanto! Outras vezes, pedia para me apertarem aquela zona entre o polegar e o indicador com toda a força... era impressionante o quanto aquela pressão me trazia de volta a serenidade durante e após as contracções... só agora, quase um mês depois, é que deixei de ter essa zona dorida!
Algum tempo depois, e apesar de eu não ter vontade nenhuma de sair da água, a Ana sugeriu-me que experimentasse caminhar um bocadinho e aproveitar a força da gravidade. Reconheci que seria melhor e vim para o quintal. Não me quis vestir, e apresentei-me na rua de top interior e toalhão turco amarrado nas ancas... felizmente os vizinhos são poucos ;). Dei várias voltas à casa com o Tomás, que entretanto me ia fazendo massagens e apertanto as ancas durante as contracções, enquanto eu me ia apoiando nele, nas paredes e rodando as ancas, à medida que sentia como me abria cada vez mais. Estive também um pouco na bola, pendurando-me na cama de rede... A certa altura senti-me extremamente cansada e tive vontade de entrar na piscina
novamente. Assim fiz. Nessa altura o sol começava a descer e as coisas começaram realmente a aquecer. As contracções eram muito fortes, sentia uma pressão imensa na bexiga e na zona lombar, tinha a sensação de que me ia partir em dois e comecei a achar que não ia aguentar aquilo muito tempo. Animei-me com esse pensamento, já que, segundo se costuma dizer, quando chega este momento, é porque está quase e já falta pouco para ter o pequenino nos braços. E fui, contracção após contracção, esperando alguma sensação que me sugerisse que o Tomasinho estava finalmente pronto. Por essa fase, a meio de uma contracção, senti que a bolsa se rompia com alguma violência, como se fosse um balão sujeito a uma pressão imensa... mas continuava sem reflexo de puxo e as contracções eram todas iguais, fortíssimas, uma pressão enorme na bacia... e nada de vontade de fazer força. Ao fim de algum tempo naquilo, comecei a entrar em pânico. Só pensava que tinha que continuar a respirar para não perder o controle mas a respiração (sei pelas gravações) saía-me como um grito/rugido que me parece incrível que tenha saído da minha boca! Estava exausta e começava a pensar que, se aquilo não avançava, era porque se calhar ainda não estava na hora. Pensar que ainda poderia estar a muitas horas de que o bebé nascesse trouxe-me alguma aflição e comecei a entrar
naquele tão temido ciclo medo-tensão-dor. Não sei quanto tempo passei assim, mas a certa altura pensei que era “o fim da linha”, de tal forma estava desnorteada. Acho que a certa altura perguntei em voz alta se não podíamos parar e continuar mais tarde J. Mesmo sem vontade nem grande convicção, cheguei a fazer força durante as contracções, mas a dor tornava-se insuportável e cheguei à conclusão que era melhor esperar. Nesses momentos, que não sei bem quantas horas duraram, valeram-me a voz suave da Catarina para me serenar, encorajando-me a abrir o meu corpo e deixar o meu filho nascer, o apoio incondicional do Tomás que ia repetindo baixinho “tu consegues, meu amor, claro que consegues...” e, mais à frente, a ideia brilhante da Ana para me fazer voltar ao caminho. Ela já tinha feito a leitura de que a água não estava a ajudar muito naquele momento e que era preciso uma mudança para nos ajudar a ultrapassar aquele impasse. Já tinha tentado sugerir de algumas formas que talvez fosse boa ideia experimentar sair um bocadinho da água... mas eu nem queria ouvir falar nisso e não lhe fazia caso. Então, ela encontrou as palavras mágicas: “Linda, estás tão cansada... porque é que não experimentas ir te deitar um bocadinho e depois voltas?” Que óptima ideia – pensei eu – estou mesmo a precisar de descansar um bocado ;)! Saí da água e deitei-me na cama, às escuras. O Tomás deitou-se comigo. Acho que não tinha passado nem um minuto de nos deitarmos quando senti o que era evidente há horas: “Bolas, é agora, está na hora, o Tomasinho quer sair”. Pedi-lhe que as chamasse e pedi à Ana o banco de partos. Ela trouxe-o em seguida e, em menos de nada, estava a fazer força. Senti como a cabeça do meu bebé, que há tanto tempo pressionava a mesma zona, descia agora a bom ritmo, deixando a dor dar lugar a uma sensação única de poder animal, de ter o mundo todo cá dentro a querer sair, uma vontade louca de explodir, de dar à luz...
