Sobre o blog:

“A humanização do nascimento não representa um retorno romântico ao passado, nem uma desvalorização da tecnologia. Em vez disso, oferece uma via ecológica e sustentável para o futuro” Ricardo H. Jones

sexta-feira, 19 de março de 2010

Afinal o que é o Feminismo?

Autora feminista francesa Badinter Elisabeth, recentemente ( leiam os comentários ) falou contra o novo modelo de maternidade . Segundo a autora este "novo" estilo de maternidade é anti-feminista, é um retorno à Idade das Trevas, escravizando mulheres por conta dos seus filhos.

Exactamente por discursos como este, abstenho-me de me chamar feminista.

O feminismo não é apenas ir trabalhar fora de casa. O feminismo também é o direito da mulher de ficar em casa e cuidar dos seus filhos, se ela assim o desejar. É sobre a escolha de uma mulher no parto, na amamentação, é sobre A ESCOLHA sobre a LIBERDADE de escolha!!


Segundo a autora a nova imagem da mãe" ideal "- aquele que amamenta durante seis meses, não se apressa para voltar ao trabalho a tempo inteiro, evita analgésicos durante o parto, rejeita fraldas descartáveis e, ocasionalmente, deixa o seu bebé dormir na sua cama - são exigências impossíveis para qualquer mulher que tenha uma vida para além do seu filho.

Eu discordo, as mães que ficam em casa com os filhos podem ter uma vida....
Para quê que queremos ser iguais aos homens? Igualdade não quer dizer que tenhamos que ser iguais..... mas sim ter direitos iguais... não sei se me faço entender....
Para mim as mulheres estão a tornar-se homens....

Eu aconselhava esta senhora a ler Laura Gutman....

Na realidade não é fácil renunciar ao salário quando temos uma incompreensão social forte (que aumenta com a idade do bebé) quando tomamos a decisão de ficar em casa, quando é socialmente aceite que os cuidados maternos e paternos não são necessário porque temos educadoras, creches ou avós (terceirização de parentalidade), quanto temos total ausência de estruturas tribais, quando vivemos numa sociedade anti-criança e anti-mães... Mas, mesmo assim, conheço cada vez mais mulheres a optarem por não colocar os seus filhos em escolas, por ficar em casa, por trabalhar em casa...Porque é que isto acontece? Não sei, mas tenho uma teoria, depois de lerem M. Odent vão perceber :) O PODER DO PARTO... as hormonas do parto... quando se tem um parto poderoso, a mulher nunca mais será a mesma....

O que se está a passar??? Porque estamos a voltar a ser mamíferas?

10 comentários:

Maternidade Natural disse...

Uauu!Já fazia bem falta alguem falar disto!
Possa, como estou saturada de ser criticada pelas minhas escolhas no que se trata do meu filho.É MEU filho.Porque se estão sempre a esquecer disto? Estou saturada de me dizerem que abdico dos meus direitos, do que conquistamos enquanto mulheres, da carreira, da "igualdade"! Como te compreendo quando dizes que as mulheres querem ser homens!Nós somos diferentes, em TUDO!Como podemos querer todos a mesma posição na vida?Se passarmos a ser todos iguais, como fica o mundo?Igualdade..o que é isso mesmo??Para mim é outro padrão da sociedade para nós mulheres.sinto que a pressão que essa tal igualdade, feminismo traz é mais um programa para acrescentar ao robot que nos querem tornar!Estamos a ficar iguais á produção em serie, só maquinas e programas sem contacto humano,sem diferença!

mamapoekie disse...

Hey, so you blog too... Did I understand correctly you are a Doula?
Greetings
Mamapoekie from Authentic Parenting

Carina disse...

E COMO!!
Tudo isso se explica indo às raízes históricas e culturais da questão. As mães mamíferas desapareceram quando a sociedade se dividiu em quem tem mais e quem tem menos, perdendo as suas características tribais, em que mulheres e homens eram parte de um todo, tendo no entanto papéis distintos. Os homens tomaram o controlo e construíram um mundo à sua imagem, onde os mais pobres e os mais fracos (mulheres e crianças) eram subjugados. Com a tomada de consciência de que era injusto as mulheres não terem acesso às mesmas coisas que os homens, surgiu o chamado feminismo que era exactamente isso: mulheres lutando pela sua igualdade face aos homens, na sociedade e que, de facto, fazia algum sentido nas circunstâncias da época, já que se falava de direitos humanos básicos. Assim, as mulheres acabaram por conquistar o seu lugar como "iguais"... mas não recuperaram a sua conexão com o verdadeiro universo feminino... porque este não nos faz iguais, faz-nos, precisamente DIFERENTES. O que cabe agora é lutar pela aceitação dessa diferença e defender, com as muitas provas já dadas, que ela é necessária e benéfica para o futuro das civilizações. Isso faz parte desta nova revolução, como num processo evolutivo normal na espécie...
Este texto: http://www.naturalchild.org/whatever_happened/ que me foi enviado há tempos pela Carla Oliveira ajudou-me muito a verbalizar esta "sensação" crescente de que o melhor caminho é aquele que nos aproxima das raízes.
Podes crer... há algo de mágico e de verdadeiramente sobrenatural num parto PODEROSO... não dá mesmo para voltar a olhar o Mundo com os mesmos olhos... e ainda bem!
BJ

Mia disse...

Parece fácil...so simple ;)

Cat disse...

Mamapoekie I´m a Doula.
Greetings from Portugal

Cat disse...

Mia... acredita que é facil... nós criamos a nossa realidade :)

Cat disse...

Carina esse texto que falas é fantastico!

Cat disse...

Sofia, acredito que estejas saturada mas... força!

Sofia Batalha disse...

"(...) um estudo de 2008 concluiu que os filhos de mães trabalhadoras são mais felizes, mais bem sucedidos e mais resistentes do que os outros. "Se a mãe não se sentir realizada, a relação com a criança também não é boa", salienta a investigadora. O mais importante para a relação não é a quantidade, mas "a qualidade" do tempo que a mãe passa com a criança."

... mas uma mãe a tempo inteiro não pode estar realizada? penso que estes pressupostos estão baseados no perfil de mãe-dona-de-casa do passado, em que uma mulher tendia a anular-se em prol da familia. Penso que o novo paradigma é bastante diferente, mulheres que querem transformar a sua vida, complementando o amor aos seus filhos com os seus interesses pessoais, não se anulando, mas transformando.

moya disse...

Também concordo com a Catarina, igualdade seria liberdade de escolha, sendo isso ter uma carreira sem filhos ou tendo filhos sem carreira ou um misto de ambos. Concordo com a Sofia, as mulheres mudaram, e com elas o seu papel no seio da família. O importante é a mulher sentir-se realizada: assim poderá estar mais afectivamente e intelectualmente disponível para os seus filhos!