A Ana colocou o espelho à minha frente e, depois de uns quantos empurrões, comecei a ver a cabecinha do bebé a aparecer lá no fundo. Foi nessa altura que o Tomás, até aí atrás de mim, foi discretamente substituído pela Catarina pois precisou de ir “arejar” um pouco. Com mais um empurrão, vi a vulva a distender-se, mas não me sentia cónfortável, tinha as pernas dormentes, não as conseguia abrir bem nem apoiar os pés e tinha vontade de me pôr noutra posição. Decidi ficar de gatas... no chão! E, por momentos, gerou-se um silencioso caos atrás de mim, já que a Ana não conseguia ver nada assim nem tinha espaço para colocar almofadas ou resguardos onde o bebé pudesse nascer confortavelmente. Depois de um breve impasse, a Catarina lá conseguiu convencer-me a passar para a cama. Aí, com mais três empurrões, nasceu o meu menino. Primeiro a cabecinha, que toquei e acariciei, incrédula com o que me estava a acontecer... e de seguida o resto do corpinho, num “pop” molhado. O Tomás, já recuperado, estava agora à minha frente, super emocionado.
A Parteira amparou o bebé e passou-o entre as minhas pernas, para que lhe pegasse. Foi indescritível a sensação de segurar aquele corpinho quente e escorregadio. Estava branquinho, de olhos fechados... e era tão lindo! Começou logo a gorgolejar, mas só fez alguma coisa que se parecesse a chorar ao fim de uns minutos. Pouco depois, abriu os olhinhos, pegou no peito e assim ficámos, a namorar, deitados na cama, não sei se por minutos ou horas. O pai anunciava o nascimento à mana grande, que entretanto tinha ido “arejar” também. Ela veio conhecer o mano e esperámos que o cordão parasse de pulsar para que ela o cortasse. Pouco depois a placenta nasceu, com duas contracções em que me lembro de gracejar “São gémeos!” A mana do meio e as avós chegaram entretanto e juntaram-se a nós. A pequena não cabia nela, tal era a excitação por, finalmente, conhecer o “cara de umbigo” J! Depois, foi hora de “reparar os estragos”, que os havia (4 pontinhos no períneo e alguns também por dentro), tomar uma banhoca, comer e descansar. Eu, embora a cabecear de cansaço, estava totalmente em êxtase... tinha PARIDO o meu filho... imaginei tantas vezes aquele momento que não podia (ainda hoje não posso) parar de o reviver.
Claro que isto é tudo menos uma peça de teatro que se ensaia para sair direitinho como no guião. Muita coisa aconteceu de maneira diferente ao que eu tinha imaginado, sem por isso deixar de ser único e maravilhoso, foi o MEU parto, aquele que eu tinha que viver, aquele com que sonhei durante tanto tempo. E foi tão bom que pudesse ser entre pessoas tão queridas, num ambiente tão calmo! Estavam todos ali... o pai, as manas, as avós e duas mulheres fantásticas, incansáveis na missão de lembrar a todo o momento esta família de que este era o nosso parto...
Ainda me perguntei durante alguns dias porque razão o momento do parto em si demorou tanto a manifestar-se no meu corpo, independentemente de estar ou não na piscina, independentemente da força da gravidade ou do cansaço... e lembrei-me de um filme que vi sobre partos na água em que uma parteira dizia que, para ela, o momento mais extraordinário de qualquer parto era aquele em que a mulher, de repente, se dava conta de que ninguém poderia fazer aquilo no lugar dela e, naquele preciso momento, se entregava totalmente. E reconheci que foi essencial ter tido aquelas horas de conflito com o meu corpo para aprender a confiar nele. Este parto foi, para mim, uma lição de humildade e um momento de grande crescimento pessoal.
Muito obrigada a todos; em primeiro lugar à minha queridíssima Doula Catarina Pardal, que por muito que diga e repita que não teve nada a ver com o parto em si, foi ela que, a mais de 6 mil km de distância e se calhar sem saber até que ponto o trabalho dela foi importante no meu caminho, me encorajou a procurar o meu próprio poder, a minha feminilidade mais profunda. Nunca saberei como lhe agradecer. As palavras são poucas para descrever o que a sua extraordinária postura discreta e amiga foram capazes de fazer na minha vida. Mil vezes obrigada por tudo, minha querida!
À minha Parteira, Ana Ramos, que esteve sempre lá, com a palavra certa no momento certo, aliando como ninguém a segurança e o carinho, muito mulher, muito mãe, muito amiga!
Ao meu marido que pariu este filho comigo e certamente lhe custou mais a ele que a mim! Obrigada, meu amor, pela confiança que depositaste em mim e por partilhares comigo a beleza e a intensidade deste momento... fomos capazes!!
À minha filhota Bia por me ter posto a pensar no sentido do nascimento. Pela mãozinha amiga e pela água morna... ;)
À minha enteada, uma jovem e linda mulher que espero que cresça sem medo, com consciência e orgulho pelo facto de o seu corpo estar “maravilhosamente desenhado para fazer nascer uma criança”.
À minha mãe por, apesar da sua relutância, ter aceite a minha opção e se ter empenhado em ajudar-me a tornar este sonho realidade e à querida Mãe/Avó Li por ter sido a “Doula da Avó” e pelo carinho de tantos anos... à mana Vera também, apesar da distância não ter permitido que estivesse presente.
MUITO OBRIGADA!
Claro que há sempre reflexões a posteriori, que nem sempre, ou melhor, quase nunca aparecem nestes relatos e que acho, já que o tema está tão na moda e cada dia se fala mais de humanização, da necessidade de devolver às mães (e aos pais, evidentemente) os momentos mais importantes das suas vidas, que vale a pena falar nelas.
Como mãe, como mulher, considero o parto um marco muito importante no caminho do crescimento interior de uma mulher. O parto em casa é uma opção, uma opção que não se pode considerar “como qualquer outra” porque, principalmente em Portugal, ainda implica que estejamos totalmente preparados para assumir a responsabilidade total por cada momento, cada decisão que tomamos ou deixamos de tomar. Um dia, uma pessoa muito querida disse-me uma coisa que na altura não percebi muito bem: que a maioria das mulheres que escolhiam um parto em casa o faziam apenas para fugir das rotinas hospitalares. Agora entendi o que queria dizer. Temos todo o direito de fazer escolhas, as escolhas são nossas e seja o que for que nos leva a fazê-las, é connosco. Mas um parto em casa, qualquer que seja a razão que nos levou a escolhê-lo, é um parto onde, apesar de assistidos, temos que estar conscientes que a responsabilidade é toda NOSSA. Se não nos sentirmos confortáveis com a decisão, se a maneira como a encaramos é do estilo “dos males o menor”, aconselho vivamente a repensar, pois se alguma coisa corre menos bem, a tendência é culpar quem nos assiste, quando no fundo o nosso medo e as nossas inseguranças estão muitas vezes na raíz dos percalços durante o trabalho de parto.
Pelo que me diz respeito, tive a sorte de ter tempo suficiente para “sonhar” o meu parto e para tomar aos poucos a consciência total do que significava dar à luz por minha conta e risco... e também de ter comigo uma dupla verdadeiramente incrível de grandes MULHERES que conhecem bem os recantos da essência feminina que nos é comum e sabem como ninguém dar o espaço necessário para que cada mulher renasça e se reinvente no seu parto; mas se o assunto está tão na berlinda e as mulheres começam cada vez mais a pesar esta opção, não se esqueçam de pensar nisto. Não se trata apenas de fazer uma opção, mas sim de assumir uma atitude.
Por outro lado, quando depositamos tanta energia na vivência de uma experiência de parto, muitas vezes esquecemos o que está “para lá” do parto. Ao viver um parto empoderador, a mulher sente-se dona do mundo e acha que tudo vai ser perfeito. Mas não é. O bebé, como todos os bebés, chora, tem gases, acorda de noite e deixa-nos “em frangalhos” durante as primeiras semanas. Portanto, não esqueçamos o que vem depois e que, apesar de termos vivido o nosso parto e, em geral, um bebé nascido assim se mostrar mais tranquilo nos primeiros dias e a mãe mais disposta e moralizada... os primeiros tempos não são fáceis. Como diz aquela piada da senhora que acabou de parir e pergunta ao médico: “Dr., o pior já passou, não é?! Ao que ele responde: “Não, minha querida, esta foi a parte fácil, o pior acaba de começar!” Claro que é um exagero... não é fácil, há que fazer uns exercícios de “bom senso e estupidez natural”, como diz a minha amiga Raquel ;), mas no final é como uma dança em que vamos apanhando o ritmo e acertando o passo com a nossa dupla. Se relaxarmos e seguirmos o nosso instinto, acaba por funcionar. Isto só para lembrar que depois do parto ainda vem o “quarto trimestre”, que é tão ou mais importante para uma vivência plena do que é SER MÃE!
C.
Estava em Espanha e por mero acaso acabei por ir parar a uma maternidade onde o protocolo parecia ser o de reservar as hipóteses de uma cesariana às situações estritamente emergentes e explorar todas as alternativas possíveis antes de avançar com essa decisão.
Mas isto, como disse, foi por mero acaso. Curiosamente, saí daquela primeira experiência com a sensação de que aqueles médicos e enfermeiros tinham salvo a minha vida e a da minha filha... que nasceu com os olhos totalmente arregalados e uma expressão apavorada que não consigo esquecer.
Apesar de me terem permitido esperar até às 42 semanas, quando as contracções se fizeram sentir com alguma intensidade e decidi passar por lá já não me deixaram sair, devido ao tempo de gestação, pois mesmo que não estivesse em trabalho de parto, iriam induzir, de qualquer forma. Assim, deram-me uma droga qualquer para me manter quieta e caladinha durante a noite, apesar das contracções, que podiam muito bem ter sido aproveitadas e assim fiquei, à espera que a manhã trouxesse o obstetra que ia parir a minha filha. Já no dia seguinte, e até às 21 horas desse dia, quando a Beatriz finalmente cedeu e decidiu sair (eu no lugar dela também não estaria com muita vontade de vir cá para fora...), tivémos tudo a que tínhamos direito: oxitocina no soro e dores de enlouquecer, amniotomia, CTG contínuo e enfermeiras simpáticas a queixar-se da doentinha travessa que não parava quieta para deixar ler o registo, epidural, internos, médicos e sei lá mais quem a entrar à bruta sem sequer um bom dia para ver se “aquela já estava madura”, transferência para a sala de partos aos 5 cm por aparente bradicardia fetal, 5 análises de PH à bebé (tiraram-lhe amostras de sangue da cabeça – 5 vezes) para confirmar se realmente estava com falta de oxigénio, que não levaram a nenhum resultado conclusivo, já que me chegaram a dizer que não sabiam se o que estavam a apanhar era o coração do bebé ou uma veia minha (o CTG é realmente a invenção do século), kristeller, fórceps e, como não, uma bela episiotomia... e apesar de tudo isto, quando voltei a engravidar e a pensar num segundo parto descobri que, afinal, até tinha tido sorte!!
Costumo dizer na brincadeira que, antes de parir o meu segundo filho, pari o meu parto e isto não deixa de ser um facto. Quase seis anos após o nascimento da Bia, em Espanha, com todos os recursos tecnológicos mais avançados ali à mão, encontrava-me agora a viver em Angola, e a pensar seriamente em como fazer na altura do parto já que, da primeira vez, a minha vida tinha sido milagrosamente salva por uma grande equipa de bons especialistas e ali, infelizmente, não contava com esse recurso. Decidi então que o meu filho viria nascer a Portugal.
A nossa viagem começou aí pelos 4 meses de gravidez, quando comecei a contactar hospitais e serviços que aceitassem algum tipo de acompanhamento à distância. Inicialmente, achei que o melhor seria optar por um destes novos hospitais privados, onde pudesse estar segura que tinha à mão tudo o que há de mais moderno e que, graças a isso, tudo correria bem... pura ilusão!
Mas calhou ter que ficar umas semanas em casa e ter tido mais tempo para pesquisar informação útil e foi aí que comecei a descobrir um universo feminino com o qual ainda não me tinha atrevido a conectar. Começo a ler sobre doulas, parto humanizado, parto domiciliar... e descubro com alguma revolta que, no meu primeiro parto a nossa vida não só não fora milagrosamente salva por aquela equipa (da qual não recordo um nome ou mesmo um rosto), como o processo ainda tinha sido completamente boicotado pela cascata de intervenções que foram feitas.
Com algum desgosto, descubro também que, se tivesse sido em Portugal as hipóteses de ter escapado a uma indução ou mesmo a uma cesariana programada, já que tivera herpes genital aos 5 meses de gestação, eram quase nulas.
Desde aí não parei de ler, de me deslumbrar, de me indignar e de pensar e repensar o que eu realmente queria para este segundo parto. Descobri o fantástico blog da Catarina e passei a acompanhá-lo regularmente. Contactei-a, já decidida a ter uma doula e contente e agradecida por, graças a ela, ter tanta informação de qualidade acessível de uma forma tão simples. Tive resposta e mantivémos o contacto ao longo dos meses que se seguiram.
De início, decidi ter uma Doula mas nem pensar noutra hipótese que não o parto hospitalar... a essas alturas parecia-me uma aventura demasiado arriscada pensar num parto domiciliar, principalmente porque achava que ia ser muito difícil vir a ter o apoio do meu marido nessa decisão e também porque, à distância que estava das pessoas que me poderiam acompanhar no caminho dessa decisão, seria difícil haver um tempo e um espaço de discussão e reflexão. De qualquer maneira, e como quem não quer a coisa, fui deixando “cair” pelos cantos da casa artigos e informação de todo o tipo sobre humanização, parto natural, etc, etc...
O certo é que quanto mais lia e me informava e à medida que a gravidez avançava tranquila e saudável, menos o parto hospitalar fazia sentido para mim. Foi aí que comecei a colocar a hipótese de o hospital fazer parte apenas do plano B. E, sem comentar com ninguém, contactei a Ana Ramos, Parteira, e comecei a viagem interior para me preparar para um parto em casa. Afinal, o parto era meu e era um erro ficar condicionada à partida pelo receio das reacções alheias. Com toda a informação que eu já tinha, argumentos de peso era o que não me faltava.
Vim para Portugal acompanhada da minha mãe da minha filha, cerca de 1 mês antes da data prevista para o parto, o pai viria um mês depois, precisamente na data provável para o parto, dia 4 de Agosto, o que me deixava numa situação mais complicada, pois arriscávamo-nos a que ele nem sequer estivesse presente no parto, no caso do pequeno decidir adiantar-se.
Primeiro, e antes de tomar a decisão definitiva, era importante para mim conhecer aquelas pessoas com quem tinha estado em contacto durante os meses anteriores e realmente perceber até que ponto aquilo fazia sentido para mim e até que ponto as impressões que tinha criado à distância se confirmavam no contacto directo. Marquei um encontro com a Catarina e com a Ana no dia seguinte a chegar a Portugal. Se ainda me restava alguma dúvida nessa altura, ali ficou decidido que este bebé nasceria em casa.
À cautela, e visto que até àquele dia a decisão esteve pendente de muitas coisas, havia resolvido há algum tempo marcar uma consulta com uma obstetra com certa fama de “diferente”. Não deixei de ir a essa consulta, marcada há mais de 3 meses e aproveitei para fazer os últimos exames, e talvez os mais completos de toda a gravidez, pois há muito que havia desistido de ir às consultas em Angola, limitando-me a fazer os exames que considerei importantes e interpretá-los por minha conta e risco (trabalho na área da saúde). Gostei da postura dela... mas gostei menos do marketing que faz à volta dessa postura. De qualquer das maneiras, por muito diferenciada que fosse a sua atitude, para mim, já nada para além da porta da minha casa fazia sentido. E não voltei lá.
Agora era aguardar que o meu pequeno desse sinal e esperar sinceramente que a informação com que havia bombardeado o pai nos meses anteriores tivesse sido lida, compreendida e assimilada da melhor forma, pois só no dia da sua chegada a Portugal é que ele se veria perante a notícia “o nosso filho vai nascer em casa”. Confesso que isso me trazia bastante ansiosa, quase a desejar que o bebé decidisse nascer antes para não ter que enfrentar aquela conversa.
No entanto, daquela como de tantas outras vezes, o meu querido marido surpreendeu-me muito, muito, pelo lado positivo. Não só todos os meus sinais haviam sido captados, de modo a que ele já estivesse de certa forma à espera que aquela acabasse por ser a minha decisão, como se mostrou plenamente de acordo comigo, afirmando que eu tinha todo o direito a parir o meu filho da forma que eu achasse melhor para mim e para o bebé e que ele, qualquer que fosse a minha decisão, ficaria do meu lado. Por ele, teria preferido abrir o microondas e tirar de lá o bebé já “prontinho” sem ouvir um “ai” J, mas se a minha vontade era viver todo o processo plenamente, ele estaria ali e, no fundo, embora um pouco apreensivo, tão feliz como eu por poder viver cada segundo do nosso parto.
Daí em diante, foi relaxar de verdade e apenas esperar que o grande dia chegasse. Em casa, estava tudo a postos. A avó um pouco nervosa, a mana do meio ansiosa, o pai em suspenso e a mana mais velha (filha do meu marido, com 16 anos) de férias, mas de sobreaviso, porque também estaria presente no parto.
A semana 40 passou sem novidades. Todos os dias, a todo o instante, estava a espera que o meu corpo me desse algum sinal de que a hora tinha chegado. E a hora chegou, 5 dias depois da data prevista ao fim da tarde, depois de um dia como outros, em que me fartei de andar a ver se a coisa se anunciava. Tinha passado a tarde com o Tomás pai para cima e para baixo e assim que chegámos a casa senti que algo de novo estava para acontecer. Sentia-me irritável e apetecia-me ficar num canto, sem falar com ninguém. E assim fiquei, acho que nem boa tarde disse à mana Bia e à avó, deixei-me ficar no sofá da sala, apenas concentrada no meu corpo. Pouco depois, as primeiras contracções. Deixei-me ficar, podia ainda não ser desta, já tinha tido outras ameaças que depois pararam ao fim de algumas horas. Mas as horas foram passando e eu passei do sofá para um monte de almofadas que atirei para o chão e comecei a achar que as contracções, embora suportáveis, eram muito seguidas. Confirmei: de 3 em 3 minutos?!! Achei estranho, mas confiei no que o meu corpo me dizia... aquilo estava só e apenas a começar e ainda teria ali entretém para muito tempo. Não me enganei.
Por volta das 10 da noite, a avó e a mana deitaram-se e o Tomás veio ver se estava tudo bem. Disse-lhe que era melhor ir descansar porque pelo estado das coisas, ia precisar de estar bem disposto no dia seguinte. Não sei bem porquê, mas sempre senti que este meu parto também seria demorado, como o primeiro. E, embora sentisse as contracções tão próximas umas das outras sabia que a coisa não ia trazer grandes novidades antes da tarde seguinte, pelo menos.
Seriam entre as 12 e a 1 quando decidi avisar a Catarina e a Ana. Esta última sugeriu-me um duche, para ver se tudo se mantinha igual ou, eventualmente, abrandava. Foi o que fiz... e tudo se manteve igual. A essa altura, embora já fosse um pouco complicado falar e reagir a outras coisas durante as contracções, sentia-me lindamente. Ajeitei as almofadas no chão, diminuí a intensidade da luz e ali me deixei ficar a gozar cada contracção, enquanto confirmava à Doula e à Parteira que a hora estava a chegar e precisava de as ter comigo. Embora sentisse que aquilo ia demorar, começava a ficar um bocado ansiosa se seria realmente assim ou não. Também sabia que a segurança da presença delas ia ajudar o pai a manter a calma.
A Ana Ramos chegou por volta das 3, se bem me lembro e a Catarina, que ainda tinha ido buscar a Ana, minha enteada, uma ou duas horas mais tarde. O Tomás, que pouco ou nada conseguia dormir, juntou-se a nós na sala e fomos conversando entre contracção e contracção. A Catarina fez-me uma massagem fantástica com óleos essenciais de aromaterapia para estimular as contracções. Pouco depois, o Tomás decidiu-se por uma última tentativa de descansar um pouco, a minha enteada tinha subido para o quarto dela e também dormia e eu, a Catarina e a Ana ficámos por ali, também a tentar dormir um bocado. Ao amanhecer, ainda consegui descansar um pouco entre as contracções e cheguei mesmo a dormir. Tinha deixado de contar os intervalos, pois, se tinha algumas com intervalos de 1 minuto, tinha outras de 5 em 5 minutos... ou seja, se fosse a julgar por aí, só me ia baralhar. A minha mãe e o Tomás prepararm um pequeno almoço delicioso e comemos todos alegremente. Nessa altura, senti que a coisa ia abrandar, as contracções estavam a perder intensidade e pelo que percebi, apesar de não saber exactamente “como estava”, estava muito no início... tanto que a Ana sugeriu um passeio à praia a ver se retomávamos o ritmo e aquilo avançava.
Nunca esquecerei essa manhã. Era uma 2ª feira, mês de férias e a praia da Figueirinha estava linda... e com bastante gente. Assim que comecei a caminhar na areia molhada e a sentir a frescura da água do mar nos pés, fui invadida por uma energia totalmente nova, sentia-me cheia de força, e caminhei, caminhei, caminhei pela beira mar, durante imenso tempo e com imensa genica, com as pilhas novinhas em folha! Quando as contracções vinham, começava a “marchar”, enterrando os pés na areia o mais que podia e andava à roda, de mão dada com o Tomás... não sei porquê, mas aquela espécie de ritual, ao estilo “dança da chuva” acalmava-me, ao mesmo tempo
A partir daqui, apesar de ainda terem sido muitas horas, parece-me tudo muito rápido e resumido a alguns flashes cuja sequência a certo ponto me custa organizar e consegui fazê-lo mais pelas fotos que pela memória...
Sei que chegámos a casa pela hora do almoço e eu já tinha muita vontade de ir para a piscina, foi só o tempo de a encher e meti-me lá dentro. Enquanto enchiam a piscina, estive literalmente “pendurada” na escada de caracol a meio da sala, enquanto a Catarina me massajava as costas.
Estive algumas horas dentro de água. Durante as contracções, a Catarina ou o Tomás massajavam-me as costas ou apertavam-me as ancas com força... aliviava-me tanto! Outras vezes, pedia para me apertarem aquela zona entre o polegar e o indicador com toda a força... era impressionante o quanto aquela pressão me trazia de volta a serenidade durante e após as contracções... só agora, quase um mês depois, é que deixei de ter essa zona dorida!
Algum tempo depois, e apesar de eu não ter vontade nenhuma de sair da água, a Ana sugeriu-me que experimentasse caminhar um bocadinho e aproveitar a força da gravidade. Reconheci que seria melhor e vim para o quintal. Não me quis vestir, e apresentei-me na rua de top interior e toalhão turco amarrado nas ancas... felizmente os vizinhos são poucos ;). Dei várias voltas à casa com o Tomás, que entretanto me ia fazendo massagens e apertanto as ancas durante as contracções, enquanto eu me ia apoiando nele, nas paredes e rodando as ancas, à medida que sentia como me abria cada vez mais. Estive também um pouco na bola, pendurando-me na cama de rede... A certa altura senti-me extremamente cansada e tive vontade de entrar na piscina
A Ana colocou o espelho à minha frente e, depois de uns quantos empurrões, comecei a ver a cabecinha do bebé a aparecer lá no fundo. Foi nessa altura que o Tomás, até aí atrás de mim, foi discretamente substituído pela Catarina pois precisou de ir “arejar” um pouco. Com mais um empurrão, vi a vulva a distender-se, mas não me sentia cónfortável, tinha as pernas dormentes, não as conseguia abrir bem nem apoiar os pés e tinha vontade de me pôr noutra posição. Decidi ficar de gatas... no chão! E, por momentos, gerou-se um silencioso caos atrás de mim, já que a Ana não conseguia ver nada assim nem tinha espaço para colocar almofadas ou resguardos onde o bebé pudesse nascer confortavelmente. Depois de um breve impasse, a Catarina lá conseguiu convencer-me a passar para a cama. Aí, com mais três empurrões, nasceu o meu menino. Primeiro a cabecinha, que toquei e acariciei, incrédula com o que me estava a acontecer... e de seguida o resto do corpinho, num “pop” molhado. O Tomás, já recuperado, estava agora à minha frente, super emocionado.
Claro que isto é tudo menos uma peça de teatro que se ensaia para sair direitinho como no guião. Muita coisa aconteceu de maneira diferente ao que eu tinha imaginado, sem por isso deixar de ser único e maravilhoso, foi o MEU parto, aquele que eu tinha que viver, aquele com que sonhei durante tanto tempo. E foi tão bom que pudesse ser entre pessoas tão queridas, num ambiente tão calmo! Estavam todos ali... o pai, as manas, as avós e duas mulheres fantásticas, incansáveis na missão de lembrar a todo o momento esta família de que este era o nosso parto...
Ainda me perguntei durante alguns dias porque razão o momento do parto em si demorou tanto a manifestar-se no meu corpo, independentemente de estar ou não na piscina, independentemente da força da gravidade ou do cansaço... e lembrei-me de um filme que vi sobre partos na água em que uma parteira dizia que, para ela, o momento mais extraordinário de qualquer parto era aquele em que a mulher, de repente, se dava conta de que ninguém poderia fazer aquilo no lugar dela e, naquele preciso momento, se entregava totalmente. E reconheci que foi essencial ter tido aquelas horas de conflito com o meu corpo para aprender a confiar nele. Este parto foi, para mim, uma lição de humildade e um momento de grande crescimento pessoal.
Muito obrigada a todos; em primeiro lugar à minha queridíssima Doula Catarina Pardal, que por muito que diga e repita que não teve nada a ver com o parto em si, foi ela que, a mais de 6 mil km de distância e se calhar sem saber até que ponto o trabalho dela foi importante no meu caminho, me encorajou a procurar o meu próprio poder, a minha feminilidade mais profunda. Nunca saberei como lhe agradecer. As palavras são poucas para descrever o que a sua extraordinária postura discreta e amiga foram capazes de fazer na minha vida. Mil vezes obrigada por tudo, minha querida!
À minha Parteira, Ana Ramos, que esteve sempre lá, com a palavra certa no momento certo, aliando como ninguém a segurança e o carinho, muito mulher, muito mãe, muito amiga!
Ao meu marido que pariu este filho comigo e certamente lhe custou mais a ele que a mim! Obrigada, meu amor, pela confiança que depositaste em mim e por partilhares comigo a beleza e a intensidade deste momento... fomos capazes!!
À minha filhota Bia por me ter posto a pensar no sentido do nascimento. Pela mãozinha amiga e pela água morna... ;)
À minha enteada, uma jovem e linda mulher que espero que cresça sem medo, com consciência e orgulho pelo facto de o seu corpo estar “maravilhosamente desenhado para fazer nascer uma criança”.
À minha mãe por, apesar da sua relutância, ter aceite a minha opção e se ter empenhado em ajudar-me a tornar este sonho realidade e à querida Mãe/Avó Li por ter sido a “Doula da Avó” e pelo carinho de tantos anos... à mana Vera também, apesar da distância não ter permitido que estivesse presente.
MUITO OBRIGADA!
Claro que há sempre reflexões a posteriori, que nem sempre, ou melhor, quase nunca aparecem nestes relatos e que acho, já que o tema está tão na moda e cada dia se fala mais de humanização, da necessidade de devolver às mães (e aos pais, evidentemente) os momentos mais importantes das suas vidas, que vale a pena falar nelas.
Como mãe, como mulher, considero o parto um marco muito importante no caminho do crescimento interior de uma mulher. O parto em casa é uma opção, uma opção que não se pode considerar “como qualquer outra” porque, principalmente em Portugal, ainda implica que estejamos totalmente preparados para assumir a responsabilidade total por cada momento, cada decisão que tomamos ou deixamos de tomar. Um dia, uma pessoa muito querida disse-me uma coisa que na altura não percebi muito bem: que a maioria das mulheres que escolhiam um parto em casa o faziam apenas para fugir das rotinas hospitalares. Agora entendi o que queria dizer. Temos todo o direito de fazer escolhas, as escolhas são nossas e seja o que for que nos leva a fazê-las, é connosco. Mas um parto em casa, qualquer que seja a razão que nos levou a escolhê-lo, é um parto onde, apesar de assistidos, temos que estar conscientes que a responsabilidade é toda NOSSA. Se não nos sentirmos confortáveis com a decisão, se a maneira como a encaramos é do estilo “dos males o menor”, aconselho vivamente a repensar, pois se alguma coisa corre menos bem, a tendência é culpar quem nos assiste, quando no fundo o nosso medo e as nossas inseguranças estão muitas vezes na raíz dos percalços durante o trabalho de parto.
Pelo que me diz respeito, tive a sorte de ter tempo suficiente para “sonhar” o meu parto e para tomar aos poucos a consciência total do que significava dar à luz por minha conta e risco... e também de ter comigo uma dupla verdadeiramente incrível de grandes MULHERES que conhecem bem os recantos da essência feminina que nos é comum e sabem como ninguém dar o espaço necessário para que cada mulher renasça e se reinvente no seu parto; mas se o assunto está tão na berlinda e as mulheres começam cada vez mais a pesar esta opção, não se esqueçam de pensar nisto. Não se trata apenas de fazer uma opção, mas sim de assumir uma atitude.
Por outro lado, quando depositamos tanta energia na vivência de uma experiência de parto, muitas vezes esquecemos o que está “para lá” do parto. Ao viver um parto empoderador, a mulher sente-se dona do mundo e acha que tudo vai ser perfeito. Mas não é. O bebé, como todos os bebés, chora, tem gases, acorda de noite e deixa-nos “em frangalhos” durante as primeiras semanas. Portanto, não esqueçamos o que vem depois e que, apesar de termos vivido o nosso parto e, em geral, um bebé nascido assim se mostrar mais tranquilo nos primeiros dias e a mãe mais disposta e moralizada... os primeiros tempos não são fáceis. Como diz aquela piada da senhora que acabou de parir e pergunta ao médico: “Dr., o pior já passou, não é?! Ao que ele responde: “Não, minha querida, esta foi a parte fácil, o pior acaba de começar!” Claro que é um exagero... não é fácil, há que fazer uns exercícios de “bom senso e estupidez natural”, como diz a minha amiga Raquel ;), mas no final é como uma dança em que vamos apanhando o ritmo e acertando o passo com a nossa dupla. Se relaxarmos e seguirmos o nosso instinto, acaba por funcionar. Isto só para lembrar que depois do parto ainda vem o “quarto trimestre”, que é tão ou mais importante para uma vivência plena do que é SER MÃE!
C.
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